- Então, diz-me lá porque é que nunca mais tive notícias tuas? Não voltaste a telefonar? Nem uma mensagem quando o Sporting ganhou o jogo? Até parece que me andas a evitar?....
As palavras de Fernando estavam a começar a desconcertar Ana, que sentia a fragilidade do seu aparente estado de calma. Decidira enfrentar este encontro muito contrariada, mas não queria –nem podia – deixar transparecer rancor. Muito menos poderia deixar Fernando associar esse estado de espírito e de sentimentos ao último encontro de ambos. Era uma questão de orgulho, acima de tudo, não podia dar a Fernando essa vitória.
- Evitar-te? Se calhar… Na verdade não me apetecia ver-te e muito menos ter de falar contigo.
E assim em segundos o plano da Ana de parecer calma, distante e indiferente ficou arruinado. Já estava habituada a estes deslizes e sabia que teria de lidar com o orgulho ferido.. mas isso ficava para mais tarde.
– Não me querias ver?? Porquê? Então Ana, francamente pensava que éramos amigos! Tudo bem que não estamos juntos todos os dias – longe disso até – mas a nossa amizade não era sólida!?
- A displicência com que dizes isso, Fernando, só vem confirmar, que afinal eu tinha, e tenho, razões para não me querer sujeitar a estas situações. Mas queres mesmo saber o que se passou, não conseguirás perceber por ti?
O silêncio de Fernando irritou Ana profundamente. Retirou os óculos de sol verdes e olhou-o de frente …
- Pois bem, aqui vai... Naquela noite jogaste muito sujo comigo! E eu não tive hipótese de me defender, de me salvaguardar das consequências do teu ardiloso jogo, porque estava com um amigo e não tinha as minhas defesas activadas. E tu desfraldaste a minha confiança em ti. Não foi justo teres agido comigo daquela forma, como se eu fosse mais uma das tuas conquistas de uma noite. Tu sabias que comigo não se joga assim: eu não começo jogos que não pretendo levar até ao fim!! Tinhas obrigação de o saber.. e se sabias porque começaste o jogo do rato e do gato comigo? Charme para cima de mim? Constantes investidas? Não era suposto eu reagir: sou mulher e tu és um homem muito atraente… Raios… E porque é que depois daquilo tudo disseste à frente de todos que queriam ouvir, que havia pessoas que não valiam a pena!? Como se eles não percebessem a indirecta!!? Porquê? Porque não resististe à tentação de me seduzir? E de me humilhar? Nos últimos 5 anos passei por inúmeras situações em que tive de resistir ao facto de não me seres indiferente. Mas a verdade é que a partir do momento em que estabelecemos que seríamos só amigos – como tão sabiamente sugeriste no inicio da nossa amizade – eu nunca mais pensei em agir de outra forma. Antes do nosso acordo tu podias ter conseguido a tua noite comig e já podias juntar ao teu álbum…. Mas nessa altura não quiseste e ficou claro para mim como nos devíamos comportar a apartir daí. E agora tanto tempo depois porque agiste daquela forma? E que achavas? Que tava tudo bem?....
Ana estava cansada de falar…..
Suspirou e respirou fundo..
Fernando não foi capaz de a olhar, pois o eco das palavras de Ana era forte. Sentia que algo se tinha irremediavelmente perdido. Ele já suspeitava que Ana talvez tivesse saído um pouco melindrada daquela noite clara e quente de Maio. Porém, achava que o tempo permitiria esquecer aquele episódio e que meio ano depois aquele obstáculo poderia ser facilmente ultrapassado sem necessidade de o mencionar.
A verdade era que a relação de Ana e Fernando sempre tinha estado entre aquele ténue limite que separa a amizade de algo mais íntimo. A atracção física estava sempre presente entre eles, mas após um percalço inicial resolvido por Fernando com muita integridade, os dois tinham assumido uma amizade sincera e sólida com conversas cúmplices e desabafos frequentes.
Fernando tinha noção do seu poder de atracção: alto, bem constituído, olhos negros que projectavam um olhar intenso e uma conversa daquelas que até as estátuas convence! Sabia que Ana lhe achava piada, mas para ele era muito mais importante tê-la como amiga permanente do que conquista momentânea, pois apesar de não o assumir da mesma forma que Ana também ele se sentia atraído por ela. Mas sentia que ela era especial: uma mulher sensual, inteligente, que assumia o que sentia e pensava, plenamente capaz de alinhar nas paródias dele e de o escutar, mesmo quando os desabafos eram sobre a última conquista. Por isso lhe agradava saber que Ana estava à distância de um telefonema, e que podiam conversar pela noite dentro sem necessidade de recorrer a máscaras.
No entanto, naquela noite de Maio, em que Ana não estava nem mais nem menos interessante que o costume, Fernando não se soube conter! Ana estava à luz daquela noite quente simplesmente apetecível: queria beijá-la, abraçar aquela cintura delineada e envolver aquela mulher há tanto tempo presente na sua vida e nunca sentida como mulher que era.
Meses mais tarde Fernando estava a perceber as consequências de ter montado uma teia que rebentou no lado mais fraco. Agora que se via forçado a pensar naquela noite começava a não compreender porque tinha agido daquela forma.
Nesse momento chegaram à mesa os cafés… e depois de beber o dele num gole só, Fernando disse a Ana:
- Lamento muito Ana… só agora me apercebi que te magoei…
- Eu também lamento… mas principalmente lamento que não me consigas dizer isso enquanto me olhas nos olhos… e que não tenhas uma motivo para o teu comportamento infantil e baixo nível daquela noite. Pelos vistos era só um capricho….
E pegando na sua carteira Ana levantou-se, colocou uma moeda na mesa para pagar o café e afastou-se num passo decidido.
Fernando sentia-se insuportavelmente baralhado….
Olhou o mar….
… Nas colunas da esplanada os Radiohead cantavam “Fake plastic trees” … sorriu forçadamente ao perceber que ele não passava de uma falsidade: não tinha tido coragem de se assumir… nem como amigo nem como amante. Quisera tudo e ficara com nada…
Compreendeu que não voltaria a ouvir o riso deliciosamente espontâneo de Ana que se perdia naqueles irresistíveis lábios vermelhos ….
Pensou: “Porque é que de repente sinto que tenho de a ter, de a abraçar, de a beijar!??”…. E percebeu que tinha sido isso mesmo que tinha sentido naquela noite de Maio… só que a fanfarronice e o exibicionismo junto dos colegas falara mais alto…. Tornou-se claro que ele e Ana nunca poderiam ter continuado amigos….
Enquanto existisse aquela fome por satisfazer, aquele querer que o consumia e o agitava…
E se alguma vez fossem até ao fim a amizade ficava abalada demais para recuperar…
Percebera agora… só lamentava não ter sido capaz de se afastar de Ana de uma forma mais digna: tinha feito sofrer a única mulher que nunca o faria sofrer deliberadamente!
Mas era tarde, muito tarde…
Agora não podia ter Ana a amante, nem Ana a amiga, nem Ana a namorada, nem Ana a confidente, ……
Restava, mais uma vez, só ele… só Fernando….
Suspirou… estava só….
Aliás, continuava sozinho……
Fernando… Fernando… Fernando….
Era a voz de Ana numa das confidências antigas feitas pela madrugada que ecoava …..
quinta-feira, abril 06, 2006
terça-feira, abril 04, 2006
Após deliciar-me com o testemunho deixado pela nossa querida Maria, não pude deixar de vos presentear com este texto de Margarida Rebelo Pinto (que, como é óbvio, não chega aos calcanhares das palavras tão profundas e cheias de sentimentos da nossa menina. No entanto, não deixa de ser um belo retrato de uma "ralação" a dois).
»Se eu pudesse
Se eu pudesse, agarrava-te todos os dias nos meus braços, cantava-te músicas de embalar até fechares os olhos, lia-te histórias e inventava-lhes o fim, deitava-te nos meus braços e esperava que adormecesses, entrava nos teus sonhos e pintava-os de cores e sons perfeitos, depois acordava-te ainda cedo, devagar, abria três dedos da persiana, punha o John Cale ao piano, pegava-te nas mãos até acordares, trazia-te o pequeno-almoço à cama, corn flakes e uma maçã verde, dançávamos como sempre fazemos, depois punha o banho a correr e ficava quieta, à espera que começasses o teu dia ao meu lado, sereno, seguro, tranquilo, pacificado contigo e com o Mundo.
Se eu pudesse, plantava ramos de alfazema mágicos que cresciam até ao fim do dia, apanhava-os e espalhava-os pela casa e desfazia folhas nas gavetas, pendurava os quadros que não sabes onde pôr, lia os teus livros e escrevia-te cartas de amor, depois sentava-me no sofá a olhar lá para fora e a pensar que não há nada melhor na vida do que amar...
Se eu pudesse os comboios andavam mais depressa, os aviões não faziam barulho, não havia portagens e as auto-estradas eram automáticas, punha um carro numa faixa e a estrada andava sozinha, chegava aí num instante, tinha tempo para estar e regressar, ou então metia-te num avião e levava-te para um lugar onde nunca fomos, tu ias de olhos vendados e tampões nos ouvidos, não sabias nada mas confiavas em tudo; então chegávamos a um canto sossegado, perdido dos homens e do mundo, deitava-te em cima de uma cama enorme e branca e amava-te durante horas e sem tempo, até adormeceres outra vez nos meus braços. E de olhos fechados, podias imaginar a vida que sonhas mas ainda não conheces, podias ver o futuro a passar-te à frente, fazias as pazes com o teu passado e percebias que podemos ter aquilo que sempre quisemos, que nada é impossível quando o que queremos é verdade e está certo.
Se eu pudesse, voltava ao princípio e ia mais devagar, falava mais e ouvia-te menos, oferecia-te um dicionário com todas as palavras que não conheces ou já esqueceste, tolerância, confiança, transigência, partilha, abnegação, construção. Depois embalava-te outra vez nos braços e esperava que o dia seguinte trouxesse atrás de si outro e mais outro e deixava a vida fluir, esquecia-me dos teus defeitos e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos...
Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentávamo-nos à lareira a conversar, explicava-te porque é que um dia reparei que existias e, sem querer, me esqueci do meu coração entre os teus dedos...
Se eu pudesse...mas não posso, porque ninguém caminha sozinho, uma ponte só se constrói se as duas margens deixarem e o rio só corre se a corrente o empurrar. E eu não sou mais do que uma gota de água nesse rio parado, uma peça perdida de uma ponte desmantelada, um mapa riscado que se esqueceu de todos os caminhos, uma folha em branco que perdeu a caneta, um estandarte sem bandeira, uma voz sem som, uma mão sem a outra. Falta-me a tua voz, o teu desejo, o teu querer, o teu poder. Falta-me uma parte de mim que te dei e que agora já não podes devolver. Um dia ainda havemos de nos entender. »
»Se eu pudesse
Se eu pudesse, agarrava-te todos os dias nos meus braços, cantava-te músicas de embalar até fechares os olhos, lia-te histórias e inventava-lhes o fim, deitava-te nos meus braços e esperava que adormecesses, entrava nos teus sonhos e pintava-os de cores e sons perfeitos, depois acordava-te ainda cedo, devagar, abria três dedos da persiana, punha o John Cale ao piano, pegava-te nas mãos até acordares, trazia-te o pequeno-almoço à cama, corn flakes e uma maçã verde, dançávamos como sempre fazemos, depois punha o banho a correr e ficava quieta, à espera que começasses o teu dia ao meu lado, sereno, seguro, tranquilo, pacificado contigo e com o Mundo.
Se eu pudesse, plantava ramos de alfazema mágicos que cresciam até ao fim do dia, apanhava-os e espalhava-os pela casa e desfazia folhas nas gavetas, pendurava os quadros que não sabes onde pôr, lia os teus livros e escrevia-te cartas de amor, depois sentava-me no sofá a olhar lá para fora e a pensar que não há nada melhor na vida do que amar...
Se eu pudesse os comboios andavam mais depressa, os aviões não faziam barulho, não havia portagens e as auto-estradas eram automáticas, punha um carro numa faixa e a estrada andava sozinha, chegava aí num instante, tinha tempo para estar e regressar, ou então metia-te num avião e levava-te para um lugar onde nunca fomos, tu ias de olhos vendados e tampões nos ouvidos, não sabias nada mas confiavas em tudo; então chegávamos a um canto sossegado, perdido dos homens e do mundo, deitava-te em cima de uma cama enorme e branca e amava-te durante horas e sem tempo, até adormeceres outra vez nos meus braços. E de olhos fechados, podias imaginar a vida que sonhas mas ainda não conheces, podias ver o futuro a passar-te à frente, fazias as pazes com o teu passado e percebias que podemos ter aquilo que sempre quisemos, que nada é impossível quando o que queremos é verdade e está certo.
Se eu pudesse, voltava ao princípio e ia mais devagar, falava mais e ouvia-te menos, oferecia-te um dicionário com todas as palavras que não conheces ou já esqueceste, tolerância, confiança, transigência, partilha, abnegação, construção. Depois embalava-te outra vez nos braços e esperava que o dia seguinte trouxesse atrás de si outro e mais outro e deixava a vida fluir, esquecia-me dos teus defeitos e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos...
Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentávamo-nos à lareira a conversar, explicava-te porque é que um dia reparei que existias e, sem querer, me esqueci do meu coração entre os teus dedos...
Se eu pudesse...mas não posso, porque ninguém caminha sozinho, uma ponte só se constrói se as duas margens deixarem e o rio só corre se a corrente o empurrar. E eu não sou mais do que uma gota de água nesse rio parado, uma peça perdida de uma ponte desmantelada, um mapa riscado que se esqueceu de todos os caminhos, uma folha em branco que perdeu a caneta, um estandarte sem bandeira, uma voz sem som, uma mão sem a outra. Falta-me a tua voz, o teu desejo, o teu querer, o teu poder. Falta-me uma parte de mim que te dei e que agora já não podes devolver. Um dia ainda havemos de nos entender. »
segunda-feira, abril 03, 2006
Espinha de Bacalhau – Parte 1 (Tradução: Spnaine offe Bacalau) – Parte uóne
Parecia que era de noite: aquela escuridão, aquele negrume, o soturno... Se estivesse de noite, ao menos poderia ter o conforto das estrelas. Mas ali, não. Era a ausência de luz a sua companheira. Pedras trapaceiras guinavam ligeiramente o carro. A luta com o volante era constante, violenta e o desejo de passar aquela etapa era enorme. Tão grande, tão grande que apetecia pisar o acelerador e fugir dali! Os pêlos dos braços estavam-se-lhe todos arrepiadinhos .... Ainda por cima, tinha tanta vontade, mas tanta vontade de ...mas não podia Era contra a sua educação!!! Se ao menos não tivesse emborcado aqueles litros de chá das cinco antes de ter iniciado a viagem!!!!! Mas agora, que o caldo podia entornar, tinha que se conter em nome de tudo, de todos os antepassados, das suas raízes...A vontade era refreada pelo medo, pelo MUIIITTTOOOO MEEEEEEEDDDDDDDDDDDDDDOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sabia que se não fosse devagar, corria o risco de ter um furo no pneu e, aí sim, estava metida num grande sarilho. Um SARILHO, GRANNNNDDDDEEEEEEEEEE SSSSAAAAARRRRRRIIIIIILLLLHHHHOOOOOO!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Até porque vejai: se um pneu furasse ela não tinha mais pneus. Tinha sido já bastante duro ter que mitrar 4 pneus na candonga londrina...Mas lá conseguiu: um pneu era de um velho camião TIR, outro jazia anteriormente dentro de um carocha dos tempos nazis, o terceiro lá conseguiu retirar da velha moto Casal do carteiro da zona (com quem teve uma aventura fugaz...) e o quarto pneu era o que tinha restado da sua primeira bicicleta (seu presente de aniversário quando tinha conseguido passar da primeira para a sua classe, após 5 anos de chumbos consecutivos!).
Ia sem faróis no carro (perdão, na lata velha com rodas que tinha arranjado por 5 libras e meia, após ter dado como sinal da transacção a sua única coisa de valor: um velho mapa de Portugal). Mas confiava na sua memória para se orientar.... Donte uôrri, éveritingue ise goíne tu bi faine!! (dizia para si própria...)
Só com a sua lanterna a pilhas conseguia ver que estava com a primeira engatada e não com a marcha atrás. Se não fosse isso, não se sabe bem o que seria, mas provavelmente seria um rewind em vez de fast foward.... OU seja, em vez de regressar estava a partir, you know?
É perante as adversidades que testamos os nossos limites, dizem. (que profunda que eu, narradora, estou! Deve ser das inalações de pólen das flores dos cactos que me enviam os meus leitores-fans!!). Que pomos à prova capacidades. Que descobrimos forças e fraquezas desconhecidas. (Eu por exemplo, descobri que consigo aguentar a bexiga por 5 horas.... e isto descobri perto de uma cascata...Upa, upa!! Verdadinha, um record!!)
A cada km de estrada, mergulhava na constatação de um facto – tinha medo do que lhe ia acontecer quando os visse, a eles todos... No entanto, descobria dentro de si uma força enorme para controlar as suas emoções e para se focar no seu objectivo. Afinal, podia esperar até lá sem ter que fazer algo ao relento. Sim, seria capaz!!!!
