quarta-feira, dezembro 31, 2008

Feliz Ano Novo

Voltei no último dia do ano apenas para vos desejar um:

FENOMENAL
EXTRAORDIONÁRIO
EXCEPCIONAL
MAGNÍFICO
ESTRONDOSO
FANTÁSTICO
MARAVILHOSO
2009


Uma resolução pessoal para o 2009, arranjar um atendedor de chamadas como o do George! (ou não ...)

Um vídeo para sorrir e para vos deixar o meu desejo de que o Novo Ano de 2009 traga, a todos nós e aos que por aqui passarem, ziliões de motivos para sorrir.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Presenting Mr. Moto-Moto



Para toda a blogosfera, o engatatão, o 'musculado', o irresistível Mr. Moto-Moto! :p
Uma música que é um verdadeiro hino de engate!

O 1º. Natal do Bilha com a nova Família

Este ano a véspera de Natal teve um sabor muito especial.
O motivo: eu e o meu querido Bilha passama-lo juntinhos pelo primeiro ano!
Passava já das sete da tarde e todos estavam na azáfama habitual: Carminho entretinha-se a decorar com canela a aletria; o pai de Carminho rebolava no tapete da sala juntamente com o Coffee (o labrador pretinho mais doce do mundo!); a mãe e a irmã de Carminho argumentavam acerca da cor das rabanadas no processo da fritura (''Eu acho que já está, que deixar mais tempo elas ficam queimadas'' ''Ó filha, mas assim ficam cruas, olha para o que eu te digo''...).
As traquinas Mary e Sofas ensaiavam as cantigas de Natal com as quais nos presenteariam após o Jantar e, nos entretantos, distribuíam os postais de Natal personalizados que tinham feito com muito afinco. O nosso, escrito com uma caligrafia perfeitinha, dizia o seguinte:
'' Queridos Tios:
Neste Natal queríamos dizer que vos adoramos e que vocês nos levam a montes de sítios e os nossos pais não, que vergonha!
A ida à baixa no outro dia foi espectacular, adoramos!
Feliz Natal das vossas sobrinhas,
Mary e Sofas''
Depois de as cobrirmos de beijinhos pelo postalinho carinhoso, resolvemos embuir-nos de espírito natalício e pusemos o Madagáscar II no DVD (ok, não tem nada que ver com o Natal, mas é de chorar a rir).
Íamos já numa parte fabulosa do filme, durante a qual o girafo (?) faz uma linda declaração de amor à hipopótama e ...
Apagaram-se as luzes!!
Todos entraram em pânico! Velas!! Tragam velas!
Logo na hora em que o Jantar se ia começar a cozinhar, o acaso pregou-nos uma partida valente e o bacalhau, o polvo e as batatas tiveram que ficar à espera dentro dos respectivos tachinhos.
''Ah, isto não é nada, de caminho já passa'' - argumentou um.
''Isto é horrível. Vai demorar imenso tempo. O nosso Natal vai ser horrível!!'' - bradou a pré-adolescente (e por isso tendencialmente catastrófica) Sofas.
''Ei, que fixe, vamos abrir as prendas à luz das velas e pode ser já!'' - lançou a baixinha (e sempre despachada) Mary, a ver se colava a possibilidade de abrir as prendas antes da meia-noite.
Sentamo-nos todos nos sofás da sala: Bilha, Carminho, mãe, pai, irmã, irmã, cunhados, meninas. O Coffee não. Esse ficou no chão, a aproveitar-se da escuridão e do facto de ser escuro e se camuflar facilmente para rondar a mesa do presunto e dos queijos ...(no fim da noite ganhou-nos no cansaço quando abocanhou um bolinho de bolina à socapa)
Que fazer? Bem, só restava esperar.
E então, palavra puxa palavra, começamos todos a conversar sobre imensas coisas, a rir com aquela situação, a dizer piadas sobre o ''azar'', a equacionar levar tachos e panelas para casa dos nossos pais que têm fogão a gás ... a comer tostinhas com queijo, presunto e a bebericar um delicioso champanhe rosé.
Enfim, quando demos por ela, tinha já passado uma hora.
Fez-se finalmente luz e foi o êxtase!
Fizemos um brinde à electricidade (!) e retomamos as tarefas (desta vez mais animadas e tontinhas com o champanhe).
Há muito que não paravamos assim todos um pouco para conversar, brincar e rir.
Foi um momento muito especial que as palavras não conseguem alcançar mas o jantar teve outro sabor, as cantigas de Natal da Mary e da Sofas fizeram-nos babar e a banda sonora do Mamma Mia pôs toda a família a cantar e a dançar porque os ABBA são intemporais.
Bem-vindo à famelga, Bilha! Somos assim meio-esquisitos mas adoramos-te tanto!!!
Com muito amor, da tua Carminho.
P.S. - No dia seguinte constatei que afinal nem somos tão esquisitos assim. A tarde do dia de Natal foi passada a ver o filme ''Cars'' da Disney em replay contínuo e obsessivo imposto pelo little JP (a dada altura já sabia as falas) e a assistir um grupo de 6 pessoas, entre as quais pais e tios, a ''derrearem-se'' e a dar tudo por tudo por conseguir ganhar aquele que foi o Torneio de Mikado Gigante mais insólito e divertido a que já assisti.
O auge foi atingido quando o pequeno JP coloca uma letra magnética no quadro de brincar e questiona, com ar eloquente, o padrinho Bilha.
'' Qui é?'' - pergunta o mestre JP apontando para a letra.
'' É a letra B'' - responde o pupilo Bilha.
'' Muto bem!''
Todos desataram às gargalhadas.
Não sei o que os míudos de hoje em dia tomam ou bebem que os faz ser assim, mas cá euzinha com dois anos e meio devia estar entretida ainda com guizos e com gugus e dadás ou algo do género! :)

terça-feira, dezembro 23, 2008


A propósito de amoras ... uma brincadeira com a linguagem ...

Uma criança incapaz de distinguir as cores pergunta ao pai:

- Pai de que cor são as amoras?
- As amoras são pretas, mas estas, como estão verdes, são vermelhas!



Que este Natal contenha sorrisos, converas intermináveis, estrelas cadentes, desejos, cantigas, crianças, danças, pijamas, peúgas, abraços, jogos, pinhões, torrões, mãos dadas, carícias, ursinhos, gargalhadas, queijos e muitos, muitos beijos!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

E para terminar a semana...

Ora pois, é o seguinte...

Vinha eu das encostas do Douro, depois de mais uma aula, em direcção à Invicta, para uma reunião que se adivinhava looooooonga, quando, à entrada da VCI encontro trânsito lento. Até aqui nada de novo, apesar de ainda não ser hora de ponta. Escolho uma música divertida, entretanto meto a primeira, depois a segunda e à medida que vou ganhando velocidade, ouço buzinar do meu lado direito. Inicialmente não liguei, mas o buzinar tornou-se tão insistente que decidi rodar a cabeça. Teria eu cometido alguma infracção? Seria alguém conhecido? Nada disso! Qual não é o meu espanto quando vejo dois jovens, completamente desconhecidos, a sorrir a e mandar-me muitos beijos! Mas...!?! Qual a minha reacção? Desatei a rir! Até no trânsito... pensei.

Nada mau para terminar a semana de trabalho em beleza.

(E a reunião só demorou meia hora!)

domingo, dezembro 14, 2008

Será?

Em conversa no msn:

Cris: o ppl gay sabe mesmo como se divertir! todos a dançar sem vergonha, gostei!
Eu: olha, se calhar somos gays!
...

quinta-feira, dezembro 11, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

Mesmo por cima do Tritão, a sombra da Senhora da Pena surgiu. Olhou-me com ar triste. Depois o nevoeiro desceu mais e quando chegamos ao terraço todas nós eramos orvalho. Gotículas pousavam nos cabelos mas o vento leva-as para longe.
Sintra ficou coberta de luzes na noite. Pirilampos em cada gota de chuva.
E os sorrisos povoaram a serra.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Boletim Meteorológico

Um manto de gaivotas sobrevoará a lota, emitindo códigos de caça. O rio, grávido de chuva, agitar-se-á sem apelo nem agravo, expulsando as carcaças dos barcos preguiçosos. E as folhas de Outono, outrora secas e matizadas de castanho, serão arrancadas dos ramos das árvores, formando um tapete almofadado e húmido nas alamedas.

sábado, novembro 29, 2008

Estivemos juntos!

(Tão lindo que ele é!)

É verdade, depois de longos minutos ( que me pareceram uma eternidade) a tentar estacionar, lá fui ter com ele. Cheguei atrasada, ouvi pouco, vi ainda menos, mas ouvi o que queria.

"Kiss me, oh kiss me" disse-me ele, e de bom grado o faria, não fosse o segurança que lá estava... que ainda teve a distinta lata de impedir a plena visualização de tão magnífico espectáculo (estava tão mal colocado!). Mas valeu a pena. Principalmente quando ele passou a centímetros (que exagero!!), quando ele passou a milímetros da minha pessoa... ai, ai!




segunda-feira, novembro 24, 2008

Depois de 20 minutos de publicidade extenuante e inútil, começou o filme que aclama a cegueira colectiva.
No meio da sala vi-me entrincheirada entre um casal que se beijava de forma intensa de dez em dez minutos, e um homem que mastigava ruidosamente cada pipoca.

Há momentos que não alimentam alma...

sexta-feira, novembro 21, 2008

"É costume, à noite, todas as boas mães, depois dos filhos estarem a dormir, inspeccionarem os seus espíritos e porem as coisas no seu lugar para a manhã seguinte, colocando nos lugares próprios muitas das coisas que andaram desarrumadas durante o dia. Se pudessem ficar acordadas (mas claro que não podem) veriam a vossa mãe a fazer isso e achariam muita graça observá-la, é muito parecido com arrumar gavetas. Vê-la-iam de joelhos, alegremente, espero, de volta de algumas das vossas alegrias, pensando onde teriam ido descobrir aquilo, fazendo descobertas muito agradáveis e outras menos, apertando isto contra o rosto como se fosse um gatinho e afastando, apressadamente, outra coisa. Quando acordam de manhã, a maldade e as paixões ruins com que se deitaram foram dobradas e guardadas no fundo da vossa mente e, por cima, lindamente arejados, estão estendidos os vossos pensamentos mais bonitos, prontos para serem usados."