Tentava distrair a mente do medo e da vontade de ... (shhhhhhh) e cantarolava canções de infância: ‘Olde Máque Dónalde háde a fárme, Ió, Iá, iou!! entremeado com o popular ‘Eu vi um sapo com um guardanapo...’...
Qual kitty kat perdida no mundo cão que temos, quem será esta viajante-caixeira e pobretanas que está a caminho de cá?? (É que com o nevoeiro cerrado não se vê nada!!!)
Afinal de contas: quem é, de onde vem, para onde vai este ser cheio de medo??
E será que come muita fruta? E se come muita fruta, porque é que come muita fruta? E, vou ainda mais longe: para quê que ela come muita fruta?????
Mistérios da meia-noite, com nevoeiro (fógue, em inglês) e Lua cheia....Au, Aú, Aú, Au, Aú, Aú....(tipo uivo de lobisomem, estão a ver??....)
Não percam.....ela está a caminho ... e traz óculos de sol (à noite!!! – Dahhhhh!!!)
Isto é que vai ser aqui uma bacalhoada com natas...ai vai, vai!!
Borboletas e crepes de menta e chocolate.....
Começamos a encontrar-nos no espaço virtual. Adicionaste o meu e-mail à tua lista de contactos durante um fim-de-semana que passei particularmente ocupada em frente ao computador. Estava a preparar um daqueles trabalhos que o meu patrão distribuía às quintas-feiras ao meio da manhã acompanhado do anúncio de “era para ontem, mas dou-vos até 2.ª feira de manhã às 9h30m!”. Ficávamos todos de mau -humor pois o fim-de-semana ficava logo comprometido: era impossível apresentar um bom trabalho em apenas dois dias úteis. Para piorar aquele era um dos nosso melhores clientes, o que significava trabalho a dobrar para justificar os 3.000€ por projecto!
O meu estado de espírito quando te vi on-line pela primeira vez era propício à conversa: no meio de tantas folhas de papel, balanços, DR’s e balancetes, ficheiros de Word e Excel e mais contratos e documentos referentes nem sei a quê, qualquer motivo era bom para desanuviar e fazer um intervalo. O facto de não ter de sair de frente do computador para falar contigo fez com que não me sentisse tão culpada por não estar a trabalhar com todo o afinco necessário. E depois tu estavas, como sempre, pronto a conversar com todos os que aparecessem por ali. É um dos teus pontos fortes: essa capacidade fabulosa de conversar com todos sobre qualquer coisa, conseguindo unir à volta de uma conversa pessoas diferentes com opiniões distintas e até contraditórias. O olhar intenso que projectas através desses olhos doces acastanhados é outra das tuas armas de sedução, que a para do tua jovialidade e da comunicabilidade me cativaram.
As conversas foram-se tornando diárias e cada vez mais interessantes. Eu sentia que me aproximava de ti ... que nos íamos conhecendo aos poucos em cada nova conversa.... Tudo estava a acontecer de uma forma tão rápida e intensa que dificilmente dava para acreditar que nos conhecíamos há pouco mais de três semanas.
Na segunda semana de conversas na Internet já estava em mim instituído o ritual de ao entrar em casa me dirigir de imediato ao computador, fazer o login e encontrar-te tão disponível para mim. Começávamos a conversar mal eu chegava a casa, fazíamos uma pausa para o banho, outra para o jantar e depois, muito a custo lá nos despedíamos para irmos ao café ter com o respectivo grupo de amigos. Ficava no ar, implicitamente marcado, o encontro virtual do dia seguinte. Finalmente convidaste-me para passar no café que frequentavas, a pretexto de nos reunirmos com a turminha de novo. Nem hesitei e aceitei logo o convite! Disse-te que tinha saudades do pessoal, mas omiti a falta que me fazias… na verdade ainda não o tinha percebido. Tomamos uns copos e como era sexta-feira deixamo-nos a filosofar pela noite dentro. A presença dos nossos colegas não nos impediu de nos dedicarmos uma especial e particular atenção que estava latente nos olhares que nos dedicávamos. Despedimo-nos com a tua promessa de reatar no dia seguinte a conversa entretanto interrompida. Mas não apareceste durante todo o fim-de-semana e quando me deitei no domingo sentia-me verdadeiramente incomodada com tua ausência que me parecia forçada, pois parecia que fugias à conversa mais intensa que se tinha iniciado entre copos na 6.ª feira à noite.
No dia seguinte perguntaste-me em tom de desafio porque não te falava há três dias. Disparatei tanto que sentiste necessidade de me compensar e limpar a tua imagem. Convidaste-me para um café a dois e fizeste questão de me fazer uma surpresa. Só quando estacionaste em frente à praia percebi que estávamos num dos meus locais preferidos em toda a cidade. Descemos até ao bar da praia que nos recebeu no aconchego do seu interior a meia-luz. Pediste um café para ti e de surpresa um crepe de menta e chocolate para mim. Quando vi o empregado a colocar os talheres na minha frente percebi que estavas realmente a esforçar-te. Foi uma noite agradável com uma conversa límpida e intensa. Falaste-me da tua infância e adolescência, da tua peculiar avó que ainda manda e desmanda a seu belo gosto e do teu avô adorado que já partiu. Só pela forma carinhosa com que te ouvi falar dele era capaz de te amar, se mais nenhum motivo existisse. Discutimos sonhos, objectivos, projectos de carreira e medos. Confessaste-me o teu medo da dor e do sofrimento, mas não os físicos, com esses achavas poder bem. Temias aquela dor que nos racha o coração e nos faz deambular pelas ruas e avenidas sem rumo e sem sentido. Já tinhas sofrido muito e não querias repetir, mas sabias que isso poderia ter um preço. O preço de deixarmos fugir pessoas fabulosas. Perguntaste-me pela minha maior loucura e chocou-te saber que ainda não tinha feito nenhuma – pensei para mim que estar ali contigo era de tudo o que já fiz o que mais se parecia com uma loucura. Confirmaste as tuas suspeitas: eu era uma menina de papá, certinha e atinada que sempre tinha agido de acordo com as expectativas dos outros sem me desviar um milímetro daquilo que era considerado adequado para mim. Arrepiamo-nos em conjunto quando percebemos que a primeira banda sonora da noite era da Maria Rita, a senhora que me emprestava o mote no ciberespaço. Quase que paralisamos no momento em que escolheste o meu dia de aniversário – por pura coincidência – para assinalar uma recordação. Mas foi uma paralisia e um arrepio bom que nos percorreram e nos arrefeceram de uma forma deliciosa.
Quando já me levavas para casa paraste o teu carro para nos despedirmos, mas como costume repetiam-se as deixas para a despedida. A certa altura inclinaste-te sobre mim para te despedires e começaste a beijar-me o rosto, percorrendo-o até encontrares os meus lábios…. Senti borboletas no estômago! E elas ficaram a esvoaçar desde esse momento até quando no outro dia de manhã acordamos lado a lado no meu apartamento. O sol de Inverno que, sem pedir licença, entrava pela janela do quarto brilhava de uma forma particularmente encantadora e reconfortante. Encheste-me de beijos no pescoço, pois tinhas descoberto durante a noite que os beijos no pescoço e os abraços fortes são o meu fraco. Acariciaste o meu corpo despido e lânguido que te ladeava, que te cobriu e que te recebeu. Voltei a sentir o alvoroço do esvoaçar das borboletas…. mesmo depois de teres tomado banho e saído para a reunião das 11 horas.
Prometeste que me ligavas…. Nunca mais o fizeste. Ainda te encontrei on-line uns dias depois mas escusaste-te com a desculpa de que não pretendias magoar-me. Chegaste ao ponto de me dizer que não conseguias enfrentar-me para falarmos porque isso te magoava.. porque não eras capaz de te envolver.. já te tinhas magoado... e nós íamos magoar-nos pela certa...
Perante tanto medo e tamanho receio infundado não insisti nem tão pouco contra-argumentei. Afinal de contas não devíamos nada um ao outro….
Não voltei a ver-te, nem mesmo voltaste a estar on-line, pelo que dá para perceber que me excluíste da tua vida mesmo antes de eu ter oportunidade de entrar. Dizias que tinhas medo de sofrer e à luz disso o teu comportamento tornou-se previsível. Mais do que isso, um verdadeiro cliché.Ainda andei algum tempo a tentar desculpar o teu comportamento e pensava para mim que de facto algumas pessoas deixam tamanhas marcas em nós que depois temos receio de nos abrir para novas relações... Acrescentava para mim mesma que isso já me tinha acontecido.. Até que um dia acordei, fui trabalhar, saí para o café e fui dormi.... E no dia seguinte percebi: não tinha pensado em ti nem em nós!!! Depois de almoço não resisti: fui ao café onde me tinhas levado e pedi um crepe de menta e chocolate! Saboreei-o sozinha enquanto olhava o sol através dos meus grandes óculos de sol e deliciei-me ao perceber que apesar de tudo conseguia lidar com aquelas borboletinhas pequeninas que insistiam em esvoaçar.....
PS - Aqui vos deixei um dos meus texto à Margarida Rebelo Pinto - nem sempre sou capaz de escrever com qualidade!!! Beijos
O meu estado de espírito quando te vi on-line pela primeira vez era propício à conversa: no meio de tantas folhas de papel, balanços, DR’s e balancetes, ficheiros de Word e Excel e mais contratos e documentos referentes nem sei a quê, qualquer motivo era bom para desanuviar e fazer um intervalo. O facto de não ter de sair de frente do computador para falar contigo fez com que não me sentisse tão culpada por não estar a trabalhar com todo o afinco necessário. E depois tu estavas, como sempre, pronto a conversar com todos os que aparecessem por ali. É um dos teus pontos fortes: essa capacidade fabulosa de conversar com todos sobre qualquer coisa, conseguindo unir à volta de uma conversa pessoas diferentes com opiniões distintas e até contraditórias. O olhar intenso que projectas através desses olhos doces acastanhados é outra das tuas armas de sedução, que a para do tua jovialidade e da comunicabilidade me cativaram.
As conversas foram-se tornando diárias e cada vez mais interessantes. Eu sentia que me aproximava de ti ... que nos íamos conhecendo aos poucos em cada nova conversa.... Tudo estava a acontecer de uma forma tão rápida e intensa que dificilmente dava para acreditar que nos conhecíamos há pouco mais de três semanas.
Na segunda semana de conversas na Internet já estava em mim instituído o ritual de ao entrar em casa me dirigir de imediato ao computador, fazer o login e encontrar-te tão disponível para mim. Começávamos a conversar mal eu chegava a casa, fazíamos uma pausa para o banho, outra para o jantar e depois, muito a custo lá nos despedíamos para irmos ao café ter com o respectivo grupo de amigos. Ficava no ar, implicitamente marcado, o encontro virtual do dia seguinte. Finalmente convidaste-me para passar no café que frequentavas, a pretexto de nos reunirmos com a turminha de novo. Nem hesitei e aceitei logo o convite! Disse-te que tinha saudades do pessoal, mas omiti a falta que me fazias… na verdade ainda não o tinha percebido. Tomamos uns copos e como era sexta-feira deixamo-nos a filosofar pela noite dentro. A presença dos nossos colegas não nos impediu de nos dedicarmos uma especial e particular atenção que estava latente nos olhares que nos dedicávamos. Despedimo-nos com a tua promessa de reatar no dia seguinte a conversa entretanto interrompida. Mas não apareceste durante todo o fim-de-semana e quando me deitei no domingo sentia-me verdadeiramente incomodada com tua ausência que me parecia forçada, pois parecia que fugias à conversa mais intensa que se tinha iniciado entre copos na 6.ª feira à noite.
No dia seguinte perguntaste-me em tom de desafio porque não te falava há três dias. Disparatei tanto que sentiste necessidade de me compensar e limpar a tua imagem. Convidaste-me para um café a dois e fizeste questão de me fazer uma surpresa. Só quando estacionaste em frente à praia percebi que estávamos num dos meus locais preferidos em toda a cidade. Descemos até ao bar da praia que nos recebeu no aconchego do seu interior a meia-luz. Pediste um café para ti e de surpresa um crepe de menta e chocolate para mim. Quando vi o empregado a colocar os talheres na minha frente percebi que estavas realmente a esforçar-te. Foi uma noite agradável com uma conversa límpida e intensa. Falaste-me da tua infância e adolescência, da tua peculiar avó que ainda manda e desmanda a seu belo gosto e do teu avô adorado que já partiu. Só pela forma carinhosa com que te ouvi falar dele era capaz de te amar, se mais nenhum motivo existisse. Discutimos sonhos, objectivos, projectos de carreira e medos. Confessaste-me o teu medo da dor e do sofrimento, mas não os físicos, com esses achavas poder bem. Temias aquela dor que nos racha o coração e nos faz deambular pelas ruas e avenidas sem rumo e sem sentido. Já tinhas sofrido muito e não querias repetir, mas sabias que isso poderia ter um preço. O preço de deixarmos fugir pessoas fabulosas. Perguntaste-me pela minha maior loucura e chocou-te saber que ainda não tinha feito nenhuma – pensei para mim que estar ali contigo era de tudo o que já fiz o que mais se parecia com uma loucura. Confirmaste as tuas suspeitas: eu era uma menina de papá, certinha e atinada que sempre tinha agido de acordo com as expectativas dos outros sem me desviar um milímetro daquilo que era considerado adequado para mim. Arrepiamo-nos em conjunto quando percebemos que a primeira banda sonora da noite era da Maria Rita, a senhora que me emprestava o mote no ciberespaço. Quase que paralisamos no momento em que escolheste o meu dia de aniversário – por pura coincidência – para assinalar uma recordação. Mas foi uma paralisia e um arrepio bom que nos percorreram e nos arrefeceram de uma forma deliciosa.
Quando já me levavas para casa paraste o teu carro para nos despedirmos, mas como costume repetiam-se as deixas para a despedida. A certa altura inclinaste-te sobre mim para te despedires e começaste a beijar-me o rosto, percorrendo-o até encontrares os meus lábios…. Senti borboletas no estômago! E elas ficaram a esvoaçar desde esse momento até quando no outro dia de manhã acordamos lado a lado no meu apartamento. O sol de Inverno que, sem pedir licença, entrava pela janela do quarto brilhava de uma forma particularmente encantadora e reconfortante. Encheste-me de beijos no pescoço, pois tinhas descoberto durante a noite que os beijos no pescoço e os abraços fortes são o meu fraco. Acariciaste o meu corpo despido e lânguido que te ladeava, que te cobriu e que te recebeu. Voltei a sentir o alvoroço do esvoaçar das borboletas…. mesmo depois de teres tomado banho e saído para a reunião das 11 horas.
Prometeste que me ligavas…. Nunca mais o fizeste. Ainda te encontrei on-line uns dias depois mas escusaste-te com a desculpa de que não pretendias magoar-me. Chegaste ao ponto de me dizer que não conseguias enfrentar-me para falarmos porque isso te magoava.. porque não eras capaz de te envolver.. já te tinhas magoado... e nós íamos magoar-nos pela certa...
Perante tanto medo e tamanho receio infundado não insisti nem tão pouco contra-argumentei. Afinal de contas não devíamos nada um ao outro….
Não voltei a ver-te, nem mesmo voltaste a estar on-line, pelo que dá para perceber que me excluíste da tua vida mesmo antes de eu ter oportunidade de entrar. Dizias que tinhas medo de sofrer e à luz disso o teu comportamento tornou-se previsível. Mais do que isso, um verdadeiro cliché.Ainda andei algum tempo a tentar desculpar o teu comportamento e pensava para mim que de facto algumas pessoas deixam tamanhas marcas em nós que depois temos receio de nos abrir para novas relações... Acrescentava para mim mesma que isso já me tinha acontecido.. Até que um dia acordei, fui trabalhar, saí para o café e fui dormi.... E no dia seguinte percebi: não tinha pensado em ti nem em nós!!! Depois de almoço não resisti: fui ao café onde me tinhas levado e pedi um crepe de menta e chocolate! Saboreei-o sozinha enquanto olhava o sol através dos meus grandes óculos de sol e deliciei-me ao perceber que apesar de tudo conseguia lidar com aquelas borboletinhas pequeninas que insistiam em esvoaçar.....
PS - Aqui vos deixei um dos meus texto à Margarida Rebelo Pinto - nem sempre sou capaz de escrever com qualidade!!! Beijos
sexta-feira, março 31, 2006
Surprise!!
Babes, ou deverei dizer, kridos (ai Deus meu, que indecisão!), desde já anuncio ao Mundo (ou só ao g+g) que estou a chegar. Me aguardem!
P.S. - Cafés das quintas, decididamente para repetir.
P.S. - Cafés das quintas, decididamente para repetir.
Prenda minha para o g+g e todos mais que por aqui apareçam...........
Em vésperas do g+g partir para Coimbra, presenteando a cidade dos estudantes com a sua presença - motivo de festa e comemoração por essas terras de Portugal por onde desfilam os elementos do g+g - e para encerrar em beleza este mês que foi o mais activo em participações neste blog aqui fica uma prenda minha para todos os que enriquecem este espaço todos os dias....
quinta-feira, março 30, 2006
Vozes Reluzentes
A voz confidenciava-lhe que estes eram momentos de felicidade. Momentos de avanço mas também de serenidade. De vagorosidade no saborear de cada instante.
A outra voz dizia-lhe que era o retorno. E, simultaneamente, que era a dádiva.
Que tinha que ser assim, porque se recebe a dobrar aquilo que damos.
A luz era intensa, envolvia e aquecia. Estava-se lá tão bem ...
Deixamo-nos ali estar, entre a luz, até o queimar final do pavio.
A outra voz dizia-lhe que era o retorno. E, simultaneamente, que era a dádiva.
Que tinha que ser assim, porque se recebe a dobrar aquilo que damos.
A luz era intensa, envolvia e aquecia. Estava-se lá tão bem ...
Deixamo-nos ali estar, entre a luz, até o queimar final do pavio.
quarta-feira, março 29, 2006
Quero sentir-te………….
Por entre as cortinas entreabertas entravam maravilhosos raios de sol que inundavam o quarto e me obrigavam a despertar. Ao meu lado dormias descansado e tranquilo: pela serenidade do teu rosto percebia que te sentias bem no refúgio dos sonhos - nessa dimensão onde nos encontrávamos tantas vezes… vezes sem conta … A distância física separava-nos e forçava-nos a encontros fugidios e instantâneos. Para compensar perdíamo-nos nos sonhos com encontros deliberados e intencionais.
Naquele momento, a radiosa manhã testemunhava como eu te observava ao meu lado. Os raios do sol tinham-me despertado e já não conseguia fazer-te companhia nos sonhos. Mas também não queria, pensava eu enquanto fechava os olhos, porque tinha-te ao meu lado… Percebia-o pelo calor que emanava do teu corpo semi-despido, pelo som do teu respirar e pelo teu cheiro impregnado no meu corpo! Como adorava ficar com o teu cheiro em mim! Depois de estarmos juntos, e naqueles momentos em que me sentia completamente alucinada pelo efeito da descarga de adrenalina que marcava os nossos encontros, era o teu cheiro que me viciava na recordação repetida do êxtase. Esse teu cheiro maravilhoso que invadia cada recanto do corpo por ti tocado, que se apoderava da roupa por ti tirada e que se fundia com o cabelo por ti beijado.
Voltei a abrir os olhos e não resisti e tocar-te. Passei a minha mão pelo teu rosto e senti a tua barba: rala e curta, de três dias apenas. Parecia desleixadamente esquecida e perdida nesse rosto jovem, mas como tudo em ti resultava de muita ponderação. Adorava sentir a tua barba na minha pele: arrepiava-me quando me beijavas lentamente o pescoço num envolvente abraço de reencontro! Aí sentia toda a intensidade do momento percorrer o meu corpo!
Retirei a minha mão do teu rosto doce e pensei na intencionalidade da nossa relação e no planeamento que lhe deu origem. Lembrei-me dos receios, medos e inseguranças que me confessaste ter tido no início, quando eu era apenas uma colega que nunca concordava contigo em nada. Tinhas receado que eu não aparecesse no primeiro encontro, porque achavas que eu nunca me interessaria por ti uma vez que eu era tão independente, forte, vivida e adulta. Ri-me quando me contaste…ficaste um pouco embaraçado com essa exposição.
Sorri ao pensar que desde o começo que conversávamos abertamente sobre quase tudo, mas eu não nos permitia falar do futuro nem tão pouco dar nomes às coisas. Tu agradecias a minha determinação com um olhar intenso e com a tua total entrega. Sentias como eu que não podíamos nem devíamos perder tempo com palavras e rótulos que resultam ocos. Concentrávamo-nos em nos dar um ao outro, em nos sorver até à exaustão…. mais um beijo …. mais um abraço… mais um carinho… nessa partilha que nos fazia sorrir de pura felicidade.
Não resisti a voltar a acariciar-te o rosto… mas desta vez o meu toque fez-te despertar… e abriste ligeiramente os olhos …. Os teus intensos olhos verdes espreitaram pelas pálpebras semi-abertas e estendeste o teu braço para mim. O meu corpo cansado entregou-se ao teu abraço e murmuraste-me ao ouvido “Quero sentir-te……………….”
Naquele momento, a radiosa manhã testemunhava como eu te observava ao meu lado. Os raios do sol tinham-me despertado e já não conseguia fazer-te companhia nos sonhos. Mas também não queria, pensava eu enquanto fechava os olhos, porque tinha-te ao meu lado… Percebia-o pelo calor que emanava do teu corpo semi-despido, pelo som do teu respirar e pelo teu cheiro impregnado no meu corpo! Como adorava ficar com o teu cheiro em mim! Depois de estarmos juntos, e naqueles momentos em que me sentia completamente alucinada pelo efeito da descarga de adrenalina que marcava os nossos encontros, era o teu cheiro que me viciava na recordação repetida do êxtase. Esse teu cheiro maravilhoso que invadia cada recanto do corpo por ti tocado, que se apoderava da roupa por ti tirada e que se fundia com o cabelo por ti beijado.
Voltei a abrir os olhos e não resisti e tocar-te. Passei a minha mão pelo teu rosto e senti a tua barba: rala e curta, de três dias apenas. Parecia desleixadamente esquecida e perdida nesse rosto jovem, mas como tudo em ti resultava de muita ponderação. Adorava sentir a tua barba na minha pele: arrepiava-me quando me beijavas lentamente o pescoço num envolvente abraço de reencontro! Aí sentia toda a intensidade do momento percorrer o meu corpo!
Retirei a minha mão do teu rosto doce e pensei na intencionalidade da nossa relação e no planeamento que lhe deu origem. Lembrei-me dos receios, medos e inseguranças que me confessaste ter tido no início, quando eu era apenas uma colega que nunca concordava contigo em nada. Tinhas receado que eu não aparecesse no primeiro encontro, porque achavas que eu nunca me interessaria por ti uma vez que eu era tão independente, forte, vivida e adulta. Ri-me quando me contaste…ficaste um pouco embaraçado com essa exposição.
Sorri ao pensar que desde o começo que conversávamos abertamente sobre quase tudo, mas eu não nos permitia falar do futuro nem tão pouco dar nomes às coisas. Tu agradecias a minha determinação com um olhar intenso e com a tua total entrega. Sentias como eu que não podíamos nem devíamos perder tempo com palavras e rótulos que resultam ocos. Concentrávamo-nos em nos dar um ao outro, em nos sorver até à exaustão…. mais um beijo …. mais um abraço… mais um carinho… nessa partilha que nos fazia sorrir de pura felicidade.
Não resisti a voltar a acariciar-te o rosto… mas desta vez o meu toque fez-te despertar… e abriste ligeiramente os olhos …. Os teus intensos olhos verdes espreitaram pelas pálpebras semi-abertas e estendeste o teu braço para mim. O meu corpo cansado entregou-se ao teu abraço e murmuraste-me ao ouvido “Quero sentir-te……………….”
Uma questão de perspectiva....
Tanto o optimista como o pessimista terminam morrendo!
Mas os dois aproveitaram a vida de uma maneira completamente distinta.
Shimon Peres
Mas os dois aproveitaram a vida de uma maneira completamente distinta.
Shimon Peres
sexta-feira, março 24, 2006
Kafé das kintas: especialmente lusitano!!!
Mais um memorável kafé das kintas: à procura de um café que não se sabe bem onde fica; vento e chuva; cabelos despenteados num dia de Primavera que de Inverno teve tudo; um parzinho romanticamente estiloso e a combinar: o casal "gabardina" no seu melhor; puffs, espelhos (seria mesmo um espelho ou estariamos a ser observados??), uma estranha mesa que se desmonta; mãos marotas e gente exibicionista que sem pudor abre a "gabardina" e - choquem-se - mostram tudo; salas privadas ou quartos de intimidades semi publicas; as gaijas podem à casa-de-banho aos pares, mas Ma-da valente foi sozinha - demoravas mais 5 minutos e íamos-te salvar (disse o Bilha) ou não ... respondemos nós; g+g e a questão do girar que gira porque de tanto girar giro girou; e aquelas frases que ficam:
- Ah e o blog tá muito lamechas!! - queixa-se um gaijo (o único com coragem de se misturar num grupo de gaijas tão poderosas!!)
- Ah e a minha exposição!! e a inauguração! Sim é em Coimbra e não não sei como se chama a rua nem sei onde fica.. mas é em Coimbra!! - a artista do g+g!! Única!
- E porque rofl é mais que lol!! - kÊ?
- Minha cara amiga aprende comigo, ele quer-se é na cave que assim fica longe das tentações, debaixo da minha vista e com rédea curta! A pão e água!! (quem diz cave, diz sotão!!!)
- Vamos para Coimbra para a mega-hiper-super exposição do inicio deo mês!! (sim, passada uma semana há outra - na Capital).... Vamos a ser práticos: planeamento!!
- Pois tinha uma cadeira no quarto de banho! Sim lá dentro!! E porque todos fazem essa cara? Tão todos a pensar no mesmo.....
Delicioso!! Mais um maravilhoso kafé das kintas!! Venha o próximo!!!
Nota - reparem como postei sem usar a palavra mais dita da noite!??? Kem diria!!?
- Ah e o blog tá muito lamechas!! - queixa-se um gaijo (o único com coragem de se misturar num grupo de gaijas tão poderosas!!)
- Ah e a minha exposição!! e a inauguração! Sim é em Coimbra e não não sei como se chama a rua nem sei onde fica.. mas é em Coimbra!! - a artista do g+g!! Única!
- E porque rofl é mais que lol!! - kÊ?
- Minha cara amiga aprende comigo, ele quer-se é na cave que assim fica longe das tentações, debaixo da minha vista e com rédea curta! A pão e água!! (quem diz cave, diz sotão!!!)
- Vamos para Coimbra para a mega-hiper-super exposição do inicio deo mês!! (sim, passada uma semana há outra - na Capital).... Vamos a ser práticos: planeamento!!
- Pois tinha uma cadeira no quarto de banho! Sim lá dentro!! E porque todos fazem essa cara? Tão todos a pensar no mesmo.....
Delicioso!! Mais um maravilhoso kafé das kintas!! Venha o próximo!!!
Nota - reparem como postei sem usar a palavra mais dita da noite!??? Kem diria!!?
quinta-feira, março 23, 2006
Onde anda a Primavera?!
Meninos e meninas, apesar de toda a sensatez, que me caracteriza, permitam-me um momento de desvaneio!
Esta manhã, a caminho do emprego, questionei-me: "Onde anda a Primavera?!".
Perguntam vocês porque esta questão? A minha resposta é fácil e rápida; ora vejam...
Vinha eu toda coquete, como sempre aliás, de cabelinho arranjado, com uma maquiagem deslumbrante quando me deparo com um susto, advinhem lá?
Pois é, o Inverno em pessoa e com toda a sua força. Sim eu sei ele já não deveria estar por aqui, mas eu encontrei-o, reconheci os seus sinais... Chuva, chuva, chuva e vento, vento, vento... Poças de água por todo o lado, lama, terra...
E acreditem não estava a ter um pesadelo, era mesmo real.
Perante este panorama e na necessidade urgente de bom tempo, questionei-me...
Onde anda o sol que nos aquece a alma e que refrea os nossos desejos e anseios? Onde andam as árvores em flor? As próprias flores com as suas cores que nos despertam os sentidos? Até o polén, que eu dispensava, onde anda? Os passáros e o seu chilrear (apesar de por esta zona não faltar pombas e pombos)?
Alguém sabe onde ela anda?.... Se alguém viu ou se cruzou com a Primavera (que segundo sei já deveria ter chegado a Portugal a alguns dias), por favor peçam-lhe para regressar ao seu trajecto normal, por favor...
Primavera preciso de ti....
Ser como um rio que flui…..
"Um rio nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar” diz um filósofo.
“A vida é como um rio”, diz outro filósofo,
e chegamos à conclusão que esta é a metáfora mais próxima do significado da vida.
Por consequência, é sempre bom lembrar durante todo o ano:
Sempre estamos diante da primeira vez. Enquanto nos movimentamos entre a nossa nascente (o nascimento) ao nosso destino (morte), as paisagens serão sempre novas. Devemos encarar todas estas novidades com alegria, e não com medo – porque é inútil temer o que não se pode evitar. Um rio não deixa de correr jamais.
Em um vale, andamos mais devagar. Quando tudo à nossa volta fica mais fácil, as águas se acalmam, nos tornamos mais amplos, mais largos, mais generosos.
Nossas margens sempre são férteis. A vegetação só nasce onde existe água. Quem entra em contanto connosco, precisa entender que estamos ali para dar de beber a quem tem sede.
As pedras precisam ser contornadas. Evidente que a água é mais forte que o granito, mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa. O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante.
As depressões necessitam paciência. De repente o rio entra em uma espécie de buraco, e pára de correr com a alegria de antes. Nestes momentos, a única maneira de sair é contar com a ajuda do tempo. Quando chegar o momento certo, a depressão se enche, e a água pode seguir adiante. No lugar do buraco feio e sem vida, agora existe um lago que outros podem contemplar com alegria.
Somos únicos. Nascemos em um lugar que estava destinado para nós, que nos manterá sempre alimentados de água o suficiente para que, diante de obstáculos ou depressões, possamos ter a paciência ou a força necessária para seguir adiante. Começamos nosso curso de maneira suave, frágil, onde até mesmo uma simples folha pára nosso curso. Entretanto, como respeitamos o mistério da fonte que nos gerou, e confiamos em sua Eterna sabedoria, aos poucos vamos ganhando tudo que nos é necessário para percorrer nosso caminho.
Embora sejamos únicos, em breve seremos muitos. À medida que caminhamos, as águas de outras nascentes se aproximam, porque aquele é o melhor caminho a seguir. Então já não somos apenas um, mas muitos – e há um momento em que nos sentimos perdidos. Entretanto, como diz a Bíblia, “todos os rios correm para o mar”.
É impossível permanecer em nossa solidão, por mais romântica que ela possa parecer. Quando aceitamos o inevitável encontro com outras nascentes, terminamos por entender que isso nos faz muito mais fortes, contornamos os obstáculos ou preenchemos as depressões em muito menos tempo, e com muito mais facilidade.
Somos um meio de transporte. De folhas, de barcos, de idéias. Que nossas águas sejam sempre generosas, que possamos sempre levar adiante todas as coisas ou pessoas que precisarem de nossa ajuda.
Se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;
Reflecti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas
(Paulo Coelho - Guerreiro da Luz On Line – Edição nº 114)
“A vida é como um rio”, diz outro filósofo,
e chegamos à conclusão que esta é a metáfora mais próxima do significado da vida.
Por consequência, é sempre bom lembrar durante todo o ano:
Sempre estamos diante da primeira vez. Enquanto nos movimentamos entre a nossa nascente (o nascimento) ao nosso destino (morte), as paisagens serão sempre novas. Devemos encarar todas estas novidades com alegria, e não com medo – porque é inútil temer o que não se pode evitar. Um rio não deixa de correr jamais.
Em um vale, andamos mais devagar. Quando tudo à nossa volta fica mais fácil, as águas se acalmam, nos tornamos mais amplos, mais largos, mais generosos.
Nossas margens sempre são férteis. A vegetação só nasce onde existe água. Quem entra em contanto connosco, precisa entender que estamos ali para dar de beber a quem tem sede.
As pedras precisam ser contornadas. Evidente que a água é mais forte que o granito, mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa. O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante.
As depressões necessitam paciência. De repente o rio entra em uma espécie de buraco, e pára de correr com a alegria de antes. Nestes momentos, a única maneira de sair é contar com a ajuda do tempo. Quando chegar o momento certo, a depressão se enche, e a água pode seguir adiante. No lugar do buraco feio e sem vida, agora existe um lago que outros podem contemplar com alegria.
Somos únicos. Nascemos em um lugar que estava destinado para nós, que nos manterá sempre alimentados de água o suficiente para que, diante de obstáculos ou depressões, possamos ter a paciência ou a força necessária para seguir adiante. Começamos nosso curso de maneira suave, frágil, onde até mesmo uma simples folha pára nosso curso. Entretanto, como respeitamos o mistério da fonte que nos gerou, e confiamos em sua Eterna sabedoria, aos poucos vamos ganhando tudo que nos é necessário para percorrer nosso caminho.
Embora sejamos únicos, em breve seremos muitos. À medida que caminhamos, as águas de outras nascentes se aproximam, porque aquele é o melhor caminho a seguir. Então já não somos apenas um, mas muitos – e há um momento em que nos sentimos perdidos. Entretanto, como diz a Bíblia, “todos os rios correm para o mar”.
É impossível permanecer em nossa solidão, por mais romântica que ela possa parecer. Quando aceitamos o inevitável encontro com outras nascentes, terminamos por entender que isso nos faz muito mais fortes, contornamos os obstáculos ou preenchemos as depressões em muito menos tempo, e com muito mais facilidade.
Somos um meio de transporte. De folhas, de barcos, de idéias. Que nossas águas sejam sempre generosas, que possamos sempre levar adiante todas as coisas ou pessoas que precisarem de nossa ajuda.