[texto_ Peter Pan, J. M. Barrie

Parabéns mãe!

quarta-feira, novembro 12, 2008

Revelação

Para os que hoje, cedo pela manhã, passaram ao largo do Douro, a notícia estalou como uma crosta fina de chocolate que toca num caldo quente de tangerina.
O Príncipe Líquido decidiu mostrar ao mundo a história de amor que vem alimentando com a Bruma Matinal. Todos sabiamos que se amavam... Mas nunca se viu tal fundição de corpos, orvalho e respiração. Uma liga de arrepios metálicos, com o frio que os envolvia.

E nós, humanos que os olhavamos enevoados e submersos no seu amor, desejavamos ser assim, ardentemente vivos e quentes.

quarta-feira, novembro 05, 2008

"Não sei quantas almas tenho"

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

FERNANDO PESSOA (1888 - 1935)

domingo, novembro 02, 2008

...

"Não existe o esquecimento total: as pegadas impressas na alma são indestrutíveis."

Ralph Waldo Emerson

(Ainda bem que os bons momentos ficam para sempre.)

sexta-feira, outubro 31, 2008



No dia das bruxas e das cabeças de abóbora, um tributo melancólico aos Smashing Pumpkins e ao primeiro CD que tive na vida: o maravilhoso Siamese Dream.
Recordo de o ter pedido à minha mãe, insistentemente na extinta Roma Megastore, na baixa. E ela não mo recusou.
Ainda sei as letras de cor!
Há coisas que realmente nunca esquecemos...

''One last Kiss...Goodnight ...'' :)

sexta-feira, outubro 24, 2008

Rainha da Danceteria (Karaoke de fim-de-semana!)

Oi Galera!

Tudo em cima!? E aí cára, hoje é sexta feira, noitxi de rolé, forrobodó!
E você é a Raínha da Danceteria!
Morou? ;)

Você pode dançar, você pode se esbaldar
Se divertindo
como nunca
Veja essa garota, assista essa cena
Virando a Rainha da Dança
Noite de sexta-feira e as luzes estão fracas
Procurando um lugar para ir
Onde toquem a música perfeita
Entrando o balanço

Você vem procurar um Rei
Qualquer um poderia ser esse cara
A noite é uma criança e a música está alta
Com um toque do rock tudo fica bem
Você está a fim de dançar
E quando você consegue a chance...

Você é a Rainha da Dança
Jovem e meiga, com apenas dezessete anos
Rainha da Dança
Sinta o ritmo do tamborim, oh sim!

Você pode dançar, você pode se esbaldar
Se divertindo como nunca
Veja essa garota, assista essa cena
Virando a Rainha da Dança

Você é uma provocadora, você os excita
Deixa-os em chamas e então vai embora
Procurando por outro , qualquer um serve
Você está a fim de dançar
E quando você tem a chance ...

Você é a Rainha da Dança
Jovem e meiga, com apenas dezessete anos
Rainha da Dança
Sinta o ritmo do tamborim, oh sim!
Você pode dançar, você pode se esbaldar
Se divertindo como nunca
Veja essa garota, assista essa cena
Virando a Rainha da Dança
Virando a Rainha da Dança ...

segunda-feira, outubro 20, 2008

«Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez, e outra e outra, como uma especie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada a ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta à outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.»

pp. 10 Kafka à beira-mar
Haruki Murakami

quarta-feira, outubro 15, 2008

Sugestão

Persona é o conhecimento, um terrível conhecimento sobre a nossa solidão, a nossa singularidade. A nossa capacidade de tocar um ao outro. É uma confissão dos nossos medos. Do homem, do fracasso, da morte. Persona é um drama sobre o desespero, o silêncio. Um terror indescritível da vida em todos os aspectos. É um drama sobre a sensibilidade da pele, dos rostos e das palavras não entendidas. Persona é uma ilusão estilhaçada. Uma vitória sobre o silêncio.“

Texto do trailer de Persona

Encenação│ João Pedro Vaz
Persona, Suécia, 1966 – Guião de Ingmar Bergman

Sinopse

A actriz Elizabeth Vogler deixa de falar durante uma representação teatral de Electra. O seu mutismo em relação aos que a rodeiam é total, sendo então internada numa clínica. Não está doente, simplesmente optou pelo silêncio. Alma, uma jovem enfermeira, fica encarregada de tratar dela. Quando, a conselho médico, as duas se isolam numa ilha, passam a desenvolver uma intimidade e cumplicidade crescentes. Com isso estabelece-se uma constante troca de identidades.

Obra impregnada do conceito de pecado e principalmente da culpa, Persona é fiel aos temas recorrentes das obras de Ingmar Bergman. Em Persona, é visível a submissão do autor ao estilo a que ele sempre recorreu: a temática bastante densa e sempre pessimista, com poucos personagens, vivendo situações de crise intensa em ambientes quase sempre claustrofóbicos, mesmo que o cenário seja a paisagem de uma ilha. Sabendo que com Bergman vida e obra são conceitos indissociáveis, assinala-se que o filme foi confessamente concebido durante um período de profunda crise do autor, quando este se encontrava hospitalizado devido a uma pneumonia e em período de questionamento da sua actividade como director do Teatro Nacional de Estocolmo. Como ele próprio afirma: "Era necessário, por conseguinte, escrever qualquer coisa que apaziguasse a sensação de futilidade que sentia, a sensação de estar a marcar passo." Da mesma forma, PERSONA deixa claro os momentos em que o artista se vê impassível ao observar que, mesmo contra o seu desejo, a sua arte acaba por ser inútil enquanto modificadora da realidade, impassibilidade essa que acaba por determinar o retiro e o silêncio constante de Elizabeth Vogler.


De 24 de Setembro a 2 de Novembro no Estúdio Zero
Terça a Domingo às 21h45
M/16

segunda-feira, outubro 13, 2008

Será que o Destino comanda a nossa vida?

Nunca fui muito de acreditar que o Destino ou os Deuses fossem os arquitectos supremos dos nossos caminhos. Tenho curiosidade em saber mais sobre as ciências ocultas, mas não vivo obcecada com isso, porque acredito que cada um traça o seu próprio destino com as atitudes que toma.

Há uns dias uma cigana insistiu comigo, queria ler-me a mão, mas eu não estava muito convencida. Então disse que eu estava muito pensativa, perguntou-me o nome dele, disse que uma amiga falava mal de mim e que na altura do Natal me iria acontecer algo menos bom; fiquei curiosa, até porque estava a precisar de ouvir algo diferente, mesmo que fossem parvoíces, mas também estava atrasada... talvez daqui a uns tempos aceite.

Como qualquer mortal, leio o horóscopo... se a previsão for positiva, sorrio e o dia corre bem, caso contrário, atribuo a culpa à disposição dos planetas. Aliás, não acredito em coincidências, mas ultimamente têm acontecido tantas na minha vida que acredito piamente que os deuses colocaram o meu nome no topo da sua lista "Quem vamos gozar durante os próximos dias?".

Inicialmente pensei que andava com a "mania da perseguição", mas contra factos não há argumentos. Onde quer que esteja, para onde quer que vá, com quer quer que fale, tudo aponta para o mesmo... Ele! Claro, há sempre um Ele para destabilizar a vida pacata de uma menina que vive sossegadita na sua aldeia.

No início até tinha a sua piada. Pensei "É o meu destino!". Eu sei o que quero e sou persistente. A palavra "desistir" não faz parte do meu vocabulário e estava disposta a tudo. Desde que a porta estivesse entreaberta, havia sempre uma possibilidade, por mais remota que fosse... (mesmo que só houvesse 0,003% de possibilidade, como alguém me disse), mas agora... já chega! Não há quem aguente!

Quando vos disserem "longe da vista, longe do coração", não acreditem! É tudo treta! Digo-vos eu, aqui e agora, que quando se gosta a sério, não há km que apague o sentimento. E por mais que eu queira, os Deuses não deixam.

É verdade, ultimamente os Deuses têm mais tempo livre e as coincidências sucedem dia sim, dia sim senhor...

Poderia enumerar todas as vezes em que sou apanhada de surpresa, mas são muitas e isto não é uma lista de supermercado. Refiro-me aos raros momentos em que Ele não ocupa o meu pensamento e de repente, sem qualquer aviso prévio, algo direcciona a minha mente para Ele e nessas alturas o meu ritmo cardíaco atinge velocidades super sónicas.

Agora que finalmente tinha tomado a decisão de deixar o passado e pensar apenas no futuro, acontece algo que me iria fazer feliz.

Deixava tudo sem olhar para trás com uma condição... emprego pertinho dele. Eu sou uma mulher independente, tenho o meu orgulho, e ficar economicamente dependente dele estava fora de hipótese. Sem emprego não me mudava. Pois, adivinhem só? Consegui o emprego... mas agora já não adianta de nada, porque já não há nada.

Será isto uma coincidência? Eu acho que é gozo!

Claramente os deuses andam loucos... ou o timing deles é péssimo e eu é que tenho de aguentar.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Bardot ''morde'' e bem em Sarah Palin

A lendária actriz francesa Brigitte Bardot bate forte e feio em Sarah Palin, candidata republicana à presidência dos Estados Unidos, numa carta-aberta ontem divulgada pelo jornal britânico "The Daily Telegraph".
Bardot, de 74 anos, militante da defesa dos direitos dos animais, diz na sua missiva a Palin que espera vê-la derrotada nas próximas eleições, "porque isso significaria um triunfo para o mundo".
"Ao negar a responsabilidade do homem nas alterações climáticas, ao estar de acordo com o direito ao uso de arma e ao utilizar argumentos desconcertadamente estúpidos, você converte-se numa desgraça para as mulheres e representa uma ameaça terrível, uma verdadeira catástrofe meio-ambiental", escreve a mulher que fez furor no cinema dos anos 60.
Bardot critica também o apoio expresso por Palin aos projectos de exploração de petróleo no Ártico, o que, em seu entender, "afectará perigosamente o habitat natural de animais como os ursos polares".
Finalmente, a actriz lembra um episódio em que Palin se autodenominou um "pitbull com bâton" e faz-lhe o seguinte pedido: "Imploro-lhe que não se compare com os cães. Eu conheço-os bem e posso assegurar-lhe que não há nenhum pitbull, nem nenhuma outra espécie animal que seja tão perigosa como você é".