Se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;
Reflecti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas
(Paulo Coelho - Guerreiro da Luz On Line – Edição nº 114)
quarta-feira, março 22, 2006
Eu também mereço.........................
O famoso pianista Arthur Rubinstein (1866-1982) atrasou-se para um almoço num importante restaurante de New York. Seus amigos começaram a ficar preocupados - mas Rubinstein finalmente apareceu, ao lado de uma loura espetacular, com um terço de sua idade.
Conhecido por seu pão-durismo, nesta tarde ele pediu os pratos mais caros, os vinhos mais raros e sofisticados. No final, pagou a conta com um sorriso nos lábios.
- Sei que vocês devem estar estranhando, disse Rubinstein. Mas hoje fui ao advogado fazer meu testamento. Dei uma boa quantia para minha filha, para meus parentes, fiz generosas doações para obras de caridade. De repente, dei-me conta de que eu não estava incluído no meu testamento: era tudo dos outros! A partir daí, resolvi tratar-me com mais generosidade.
(Porque às vezes nos esquecemos de nos mimar.. porque também merecemos coisas boas... e porque mesmo que mais ninguém se lembre de nos amar, de nos mimar ou de nós se lembrar... nós temos a obrigação, o direito e o dever de o fazer.........)
Conhecido por seu pão-durismo, nesta tarde ele pediu os pratos mais caros, os vinhos mais raros e sofisticados. No final, pagou a conta com um sorriso nos lábios.
- Sei que vocês devem estar estranhando, disse Rubinstein. Mas hoje fui ao advogado fazer meu testamento. Dei uma boa quantia para minha filha, para meus parentes, fiz generosas doações para obras de caridade. De repente, dei-me conta de que eu não estava incluído no meu testamento: era tudo dos outros! A partir daí, resolvi tratar-me com mais generosidade.
(Porque às vezes nos esquecemos de nos mimar.. porque também merecemos coisas boas... e porque mesmo que mais ninguém se lembre de nos amar, de nos mimar ou de nós se lembrar... nós temos a obrigação, o direito e o dever de o fazer.........)
terça-feira, março 21, 2006
MAR SONORO
"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim."
(porque a poesia deve invadir a nossa vida todos os dias e não apenas hoje... mas também porque o mar é o meu calmante, e quanto sei o vosso também...)
Viva às palavras com que colorimos os nossos jardins imaginários, que nos fazem gravitar, sorrir, desejar, amar...
Palavras
Por que a poesia não se faz só de versos...
"Senta-se a Manhã aos pés do Mestre, agita as fraldas do vestido de claridade, começa a contar. No meio da história o Tempo adormece mas a Manhã não se interrompe pois ao debulhar a narrativa parece-lhe escutar a voz carinhosa do Vento, vê a expressão de súplica nos olhos malandros. Vento vagabundo e sem pouso, onde andará? Em que recanto do mundo, bisbilhotando, desnudando árvores, varando nuvens, perseguindo a Chuva em correrias pelo céu para derrubá-la por fim no pasto verde? Íntimos, demasiadamente íntimos o Vento e a Chuva, companheiros de vadiagem. Somente companheiros? A Manhã franze a testa, de repente preocupada."
Jorge Amado - O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, uma história de amor.
"Senta-se a Manhã aos pés do Mestre, agita as fraldas do vestido de claridade, começa a contar. No meio da história o Tempo adormece mas a Manhã não se interrompe pois ao debulhar a narrativa parece-lhe escutar a voz carinhosa do Vento, vê a expressão de súplica nos olhos malandros. Vento vagabundo e sem pouso, onde andará? Em que recanto do mundo, bisbilhotando, desnudando árvores, varando nuvens, perseguindo a Chuva em correrias pelo céu para derrubá-la por fim no pasto verde? Íntimos, demasiadamente íntimos o Vento e a Chuva, companheiros de vadiagem. Somente companheiros? A Manhã franze a testa, de repente preocupada."
Jorge Amado - O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, uma história de amor.
Tempo de Poesia
Todo o tempo é de poesia
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia
Todo o tempo é de poesia.
Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que a amar se consagram.
Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.
Todo o tempo é de poesia.
Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.
António Gedeão
Embriaga-te
''Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra, deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho, com poesia, ou com a virtude.
Escolhe tu, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso. Como vinho, com Poesia. Ou com a virtude".
Charles Baudelaire in Poesia mais-que-perfeita
(hoje é o Dia Internacional da poesia ... sem dúvida alguma um dos meus motivos de embriaguez...para consumir desmesuradamente...)
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra, deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho, com poesia, ou com a virtude.
Escolhe tu, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso. Como vinho, com Poesia. Ou com a virtude".
Charles Baudelaire in Poesia mais-que-perfeita
(hoje é o Dia Internacional da poesia ... sem dúvida alguma um dos meus motivos de embriaguez...para consumir desmesuradamente...)
segunda-feira, março 20, 2006
As coisas boas da vida..............
Relendo uma carta escrita a uma grande amiga há uns anos atrás reformulei a minha lista das coisas boas da vida. Se tiverem coragem de ler até ao final desafio-vos a acrescentarem pelo menos cinco exemplos diferentes à minha eternamente inacabada lista de coisas boas da vida…………
- Comer francesinhas fora de horas no Capa Negra com uma amiga do coração e partilhar aquelas histórias de gaijos
- A primeira ida à praia, em que voltas a sentir os teus pés a enterrar na areia quente
- Kafé das Kintas (no It So Café …. ao som de live jazz)
- Partilhar a felicidade de dois amigos teus que se amam
- As conversas com as amigas: num excepcionalmente solarengo domingo de tarde de Janeiro na Praia da Luz com aquela amiga com a qual serás sempre cúmplice; ao telefone a qualquer hora do dia e da noite em qualquer dia do ano; no café; .....
- Ir às compras
- Gargalhadas espontâneas do teu grupo de gaijas quando se juntam no carro, no café, no shopping, na casa de uma delas,…….
- O beijo da pessoa que adoras
- Roupa e acessórios: tops brilhantes, lisos, ás riscas, com desenhos, sem costas, de alças, tops que combinam com aquela saia que nunca usas porque não combina com nada ou com aquelas calças que compraste nos saldos porque estavam a um preço imperdível mas que nunca estreaste; uma carteira verde porque não tinhas nenhuma; colares por que sim e colares nunca são de mais; anéis porque são tão diferentes dos 500 que já tens; sombras castanhas e brilhantes; eyeliners pretos - sempre; lingerie (nunca é demais); collants de rede, opacos ou transparentes; sapatos, botas de cano alto, chinelos, bailarinas…
- Cabelo acabado de arranjar, com aquele efeito que lhe querias dar
- Os primeiros raios de sol no início do Verão
- Conduzir pelo Porto à noite: percurso Leça–casa à beira mar e depois à beira rio!! È linda esta cidade!
- Ir com as melhores amigas para Londres: Ryanair, comboio, metro, percorrer a cidade e os labirintos do metro com a mala atrás; descobrir sítios lindos; passar um dia inteiro na Tate Modern e ficar 10 minutos em silêncio absoluto a contemplar O beijo (a arte é bela); ver a cidade a bordo do London Eye; Madame Tussaud e Câmarta dos Horrores, onde gritas agarrada à tua amiga mais aventureira; descobrir o Hard Rock Café (ai aquele indiano!!!) e pegar nas guitarras do Eddie Vedder e do Kurt Cobain; enjoar de comer pizza todos os dias; descobrir o Big Ben; comprar um latte/moccha e ir pelo metro de copo na mão; sentar no pret-a-manger a comer um muffin e a inventar histórias com as amigas enquanto observar Traffalgar Square; passear na zona comercial num sábado de tarde solarengo
- Ver e rever as 700 fotos das tuas férias
- Festas de aniversário: momentos preciosos em que dás uma prenda personalizada (candeeiro com dedicatórias ou uma quadro cheio de fotos nossas) e a tua amiga chora de emoção porque estas são as melhores prendas para dar e receber; postais personalizados que nos fazem rir rir rir; a felicidade de partilhar estes momentos com aquelas pessoas
- Olhar os olhos da pessoa amada e sentir devolvido aquele querer
- Voltar a falar com aquele amigo que parecia meio esquecido mas cuja cumplicidade compensa a ausência e as conversas banais e profundas fluem naturalmente
- A Praia da Luz: manhã, tarde e noite; na Primavera, no Verão (sim, muitas vezes!!!), no Outuno e no Inverno – é um must!!!
- Estar completely in love;
- Unhas acabadas de arranjar
- MSN: tardes passadas a filosofar, porque ou não há trabalho ou não há pachorra para ele; encontros combinados naquele misto de ansiedade e incerteza; gritos no ciberespaço porque ou é isso ou damos uma coça ao chefe!!!
- O mar e a praia de Espinho vistos de um comboio em andamento
- Ir ao cinema com as gaijas, comprar pipocas (muitas mais do que as que comeremos) e escolher um daqueles filmes românticos que nos fazem suspirar (A lot like love, por exemplo)
- Aquele abraço forte e envolvente
- Um sms tardio que chega mesmo antes de adormeceres e que proporciona um sono tão leve, e um sms recebido ao acordar que nos faz encarar o dia com um big sorriso nos lábios
- Montar e desmontar exposições, estar lá ao lado da artista na noite de inauguração e sempre que ela precisar, em especial quando ela pensa que está só contra todos
- A voz da pessoa que amas que te diz o quanto sente a tua falta;
- Almoços à beira-mar
- Ver episódios de O sexo e a cidade
- Ouvir música
- Tardes de domingo ou noites de semana passadas na casa daquela amiga a falar de tudo
- Aquela noite das tuas férias em que ficas até ao amanhecer a conversar com a tua melhor amiga e percebes que já é dia porque o cheiro a torradinhas acabadas de fazer invade o quarto do hotel
- Pôr o cd da Maria Rita antes de começar a conduzir e depois cantar a plenos pulmões
- O nosso blogg
- As histórias, contos e poesias da tua amiga “escritora”
- As pessoas que surgem na nossa vida quando menos esperamos e se tornam especiais
- Jantar crepes no Lais de Guia e ver o pôr-do-sol
- Tomar um sumo de laranja natural numa tarde quente de Inverno na esplanada da Praia do Ourigo
- Noite que passas no aeroporto à espera do avião para ires de férias e enquanto isso pões a conversa em dia
- A Praça Real em Barcelona
- O sapateado de uma amiga no Paseo de Gracia (Barcelona)- Assistir a uma vitória do FCP nas bancadas do Estádio do Dragão e perder 2 dos 3 golos porque estavas a tirar fotografias ou a olhar para a claque
- Bikinis pequeninos, às bolinhas, às risquinhas e as florzinhas; saídas de praia, bolsas e chinelinhos
- Calças de ganga, escuras ou claras, justas ou largas
- As noites da mulher do Estado Novo
- A FepStret (no átrio da FEP)
- Uma noite passada no Hard Rock em Lisboa a dançar e cantar os grandes êxitos do rock
- Sair à noite para dançar e ficar na conversa com aquela amiga
- As Ramblas: estátuas vivas, cores, flores, sons, caricaturas, turistas de todo o mundo
- Bolo de chocolate (Bar da Casa da Animação; Sandwich Bar; Praia da Luz; It So Café)
- Os nossos pais e os nossos manos e manas
- Glosses brilhantes, transparentes, com sabor a morango e frutos tropicais
- Encharpés e cachecóis da Parfois, da Pull, da rua de Picadilly, da feira,…..
- Fugas de fim-de-semana em que conheces aquelas pessoas especiais que entram no teu coração
- Passar duas horas na cozinha a misturar ingredientes para fazer algo que é totalmente diferente daquilo que vais obter
- Gel de banho com cheirinho a pêssego, a coco, a morango,….
- Planear saídas, concertos, tertúlias, cafés, cinemas, fins de semana….
- Ires de camioneta Renex do Porto a Lisboa para veres a tua banda preferida
- Andar de carrinhos de choque
- Torradas acabadinhas de fazer
- Abrir o guarda-roupa e tirar roupa, acessórios e lingerie e combinar tudo
- Preparar a check list e a mala para ir de férias
- Nadar
- Cornettos de chocolate
- Café com natas (no Bonaparte)
- Chá (Bogani Café)
- Perceber que há pessoas que vão sempre ouvir-te e compreender-te
- Coca-cola fresquinha
- Sangria e champanhada
- Noites da Queima: onde está o Wally; FEP; blue coraçon e pisang ambon, línguas azuis e verdes; tirar mil e uma fotos; pintara a cara com brilhantes; fazer totós; usar meias com bonecos e flores azuis no chapéu; comer pão com chouriço às 4h da manhã depois de 40 minutos na fila; saltar; rir; pular; ver o concerto do Marco Paulo do início ao fim e descobrir para grande surpresa que sabes as letras todas
- Ser amiga da Li e do D, da Nu, da Gui, da Na, da Missy e da C
- Tu……
- Comer francesinhas fora de horas no Capa Negra com uma amiga do coração e partilhar aquelas histórias de gaijos
- A primeira ida à praia, em que voltas a sentir os teus pés a enterrar na areia quente
- Kafé das Kintas (no It So Café …. ao som de live jazz)
- Partilhar a felicidade de dois amigos teus que se amam
- As conversas com as amigas: num excepcionalmente solarengo domingo de tarde de Janeiro na Praia da Luz com aquela amiga com a qual serás sempre cúmplice; ao telefone a qualquer hora do dia e da noite em qualquer dia do ano; no café; .....
- Ir às compras
- Gargalhadas espontâneas do teu grupo de gaijas quando se juntam no carro, no café, no shopping, na casa de uma delas,…….
- O beijo da pessoa que adoras
- Roupa e acessórios: tops brilhantes, lisos, ás riscas, com desenhos, sem costas, de alças, tops que combinam com aquela saia que nunca usas porque não combina com nada ou com aquelas calças que compraste nos saldos porque estavam a um preço imperdível mas que nunca estreaste; uma carteira verde porque não tinhas nenhuma; colares por que sim e colares nunca são de mais; anéis porque são tão diferentes dos 500 que já tens; sombras castanhas e brilhantes; eyeliners pretos - sempre; lingerie (nunca é demais); collants de rede, opacos ou transparentes; sapatos, botas de cano alto, chinelos, bailarinas…
- Cabelo acabado de arranjar, com aquele efeito que lhe querias dar
- Os primeiros raios de sol no início do Verão
- Conduzir pelo Porto à noite: percurso Leça–casa à beira mar e depois à beira rio!! È linda esta cidade!
- Ir com as melhores amigas para Londres: Ryanair, comboio, metro, percorrer a cidade e os labirintos do metro com a mala atrás; descobrir sítios lindos; passar um dia inteiro na Tate Modern e ficar 10 minutos em silêncio absoluto a contemplar O beijo (a arte é bela); ver a cidade a bordo do London Eye; Madame Tussaud e Câmarta dos Horrores, onde gritas agarrada à tua amiga mais aventureira; descobrir o Hard Rock Café (ai aquele indiano!!!) e pegar nas guitarras do Eddie Vedder e do Kurt Cobain; enjoar de comer pizza todos os dias; descobrir o Big Ben; comprar um latte/moccha e ir pelo metro de copo na mão; sentar no pret-a-manger a comer um muffin e a inventar histórias com as amigas enquanto observar Traffalgar Square; passear na zona comercial num sábado de tarde solarengo
- Ver e rever as 700 fotos das tuas férias
- Festas de aniversário: momentos preciosos em que dás uma prenda personalizada (candeeiro com dedicatórias ou uma quadro cheio de fotos nossas) e a tua amiga chora de emoção porque estas são as melhores prendas para dar e receber; postais personalizados que nos fazem rir rir rir; a felicidade de partilhar estes momentos com aquelas pessoas
- Olhar os olhos da pessoa amada e sentir devolvido aquele querer
- Voltar a falar com aquele amigo que parecia meio esquecido mas cuja cumplicidade compensa a ausência e as conversas banais e profundas fluem naturalmente
- A Praia da Luz: manhã, tarde e noite; na Primavera, no Verão (sim, muitas vezes!!!), no Outuno e no Inverno – é um must!!!
- Estar completely in love;
- Unhas acabadas de arranjar
- MSN: tardes passadas a filosofar, porque ou não há trabalho ou não há pachorra para ele; encontros combinados naquele misto de ansiedade e incerteza; gritos no ciberespaço porque ou é isso ou damos uma coça ao chefe!!!