Aplausos para a Senhora Bardot.
Eu ainda tenho esperança que ponham a Palin na casota de onde não deveria ter saído.
A ver vamos...
Para todas vocês, flores do meu jardim de afectos, ofereço também um balão.

Leva, dentro dele, mil e uma emoções todas elas vividas convosco.
Leva sorrisos, gargalhadas e lágrimas.
Leva beijos, abraços, olhares cúmplices.
Leva memórias do que fui e do que sou e anseia pelo amanhã.
Leva esperança, carinho, amizade e amor.
Leva música e sonhos realizados.
É leve como uma nuvem.
Cheira a uma manhã de Primavera.
Sabe a amoras.
Escuta-se o mar dentro dele e o bater do meu coração feliz e sereno.


Adoro-vos!

quarta-feira, outubro 08, 2008

PARABÉNS



Porque tu és mesmo muito muito especial e por serás sempre um dos meus grandes amores... Muitos parabéns meu doce!!

terça-feira, outubro 07, 2008

Em vésperas de actualização de software ...

... pensar a Memória

62. Não te queixes muito das falhas de memória. Porque se soubesses tudo o que soubeste, não te poderias mexer. E então é que não terias nenhuma.

117. (...) Decerto, se tudo o que se passou na memória permanecesse, não nos poderíamos mover. Ocupado todo o espaço por esses móveis, onde o espaço para habitarmos? Mas a memória traz com ela a sua dissolução e essa ténue neblina é o melhor de si. E é isso o que mais se lhe condena. Não bem o recordar, mas sobretudo o evocar. Ou para lá disso, o absoluto disso que pode transluzir numa situação de acaso em que nada nos lembra, como ao ver o mar, a montanha, o espaço de um céu nocturno...

in Vergílio Castelo '' Pensar''

segunda-feira, outubro 06, 2008

Para uma vida saborosa

Pedaços de pão fresco embebidos em azeite de limão.
Gressinis entre sorrisos, olhares cúmplices e mãos dadas.
Macarrão gratinado fumegante entre legumes, cogumelos e queijo derretido...
Suspiros ... e mais suspiros...
Um crepe com chocolate e frutos vermelhos, partilhar. Assim sabe bem melhor...
Oh se sabe!
Como a vida é saborosa!

Grappa - Piso -1 (Edf. Porto Palácio Hotel)

quinta-feira, outubro 02, 2008

Tea / Chá

Segundo a Wikipédia,

O chá é uma bebida preparada através da infusão de folhas, flores, raízes de uma planta, como a camomila e cidreira. Geralmente é preparada com água quente. Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado, que pode incluir oxidação, fermentação, e o contacto com outras ervas, especiarias e frutos.

Continuando a ler o artigo do Chá, descubro que uso do chá enquanto bebida social data da época da dinastia Tang (fico a sabe o mesmo!!!!).

No parágrafo seguinte leio uma curiosidade que me faz sorrir:
Os primeiros europeus a contactar com o chá foram os Portugueses que chegaram ao Japão em 1560.

Isto é tão português: ficar contente por os portugueses terem sido os primeiros!! Não acontece todos os dias? Ou acontece e nós esquecemo-nos?

Voltando à história, parece que depois a Europa começou a importar as folhas e o chá tornou-se popular , especialmente entre as classes mais abastadas na França e Países Baixos.

Continuo e encontro mais uma curiosidade aqui para os tugas:
O uso do chá em Inglaterra é atribuído a Catarina de Bragança, princesa portuguesa que casou com Carlos II de Inglaterra) e pode ser situado cerca de 1650.

Bem, se querem mais curiosidades vão a:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ch%C3%A1
http://en.wikipedia.org/wiki/Tea


Eu deixo aqui a minha homenagem a esse néctar que se não é dos Deuses, é de perto. Sempre gostei muito do cházinho de ervas que a minha mãe me levava à cama todos os dias à noite (Ai que saudades!!!).
Agora que cresci (ou não) substitui os mimos da mãe por um consumo absolutamente louco de chá durante o dia. Ou não vive-se eu no Reino Unido onde beber chá è um ritual, é uma prova de carácter e faz parte da cultura. Como ir ao Pub beber cervejas até cair para o lado, comer sandocas em frente ao computador durante a semana, ter a mania que ainda são parte de um grande Império e acreditarem piamente que o Mundo todo fala, percebe e se exprime em inglês.

Eu já bebo o meu com leite e sem açúcar. Já estou meio nacionalizada!!!!



A menina Thao...



(a música desta menina é tão doce!!!)

quarta-feira, outubro 01, 2008

Dans Le Noir

Fechem os olhos por uns momentos.
Entrem numa sala nova para vocês.
E imaginem como encontrariam uma cadeira. Uma mesa.
Imaginem-se agora já sentados e tentem encontrar os talheres na mesa. E o guardanapo.
Tentem segurar as garrafas de vinho e água.
Experimentem colocar bebida nos vossos copos. Sem entornar.
Entregam-vos a comida no escuro e agora vem outro desafio.
Tentem comer. Aqui desafio-vos a comer com talheres. Ou antes, convido-vos a usar as mãos e deixar a faca de lado.
È mais difícil do que possam imaginar.
Não façam batota e não abram os olhos.
Como está a correr?
E o que estão a comer? Carne. Sim, mas o quê?
E se agora precisarem de sair da sala e ir ao quarto de banho?
Lembrem-se que à volta só existe escuridão.
Pois é...
Aposto que não conseguem imaginar. Mesmo que pensem que conseguem, uma experiência destas nunca se imagina na sua totalidade.
Pois bem, ontem à noite tive o prazer de comemorar o aniversário de mais um tuguinha no Dans Le Noir.
Um conceito mais que um restaurante.
Um conceito que nos faz experimentar por umas horas o que é a vida de um invisual. No Dans Le Noir jantamos no escuro.
Os empregados são pessoas com deficiência visual e são fantásticos na paciência com que nos “atendem”.
Uma experiência única. Que nos transporta para um mundo que desconhecemos.


PS: There is no darkness but ignorance. (William Shakespeare)

http://www.danslenoir.com/
http://www.danslenoir.com/london/

terça-feira, setembro 30, 2008

Nunca traquem as portas ...


Constatação

Já alguma vez tiveram a certeza que uma pessoa nunca vos iria desapontar independentemente do que essa pessoa fizesse ou dissesse?

Eu já! E por uma razão muito simples...

You can´t disappoint me, because whatever you are is exactly what I want.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Gostava de ter escrito estas linhas, mas não as escrevi. Não seria capaz de ser tão assertiva. As palavras (dos outros) têm isso de fantástico; depois de escritas podemos apoderar-nos delas como se fossem nossas. É incrível como, por vezes, os outros conseguem dizer exactamente o que sentimos sem nos conhecer e ironicamente, conhecer-nos melhor do que nós próprios. Sophia é exímia nesse aspecto. Ainda bem que ela me conhece.


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com os teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto

Entre a praia e a serra...

(Amar é deixar tudo somente pelo teu olhar, pelo teu beijo, pelo teu toque... por ti.
Diz "Vem!"... e eu deixo tudo.)

quinta-feira, setembro 25, 2008

quarta-feira, setembro 24, 2008

Sonho.....

Fecho os olhos.
Vejo o mar da janela do quarto. Um mar calmo mas forte. O mar é sempre forte. Poderoso. Volto-me para dentro do quarto e sinto o vento que entra pelas janelas abertas. Um vento forte que faz abanar as longas cortinas. Longas cortinas brancas. O quarto é amplo, mas aconchegante. Branco. O meu olhar percorre o quarto. Percorro as paredes despidas e sem cor. A colcha de renda branca. As cortinas brancas. Risos doces interrompem-me o devaneio. Num dos cantos uma manta colorida. Brinquedos coloridos e de variadas formas espalhados no chão. Respiro fundo. Observo-os. Não se apercebem que ali estou. Que os observo. Brincam. Riem. Estão perdidos no mundo deles. São tão pequenos mas neles reside a força de duas vidas. De vidas inteiras. De vidas que vieram de mim. Têm vozes e risos doces. Rostos doces. Rostos de bebés. São tão frágeis e tão fortes. Serão capazes de aceitar todo o meu amor? Continuo a observá-los. Finalmente apercebem-se da minha presença. E riem ainda mais. Risos estridentes e cristalinos. Fecho os olhos. Penso que não me lembro como era tudo antes deles. Divago pelas memórias. Lá fora uma onda rebenta na praia e o som que produz é surpreendentemente tranquilo e calmante......
De repente tocam-me no ombro e tudo desaparece. È o revisor que insistentemente pede para ver o meu bilhete de viagem.....

Nasceu ...

Após a desordem, eis que finalmente foi aprovada a Lei que regulamenta a criação da Ordem dos Psicólogos.

Se será uma coisa boa ou não, o tempo o dirá. Espero eu que sirva para bem mais do que receptor de cotas.
Que sirva, por exemplo, para começar a separar o trigo do joio, no que respeita a profissionais provenientes das milhentas instituições que hoje têm a Psicologia e outras primas (tipo psicopedagogia curativa?!) no 'cardápio'...

Um dos requisitos para inscrição e passagem a membro efectivo na Ordem Psi é possuir uma licenciatura em Psicologia (isto no caso pré-Bolonha) de 5 anos - Check!
O seguinte é realizar um estágio profissional com duração de 12 meses - Check! (há 5 anos atrás!)
Será que conta ou teria que fazer outro? Hum...

De qualquer das formas se calhar já nem interessa dado o meu questionamento acerca do meu estado de alma Psi. Receio que esta notícia não tenha tido o impacto grandioso que certamente teria tido há pelo menos 5 anos atrás, em que acreditava na força das Instituições na defesa dos interesses dos seus membros e na imposição da dignidade da profissão.

Provavelmente não serei membro da Ordem, tal o afastamento contínuo da profissão. De mais a mais, fui-me afiliando noutras Associações e Grupos cujas cotas já me dão despesas que chegue.

Deixo sim, neste espaço virtual, um enorme desejo de que finalmente a Ordem consiga, de uma vez por todas, travar a exploração desumana e vergonhosa dos intermináveis e sucessivos estágios não remunerados que muitos dos nossos Psicólogos se vêem forçados a aceitar, agarrados a falsas promessas de um dia terem a verdadeira paga do seu trabalho e esforço.
Que o estatuto do Psicólogo passe do papel para a rua e que a profissão passe a ser reconhecida e remunerada em confirmidade.
Em suma, que se cuide deles.

E biba a 'Orde' dos Psi's ... mas só os do Minho que eu sou elitista :) : ) :)
É já dia 30 de Setembro que abre portas em Portugal (finalmente!) um Starbucks.
Pena ser em Alfragide ... Lá terei que me deslocar ao Sul para tomar o meu Latte maravilhoso!

De qualquer modo, fica a minha esperança consumista e verdadeiramente lattedependente de que a próxima abertura seja cá na Invicta.


É caro? É.
É saboroso? Absolutamente!

segunda-feira, setembro 22, 2008

domingo, setembro 21, 2008


Chegou o Outono...

Relato da viagem à nuvem de algodão

Notas musicais que lembravam a languidez e sabedoria orientais, a natureza, a terra e as pedras e a água. Notas que me entravam nos poros da pele e iam construindo o bilhete de passagem para aquele mundo onde ficamos quando nos sentimos seguros.
As velas que iluminavam os cantos da sala.
O mundo de odores que tocavam cada parte do meu corpo de forma distinta e que me traziam á boca sabores que ainda tentei inicialmente descortinar.
O toque da massagem que percorria o meu corpo.
A angústia que se esvaía… a respiração que se lentificava…

Estive deitada numa nuvem de algodão. Pena ter acabado.
Obrigado, muito obrigado.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Scriptus

A escrita sempre fez parte do meu ser. No entanto, isso não me torna numa escritora, nem tão pouco contribui para que aquilo que eu escrevo seja algum dia publicado ou sequer lido. Contudo, continuo a escrever como forma, talvez, de passar o tempo e de perceber o quanto é que dentro de mim existe para ser exteriorizado. É curioso que, neste momento, penso no quanto escrevia nos tempos de liceu! Escrevia imenso, quer para a escola, quer para mim. Tinha um diário onde, como qualquer jovem adolescente, relatava intensa e descritivamente os meus amores platónicos e impossíveis. Guardo ainda comigo esses registos, perante os quais não consigo deixar de me comover. Suponho que na altura devesse sofrer bastante com aqueles amores não-correspondidos mas o facto é que, conforme a minha escrita o revela, me escondia tal qual um ‘’patinho feio’’. Era insegura … mas nem por isso consigo deixar de recordar que era feliz. De uma forma generalizada sempre fui uma pessoa feliz. Extrapolando ou não a coisa, parte da minha felicidade reside no facto de possuir esta capacidade de deitar para o papel o que me vai cá dentro. À medida que o tempo foi passando e estava eu já na faculdade, começou a tradição entre as amigas de infância: a de que, por alturas dos aniversários, uma de nós escrevesse um texto e o oferecesse às restantes. E desse compromisso nasceram variadíssimos textos: uns cómicos, outros a roçar o drama e a tragédia. Estávamos a tornar-nos mulheres e essa evolução foi ritmando as palavras de cada uma. Nos momentos de uma maior desilusão perante a vida que deixava de ser tão ‘fácil’ como até aí fora, sabíamos que aí viria um texto comprido, com mais folhas do que habitualmente. O facto de sermos lidas entre nós aumentava a nossa cumplicidade, porque o estado da alma de cada uma apenas era alcançado pela outra através das palavras escritas e não das ditas. E uma vez partilhados esses escritos não era preciso dizer mais nada entre nós … Recordo um texto escrito por mim profundamente magoado com a vida (e altamente exagerado também na sua mágoa) em que comparava a amizade a um barco onde cabíamos nós as cinco e que ondulava nas agitadas águas da vida.
Quando o nevoeiro se desfez e deu novamente lugar ao sol, recomecei a escrever textos cómicos, relatos desenfreados das nossas vidas amorosas, ou na altura, da inexistência delas. Eram as crónicas da (falta de) sexo na cidade, evocando o nome da série de culto. Faziam um enorme sucesso e isso enchia-me de felicidade! E é isso que sinto de cada vez que escrevo algo que percebo que outra pessoa gostou de ler: uma enorme realização pessoal. Uma sensação de dever cumprido. Suponho que isso deveria fazer de mim uma escritora compulsiva mas a verdade é que a simples vontade não comanda a minha escrita. Algo em mim decide quando é que eu escrevo e a forma como o faço.
O certo é que, iniciando a escrita, depois fico embalada, num ritmo de crescendo que só cessa quando já não resta mais nada a ser dito.
Como agora, neste momento, em que me sinto conduzida por mim mesma a prosseguir e a ver onde isto me vai levar. Ainda não sei que rumo irei dar a esta história que quero contar, ainda não planeei os próximos capítulos (tão pouco sequer sei que irá ser dividida em capítulos ou se seguirá sem quebras). Apenas sei que agora não posso parar, nem quero.

‘’Estás a escrever? ’’
Aceno com a cabeça e continuo a escrever.
‘’ É sobre o quê? Posso ler? ’’ – prossegue ele.
‘’Depois, amor.’’ – digo-lhe sem que perceba que depois encontrará aqui registada a sua ‘’interrupção’’. Ele que é a minha inspiração na vida merece concerteza ler tudo o que eu escrevo.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Madonna actua este sábado para 75 mil pessoas ...

Ouvindo na rádio ''... we only got four minutes to save the world...grab a boy, grab a girl...''...

- Então meninas, não cantam? Não gostam de Madonna?
- Não.
- Não?! Porquê?
- Oh, ela é muito velha e para além disso tem cara de não ser nada simpática.

Nessa noite, sessão de Singstar renhido com Rhianna e outros Pop à mistura.
Mas sem Madonna, claro! ;)

Sofas e Mary não sao definitivamente fãs do Hardy Candy da Senhora!
Segredo: eu também não, confesso ...

segunda-feira, setembro 08, 2008

Wall-E


Brilhante!

Wall-E é um dos melhores filmes de animação que já vi.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Este menino tem uma voz deliciosa....

O futuro do Amor

«Meu amor, Pediram-me que imaginasse o que será o nosso amor daqui a 100 anos. Apeteceu-me dizer apenas que o nosso amor será o que sempre foi, o que já era há 100 anos. Mas parece que uma frase não chega. Vou dizer-lhes então que o amor é a razão de ser do ser humano, a que lhe dá sentido.
Um ser que sonha, que ama e que não pode viver sem sonhar nem amar está preparado para as mais terríveis provações, adapta-se a tudo, mas não pode viver sem sentido. Todos os dias oiço histórias de amor. Belas, belíssimas histórias, inscritas nas estrelas que brilham no céu dos amantes.
Têm desejo, fantasia, canções que tocam na rádio só para eles, cheiram a mar, a flores, a roupa lavada, têm frases de livros, brincadeiras e tolices, mistérios e segredos, cortesia e abandono, beijos roubados, suspiros e lágrimas...
Histórias que têm alegria e dor, esquecem o tempo, perdem-se no espaço, erguem muros, derrubam barreiras, vivem de esperança, ganham batalhas, desenham corações, há piscar de olhos, cumplicidade, hormonas aos gritos, companheirismo, bombons, nostalgia, conf lito e intimidade, perdas e lutos, feridas...
Mas também há espaço para o ressentimento, para a mágoa, a loucura, a saudade, abraços e confiança, mensagens escritas, conversas informatizadas, velas, novelas mexicanas, filmes candidatos a Óscar, romances impossíveis, gostos, desgostos, silêncio, conforto, vazio, tolerância...
A esses, juntam-se ainda inocência, incoerência, pele, aconchego, meiguice, riso, tragédia, galanteria, inversão de papéis, mudanças bruscas ou lentas e, amor, têm de tudo as histórias de amor que me contam. Daqui a 100 anos, imagino- as assim, cheias de tudo e cheias de amor.
Nada pára a modernidade, poderemos andar em carros voadores, viver em estações espaciais, informatizar a vida de lés a lés, mas os seres humanos serão sempre seres que sonham e que amam.
Há uns anos escrevi que o amor é um convite, convida sem planos nem manhas.
Um convite destes não se declina. Nem hoje, nem daqui a 100 anos. Não achas, meu amor?»

Maria de Vasconcelos, psiquiatra, romancista e locutora de rádio.

Poderão até passar 1000 anos, mas o ser humano está predestinado a encontrar alguém que o faz tremer, ficar sem fôlego, que o arrebata completamente.
Há coisas que não mudam na condição humana, nisso eu acredito.

segunda-feira, setembro 01, 2008

O 30 especial de Agosto

Era noite em plena Paris. Entre literatura e o aroma inebriante dos grãos do café, entra esvoaçante, os espelhos dourados olham-na com admiração e respeito. Gostam do que vêem.
Para trás vai deixando uma brisa perfumada, misto de feminilidade e requinte.
Esperam-na com expectativa. Arranca sorrisos à sua chegada e entre um colar de flores e chocolates de puro prazer, cantaram-se-lhe os Parabéns com uma simples mas simbólica vela.
Os vinte e oito desejos estavam lançados aos deuses.
Dali para a frente, a vida seria mais zen, sempre bem acompanhada ao som de Elis Regina …
A Ivana aniversariante estava radiosa!

quinta-feira, agosto 28, 2008

Desejos para a Ju

Um abraço com cheiro a amoras.
Um dia em que os pés não pousem no chão de tão leve se está.
Um arco-iris ao virar da esquina.
Uma gargalhada no meio da rua.
Aquela camisola que sempre procurou em saldos.
Sapatos vermelhos.
Um concerto privado no corredor do Metro.
Um beijo.

Vinte e oito desejos

Oh happy day,
Oh happy day! (...)


Neste dia, em que o 28 é rei fica o meu beijo de Parabéns e a expressão da alegria do reencontro em breve.


Ofereço-te imagens da Luz, para nós tão especial. Se conseguires fechar os olhos e por breves segundos respirar o ar fresco da maresia do Douro e sentir na língua o travo intenso de um café, então o meu presente, ainda que incompleto por agora, chegou ao seu destino.