- O mar e a praia de Espinho vistos de um comboio em andamento
- Ir ao cinema com as gaijas, comprar pipocas (muitas mais do que as que comeremos) e escolher um daqueles filmes românticos que nos fazem suspirar (A lot like love, por exemplo)
- Aquele abraço forte e envolvente
- Um sms tardio que chega mesmo antes de adormeceres e que proporciona um sono tão leve, e um sms recebido ao acordar que nos faz encarar o dia com um big sorriso nos lábios
- Montar e desmontar exposições, estar lá ao lado da artista na noite de inauguração e sempre que ela precisar, em especial quando ela pensa que está só contra todos
- A voz da pessoa que amas que te diz o quanto sente a tua falta;
- Almoços à beira-mar
- Ver episódios de O sexo e a cidade
- Ouvir música
- Tardes de domingo ou noites de semana passadas na casa daquela amiga a falar de tudo
- Aquela noite das tuas férias em que ficas até ao amanhecer a conversar com a tua melhor amiga e percebes que já é dia porque o cheiro a torradinhas acabadas de fazer invade o quarto do hotel
- Pôr o cd da Maria Rita antes de começar a conduzir e depois cantar a plenos pulmões
- O nosso blogg
- As histórias, contos e poesias da tua amiga “escritora”
- As pessoas que surgem na nossa vida quando menos esperamos e se tornam especiais
- Jantar crepes no Lais de Guia e ver o pôr-do-sol
- Tomar um sumo de laranja natural numa tarde quente de Inverno na esplanada da Praia do Ourigo
- Noite que passas no aeroporto à espera do avião para ires de férias e enquanto isso pões a conversa em dia
- A Praça Real em Barcelona
- O sapateado de uma amiga no Paseo de Gracia (Barcelona)- Assistir a uma vitória do FCP nas bancadas do Estádio do Dragão e perder 2 dos 3 golos porque estavas a tirar fotografias ou a olhar para a claque
- Bikinis pequeninos, às bolinhas, às risquinhas e as florzinhas; saídas de praia, bolsas e chinelinhos
- Calças de ganga, escuras ou claras, justas ou largas
- As noites da mulher do Estado Novo
- A FepStret (no átrio da FEP)
- Uma noite passada no Hard Rock em Lisboa a dançar e cantar os grandes êxitos do rock
- Sair à noite para dançar e ficar na conversa com aquela amiga
- As Ramblas: estátuas vivas, cores, flores, sons, caricaturas, turistas de todo o mundo
- Bolo de chocolate (Bar da Casa da Animação; Sandwich Bar; Praia da Luz; It So Café)
- Os nossos pais e os nossos manos e manas
- Glosses brilhantes, transparentes, com sabor a morango e frutos tropicais
- Encharpés e cachecóis da Parfois, da Pull, da rua de Picadilly, da feira,…..
- Fugas de fim-de-semana em que conheces aquelas pessoas especiais que entram no teu coração
- Passar duas horas na cozinha a misturar ingredientes para fazer algo que é totalmente diferente daquilo que vais obter
- Gel de banho com cheirinho a pêssego, a coco, a morango,….
- Planear saídas, concertos, tertúlias, cafés, cinemas, fins de semana….
- Ires de camioneta Renex do Porto a Lisboa para veres a tua banda preferida
- Andar de carrinhos de choque
- Torradas acabadinhas de fazer
- Abrir o guarda-roupa e tirar roupa, acessórios e lingerie e combinar tudo
- Preparar a check list e a mala para ir de férias
- Nadar
- Cornettos de chocolate
- Café com natas (no Bonaparte)
- Chá (Bogani Café)
- Perceber que há pessoas que vão sempre ouvir-te e compreender-te
- Coca-cola fresquinha
- Sangria e champanhada
- Noites da Queima: onde está o Wally; FEP; blue coraçon e pisang ambon, línguas azuis e verdes; tirar mil e uma fotos; pintara a cara com brilhantes; fazer totós; usar meias com bonecos e flores azuis no chapéu; comer pão com chouriço às 4h da manhã depois de 40 minutos na fila; saltar; rir; pular; ver o concerto do Marco Paulo do início ao fim e descobrir para grande surpresa que sabes as letras todas
- Ser amiga da Li e do D, da Nu, da Gui, da Na, da Missy e da C
- Tu……
terça-feira, março 14, 2006
Sugestão...
Para um momento de descontracção e de degustação, sugiro uma visita ao delicioso blog Tupperware Onanista (http://penico.blogs.sapo.pt/).
As fotos, combinadas com textos originais, levam-nos por onde quisermos...
Bom apetite!
As fotos, combinadas com textos originais, levam-nos por onde quisermos...
Bom apetite!
sexta-feira, março 10, 2006
Luar
quarta-feira, março 08, 2006
Mulher

do Latim muliere
subs. f.,
pessoa do sexo feminino, depois da puberdade;pessoa adulta do sexo feminino; esposa; consorte; senhora; pessoa do sexo feminino pertencente à classe popular; o conjunto das pessoas do sexo feminino; espécie de jogo.
Botânica,
- frágil: planta africana.
Neste Dia Internacional da Mulher evoco sensações visuais com o quadro ' Three Ages of Women' de Gustav Klimt. Porque não há palavras para definir a sua essência...
Um presente para todas nós.
terça-feira, março 07, 2006
"Cada um de nós possui qualquer coisa de especial, que se revela numa determinada altura da nossa vida, e só uma vez, como uma pequenina chama. As pessoas precavidas, abençoados pela fortuna, conservam religiosamente essa chama, fazem-na crescer, usam-ma como uma tocha que ilumina as suas vidas. Mas uma vez apagada, ela não voltará nunca mais a acender-se."
(Sputnik meu Amor, de Haruki Murakami)Que fazes tu com a tua chama?Que fazes tu no momento em ela se acende?Como a luz intermitente de um farol que rompe a névoa...
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
sexta-feira, março 03, 2006
Contos do Além
Era uma vez o Além. Não, não era o Woody Allen, o caixa de óculos que se enrabichou com a enteada adoptada e, como se não bastasse, chinesa! Este Além é bem portuga. É o Manel Além.
Manuel Além tinha duas manias: acordar e adormecer todos os dias. Além disso, só mesmo o apelido: Além! Para quem não é de cá, mas antes do espaço que fica para lá, até não era mau! Além do mais, mencione-se que Além não era fã de actividade.
Além vivia já ali, ou melhor, dependendo do ponto de vista podia-se ser lá, ou mesmo acolá, ou então lá, mais adiante. Era certo que vivia naquele lugar. Ponto. Se visto deste lado, vivia da parte de lá. Se visto do outro lado, seria da parte de cá. Afora, está visto!
Além iniciou um dia uma actividade: escrever. Diga-se por passagem que passou a ser a sua única actividade conhecida, pois ninguém lhe conheceu qualquer outra para Além desta.
E pronto, Além iniciou a escrita. O que escreveu: contos. Além disso, Além não escreveu mais nada. Daí terem surgido os famosos os Contos do Além. Porque foi Além que os escreveu. Mai nada!!
Como não tinha ideias para tema a debater para além desta treta, alguém para além de mim quer postar alguma coisinha de jeito? Enfim ...
Manuel Além tinha duas manias: acordar e adormecer todos os dias. Além disso, só mesmo o apelido: Além! Para quem não é de cá, mas antes do espaço que fica para lá, até não era mau! Além do mais, mencione-se que Além não era fã de actividade.
Além vivia já ali, ou melhor, dependendo do ponto de vista podia-se ser lá, ou mesmo acolá, ou então lá, mais adiante. Era certo que vivia naquele lugar. Ponto. Se visto deste lado, vivia da parte de lá. Se visto do outro lado, seria da parte de cá. Afora, está visto!
Além iniciou um dia uma actividade: escrever. Diga-se por passagem que passou a ser a sua única actividade conhecida, pois ninguém lhe conheceu qualquer outra para Além desta.
E pronto, Além iniciou a escrita. O que escreveu: contos. Além disso, Além não escreveu mais nada. Daí terem surgido os famosos os Contos do Além. Porque foi Além que os escreveu. Mai nada!!
Como não tinha ideias para tema a debater para além desta treta, alguém para além de mim quer postar alguma coisinha de jeito? Enfim ...
quinta-feira, março 02, 2006
O meu Porto
Aproveito a deixa do Bilha e a lembrança ainda morna deste bom tempo que se fez sentir no feriado aqui no Porto, para suspirar pelos ares de renovação da Primavera. O som desvairado das gaivotas fez-me sentir saudades e ânsia pela nova estação e até pelo Verão, a minha estação favorita! Penso inúmeras vezes ‘nunca mais é Verão!’...
Dizem-me que será o cansaço a falar mais alto...Até pode ser, mas não é só isso. Anseio as brisas quentes dos finais de tarde, os tons alaranjados do céu, as manhãs que chegam mais claras e os dias que se esticam a preguiçar para a noite estrelada, convidativa a passeios a pé na marginal ou simples contemplações do luar espelhado no rio ou no imenso mar... E olhar em redor e ver dezenas de pessoas a fazer o mesmo: a disfrutar da simplicidade do belo. O odor a mar...A Foz no Verão tem um cheiro diferente! Andar pelo Passeio Alegre até altas horas da noite...com calma, sem pensar em apressar o passo até ao carro, porque está um frio de rachar ou porque a cidade está alagada pelas chuvas!! Anseio pelo S. João! Há quem diga que o Porto é louco ... louco não diria...evidencia-se pela exaltação da sua alegria. Nessa altura do ano, até os barcos acostados têm mais luz, mais cor. Todas as minhas memórias convergem para o calor do Verão. Em casa, no Verão, desfruto sempre desta pequena paixão...abro a janela do meu quarto e afasto as cortinas e deixo o sol bater em mim... fecho os olhos e deixo a luz bater nas pálpebras...a respiração é tão profunda e toda eu estou relaxada...fecho os olhos por fechar...apenas para sentir. E ali me deixo estar...
Amo muito o Porto! Cada esquina me rasga um sorriso e existem alturas em que sinto que a olho como se fosse a primeira vez, não pondo de parte a última vez que a olhei dessa forma tão minha. E sempre lhe descubro algo de novo – um novo recanto, uma nova pedra de calçada, um nova luz e tonalidade ...
Nunca mais é Verão para me sentar no lado do Cais de Gaia e ver a cidade imponente, erguida diante de mim em todo o seu esplendor...sentir este aperto que sinto de cada vez que falo dela, em cada vez que agradeço todos os momentos que nela tenho vivido e tudo o que me tem dado... por tudo que revivo em cada vez que ela me olha....
Termino com um excerto de um poema de Sophia ela que foi uma 'amante' desta cidade:
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho!
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
Dizem-me que será o cansaço a falar mais alto...Até pode ser, mas não é só isso. Anseio as brisas quentes dos finais de tarde, os tons alaranjados do céu, as manhãs que chegam mais claras e os dias que se esticam a preguiçar para a noite estrelada, convidativa a passeios a pé na marginal ou simples contemplações do luar espelhado no rio ou no imenso mar... E olhar em redor e ver dezenas de pessoas a fazer o mesmo: a disfrutar da simplicidade do belo. O odor a mar...A Foz no Verão tem um cheiro diferente! Andar pelo Passeio Alegre até altas horas da noite...com calma, sem pensar em apressar o passo até ao carro, porque está um frio de rachar ou porque a cidade está alagada pelas chuvas!! Anseio pelo S. João! Há quem diga que o Porto é louco ... louco não diria...evidencia-se pela exaltação da sua alegria. Nessa altura do ano, até os barcos acostados têm mais luz, mais cor. Todas as minhas memórias convergem para o calor do Verão. Em casa, no Verão, desfruto sempre desta pequena paixão...abro a janela do meu quarto e afasto as cortinas e deixo o sol bater em mim... fecho os olhos e deixo a luz bater nas pálpebras...a respiração é tão profunda e toda eu estou relaxada...fecho os olhos por fechar...apenas para sentir. E ali me deixo estar...
Amo muito o Porto! Cada esquina me rasga um sorriso e existem alturas em que sinto que a olho como se fosse a primeira vez, não pondo de parte a última vez que a olhei dessa forma tão minha. E sempre lhe descubro algo de novo – um novo recanto, uma nova pedra de calçada, um nova luz e tonalidade ...
Nunca mais é Verão para me sentar no lado do Cais de Gaia e ver a cidade imponente, erguida diante de mim em todo o seu esplendor...sentir este aperto que sinto de cada vez que falo dela, em cada vez que agradeço todos os momentos que nela tenho vivido e tudo o que me tem dado... por tudo que revivo em cada vez que ela me olha....
Termino com um excerto de um poema de Sophia ela que foi uma 'amante' desta cidade:
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho!
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
domingo, fevereiro 26, 2006
Bacalhau com Natas – a sequela
a vingança da velha do «farrapo velho»
e o assassinato da tradição do bacalhau cozido...
e o assassinato da tradição do bacalhau cozido...
Estava frio, mesmo muito frio quando três carros encostaram à berma de uma estrada escura, em mau estado e com um declínio de quase 90 graus... Um grupo de 8 pessoas esforçava-se na luta contra a lei da gravidade (you know: aquela lei descoberta quando a maçã caiu na tola do outro) ... Ao telefone, Bilha estabelecia a ligação:
- Está láá?! É o Senhor Truz-Truz, quer dizer, é o senhor da Casa do Truz-Truz? Está lá?! Sinhe, daqui somos nós todos o grupo de malta bacana que vai até à sua Casa do Truz-Truz gingar, quer-se dizer, passar do ano belho pró ano novo! Está lá?? Que cena, não pesco pevas do que diz o méne!
- Passe-me o aparelho celular móvel – disse Carminho! - Claro que não ouve nada, isso usa-se ao contrário!! Eu sabia que não devia ter-lhe emprestado o aparelho do meu papá! E além do mais, o menino não percebe nada de mapas ... e eu estou a ficar congelada, mesmo com este vison de Urso Polar da Chanel.... Ai, ai, porque é que eu não fui com a mamã para a Costa da Caparica, fazer um solariozinho!? Tôá? Tôá? Tio? Está aí?
Do outro lado, nada. Um silêncio pesado. Tão pesado que Carminho tinha o braço cansado e delegou a tarefa de o segurar à jovem e inocente Maria que, desde o episódio piloto para cá continuava a mesma sonhadora ... e resignada ‘serva’ de Carminho. Enquanto segurava o aparelho celular móvel do papá da Carminho, a nossa doce Maria nem se dava conta que Ma-dá a observava de alto a baixo!
Ma-dá já não estava perdida e loucamente apaixonada por Maria. Não!!! Agora, Ma-dá tinha-se encontrado e estava com juízo. Tudo graças às orações e promessas que fizera no interior da Sagrada Famíla onde estivera virtualmente (via jogo da nova PlayStation Portable). Entre o 425º e o 426º degrau da longa escadaria Ma-dá jurara não sofrer mais por amor não correspondido. Em troca prometera que nunca mais jogava búzios e leria o destino nas espinhas do Bacalhau.
- Ó que maçada! A ligação caiu ... – disse, bastante enfatuada a Carminho. – A culpa é toda sua Maria, que não sabe segurar direito no aparelho celular móvel e depois este nevoeiro gripa a antena!! Tudo eu!!
De repente ouve-se, saída do interior do seu Booggie (equipado com faróis de nevoeiro e correntes de neve nos pneus), a radical e acarolada Ivana!!
- E aí, people!? Já ouvi duas vezes a cassete do ganda Bob (Marley, leia-se!) e vós inda estais aí? Se o Truz-Truz não quer abrir as portadas ao pessoal, a gente apanha-o pela calada. Trouxe uns maxilares de tubarão no Boogie que são do campeonato de surf no Hawai! Que tal ir aí abrindo mata até lá? Buga?
Ivana, era de facto, a única elementa do grupo que não estava a congelar a ganhar cubinhos de gelo nas pontas dos cabelos. Mas conseguiu mobilizar todos (sim, todos, até a Carminho) a fazerem-se à aventura pelos caminhos escuros e tortuosos das Terras de Bouro....
* * *
De repente, Maria dá um gritinho púdico: ‘ Ai! Vejai, vejai! Que lindo!!! Um Castelo de pedrinhas’ ao que Carminho ripostou:
‘ Ai querida! Que histeria, que pindérica! Nunca viu?! Que pobreza, que horrore!! A menina é do piôre, deixe que lhe diga! Não vê que chegamos à Casa do Tio Truz-Truz?
E a sensata Má-dá interveio:
‘ Não seja assim Carminho. Está a ser indelicada com a Maria. Tem que pesar os dois pratos da balança antes de falar assim com ela ...’
Enquanto isso, Carminho fez ouvidos de mercadora e dizia para Maria, que lhe ia limando as unhas pelo caminho:
- Eu disse que quero que as ponha quadradas, ouviu? Unhas redondas estão supé demodê!
Mais à frente, em antecipação, Bilha já estava a bater à porta. Com o pulso bateu bem forte:
- Tum, tum, tum?
Ninguém abriu. Todos de fora, olhavam para a porta verde com grande expectativa. Estava tão escuro...
Bilha, és um fixolas, mas não entendes aqui do negócio. Não ‘tás a bater bem. Vê lá – disse Ivana, enquanto tirava fotografias às estrelas (não fosse o nevoeiro cerrada, certamente seria um cenário bem bonito de se fotografar... enfim, opções... :
- Não podes bater Tum, Tum, Tum. Tens que bater assim: Truz - Truz?
Mal deu estas pancadas, a porta abriu-se e de à porta estava o Tio da Casa Truz- Truz: o Sr. Manel Mosaicos, à espera:
- Entrem, sejam bem vindos. Isto é assim: têm um bolo da passagem de ano do ano passado que a minha esposa fez para o outro grupo e que eles nem tocaram. Dou-vos a minha palavra de honra que não lhe tocaram. Está limpinho e fresquinho!! Isto cá em cima, salga-se e tudo se conserva.