Xi-apertadinho!

domingo, agosto 24, 2008

Às vezes a lua está mesmo no fim do pontão que entra pelo mar.
Toquei-a com as pontas dos dedos.
(Obrigada Missy...)

sexta-feira, agosto 01, 2008

Must (i really) have?

A propósito do link ''A história das coisas'' (disponível no You Tube) ...

Sempre que desfolho uma revista feminina lá me deparo com a frase típica: "must have" .
Os must have de cada estação sempre me soaram um pouco como uma piada e, cada vez mais, tenho certeza que o são.

Se transformada em perguntinha ''Must I really have that?'' geralmente acaba por me ajudar a ver o que é realmente é essencial na minha vida.
E é aí que começo a certificar-me que 99% das coisas que desejamos não são essenciais na nossa vida!

(Nota - hoje comprei um vestido. Não, não precisava mesmo dele, mas acho que foi um consumo consciente ... o que quer que isso seja).

terça-feira, julho 29, 2008

Indignação

Massagens proibidas nas praias algarvias

O comando marítimo do sul decidiu proibir as massagens nas praias algarvias. A justificação para esta proibição está relacionada com o receio de eventuais fins mais quentes de massagens que até podem começar inocentes.

Ora onde já se viu isto? Isto é um ultraje, um retrocesso nos tempos! Cá para mim, o comando marítimo anda a ver muitos episódios do ''Conta-me como foi'' e agora está convencido que estamos no tempo da ditadura.
A dar cabo assim da carreira de milhares de massagistas credenciados e diplomados que durante todo o ano esperam ansiosamente pelo verão para aí fazerem uns trocos valentes e ... agora isto!
E que dizer dos pobres veraneantes que, à falta de uma espreguiçadeira, se vêem forçados a estender o corpo na terrífica areia que, por mais que se teime em alisar, persiste em se contorcer tal qual um colchão já todo mal amanhado e, assim, contribuir para lombalgias e para até dolorosos torcicolos!?
Hã, que vai acontecer a esta gente, coitadinhos? Hã, quem lhe vai tratar da saúde?
E a Ministra não se pronuncia? Abaixo a lombalgia!
É um descrédito total para com esses profissionais, esses talentosos homens e talentosas mulheres que, munidos do seu óleo Jonhson para bebé esturricado pelo sol (a temperatura quente ameniza a dor muscular), se mobilizam debaixo de tórridas temperaturas e assim oferecem, a troco de uns parcos euros, o poder curativo das suas mãos abençoadas ...
Gente pós-graduada, valha-me Deus! Especialistas nas mais diversas áreas corporais!
Gente trabalhadora, que só quer passar as suas mãos pelo corpo dos outros para fazer o bem!
E gente que só quer que os deixem deixar que estes profissionais lhes façam o serviço como deve de ser!

Mas não! Tinham de vir os senhores do comando marítimo! Ah e tal, massagens na praia não! Ah que as temperaturas começam a aquecer?! Pois concerteza que sim, que a fricção assim o obriga, mas isso faz parte da terapêutica valha-me Deus! Eles não saberão que o calor alivia a dor!?
Enfim ... A par da minha indignação só fica a minha questão: mas por que diabo é que foi comando marítimo a proibir as massagens, uma vez estas são são actividades que se passam em terra? Como é que eles sabem destas coisas?
Não deveria ser um comando terrestre (ou comando arenoso) a tomar esse tipo de decisões?

Será que se trata de um perigoso jogo de espionagem veraneante? Será que somos todos espionados do alto mar, em lunetas gigantes? Será? Será?
Oh meu deus, será que conseguem ver as nossas depilações feitas à pressa e trapalhonas?
Será?
Será que conseguem ver as mãos marotas do rapaz de 16 anos que passa o creme no corpinho da menina de 15?!
Só pode ser, se não for isso, como raio é que os homens lá em alto mar, rodeados de peixe, conseguem medir as temperaturas aos massagistas e massajados?
Será que os verdadeiros inocentes são os massagistas e que o mar é aquece a mente dos comandantes marítimos?
Não será, por isso mesmo, (questiono os senhores do mar) tempo de lançar âncora e virem relaxar uns dias à praia e até quem sabe fazer uma massagenzita? ;)
Inveja é uma coisa muito feia ...

segunda-feira, julho 28, 2008

Havia em tempos muito antigos um pequeno lugarejo, onde vivia um cavaleiro de nome ilustre, muito estimado por fidalgos e povo. Ora este cavaleiro adoeceu gravemente e soube-se que poucos dias lhe restavam. (...) Entre as pessoas que o visitavam, uma chamada Rosa levou-lhe uma flor do seu nome. (...) Todas as pessoas esperaram a morte do cavaleiro, (mas) foi Rosa que morreu, tendo-se ele salvo.(...).

(in Santa Maria de Flor da Rosa - Um Estudo de História de Arte, Crato, 1986)

Esta é a história por detrás do nome da pequena e bela localidade que conhecemos este fim-de-semana: Flor da Rosa. É ele também o nome da maravilhosa Pousada onde pernoitamos. Ali ficamos alheados da vida real. Entre banhos de sol e de piscina, e noites em camas de dossel, sentimo-nos tal qual realeza :)
A nossa história no Castelo teve, assim, um desfecho bem mais agradável do que o da pobre da Rosa...
Obrigada por nos terem proporcionado um belíssimo momento.

terça-feira, julho 22, 2008

O novo Biz do Bacalhau

Faz já algum tempo que o Bacalhau está de molho. Quand’ tal vai ficar mole e a desfazer-se pelo que resolvemos retirá-lo da água por uns momentos a ver o que acontece.
Tínhamos, se os leitores bem se lembram, ficado bem lá atrás … O jovem Bilha andava a emborcar bejecas e camarões na costa moçambicana, já Maria andava a converter jovens britânicos à bacalhaumania.
Carminho submetia-se às malvadezas de uma massagista ex-pugilista, enquanto Ivana e Madalena estavam mais unidas do que nunca …

Estavam estas duas meninas uma noite a fritar bolinhos de bacalhau na esplanada de Bilha, quando de repente, Má-Dá, com os seus poderes místicos amplamente conhecidos, teve a visão!

- Ah! – gritou Madalena.

- Hã que foi minha? Tás-te a passar?! Os bolinhos tão a queimar, é? Relax … - acudiu Ivana, deitada na rede, ao fundo da cozinha.

- Não, não é isso! Estou a vê-lo … estou a compreendê-lo perfeitamente e é incrível … Nunca pensei que isto fosse acontecer, mas é inevitável, não há volta a dar!

- Ei ó Má-dá, tu estás bué de estranha! Não me digas que andaste outra vez a snifar Branca de Neve! Já te disse para te afastares dos pós brancos! Bateu mal agora, tá visto! – encolheu os braços Ivana enquanto tocava com a mão no chão para dar mais lanço na rede.
(vida boa é pra quem pode!)

- Não, não, Iv! Olha, o óleo está a dizer tudo. Eu estou a ter a visão nas bolhas do óleo. Ele não mente! – prosseguiu Má-Dá enquanto a sua cara escorria litros de suor devido à proximidade com que mantinha o rosto da frigideira.

- Oh c’um camandro, já tou a ver que tenho q’ir aí, bolas! – levantou-se Ivana, espreguiçando-se e desalinhando o cabelo, de forma a parecer cool. Enquanto caminhava até ao fogão, olhou-se no espelho do esquentador, olhou-se, desarranjou a franja e piscou o olho a si própria.

- Estás a ver a borbulhagem do óleo? – apontou Má-Dá fascinada.

- Sim, claro, e estou a ver que se não afastas a cara daí vais passar o Verão enfiada num quarto a pôr pomadinha pras queimaduras. Ei, chega-te pa trás! Mas afinal que raio estás tu aí a ver?

- Iv, olha, nós vamos ficar juntas! É isso que o óleo diz.

Ivana arqueou as sobrancelhas e recuou dois passos para trás e dois passos para o lado. Como o ritmo a entusiasmou ainda deu mais dois passos para o outro lado, regressou ao meio, deu mais dois passos para trás e repetiu o esquema mais duas vezes, acompanhando com um agitar de braços. Até que o ritmo Bob Marley subitamente parou na sua cabeça e a fez retomar ao estado de quase-choque que aquela afirmação de Má-Dá tinha causado em si.

- Ei, ó minha, pensei que desde o episódio Piloto do Bacalhau essas cenas de ‘frutinha’ te tivessem passado! Tás-me a confundir?! É que se estás, bem ficas aqui sozinha a fritar os bolinhos que eu não te ajudo a prová-los antes de os servires ao people da esplanada, topas?
Má-Dá suspirou enquanto olhava as suas unhas impecavelmente pintadas de encarnado. (tenho que passar mais endurecedor de unhas, pensou). Retomou o diálogo:

- Iv, olha lá, estás-me a confundir!? Eu não me estou a referir a frutas nem a frutaria, é um negócio bem diferente! Eu e tu vamos ser sócias, daí o óleo dizer que ficaremos juntas, percebes?

Ivana desta vez olhava por entre a janela e percebia era que estava um surfista alto e moreno sentado numa das mesas da esplanada, que até há cinco minutos atrás não estava ali. Ai não estava não que ela tinha-o ‘’micado’’. Tinha uma prancha grande e lustrosa, talvez não fosse má ideia ir ter com ele e perguntar-lhe que marca de parafina usava… Sabem é que Ivana acreditava que iria encontrar a sua parafina-metade e este candidato era promissor…
Má-Dá aproximou-se dela e trazia um pente ameaçador na mão.

- Iv, estás-me a ouvir a falar contigo? Bolas, se não ouves, vou-te pentear todinha! Vais ficar escovinha! – ameaçou uma Má-Dá em estado de nervos e com uma queimadura de terceiro grau a evidenciar-se-lhe no rosto.

- Ei, está bem, está bem, escusas de ficar vermelha que nem um pimento!

Ouvindo estas palavras, Má-Dá olhou-se no esquentador e realmente viu que não eram só as suas unhas que estavam encarnadas. A sua cara estava da mesma cor e aí percebeu que um calor insuportável crescia dentro de si. Tocou na cara e sentiu umas bolhas a formarem-se sorrateiramente. Aí percebeu! (finalmente!)

- Iv, queimei-me toda com o óleo dos bolinhos! Tens que me levar já ao hospital! – gritou.
Ivana olhou novamente o surfista e tomou a sua opção. A parafina tinha que esperar, a sua amiga estava em apuros e com a cara a derreter tal qual manteiga guardada fora do frigorífico. Tinha que a acudir!