- Sim, sim. – disse a ingénua Maria. Nós conhecemos bem o poder conservador do sal, reportando-se ao episódio do cadáver que Bilha salgou na sua lanchonete no Verão passado. O defunto lá estava ainda fresquinho, como recém-assassinado ... Um mimo. Nem as múmias dos egípcios eram tão bem conservadinhas!! (quem sabem sabe, ;))
Entretanto, o Sr. Mosaicos prosseguiu:
- Ah e também têm umas sete-upes de lata que isto dos champanhes não temos cá em cima. A minha esposa teve o cuidado de lhes tirar o gás para não vos cair mal no estômago, por isso abriu cada lata e pôs-lhe dentro um garfinho para tirar o gás. E não precisam de agradecer, porque temos multibanco a funcionar e tudo fica por nove, nove, noventa e nove! Euros claro!
- Como és o hóme dou-te as chaves a ti, meu rapaz! – disse a Bilha, estendendo-lhe um molho de chaves. – Apenas uma dela funciona, mas já não me lembro de qual é. Tens um longo serão pela frente para descobrires. OU então, montas guarda. Qualquer coisa, podem incomodar o meu irmão que mora aqui ao lado. A mim, esqueçam que eu existo!! Fui!
E foi dito e feito! Num passe de magia, o Sr. Manel Mosaicos desapareceu.
Todos se entre-olharam e Ma-dá comentou:
- Bem, parece-me que o mais sensato a fazer agora é verificarmos se temos mesmo a chave correcta. Bilha, tu fazes isso. E entretanto, nós descarregamos as cenas que trouxemos, ok?
- Sim, a Maria trata das minhas coisas – disse Carminho. – Cuidado para não riscar as minhas Louis Vuitton compradas na Feira Internacional de Cerveira!
- Que lindo, Bilha. És o guardião da Torre do Castelo das Princesas... – disse a sonhadora Maria...
- Sinhe. Sou o macho!
Enquanto isso, aproxima-se da casa um vulto. Um soturno vulto e Bilha apercebe-se e diz:
- Quem está aí a gingar? Hum? Olha que eu tenho um petrogás!! Mostra-te lá méne ou mina!
E eis que se aproxima uma senhora muito velhinha, vestida de preto dos pés à cabeça, com lenço e tudo na cabeça...Com a voz muito fininha e rouca dirige-se a Bilha. Enquanto fala e como está um frio de rachar ossos, sai-lhe fumo da boca (vá lá, é sinal que a velha está viva e não é nenhum fantasma da região, sabe-se lá!!!)...
- Olá meu menino... Estais aqui um grupo de jovens, não é???? (falava num tom tão arrastado que Bilha se esforçava por não adormecer...). Eu sou a senhora que vende os Bacalhaus para a consoada e para o farrapo velho. Quereis já fazer a vossa encomenda???? Quantos sois, para saber de quantas postas precisais, hum, meu menino?????
- Yá, somos oito, mas não curtimos bacalhau na passagem d’ano, tá a ver? Eu tenho um negócio onde só se vende bacalhau e trouxemos uns bifes pra desenjoar... Brigadão na mesma!!
- O QUÊ????!!! Ousais assassinar o Bacalhau e o Farrapo Velho das vossas festas de Ano Novo!!!!! Seus infames!! Esta juventude é rasca. O mundo está a chegar ao fim. Ó hereges!! Ó infames!! Pois, ireis ver o que vos vai acontecer.....
Enquanto a velha se afastava a rabujar, Bilha encolheu os ombros e voltou a tentar mais uma chave na porta…em vão. Para o seu zip da sweat-shirt, Bilha disse:
- Aqui grama-se bués bacalhau, tá-se a ver! Se não fosse o frio de rachar, abria aqui uma filial da minha lanchonete!
Entretanto, os restantes chegaram, Bilha desistiu de encontrar a chave e montou guarda ao mesmo tempo que foi acender a lareira. Começou-se a preparar o jantar: Bifes com Cogumelos!!! Yummie!!
Uns documentavam a preparação da comezaina, captando intensos momentos fotográficos do processo de cozedura do arroz. Outros preferiram ficar a olhar e outros cozinhavam…
Finalmente, tudo pronto e sentaram-se à mesa.
Estavam todos refastelados a saborear as doces tentações da carne comprada nessa tarde num talho-café-mercearia-salão de chá quando, não se sabe quem, de onde, porquê, para quê e como, se ouve uma forte pancada!!! TUM_TUM_TUM_TUM!!!(afinal, foram quatro pancadas…ups…). Foi tão grande o estrondo que o chão tremeu. Todos olharam para a porta verde da entrada e, no instante a seguir, o pânico instalou-se (que grande lata! Nem sequer tinha sido convidado!! Pff!!)
Munidos cada um com o seu pau de Mikado de 50 cm de comprimento, desataram a correr na sala, à volta da mesa e aos gritos. Uns gritavam como o Tarzan da Selva. Como é hiper-mal gritar, Carminho preferiu desmaiar (não sem antes ter preparado um colchão para se deitar durante o desmaio). Por seu turno, Bilha fazia sinais de luz com o seu petrogás.
Instalado o pânico, o drama e o hôrrore, levantam-se mais e nebulosos mistérios por desvendar:
- quem é que bateu assim tão violentamente à porta?
- será que é nesta levada de nevoeiro que El-rei D. Sebastião finalmente regressa?
- que espessura tinha cada Pau de Mikado?
- se bateram à porta, porque é eu ninguém abriu? E, By the way, que raio faziam a correr à volta da mesa….Dança da chuva, como os índios? Dah!
- quem ia arrumar a cozinha e lavar a louça depois disto tudo, ãh?
- se os jovens da Casa do Truz-Truz eram oito, quem eram os 3 jovens que não abriram goelas durante todo o episódio, perdão, sequela. Será que admitem mais membros neste grupo ultra-exclusivo?
- seria bolo-rei ou pão-de-ló o bolo que a esposa do Sr. Manel Mosaicos deixou ao grupo? (estou cá com uma larica e nunca mais são horas da janta!! Narrador passa muita fominha!!!)
- aonde ia dar o longo e escuro tudo da lareira?? Ao reino do Pai-Natal?
- será que Mário Soares fez promessa de se inscrever na Corporacion Dermo-Estética caso ganhe as eleições (quer dizer, as eleições na Conchichina, porque as de Portugal, é o vê te avias, ó Chéché!!);
E, para terminar, e já que se fala nisso: se aqui forem nove horas da noite, que horas são em Kuala Lumpur ? Hum??? Não percam…
Post Factium:
(ao longe, no meio do estábulo dos bois, uma velha enrugada, toda vestida de preto, assistia a uma captação de imagens de video, em directo da Casa do Truz-Truz … e ria como uma perdida. Enquanto afagava o lombo de um bezerro, disse-lhe:
- Estás a ver, meu pequenino? Esta é a minha vingança pra aqueles insurretos que comem os teus maninhos!! Eu bem os tentei desviar do pecado e tentei vender-lhes bacalhau, mas eles assassinaram a tradição e os teus maninhos!! Bem feito! Com sorte, inda consigo vender a cassete destas imagens à Endemol para passar no Jornal da TVI!!! HihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihiihihihihihihihihihihiJ
Fim (por enquanto…)
Agradecimentos:
Não se agradece desta vez. Como já se trata de uma sequela já adquirimos um estaturo superior. Já lá vão os tempos da humildade!
Elenco:
Os mesmo da outra vez, um pouco mais velhos e sem o bronze do Verão.
A velha ( é a esposa do Velho do Restelo)
O Bezerro (bonecos insufláveis Continente)
Bifes (Talho Focinho de Porco)
Sr Manel Mosaicos (cedido gentilmente e somente para esta sequela pela Prisão de Custóias. Na realidade, chama-se Toni Monta Todas).
21 de Janeiro de 2006
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
A preguiça

Quero ser rigorosa nos meus comentários. Quero mostrar que esta "onda" de preguiça que me tem inundado ultimamente não é fruto de capricho mas sim tem origem na ordem natural das leis que nos regem. Senão vejamos:
NOME CIENTÍFICO: Bradypus tridatylus
FILO: Chordata
CLASSE: Mammalia
ORDEM: Xenarthra
FAMÍLIA: Bradypodidae
A preguiça gosta de aproveitar seu tempo. (confirma-se!) Anda bem devagar e nada perturba o seu sossego. (meus caros, meus caros, confirmadíssimo!) Ela dorme o dia inteiro nas árvores, pendurada num galho pelos quatro pés, de costas para o chão, e com a cabeça pendida sobre o peito. (Quantas vezes já não me viram assim? eu e os meus quatro pés... a cabeça pendida sobre o peito...) A preguiça fica nessa posição durante horas, sem se mexer. (horas! horas!) Suas reacções, sua digestão e até sua respiração são lentas. (tudo leee nnnnto... inspiro....exp....iro) Esse mamífero de hábitos noturnos (cá está!) vive em pequenos bandos (no meu caso gang, e dos mais giros) nas florestas tropicais húmidas da Guianas, Venezuela e Nordeste do Brasil. (eu vivo na selva invicta o que é a mesma coisa) Desce das árvores só quando é obrigada. (só quando quero e me apetece) É quase incapaz de se movimentar no chão, mas nada muito bem. (uma vez por semana lá nado eu) A visão e a audição da preguiça são fracas (está explicada a minha falta de atenção nestes últimos tempos) e ela orienta-se principalmente pelo olfato. Quando dorme seu pelo comprido e espesso pende da barriga para o dorso e funciona como proteção contra a chuva. (não comento. É óbvio que isto é uma metáfora, quer dizer... por favor!) A pelagem é coberta de algas verdes que tornam a preguiça quase invisível no meio das folhas. (MAS QUE É ISTO?! É PRECISO TER LATA!) Quando o tempo esfria, ela cai num estado de torpor letárgico. (sim, caio. mas levanto-me depois, Ainda que tenha dificuldades em me movimentar no chão) A preguiça alimenta-se apenas das folhas, frutos e brotos de algumas árvores, especialmente de embaúba. ( E de francesinhas) O orvalho é sua única bebida. (Tá bem abelha!!) Ela é inofensiva e tem poucos inimigos. (que posso eu dizer mais? Sou um anjo!) É capaz de girar a cabeça de tal jeito que a cara pode ficar nas costas. (Por isso cuidadinho com essas bocas foleiras, tá?!).
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Questionário
Chegou-me às mãos um questionário elaborado pela artista plástica Sofia Calle e pelo escritor Gregoire Bouillier, publicado na revista Les Inrockoptibles. Achei as perguntas fabulosas, a ponto de me deixar uns bons minutos a pensar nas possíveis respostas.
Aqui estão algumas delas. O Mote? Leiam, pensem nelas. E respondam se conseguirem.
1. O que é que te faz levantar de manhã?
2. O que é que aconteceu aos teus sonhos de infância?
3. O que te distingue dos outros?
4. Achas que te falta alguma coisa?
5. De onde vens tu?
6. A que é que já renunciaste?
7. Quais são os teus prazeres preferidos?
8. O que é que tu defendes?
9. A que és capaz de renunciar?
10. Qual é a parte mais frágil do teu corpo?
11. O que é que já foste capaz de fazer por amor?
12. Redige o teu epitáfio.
13. Depois de morrer, sob que forma gostarias de regressar?
Abraços.
Aqui estão algumas delas. O Mote? Leiam, pensem nelas. E respondam se conseguirem.
1. O que é que te faz levantar de manhã?
2. O que é que aconteceu aos teus sonhos de infância?
3. O que te distingue dos outros?
4. Achas que te falta alguma coisa?
5. De onde vens tu?
6. A que é que já renunciaste?
7. Quais são os teus prazeres preferidos?
8. O que é que tu defendes?
9. A que és capaz de renunciar?
10. Qual é a parte mais frágil do teu corpo?
11. O que é que já foste capaz de fazer por amor?
12. Redige o teu epitáfio.
13. Depois de morrer, sob que forma gostarias de regressar?
Abraços.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Como tornar um Café Só num Hit
Que posso eu dizer da noite de ontem?
Como poderei eu resumir tamanha emoção sentida ontem, no convívio que marcou, claramente, a noite portuense boavistense?
Nada poderá ilustrar com precisão a classe, o estilo que caracteriza este grupo. Mais uma vez privilegiamos um espaço social de convívio na invicta e a admiração e alegria do povinho não foi exagerada... Somos, efectivamente muito giros/as (que isto da Igualdade de Oportunidades assim o obriga e muito bem) e nada podemos fazer acerca disso senão... aparecer e brilhar.
São várias as reflexões que me ocorrem neste momento, mas talvez possa focar as minhas palavras em duas grandes linhas de reflexão e que apresento de seguida:
- Sãozinha esteve lá. Alegando não ter tempo para visitar e participar neste espaço importante já na vida de todos nós, esta jovem simples demonstrou a sua última coreografia. Sempre criativa e animada, a Sãozinha faz falta por aqui... Para quando a sua participação neste espaço?
- Maria, vou respeitar a promessa que te fixemos, e nada mais de falar desse assunto que te deixa agitada e, claramente, animada. Nada mais de falar dessa cidade cujo nome começa por A e termina em O e tem no meio as letras "veir", nem dessa iguaria que, e repara que não digo o nome, é composta de ovos que não são duros.
E pronto, meus caros. Começo a ter claras dificuldades em lidar com esta dupla personalidade que se me assola de vez em quando. Ora Ivana, ora jovem poética e com imenso jeito para a escrita...
Beijos para todos. Adorei olhá-los a todos ontem!
Como poderei eu resumir tamanha emoção sentida ontem, no convívio que marcou, claramente, a noite portuense boavistense?
Nada poderá ilustrar com precisão a classe, o estilo que caracteriza este grupo. Mais uma vez privilegiamos um espaço social de convívio na invicta e a admiração e alegria do povinho não foi exagerada... Somos, efectivamente muito giros/as (que isto da Igualdade de Oportunidades assim o obriga e muito bem) e nada podemos fazer acerca disso senão... aparecer e brilhar.
São várias as reflexões que me ocorrem neste momento, mas talvez possa focar as minhas palavras em duas grandes linhas de reflexão e que apresento de seguida:
- Sãozinha esteve lá. Alegando não ter tempo para visitar e participar neste espaço importante já na vida de todos nós, esta jovem simples demonstrou a sua última coreografia. Sempre criativa e animada, a Sãozinha faz falta por aqui... Para quando a sua participação neste espaço?
- Maria, vou respeitar a promessa que te fixemos, e nada mais de falar desse assunto que te deixa agitada e, claramente, animada. Nada mais de falar dessa cidade cujo nome começa por A e termina em O e tem no meio as letras "veir", nem dessa iguaria que, e repara que não digo o nome, é composta de ovos que não são duros.
E pronto, meus caros. Começo a ter claras dificuldades em lidar com esta dupla personalidade que se me assola de vez em quando. Ora Ivana, ora jovem poética e com imenso jeito para a escrita...
Beijos para todos. Adorei olhá-los a todos ontem!
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Minha gente,
Fiquei sem ver o blogg uns meros 2 dias e kando apareço é isto!? Montes de posts e comments!!??? Até me baralhei (ou não fosse eu a Maria!!!)
Muito bem, minhas lindas!! Bem Bilha inda não percebi kal é a tua entrando aki sem te registares e te assumires komo Bilha k és... mas axo k não andas bem!? Serão consekências do amor??
Enfim ....
A Maria mais ingénua k nunca e cada dia k passa mais alucinada kom esta vida aki deixa muitos beijos p todos... (forma fácil de vos mandar mimos a todas (Bilha incluido).
Prometo que tentarei contribuir kanto antes.... talvez inspirada pela Ria de Aveiro, pelos moliceiros, pelos ovos moles, pela Barra, ou por outra coisa qualquer....
Maria
Fiquei sem ver o blogg uns meros 2 dias e kando apareço é isto!? Montes de posts e comments!!??? Até me baralhei (ou não fosse eu a Maria!!!)
Muito bem, minhas lindas!! Bem Bilha inda não percebi kal é a tua entrando aki sem te registares e te assumires komo Bilha k és... mas axo k não andas bem!? Serão consekências do amor??
Enfim ....
A Maria mais ingénua k nunca e cada dia k passa mais alucinada kom esta vida aki deixa muitos beijos p todos... (forma fácil de vos mandar mimos a todas (Bilha incluido).
Prometo que tentarei contribuir kanto antes.... talvez inspirada pela Ria de Aveiro, pelos moliceiros, pelos ovos moles, pela Barra, ou por outra coisa qualquer....
Maria
E elas gritavam: Bilha, Bilha, Bilhinha... Pois ...
Pois é pois é...!!!
Sei que já toda a aldeia se questionava: por onde anda o nosso Bilha? Que é feito dele? Será que alguma espinha de bacalhau o aflige?
Mas não...
Just business!! Isto de abrir filiais da lanchonete por terras do gerês não tá fácil!! dá o seu trabalho! E depois sabem como é ... aquele convívio com miúdas maiores de 70 anos ... um homem tem de ceder ... não é de ferro ... enfim explorar as potencialidades!!