Correu a buscar o boogie e zarparam as duas ao hospital.
Pelo caminho, a brisa atenuava as dores da Má-Dá que estava furiosa!

- Mas por que é que tive logo eu que ser abençoada com o dom do visionamento no óleo quente? Podia continuar a ler o futuro nas espinhas do bacalhau mas não! Não! Tinham que me dar um novo dom! Este narrador mete nojo!!!!

(Ei, calma lá que te corto o pio, menina Má-Dá!!! Eu, Senhora Narradora, mereço respeitinho! Vamos lá continuar mas com suavidade, ok?)

- Chill out, minha! Vais ver que os Doc’s te tiram isso da cara num vipe! – confortou Ivana.

- Iv, o que te estava a tentar dizer antes de ficar neste estado encarnado, era que eu tive uma visão. E não foi de óculos de sol, não havia nevoeiro. Tu bem viste, o óleo não estava requentado, eu encetei uma nova garrafa e era novinho! Não há engano! Nós vamos ser sócias. Vamos abrir um novo negócio nunca antes visto!

- Ai, sim? Então o que viste foi trabalho!? Cum camandro! Ainda se nos víssemos a ir de férias juntas para o Tahiti ou para as Phi-phi ainda valia a pena a queimadura, agora isso … Ó minha deixa que te diga mas não vale a pena o esforço! – disse Ivana desiludida com a revelação – Mas agora diz de uma vez, antes que desista de te ter escolhido ao invés da parafina. Que raio de trabalho é esse? Quê? Não me digas, o Bilha vai abrir vagas e vamos começar a produzir Iscas de Bacalhau para fora?

- Não, nada disso. Vamos fazer … Consultadobacalhoaria!

- Quê?! – respingou Ivana. Que raio é isso de consultabacalhoria?

- Não é assim que se diz. É Consultadobacalhoaria! É como te disse, algo que nunca foi feito, algo nunca visto! – revelava Má-Dá entusiasmada, apesar das dores.

- Cá para mim tu usaste um óleo do Lidl e estava estragado… - disse Ivana, ainda céptica.

- Não, eu explico-te. É assim: …

Má-Dá ficou subitamente muda, porque a narradora quis ser um pouco perversa e deixá-la um pouco de molho devido à malcriadez da menina para consigo, momento atrás. Para além disso a narradora considerou ser este o momento adequado para informar os leitores do paradeiro de alguns dos restantes membros deste Bacalhau … Enquanto Má-Dá e Ivana demolham um pouco, vamos descobrir a jovem Maria…

Maria, agent Mary se bem se recordam, está neste momento, num avião a jacto. A sua missão estava a ser não só bem sucedida como altamente reconhecida no reino de sua Majestade. Com efeito, no Palácio de Buckingham já não se comia nada que não tivesse como ingrediente principal o Bacalhau!

A Queen Bétinha começava o seu dia com uma omoleta de bacalhau desfiado. Ao almoço não dispensava um Bacalhauzinho com Broa e à noite, para ser algo mais ligeiro, tinha predilecção pelo Bacalhau cozido. Sempre acompanhados de um belo de um chá de menta, para facilitar a digestão, que os ENO estouravam com o orçamento real!

Agent Mary transformada de menina e moça de recados de Carminho, em mulher e banqueira de prestígio em Londres, usava assim de uma dupla-identidade. No banco, utilizava as listas de clientes para angariar mais seguidores do culto bacalhoeiro. Em breve, seriam uma enorme mancha e Mary seria a Queen do Bacalhau! Ahahahh!
Nesse momento, Agent Mary dedicava-se a uma tarefa de maior importância. Escrevia uma mensagem aos recém-casados Bilha e Carminho.

(Pois é! Bilha e Carminho casaram-se!! Não sabiam? Há-há-há- não sabiam!? Pois ficam a saber!)

’Dears Bilha e Carminho,

I rite yous directamente from my secretária of chic mogno and with a tampe in mármore. Caríssima! Expenssissivly! For that, utilizo one Montblanc of permanent teint given by my Mr. P. with a joaninha gravada. Mr. P has this adoração for joaninhas, you never no why? But the fact is that I talvez alimente essa obsession … Well, fetiches à parte, queria, sobremaneira, sobremanne, I mean, dizer-vos que I loved your Kamasutra Book que me enviaram so kindly from Nepal. Mr. P and I use post its on the favourite chapters! J Well, está na happy hour, tenho que join the colegas no pub. Not my cup of tea but well…I’m a secret agent undercover so I must go… Bye, bye, kisses! Cheers! Hihihi, hehehe, hihihi, hehehe!

Mary of London’’

Dado o suspense necessário, regressemos pois a Madalena e Ivana. Irei retirá-las da hipnose em que se encontram: Look into my eyes, Look into my eyes, not the round of eyes, only in the eyes…Wake up! (qualquer semelhança com a Little Britain é pura coincidência…cof, cof…).

- Não, eu explico-te. É assim… - repetiu Má-Dá, bocejando.

- Que sono! – espreguiçou-se Ivana.

Mas estavam agora à porta do hospital. Má-Dá deu entrada numa maca, após Ivana ter dito ao rapaz das urgências que a amiga se tentara queimar em acto de desespero por um amor não correspondido. Situações como esta geralmente eram atendidas com luz verde e assim Má-Dá passou à fente de pessoas com crânios esmagados devido a brutais acidentes de viação, bebés com febres de 44 graus e grávidas com os filhos já à espreita nas saias da mãe… É vida: quem é esperto, safa-se!

Atendida por um belíssimo médico em tronco nu, porque ele simplesmente não aguentava o calor que Má-Dá emanava da sua cara, agora não só devido à queimadura mas também causado pelo estado de rubor em que se encontrava, Má-Dá teve finalmente um momento refrescante. Ele deitou-a na maca, em câmara lenta e Má-Dá percebeu que ele usava Acqua de Gió. Sentia-se a pairar nas nuvens! Aquela era a visão mai linda que já tivera e mais cheirosa também! O gentil médico colocou-lhe umas compressas com gel refrescante e reparador na cara e deu-lhe Ice Tea fresco por uma palhinha.

Enquanto sugava, Má-Dá repetia para consigo: mudásti, mudásti! – numa clara alusão ao estado de dah em que se encontrava devido à perturbadora e máscula presença daquele médico do serviço de urgência!

Ivana andava às voltas na sala de espera, confusa com a revelação de Má-Dá até que lhe disseram que podia ir vê-la.
Entrou no quarto e viu a sua amiga coberta de compressas. Apenas se via compressas e um sorriso rasgado!

- Eh lá, viste o passarinho verde, foi? – brincou Ivana.

- Vi e cheirava tão bem! – balbuciou uma Má-Dá embriagada com Acqua di Gió.

- Olha, agora que a malta está mais calma e fresca e tal, explica lá o biz.

- Ok, aqui vamos, a ver se é desta. Vamos ser consultadoras de bacalhau. Ou seja, vamos trabalhar juntas no negócio da Consultadobacalhoaria, que basicamente consiste em a gente aconselhar outros sobre os negócios do bacalhau! Podemos, por exemplo, dar Formação em Como Fazer Iscas de Bacalhau no Contexto da Inovação das Fritadeiras Tefal, ou, Como tornar as Migas de Bacalhau Assertivas, ou ainda, Desenvolvimento de Competências Salgadas no Bacalhau Ultra-Congelado. Entendes? Pessoas como o Bilha e outras lanchonetes, restaurantes, e tal não vão conseguir passar sem nós. Nós ainda vamos fazer Entrevistas de Selecção dos Bacalhaus que eles vão ter. Vamos fazer Head-Hunting de Bacalhau, ou seja, pescar as melhores ‘’Cabeças’’ de Bacalhau! Vamos ficar ricas !!!!

Ivana olhava Má-Dá animada. Não tinha percebido nada do que ela tinha para ali dito mas a última frase deixara-a super entusiasmada. Rica?! Agradava-lhe!

- Vou poder comprar as ilhas Tahiti com os surfistas incluídos? – perguntou.

- Claro que sim, Iv! Tudo será possível com este negócio!

No regresso à lanchonete, viajam num boogie duas jovens empreendedoras. Iam de cabelos ao vento, com a mente cheia de planos, a correr livremente…
Entretanto, os bolinhos de bacalhau, todos queimados, pareciam meteoritos e a lanchonete cuspia fumo para o ar, enviando a Bilha a mensagem:

‘’Bilha, acode! A Má-Dá fugiu com a Ivana e vão abrir outro negócio!!’’

Em casa, enamorados, Bilha e Carminho receberam a mensagem de fumo enviada pela lanchonete.

- Carminho, babe! Foste promovida a fritadeira de bolinhos de bacalhau! – disse Bilha – Toca a acordar deste belo soninho de mel e bora lá pra labuta!

- Tudo eu, tudo eu! – respingou Carminho, mas lá foi ela e o seu agora esposo, Bilha. De agora em diante, as férias nas lhas Caimã e no Barco de Valentino e de Armani tinham terminado e teria que assumir novas responsabilidades! O negócio da lanchonete também lhe pertencia e ela estava decidida a dar-lhe glamour!

Enquanto iam a caminho, Carminho já tinha planos para o novo prato de Bacalhau Gourmet – Nouvelle Cuisine da Lanchonete. Ia ser um sucesso!

quinta-feira, julho 17, 2008

A K7 do Bacalhau já está a rolar !

Quem de nós não gravou numa K7 as suas músicas favoritas e punhas-as no walkman a rolar, a rolar até a fita gastar!?
Em nome desses tempos aqui vão umas musiquitas para escutar e abanar o esqueleto (ou pelo menos abanarmos as pernocas debaixo das secretárias no office!)

terça-feira, julho 15, 2008

Regresso a Kathmandu e a Despedida

Na manhã seguinte, tomado o pequeno-almoço e já com Yeti à nossa espera para partir, fomos surpreendidos com uma comichão tremenda nos calcanhares. Tínhamos sido devorados por mosquitos sedentos. Ironicamente, na selva nem uma picada e ali, onde nada o fazia prever, fôramos impiedosamente atacados! Mas essa não foi de longe a maior preocupação. Com a estrada cortada, o agente local ligou-nos a informar que não regressaríamos de jipe como previsto e que tentaríamos arranjar um voo interno de ligação. Até aí tudo bem, não fosse a chuva torrencial. Tornava-se muito arriscado voar com aquele tempo e eles não sabiam ainda se a companhia iria cancelar os voos desse dia.
Como na tarde do dia seguinte regressaríamos a Portugal era imperativo que, por terra ou por ar, nos levassem de volta a Kathmandu. Porém, teríamos que esperar. E esperamos, esperamos ... Até que, no final da manhã e posta de lado a hipótese do avião, nos fizemos à estrada, a ver no que dava. O facto de existir um bloqueio fez com que a nossa viagem de regresso tivesse sido muito menos atribulada. Quase não havia carros na estrada. Aproveitamos para relembrar e fotografar alguns dos belos cenários pelos quais tínhamos passado. Pelo caminho, muitas crianças iam para a escola. Iam sós, apesar de muito pequenas.
E eis que chegamos ao ponto do bloqueio. Uma fila de camiões fritava ao sol. Homens e mulheres estavam sentados à beira da estrada. Lá à frente, uma corda feita com pneus impedia a passagem de viaturas. O clima, no entanto, era pacífico. Sem gritos, nem agitações. Estava parado, estava parado. Começamos a perceber que ali ficaríamos um bom pedaço até que, surpreendentemente, nos pediram para sair do jipe. Seríamos transportados por um outro jipe que estava do outro lado da ‘’barreira’’. Pensávamos em como foram inteligentes! Mais uma vez, a logística sem falhas! Prosseguimos então viagem, deixando para trás um cenário colorido do qual faziam parte umas quantas velhas nepaleses que fumavam vagarosamente a sua marijuana, uma das plantações de eleição da região e perfeitamente liberalizada.
A viagem foi rápida e entramos novamente na agitação citadina de Kathmandu. O corpo estava cansado e mole da viagem. No Hotel Everest fomos novamente acolhidos com a simpatia habitual. Chegados ao quarto, tudo parecia luxuoso! A memória das condições de Chitwan estava ainda fresca … A tarde estava já no fim, e a hora de jantar aproximava-se. A última refeição que fizemos no Everest foi no Restaurante Indiano. Uma iguaria picante composta por carne de porco e galinha, acompanhada por arroz e um pão achatado maravilhoso!
Aproveitamos para ler um pouco no lobby mas a concentração tornou-se impossível. À nossa frente, um grupo de indianas exibia no tapete, as múltiplas jarras e ornamentos de latão, cravejadas com pedras coloridas que haviam comprado nessa tarde. O consumismo não é só doença dos ocidentais, estava visto!



A Despedida do Nepal Exótico

Na manhã do dia seguinte, a última antes de partimos de regresso a casa, o lobby do Hotel cheio de pessoas. Tinha acabado de chegar um enorme grupo de indianos. Todos eles eram recebidos com um copo de sumo de frutas e com um sorriso. Seriam perto de quarenta ou até mesmo cinquenta pessoas. O certo é que encheram a entrada e só se viam malas por todo o lado.
Concluímos que existem muitos turistas indianos no Nepal com poder económico para se alojar nos melhores hotéis. Todos ostentavam ornamentos em ouro e movimentavam-se com um à vontade de quem está perfeitamente acostumado à vida de hotel.
Entretanto, no meio daquela multidão, surgiu o nosso guia, o que falava espanhol. O voo era somente às cinco da tarde e iríamos aproveitar essa manhã para conhecer o que faltava de Kathmandu: a Stupa de Bodhnath, segundo ele a maior do Nepal; de seguida, visitaríamos o conjunto sagrado de Pasupatinath, terminando na cidade medieval de Baghgaon, famosa pelos seus monumentos e estátuas.
Apesar de não ser já para nós uma novidade, a Stupa de Bodhnath foi, contudo, aquela que mais apreciamos. Ao contrário das outras, não ficava num ponto alto, ficava numa rua da cidade, num largo e estava rodeada de pequenas lojas. Muitas delas, eram escolas de arte onde jovens artistas expunham e vendiam os seus frescos: as tangka. Tangka é um tipo de pintura tibetana usada pelos budistas para meditar e é considerada uma das melhores expressões da arte tibetana. As tangkas servem para mostrar as teorias budistas e é uma forma de professar o budismo, representar histórias da vida dos santos, as actividades religiosas e a cultura tradicional. As telas de linho ou algodão são as mais utilizadas nestas pinturas. O tamanho das tangkas varia entre alguns centímetros quadrados e vários metros quadrados, que custará meses ou anos de trabalho para os artistas. Cada pintura vendida representa uma oportunidade de custear o trabalho dos artistas por dias, semanas ou meses. Lá, como cá, viver da arte não é fácil.
A Stupa de Bodhnath está construída numa base octagonal, e a sua vista de cima está representada numa Mandala desenhada pelo Dalai Lama, onde se encontram mantras. Caminhamos em redor da Stupa no sentido dos ponteiros do relógio e observamos as cores, as pessoas, as lojas e os odores. Partiríamos dali, do centro budista, rumo a Pashupatinath.
Pashupatinath é o local de peregrinação hindu mais sagrado em todo o Nepal. Consiste num enclave de templos, ghats (degraus que conduzem ao rio) e locais de cremação. Apesar de, como qualquer local de culto, ter muito movimento de fiéis, o silêncio impera, apenas cortado pelo murmúrio do rio Bagmati. Observamos cadáveres de pessoas que jaziam no chão sobre uma esteira, cobertos com um pano branco. Seguir-se-ia a cremação do corpo já na pira. No final, as cinzas seriam varridas para o rio, seguindo caminho com a corrente. A família real tinha as suas piras exclusivas, que lembravam, sinceramente, os nossos fumeiros.

O sentimento que nos invade ao assistirmos às cremações é semelhante ao que nos acontece quando vemos um filme. Reagimos como se aquilo fosse ficção, como se na realidade não estivéssemos a ver corpos humanos a serem queimados bem perante os nossos olhos!
Apenas os bebés com menos de seis meses são enterrados e não queimados. O fogo é visto nesta religião como elemento purificador da alma e do corpo. Como aquele que liberta do pecado. Do que se depreende que até aos seis meses, o ser humano não tem em si pecado. Sorrimos perante esta lógica. O odor que se respira em Pashupatinath é um misto de fumo com fortes incensos e flores queimadas. É um ambiente tão intenso que não permanecemos lá por muito tempo. Aliás, nem nos sentíamos confortáveis em estar a observar pessoas que estavam ali a despedir-se dos seus entes queridos. Colocamo-nos no lugar deles, respeitamos a sua dor e saímos. Uma particularidade é que a cor do luto que eles adoptam é o branco total. Explicamos ao guia que usamos o negro e que enterramos os nossos mortos, apesar de as cremações já existirem, ainda que não na forma tão arcaica que ali assistíramos. Ele reagiu com espanto, encolheu os ombros e prosseguiu.
Seguimos então para o último local a visitar. Chegamos à cidade medieval de Baghgaon e entramos num estreito corredor cheio mulheres sentadas com galinhas à venda. Caminhamos e acedemos a uma praça rodeada de monumentos e de estátuas. Os monumentos em madeira talhadas, as estátuas em pedra, um pouco à semelhança do que víramos na Durbar Square. O guia comenta que ali decorreram as filmagens do ‘’Little Budha’’ com Keanu Reeves, decididamente um filme a rever aquando do nosso regresso.
Num dos templos, deparamo-nos com imagens do Kamasutra talhadas na madeira. Homens com mulheres, mulheres com mulheres, corpos nus ali talhados numa total anarquia e despudor sexual! O comércio é bastante intenso dentro da cidade medieval. Existem várias lojas de produtos artesanais, desde écharpes com 100% de caxemira, vasos em barro, catanas, paus de incenso, entre outras coisas. Entramos numa loja de música, com uma grande oferta de música e de filmes. Arqueamos as sobrancelhas e comentamos que não esperávamos encontrar tanta modernidade numa cidade medieval! Cruzamo-nos com algumas pessoas que lá viviam e não deixamos de notar que é costume pintarem os olhos dos bebés com eye liner preto em torno de todo o olho. O efeito visual não é dos mais agradáveis …
Chegada a hora de almoço, aproveitamos para comer algo num dos restaurantes de Baghgaon e aí observar as gentes, como que já dizendo adeus. A partida estava breve…
No regresso ao Hotel, trocamos impressões com o Guia, aproveitando a oportunidade para lhe dizer o quanto tínhamos gostado dos dias que tínhamos passado no Nepal e para lhe transmitir o quanto apreciáramos a hospitalidade do seu povo.
Questionou-nos qual o nosso próximo destino. Sorrimos-lhe respondendo que para já, era tempo de assimilar o quanto o Nepal nos tinha transmitido a todos os níveis. Fora uma viagem de sonho, a lua-de-mel que tanto sonháramos! As pessoas, as paisagens, o contacto com a cultura e sobretudo com a espiritualidade. Essa seria a maior riqueza que traríamos na nossa bagagem no regresso e que com toda a certeza tão cedo não se apagará das nossas memórias e corações.
Sobrevoando Kathamandu despedimo-nos do Nepal com um sorriso nos lábios mas com uma enorme vontade de chegar a casa e partilhar com os mais próximos esta fantástica viagem!