Sempre que penso naquelas malucas, os cabelos brancos, os dentes amarelos, aquelas pernas dentro da bela da galocha, as mãos ásperas do trabalho do campo, o cheiro a estrume, enfim o melhor que o campo tem para oferecer!!
Trabalhadoras é certo, mas sempre prontas ... para ... para uma ... para uma bela conversa sobre os tempos em que eram novas, e que faziam isto e aquilo e aquilo .... enfim umas malucas é o que é!!
Bem, mas se até hoje este era um blog decente, com poemas profundos, deveras inspiradores e temas interessantes (Já agora manual de instruções: sim! ajudava muita gente), a partir de hoje a imagem deste sítio na net vai cair a pique! ehehehe...
Tinham sempre a hipótese de não me terem enviado o convite mas agora tarde demais... ehehe
Bilha''
(nota de Carminho: apenas queria ressalvar -ou seja, salvar duas vezes - o motivo pelo qual cedi os meus direitos de 'autora' ao Bilha . Do alto dos meus saltos Manolo Blanik lá acedi ao insistente pedido: ''Carminho, deixa-me postari c'a tua passeuórde e iuzereneime'' . ... É que já não aguentava mais ouvi-lo debaixo do meu parapeito do duplex com vista pró-rio a jurar que se ''lhe fizesse este favorzinho, ingraixo-te todos os teus sapatos, Carminho!!''. Face a isto, e como tenho cerca de um centena de Manolos, mais cousa menos cousa, lá fiz a boa acção do dia...Pfff, sou tão bondosa...Ai, ai...)
Sei que já toda a aldeia se questionava: por onde anda o nosso Bilha? Que é feito dele? Será que alguma espinha de bacalhau o aflige?
Mas não...
Just business!! Isto de abrir filiais da lanchonete por terras do gerês não tá fácil!! dá o seu trabalho! E depois sabem como é ... aquele convívio com miúdas maiores de 70 anos ... um homem tem de ceder ... não é de ferro ... enfim explorar as potencialidades!!
Sempre que penso naquelas malucas, os cabelos brancos, os dentes amarelos, aquelas pernas dentro da bela da galocha, as mãos ásperas do trabalho do campo, o cheiro a estrume, enfim o melhor que o campo tem para oferecer!!
Trabalhadoras é certo, mas sempre prontas ... para ... para uma ... para uma bela conversa sobre os tempos em que eram novas, e que faziam isto e aquilo e aquilo .... enfim umas malucas é o que é!!
Bem, mas se até hoje este era um blog decente, com poemas profundos, deveras inspiradores e temas interessantes (Já agora manual de instruções: sim! ajudava muita gente), a partir de hoje a imagem deste sítio na net vai cair a pique! ehehehe...
Tinham sempre a hipótese de não me terem enviado o convite mas agora tarde demais... ehehe
Bilha''
(nota de Carminho: apenas queria ressalvar -ou seja, salvar duas vezes - o motivo pelo qual cedi os meus direitos de 'autora' ao Bilha . Do alto dos meus saltos Manolo Blanik lá acedi ao insistente pedido: ''Carminho, deixa-me postari c'a tua passeuórde e iuzereneime'' . ... É que já não aguentava mais ouvi-lo debaixo do meu parapeito do duplex com vista pró-rio a jurar que se ''lhe fizesse este favorzinho, ingraixo-te todos os teus sapatos, Carminho!!''. Face a isto, e como tenho cerca de um centena de Manolos, mais cousa menos cousa, lá fiz a boa acção do dia...Pfff, sou tão bondosa...Ai, ai...)
terça-feira, fevereiro 14, 2006
El flujo del amor e o beijo
Em cima: até o mais frio material - o ferro - pode ser 'moldado' e originar formas tão fluídas como esta peça... Uma analogia ao poder transformador do amor quando trabalhado dentro de nós...
O escultor: Cândido Monge (espanol, por supuesto!)
A outra escultura dispensa apresentações: «The Kiss» de Auguste Rodin, outra das maravilhas que poderão ver na Tate.
Está visto que o Amor inspira ...
Sintam-se, então, beijados!
O escultor: Cândido Monge (espanol, por supuesto!)
A outra escultura dispensa apresentações: «The Kiss» de Auguste Rodin, outra das maravilhas que poderão ver na Tate.
Está visto que o Amor inspira ...
Sintam-se, então, beijados!
O que é o Amor?
Amor é fogo que arde sem se ver
"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
Luís Vaz de Camões
Em pleno Dia de S. Valentim, permitam lançar mais um tema para o nosso forúm:
Afinal o que é o Amor?
Espero pelos vossos comentários
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Poesia Urbana
Em véspera de dia D, um pouco de poesia para reflectirmos sobre a vida e os seus desencontros...
Trata-se de um documento encontrado algures no médio oriente, numa arca escondido, trazido agora à luz do público para nosso deleite. Partilho-o, então, convosco.
A minha vida é o máximo
O meu amor é purinho.
Vi um anjo
Tenho a certezinha.
Ela sorriu p’ra mim no metro,
Ela ‘tava com outro gajo.
Mas não vou perder o sono por causa disso,
Por causa que eu tenho um plano.
És liiiinda. És liiiinda.
És liiinda, é verdade.
Vi o teu rosto, na multidão.
E não sei que faça,
Por causa que nunca ficarei contigo.
Ié, ela caçou-me o olho,
Quando passava por mim,
Ela percebeu pela minha fronha que eu ‘tava
passado, fosgace,
E não me parece que lhe vou por os olhos em cima outra vez
Mas a gente partilhou um momento que vai durar 4ever.
És liiiinda. És liiiinda.
És liiinda, é verdade.
Vi o teu rosto, na multidão,
E não sei que faça,
Por causa que nunca ficarei contigo.
És liiiinda. És liiiinda.
És liiinda, é verdade.
Deve haver um anjo com um sorriso no rosto dela,
Quando ela pensou alto que eu ia ficar contigo.
Mas vamos lá ver as coisas como elas são
Nunca ficarei contigo, minha.
O meu amor é purinho.
Vi um anjo
Tenho a certezinha.
Ela sorriu p’ra mim no metro,
Ela ‘tava com outro gajo.
Mas não vou perder o sono por causa disso,
Por causa que eu tenho um plano.
És liiiinda. És liiiinda.
És liiinda, é verdade.
Vi o teu rosto, na multidão.
E não sei que faça,
Por causa que nunca ficarei contigo.
Ié, ela caçou-me o olho,
Quando passava por mim,
Ela percebeu pela minha fronha que eu ‘tava
passado, fosgace,
E não me parece que lhe vou por os olhos em cima outra vez
Mas a gente partilhou um momento que vai durar 4ever.
És liiiinda. És liiiinda.
És liiinda, é verdade.
Vi o teu rosto, na multidão,
E não sei que faça,
Por causa que nunca ficarei contigo.
És liiiinda. És liiiinda.
És liiinda, é verdade.
Deve haver um anjo com um sorriso no rosto dela,
Quando ela pensou alto que eu ia ficar contigo.
Mas vamos lá ver as coisas como elas são
Nunca ficarei contigo, minha.
Jaime
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
O voo das Borboletas

«- Violeta, ainda demoras muito?
Num instante, pousa o lápis, afasta a poltrona da mesa de apoio, pega nas folhas soltas e esconde-as dentro da gaveta do armário mesmo a seu lado.
- Violeta, estás a ouvir? Despacha-te! – gritava uma voz ansiosa.
À pressa coloca o chapéu castanho de abas largas, enrola o cachecol laranja em torno do esguio pescoço, alcança a mala e apressa-se na descida dos dois lances de escada que a levam até ao pátio.
Na descida em passo acelerado quase tropeça no seu próprio pé, que desde o último Outono crescera fenomenalmente.
«sempre apressado, não tenho tempo para nada...se ao menos tivesse terminado o que tinha pensado...agora vou esquecer tudo...ainda posso voltar atrás e levar um bloco e apontar só as ideias chave e assim já não...
- VIOLETA!! Palavra de honra que ficas para trás se não te aceleras o passo! É que nem sequer te dignas a responder!!
... bem, parece que não vai dar...»
- Xim, pai. Tem calma. Chetava a penxá que me tinha chesquecido algo. Não é preciso ficares axim!
Ao olhar para a franzina personagem que tinha à sua frente, Antero não conseguiu permanecer zangado.
- Violeta, não estou zangado. Estamos atrasados para o recital. Sabes como é importante para a Violante, não sabes? Filha, às vezes, podias ser mais rápida nas coisas que fazes...quero dizer, olha-me bem só para essa figura...Nem sequer te penteaste...
Descontraída, como sempre, Violeta, respondeu:
- Xim, pai, chesqueci também de pentear os cabelos. Mas ninguém vai notar, vais ver! E também vamos chegar a tempo!
- Vamos então, puseste o cinto?
- Xim.
Arrancaram e, à medida que o carro se afastava por entre a longa estrada que os levava até ao centro da vila, apenas ficava para trás uma pequena nuvem prateada de fumo que saía do tubo de escape.
No jardim, os ramos despidos das árvores balouçavam com a ventania. Acenavam a Violeta e a Antero, ansiando que regressassem logo, logo, para lhes fazer companhia. E o vento assobiava uma ladaínha ...
Vai e volta, Violeta
Leva e traz o teu encanto
Esse rasto luminoso de cometa ...
A sala estava lotada. Os bilhetes tinham esgotado logo no final do primeiro dia em que tinham sido postos à venda. Criara-se uma enorme expectativa em torno daquele espectáculo.
Chegaram mesmo a tempo. O espectáculo ia começar. Acomodaram-se na fila da frente, reservada para familiares e amigos de longa data. Ouvia-se as vozes da gente que ali estava presente sem, no entanto, se perceber o que diziam, devido à sobreposição das múltiplas vozes. A energia, essa, sentia-se a pairar no ar. Sentia-se alegria, expectativa e entusiasmo.
Com os olhos esbugalhados e brilhantes, Violeta contemplava em silêncio tudo e todos. Nunca antes havia estado num local tão bonito como aquele salão! Repleto de pessoas tão elegantes: homens e mulheres arranjados como príncipes e princesas. Elas com vestidos longos e jóias brilhantes. Eles com fatos solenes e com os cabelos muito bem penteados. De olfacto muito apurado, deixava-se inebriar com a mistura das fragrâncias... das alfazemas, dos jasmins, das rosas...
Eis que, então, se fez silêncio absoluto! Apagaram-se as luzes e uma longa cortina de veludo encarnado deslizou tranquilamente... Lá estava ela, a belíssima Violante!
«Magnífica!» - pensou Antero.
Com um breve aceno e um ligeiro sorriso, cumprimentou a audiência e logo iniciou o bailado. Em pontas, deslizou até o outro lado do palco. Com a elegância e a suavidade de um cisne que atravessava um lago.
- Parece não se esforçar minimamente, como se fosse natural suportar todo o peso do corpo na ponta dos pés! Uma verdadeira prima ballerina! – escutava Violeta na fila imediatamente atrás de si. - Um cisne...
Desliza suavemente
Violante, a graciosa
Como pluma esvoaçante
Vestida em cetim cor-de-rosa
Bailou, girou, rodopiou, encolheu-se, esticou-se, encantou. Até que, subitamente, parou. E deixou-se estar, qual estátua humana, imóvel, com o olhar fixo no vazio, por breves segundos... Até que, desmaiou! Tombou com a leveza de uma pluma, com a elegância do cisne... Instalou-se o pânico na sala! Que havia acontecido com Violante?!
Antero saltou da cadeira e pulou para o palco. Desenfreado, tomou o pulso de Violante e aí, nesse exacto momento, soltou o grito da dor. Não sentiu pulsação. Não sentiu nada. Violante já não se encontrava mais naquela sala...Abandonara o palco (da vida).
Petrificada com aquele cenário outrora cheio de brilho e graciosidade, agora, repleto de dor e miséria, Violeta permaneceu sentada, imóvel e estática.
Não estava a compreender o porquê da tragédia. Viera assistir ao espectáculo da sua única irmã, Violante, oito anos mais velha do que ela, bailarina profissional, cheia de graça e de vida. Viera ver a sua irmã brilhar, recusava-se a vê-la morrer. Queria fugir, esquecer, voltar atrás! No entanto, não conseguia reagir, nem para gritar, sequer para se levantar e tomar o colo do pai que tinha ali mesmo à sua frente, torturado pela dor da perda de Violante, o seu “diamante”, como costumava chamar-lhe, em analogia à sua pureza, ao seu requinte de alma e de gestos, e à harmonia que trazia consigo e que transmitia a todos em seu redor.
O equilíbrio, a harmonia sucumbira ali naquele instante que desprendeu Violante ao ténue fio da vida. À sua morte, à trituração do diamante, à ruptura da harmonia interna – a tudo isso assistiu, impotente. Restava-lhe, apenas, amparar o corpo (agora frágil, outrora forte ao ponto de se suster nas pontas dos pés) moribundo, da sua filha mais velha.
«Por vezes, coisas más acontecem. Acontecem, assim, sem razão, sem motivo. Simplesmente, acontecem e a nós resta-nos apenas apanhar os estilhaços da melhor forma que pudermos».
Estas foram as palavras que Antero conseguiu proferir no velório de Violante. Com o rosto carregado, com mágoa enevoada nos olhos. Violeta estava ao seu lado. Desta vez, sem atrasos, tomara a mão do seu pai e caminharam mudos até à Igreja. Lado a lado, doloridos com a perda, mas ainda com um medo maior de ficarem um sem o outro. Pelo caminho, as árvores vergavam-se com respeito. Também elas estavam de luto. Conheciam Violante desde que nascera, como aliás conheciam aquela família desde que Antero e Magda compraram aquela casa, aquelas terras onde as suas raízes estavam assentes, presas à vida há séculos. Violante dançara descalça, naquele solo, muitas e muitas vezes. A sua dança enchia de harmonia todo aquele espaço. Carregava o ambiente de magia, animação. E as velhas árvores retribuíam-lhe com as mais valiosas ofertas: o oxigénio mais puro, a sombra fresca no Verão sufocante, os frutos mais deliciosos que alguém provara, o amparo dos ramos sempre que se sentia incompreendida pelo Mundo, pelas pessoas. Por vezes, em absoluta tranquilidade, adormecia nos tapetes de folhas coloridas que se estendiam pelo chão.
Violante tinha o hábito de abraçar as árvores. Sentia-se apaixonada pela Natureza, dizia-o por vezes ao seu pai.
Desta vez, os ramos agitavam-se. Acenavam a Violante, em direcção ao céu, em última despedida.
Violeta, desde a noite em que regressara a casa após a morte de Violante, que não conseguia falar com ninguém. Fechava-se no seu quarto, sentada horas a fio na poltrona junto da mesa de apoio, pegava em folhas soltas e escrevia para Violante.
« Violante, onde estás? Porque é que foste embora assim? Violante! consegues ler esta carta? Quando se morre está-se em todo o lado, não é? Agora, estás ao meu lado? Gostava que me respondesses... me aparecesses mais uma vez...
Mas, por outro lado, penso que, se aparecesses, eu ia gritar, ia pensar que estava tola da cabeça, porque sempre me disseste que os fantasmas não existem. Ou será que existem e só dizias isso para que não fosse dormir para a tua cama?
Eu tenho medo do escuro, Violante. Agora que não te tenho, escrevo-te para não ir para a cama. Não quero ir dormir. Tenho medo de acordar e assustar-me e não poder ir refugiar-me na tua cama, no teu calor...»
Noutra carta, dedicou-lhe um poema:
‘o voo das borboletas’
Voam, voam, qual borboleta
Violante e Violeta
Nos céus, de mãos dadas
Da terra vistas, parecem fadas
De lá de cima vêm seu Pai, Antero
Que parece agitado, com medo
Acenas-lhes e grita. É severo?
Não! Apenas diz que as asas não são um brinquedo!
que até para voar é preciso ter cuidado
que devem olhar para a frente
porque, se afinal têm asas
porquê, então, olhar cá para baixo,
(para a gente
Voam, voam, qual borboleta
Violante e Violeta
Nos céus, de mãos dadas
Da terra vistas, parecem fadas...
Afinal foi um sonho...
Violeta acorda,
(assustada,
Violante debaixo de lençóis,
(embalada...).
Numa outra, tentou escrever uma canção. Não conseguiu. Tinha que se vestir, para o velório. Colocou o seu chapéu. O da aba larga, castanho. No bolso do casaco, colocou um lenço de pano – embora soubesse que não iria chorar em frente daquela gente toda. Apenas no quarto se permitia chorar...
... No entanto, soltou-se a lágrima mal Antero terminou o seu breve discurso. E aí, nesse momento sentiu o Arrepio da Evidência
Pela minha pele atravessou um Arrepio
Frio, frio
Pela minha pele atravessou o Desconforto
Penetrou nas minhas veias, no sangue
Navega solto em Mim.
Violeta sentiu-se emocionada com a força do seu Pai e recordou a força de Violante. Apenas uma lágrima se permitiu chorar. Tinha que ser forte como a família!
«- Por vezes, coisas más acontecem. Acontecem, assim, sem razão, sem motivo. Simplesmente, acontecem e a nós resta-nos apenas apanhar os estilhaços da melhor forma que pudermos». »
***
É apenas mais um Sábado de Inverno. Frio, cinzento. Estou na sala de estar, no velho sofá tijolo, abraçada à manta da minha infância. E recordo o desaparecimento precoce da minha irmã. O seu voo prematuro para o outro lado. O lado desconhecido, mas onde sei que voa livremente, onde o tempo não existe. Aqui, na terra, o tempo voa. Onde ela se encontra, a juventude, a felicidade e o sonho são eternos. Aí, nada perece, tudo é eterno. Tudo é gracioso, leve...
A minha irmã vive na Praia da harmonia...
Na praia da harmonia vive serena
com uma papoila presa nos cabelos
Embalada no areal de perder vista
Fascinada pelo intangível do horizonte.
E se hoje o escrevo, se hoje escrevo acerca da perda, dos estilhaços da minha infância é porque hoje acredito verdadeiramente na existência da Praia da Harmonia. Hoje assumo que a muralha em que me tornei se derrubou...ruiu. Foi a forma que encontrei para superar a dor da perda. A perda da minha alegria, da infância. A perda da alegria pela escrita e pelo diálogo. Andei semanas sem conseguir deitar um som cá para fora. Fiquei presa no meio de imensas paredes de palavras que se estendiam até o limite da vista, e senti-me como se nunca mais me pudesse livrar delas. E imaginei que nunca mais pudesse encontrar, nessas paredes que pareciam ter parte com o infinito, nenhuma janelinha através da qual entrasse um pouco da realidade existente no lado de fora! De dia para dia, as palavras que não conseguiam sair, esses blocos de pedra minavam as minhas possibilidades de ser feliz, de atingir o estado de entendimento de mim para com o Mundo, para com as pessoas.
Mas houve um dia em que contemplei a Praia da Harmonia e pude arrancar de vez da angústia!
O dia em que as cores invadiram a minha vida! Em que o meu coração se encheu de palpitações! Em que a minha alma se tornou num arco-íris resplandecente! No dia em que a tempestade serenou e desapareceu de vez.
O dia em que a Íris nasceu e o brilho regressou. O dia em que, através dos olhos desta maravilha, reencontrei o significado da existência e percebi o milagre da vida!
E por isso, escrevi a estória do ‘Voo das Borboletas’.
Para que a minha filha se embale e possa sonhar com a Praia da Harmonia e talvez possa voar com a tia Violante que, tal como um brilho de um cometa, passou veloz pela vida terrena mas continua a dançar em pontas de pés, graciosa a rodopiar ...
Para que nunca receie a morte, nunca receie a perda, nunca se sinta abandonada e nunca se silencie. Para que seja sempre criança, com música dentro de si!
E para que a minha ‘criança’, outrora perdida, possa livremente continuar a voar contigo, minha irmã ... Para sempre borboletas!
Num instante, pousa o lápis, afasta a poltrona da mesa de apoio, pega nas folhas soltas e esconde-as dentro da gaveta do armário mesmo a seu lado.
- Violeta, estás a ouvir? Despacha-te! – gritava uma voz ansiosa.
À pressa coloca o chapéu castanho de abas largas, enrola o cachecol laranja em torno do esguio pescoço, alcança a mala e apressa-se na descida dos dois lances de escada que a levam até ao pátio.
Na descida em passo acelerado quase tropeça no seu próprio pé, que desde o último Outono crescera fenomenalmente.
«sempre apressado, não tenho tempo para nada...se ao menos tivesse terminado o que tinha pensado...agora vou esquecer tudo...ainda posso voltar atrás e levar um bloco e apontar só as ideias chave e assim já não...
- VIOLETA!! Palavra de honra que ficas para trás se não te aceleras o passo! É que nem sequer te dignas a responder!!
... bem, parece que não vai dar...»
- Xim, pai. Tem calma. Chetava a penxá que me tinha chesquecido algo. Não é preciso ficares axim!
Ao olhar para a franzina personagem que tinha à sua frente, Antero não conseguiu permanecer zangado.
- Violeta, não estou zangado. Estamos atrasados para o recital. Sabes como é importante para a Violante, não sabes? Filha, às vezes, podias ser mais rápida nas coisas que fazes...quero dizer, olha-me bem só para essa figura...Nem sequer te penteaste...
Descontraída, como sempre, Violeta, respondeu:
- Xim, pai, chesqueci também de pentear os cabelos. Mas ninguém vai notar, vais ver! E também vamos chegar a tempo!
- Vamos então, puseste o cinto?
- Xim.
Arrancaram e, à medida que o carro se afastava por entre a longa estrada que os levava até ao centro da vila, apenas ficava para trás uma pequena nuvem prateada de fumo que saía do tubo de escape.
No jardim, os ramos despidos das árvores balouçavam com a ventania. Acenavam a Violeta e a Antero, ansiando que regressassem logo, logo, para lhes fazer companhia. E o vento assobiava uma ladaínha ...
Vai e volta, Violeta
Leva e traz o teu encanto
Esse rasto luminoso de cometa ...
A sala estava lotada. Os bilhetes tinham esgotado logo no final do primeiro dia em que tinham sido postos à venda. Criara-se uma enorme expectativa em torno daquele espectáculo.
Chegaram mesmo a tempo. O espectáculo ia começar. Acomodaram-se na fila da frente, reservada para familiares e amigos de longa data. Ouvia-se as vozes da gente que ali estava presente sem, no entanto, se perceber o que diziam, devido à sobreposição das múltiplas vozes. A energia, essa, sentia-se a pairar no ar. Sentia-se alegria, expectativa e entusiasmo.
Com os olhos esbugalhados e brilhantes, Violeta contemplava em silêncio tudo e todos. Nunca antes havia estado num local tão bonito como aquele salão! Repleto de pessoas tão elegantes: homens e mulheres arranjados como príncipes e princesas. Elas com vestidos longos e jóias brilhantes. Eles com fatos solenes e com os cabelos muito bem penteados. De olfacto muito apurado, deixava-se inebriar com a mistura das fragrâncias... das alfazemas, dos jasmins, das rosas...
Eis que, então, se fez silêncio absoluto! Apagaram-se as luzes e uma longa cortina de veludo encarnado deslizou tranquilamente... Lá estava ela, a belíssima Violante!
«Magnífica!» - pensou Antero.
Com um breve aceno e um ligeiro sorriso, cumprimentou a audiência e logo iniciou o bailado. Em pontas, deslizou até o outro lado do palco. Com a elegância e a suavidade de um cisne que atravessava um lago.
- Parece não se esforçar minimamente, como se fosse natural suportar todo o peso do corpo na ponta dos pés! Uma verdadeira prima ballerina! – escutava Violeta na fila imediatamente atrás de si. - Um cisne...
Desliza suavemente
Violante, a graciosa
Como pluma esvoaçante
Vestida em cetim cor-de-rosa
Bailou, girou, rodopiou, encolheu-se, esticou-se, encantou. Até que, subitamente, parou. E deixou-se estar, qual estátua humana, imóvel, com o olhar fixo no vazio, por breves segundos... Até que, desmaiou! Tombou com a leveza de uma pluma, com a elegância do cisne... Instalou-se o pânico na sala! Que havia acontecido com Violante?!
Antero saltou da cadeira e pulou para o palco. Desenfreado, tomou o pulso de Violante e aí, nesse exacto momento, soltou o grito da dor. Não sentiu pulsação. Não sentiu nada. Violante já não se encontrava mais naquela sala...Abandonara o palco (da vida).
Petrificada com aquele cenário outrora cheio de brilho e graciosidade, agora, repleto de dor e miséria, Violeta permaneceu sentada, imóvel e estática.
Não estava a compreender o porquê da tragédia. Viera assistir ao espectáculo da sua única irmã, Violante, oito anos mais velha do que ela, bailarina profissional, cheia de graça e de vida. Viera ver a sua irmã brilhar, recusava-se a vê-la morrer. Queria fugir, esquecer, voltar atrás! No entanto, não conseguia reagir, nem para gritar, sequer para se levantar e tomar o colo do pai que tinha ali mesmo à sua frente, torturado pela dor da perda de Violante, o seu “diamante”, como costumava chamar-lhe, em analogia à sua pureza, ao seu requinte de alma e de gestos, e à harmonia que trazia consigo e que transmitia a todos em seu redor.
O equilíbrio, a harmonia sucumbira ali naquele instante que desprendeu Violante ao ténue fio da vida. À sua morte, à trituração do diamante, à ruptura da harmonia interna – a tudo isso assistiu, impotente. Restava-lhe, apenas, amparar o corpo (agora frágil, outrora forte ao ponto de se suster nas pontas dos pés) moribundo, da sua filha mais velha.
«Por vezes, coisas más acontecem. Acontecem, assim, sem razão, sem motivo. Simplesmente, acontecem e a nós resta-nos apenas apanhar os estilhaços da melhor forma que pudermos».
Estas foram as palavras que Antero conseguiu proferir no velório de Violante. Com o rosto carregado, com mágoa enevoada nos olhos. Violeta estava ao seu lado. Desta vez, sem atrasos, tomara a mão do seu pai e caminharam mudos até à Igreja. Lado a lado, doloridos com a perda, mas ainda com um medo maior de ficarem um sem o outro. Pelo caminho, as árvores vergavam-se com respeito. Também elas estavam de luto. Conheciam Violante desde que nascera, como aliás conheciam aquela família desde que Antero e Magda compraram aquela casa, aquelas terras onde as suas raízes estavam assentes, presas à vida há séculos. Violante dançara descalça, naquele solo, muitas e muitas vezes. A sua dança enchia de harmonia todo aquele espaço. Carregava o ambiente de magia, animação. E as velhas árvores retribuíam-lhe com as mais valiosas ofertas: o oxigénio mais puro, a sombra fresca no Verão sufocante, os frutos mais deliciosos que alguém provara, o amparo dos ramos sempre que se sentia incompreendida pelo Mundo, pelas pessoas. Por vezes, em absoluta tranquilidade, adormecia nos tapetes de folhas coloridas que se estendiam pelo chão.
Violante tinha o hábito de abraçar as árvores. Sentia-se apaixonada pela Natureza, dizia-o por vezes ao seu pai.
Desta vez, os ramos agitavam-se. Acenavam a Violante, em direcção ao céu, em última despedida.
Violeta, desde a noite em que regressara a casa após a morte de Violante, que não conseguia falar com ninguém. Fechava-se no seu quarto, sentada horas a fio na poltrona junto da mesa de apoio, pegava em folhas soltas e escrevia para Violante.
« Violante, onde estás? Porque é que foste embora assim? Violante! consegues ler esta carta? Quando se morre está-se em todo o lado, não é? Agora, estás ao meu lado? Gostava que me respondesses... me aparecesses mais uma vez...
Mas, por outro lado, penso que, se aparecesses, eu ia gritar, ia pensar que estava tola da cabeça, porque sempre me disseste que os fantasmas não existem. Ou será que existem e só dizias isso para que não fosse dormir para a tua cama?
Eu tenho medo do escuro, Violante. Agora que não te tenho, escrevo-te para não ir para a cama. Não quero ir dormir. Tenho medo de acordar e assustar-me e não poder ir refugiar-me na tua cama, no teu calor...»
Noutra carta, dedicou-lhe um poema:
‘o voo das borboletas’
Voam, voam, qual borboleta
Violante e Violeta
Nos céus, de mãos dadas
Da terra vistas, parecem fadas
De lá de cima vêm seu Pai, Antero
Que parece agitado, com medo
Acenas-lhes e grita. É severo?
Não! Apenas diz que as asas não são um brinquedo!
que até para voar é preciso ter cuidado
que devem olhar para a frente
porque, se afinal têm asas
porquê, então, olhar cá para baixo,
(para a gente
Voam, voam, qual borboleta
Violante e Violeta
Nos céus, de mãos dadas
Da terra vistas, parecem fadas...
Afinal foi um sonho...
Violeta acorda,
(assustada,
Violante debaixo de lençóis,
(embalada...).
Numa outra, tentou escrever uma canção. Não conseguiu. Tinha que se vestir, para o velório. Colocou o seu chapéu. O da aba larga, castanho. No bolso do casaco, colocou um lenço de pano – embora soubesse que não iria chorar em frente daquela gente toda. Apenas no quarto se permitia chorar...
... No entanto, soltou-se a lágrima mal Antero terminou o seu breve discurso. E aí, nesse momento sentiu o Arrepio da Evidência
Pela minha pele atravessou um Arrepio
Frio, frio
Pela minha pele atravessou o Desconforto
Penetrou nas minhas veias, no sangue
Navega solto em Mim.
Violeta sentiu-se emocionada com a força do seu Pai e recordou a força de Violante. Apenas uma lágrima se permitiu chorar. Tinha que ser forte como a família!
«- Por vezes, coisas más acontecem. Acontecem, assim, sem razão, sem motivo. Simplesmente, acontecem e a nós resta-nos apenas apanhar os estilhaços da melhor forma que pudermos». »
***
É apenas mais um Sábado de Inverno. Frio, cinzento. Estou na sala de estar, no velho sofá tijolo, abraçada à manta da minha infância. E recordo o desaparecimento precoce da minha irmã. O seu voo prematuro para o outro lado. O lado desconhecido, mas onde sei que voa livremente, onde o tempo não existe. Aqui, na terra, o tempo voa. Onde ela se encontra, a juventude, a felicidade e o sonho são eternos. Aí, nada perece, tudo é eterno. Tudo é gracioso, leve...
A minha irmã vive na Praia da harmonia...
Na praia da harmonia vive serena
com uma papoila presa nos cabelos
Embalada no areal de perder vista
Fascinada pelo intangível do horizonte.
E se hoje o escrevo, se hoje escrevo acerca da perda, dos estilhaços da minha infância é porque hoje acredito verdadeiramente na existência da Praia da Harmonia. Hoje assumo que a muralha em que me tornei se derrubou...ruiu. Foi a forma que encontrei para superar a dor da perda. A perda da minha alegria, da infância. A perda da alegria pela escrita e pelo diálogo. Andei semanas sem conseguir deitar um som cá para fora. Fiquei presa no meio de imensas paredes de palavras que se estendiam até o limite da vista, e senti-me como se nunca mais me pudesse livrar delas. E imaginei que nunca mais pudesse encontrar, nessas paredes que pareciam ter parte com o infinito, nenhuma janelinha através da qual entrasse um pouco da realidade existente no lado de fora! De dia para dia, as palavras que não conseguiam sair, esses blocos de pedra minavam as minhas possibilidades de ser feliz, de atingir o estado de entendimento de mim para com o Mundo, para com as pessoas.
Mas houve um dia em que contemplei a Praia da Harmonia e pude arrancar de vez da angústia!
O dia em que as cores invadiram a minha vida! Em que o meu coração se encheu de palpitações! Em que a minha alma se tornou num arco-íris resplandecente! No dia em que a tempestade serenou e desapareceu de vez.
O dia em que a Íris nasceu e o brilho regressou. O dia em que, através dos olhos desta maravilha, reencontrei o significado da existência e percebi o milagre da vida!
E por isso, escrevi a estória do ‘Voo das Borboletas’.
Para que a minha filha se embale e possa sonhar com a Praia da Harmonia e talvez possa voar com a tia Violante que, tal como um brilho de um cometa, passou veloz pela vida terrena mas continua a dançar em pontas de pés, graciosa a rodopiar ...
Para que nunca receie a morte, nunca receie a perda, nunca se sinta abandonada e nunca se silencie. Para que seja sempre criança, com música dentro de si!
E para que a minha ‘criança’, outrora perdida, possa livremente continuar a voar contigo, minha irmã ... Para sempre borboletas!
sábado, fevereiro 04, 2006
Manual de instruções: sim ou não?
Caros e caras:
Numa conversa de davaneios com a Ivana eu, Maria, lembrei-me de instituir a seguinte prática: vamos lançar motes de discussão periodicamente!
Para recolher as vossas opiniões, frustações, raivas, desabafos, enfim as vossas contribuições.
Assim, eu, Maria ingénua e romântica, aqui deixo o primeiro mote: Deveríamos vir equipados com manual de instruções? Sim ou Não? Nim ou São? Digam lá .... contem histórias... partilhem momentos......
Juntem-se a nós....
Abraços e beijos gordos
Numa conversa de davaneios com a Ivana eu, Maria, lembrei-me de instituir a seguinte prática: vamos lançar motes de discussão periodicamente!
Para recolher as vossas opiniões, frustações, raivas, desabafos, enfim as vossas contribuições.
Assim, eu, Maria ingénua e romântica, aqui deixo o primeiro mote: Deveríamos vir equipados com manual de instruções? Sim ou Não? Nim ou São? Digam lá .... contem histórias... partilhem momentos......
Juntem-se a nós....
Abraços e beijos gordos
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Para quando o Sublime?????!!!!!
Queria tanto sentar-me no sofá vermelho de couro gasto a ler um livrinho usado, esquecido por alguém num café esquecido também, enquanto escuto uma bela música. Love Should de Moby....
A bebericar um chocolate quente, enquanto espero que as minhas amigas apareçam e me mostrem que a vida pode ser iluminada...
Quando?
A bebericar um chocolate quente, enquanto espero que as minhas amigas apareçam e me mostrem que a vida pode ser iluminada...
Quando?
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