( na imagem, um exemplo de uma Tangka)

segunda-feira, julho 14, 2008

A bela e mágica Pokhara

De todos os locais onde estivemos, Pokhara é o mais fascinante em termos de beleza natural, apesar de ser o mais bem equipado em termos de turismo. Rodeada pelos Himalaias e em especial pela famosa cordilheira Annapurna, rapidamente nos apercebemos que Pokhara é o local de eleição para trekking no Nepal.
Cá em baixo, lago Phewa reflecte as montanhas, tal a sua limpidez, criando uma imagem dupla fantástica. É um dos maiores lagos do Nepal e oferece um cenário idílico e tremendamente romântico. Nele passeiam-se vagarosos barcos coloridos com turistas.
Lá no alto, avistamos a ‘’World Peace’’ Stupa. Existe um caminho entre a montanha para lá se chegar, mas a náusea e a dificuldade de respirar impediram a que lá chegássemos.
Calcorreamos as ruas de Pokhara, onde existem várias lojas, pequenos comércios todos eles vocacionados para o turismo: restaurantes, estalagens, lojas de souvenirs, livrarias, mercearias e por aí fora. A caminho descobrimos o fantástico Fish Tail Lodge, um hotel magnificamente construído em cima da montanha e do outro lado do lago. Atravessamos para a outra margem no barco do Hotel e fomos explorar. Ao contrário do de Chitwan este parecia ter todas as comodidades e mais algumas! Descobrimos a piscina que, debaixo do calor em que estávamos, estava mais convidativa do que nunca! Num pé voltamos ao nosso hotel, pegamos nos fatos de banho, e noutro estávamos de volta à piscina onde ficamos até a pele enrugar!
Inesperadamente, ouvimos alguém falar em português, ali ao nosso lado! Metemos conversa e apresentamo-nos. A senhora que era presidente de uma ONG estava ali numa espécie de retiro para se concentrar na escrita de um livro sobre um rapaz órfão que alojara numa das suas casas-abrigo no Nepal e que agora a tratava por ‘mãe’. Contou-nos que estivera em locais verdadeiramente inóspitos como Nairobi e também das enormes dificuldades e entraves que pessoas como ela enfrentam. Estendeu-nos o cartão, desejou-nos felicidades e despediu-se. Esperava-a um compromisso. Não devia ter uma vida nada fácil – pensamos – mas ainda bem que existem pessoas assim no Mundo.
Aproveitamos o fim de tarde para relaxar na rede que havia no Lodge e para fotografar a luz mágica no Lago. Nessa noite, saboreamos um belíssimo jantar na esplanada de um restaurante perto do Hotel. Ali nos deixamos estar a apreciar a diversidade de pessoas que passava: louros, morenos, altos, baixos, europeus, hindus, buditas, tibetanos … todos ali na serena e bela Pokhara.
O clima é mais quente do que em Kathmandu. Estávamos na época das monções que dura até Setembro. Ainda no restaurante, começou a chover torrencialmente. Ficamos à espera que abrandasse. Tínhamos todo o tempo do mundo …

**

Na manhã do dia seguinte esperava-nos um guia local. Com ele conheceríamos a Deivi’s Fall, umas cataratas onde se acredita terem caído dois amantes e onde atiramos uma moeda, em troca de um desejo. Visitamos também um campo de refugiados tibetano, onde moravam centenas de pessoas obrigadas a viver ali depois da carnificina chinesa. Ali, homens e mulheres têm papéis bem definidos. Elas trabalham na tapeçaria. Em teares manuais, calejadas nas mãos, são as artesãs de lindíssimos tapetes que não fosse a dificuldade de transporte, teríamos certamente comprado. Eles eram comerciantes. Uma delas tentou ensinar-nos um pouco da sua arte mas é algo de complicado e que implica uma destreza manual impressionante. É inacreditável a rapidez e a perfeição com que aquelas mulheres conseguem materializar um complicado desenho numa belíssima carpete.
Tivemos ainda oportunidade para conhecer uma casa onde vivem monges budistas de todas as idades. Visitamos um dos seus templos, onde têm aulas de história e de outras matérias. Vivem com simplicidade e lá respira-se paz. Houve ainda tempo para nos rirmos com o caricato de uns aposentos de um tibetano que, abaixo da imagem do Dalai-Lama, exibia um poster do Cristiano Ronaldo. Decididamente, o Portugal deixara de ser conhecido pelo ‘bacalao’ para ser conhecido pelo Ronaldo. Onde fica provavelmente não sabem, mas pelo menos sabiam que existia. Valha-nos isso!
É impossível abandonar o campo de refugiados sem nos revoltarmos com a China. Por causa deles, da sua violência e ganância desmedida, aquelas pessoas tão pacíficas e inofensivas estavam privadas de viver na sua terra. Isso já o sabíamos, pelas notícias, outra coisa, é falar com as pessoas. Mais uma injustiça neste Mundo …
Visitamos ainda mais dois Templos: um budista e um hinduísta, bem colados um ao outro, o que prova que é possível vivência em harmonia entre pessoas com religiões diferentes. Essa é uma lição que pessoas educadas e com suposta cultura como os Irlandeses, deviam aprender! Eles e outros tantos!
Num deles, recebemos a famosa pinta vermelha na testa. Fomos abençoados, segundo o guia. Assim o acreditamos, assim nos sentimos.
À tarde, já sem o Guia, resolvemos caminhar pelas ruas, fotografar. Paramos numa livraria e não resistimos a comprar um livro sobre o Nepal. Ali encontraríamos fotos que nunca teríamos de Pokhara. Fotos das pessoas que vivem no alto das montanhas. Gente que vive com pouco, mas que vive feliz. As pessoas que abrigam os alpinistas aventureiros e que provavelmente fazem das suas viagens, recordações preciosas. Gente hospitaleira e generosa. Lemos que nas montanhas as pessoas têm mais glóbulos brancos e que os seus pulmões são maiores do que o habitual. A adaptação da espécie humana às condições da Natureza aqui bem patente …
Trocamos impressões com o rapaz da livraria e aproveitamos para comprar CD’s de música local, paus de incenso, chás … numa tentativa de trazer para casa o cheiro, o sabor e os sons do Nepal.
No regresso ao Hotel tivemos a notícia de que o dia seguinte, no qual regressaríamos a Kathmandu, não seria fácil. A estrada estaria cortada, devido a um protesto civil contra a subida dos combustíveis.
Resolvemos adiar essa preocupação para o dia seguinte e fomos saborear as delícias da cozinha nepalesa no nosso último jantar em Pokhara.


A dureza da selva ... dia 2 no Temple Tiger Lodge

O segundo dia na selva começou, como previsto, bem cedo. Pontualmente, fomos despertados pelo acender da luz da lanterna que estava por cima das nossas cabeças. Era sinal de que o gerador havia sido ligado. Entretanto, ainda a esfregar os olhos, fomos surpreendidos por um ‘’Good Morning’’ à porta do bungalow. Era um dos empregados que nos trazia café ou chá. Para o efeito, vinha munido com chávenas, uma termos com água quente e com saquetas de café e de chá. Optamos pelo café e não deixamos de reparar que uma saqueta foi repartida pelos dois. Nisso resultou um café que mais parecia água suja. Mas estávamos na selva e, dadas as circunstâncias, não nos podíamos queixar.
No quarto de banho, um novo visitante. Desta vez, um lagarto passeava pela parede do chuveiro. Entre este e o aracnídeo preferíamos o primeiro. No entanto, tivemos também de lhe pedir que se retirasse que o quarto de banho era um espaço onde se quer privacidade!
E assim tomamos um duche para despertar. Com água quente mas, que por mais que cerrássemos a boca, tinha um odor e sabor a ferrugem. Ou não fosse ela proveniente de reservatórios e não das canalizações que dispomos no nosso ‘mundo moderno’.
Saímos para o pequeno-almoço onde fomos surpreendidos pela positiva: panquecas, ovos, torradas e geleias. Muito saboroso, mas eram quase seis da manhã e o Chefe estava a nossa espera! Apenas um pormenor nos incomodava: a chuva torrencial! Chovia desalmadamente!
Abeiramo-nos dele e perguntamos:
- Are we still going to the river? – perguntamos.
- Yes! – disse ele num tom seco e como quem diz, porque não haveríamos de ir?!
- Isn’t it dangerous because of the rain? – insistimos quase a medo…
- It depends what you consider to be dangerous … - respondeu em tom sarcástico.
Perante estas palavras, percebemos que na selva não existe condescendência nem mariquices. Se está escrito no programa que das 06h às 11h haverá um safari de elefantes seguido de travessia de canoa no rio, esteja chuva ou sol, isso é irrelevante!
E lá fomos nós, quatro montados num elefante, com um guarda-chuva a abrigar-nos a cabeça, que o resto do corpo iria ficar inevitavelmente ensopado, já o prevíamos. O desconforto surgiu várias vezes ao longo da comprida viagem que fizemos de elefante. A chuva, apesar de quente, teimava em continuar e sempre que havia uma descida acentuada de piso, a água acumulada no plástico atrás de nós, escorria e ensopava-nos as calças! Entramos na selva densa e começamos a avistar impalas que surgiam e desapareciam num ápice! Com a mesma fugacidade, vimos javalis e macacos. Em marcha lenta, o nosso elefante lá seguia caminho, uma caminho que desconhecíamos, um caminho que nos conduzia a parte incerta, sem que soubéssemos quanto tempo demoraríamos a lá chegar. O desespero começou a instalar-se passada uma hora e meia, em que já cansados de chuva, da lassidão do animal e da – confessamos – falta do que ver na selva para além de árvores e arbustos, começamos a mexer-nos no assento e a comentar entre dentes que já bastava de passeio para aquela manhã. Queríamos perguntar se ainda faltava muito, mas encolhemo-nos perante a frieza do ‘’Comandante’’. Depois daquela resposta de manhãzinha, preferíamos esperar para ver.
E eis que finalmente chegamos ao Rio! Um rio da cor da lama, que corria feroz! A agitação das águas era tanta que nem queríamos acreditar quando percebemos que o guia mantinha a intenção de nos levar de volta de canoa! Fomos possuídos pela ansiedade e já no solo, depois de nos terem mandado descer do elefante, não conseguíamos controlar o riso quase maníaco de quem não quer acreditar no que estava prestes a acontecer. Entraríamos numa canoa de madeira que mais parecia estar a desfazer-se – nós, o Comandante-guia, mais dois homens que conduziriam a dita cuja. O pânico instalou-se mas lá entramos. Desde o momento em que subíramos para o lombo do elefante que a escolher o que fazer deixara de ser uma opção.
Surpreendentemente, quando estávamos já a bordo e em pleno rio, a corrente parecia ser fraca comparativamente com o que se via de fora. Ainda assim, sabíamos que era o rio quem nos conduzia, não os homens dos remos partidos. Já calmos, apreciamos a paisagem. As duas margens repletas de vegetação faziam lembrar cenas dos documentários que passam sobre a Amazónia. Não havia dúvidas que estávamos em plena selva! ( a essa altura também dúvidas já não as havia nem poderia haver…)
Chegados novamente a terra, reparamos que estávamos exactamente no mesmo ponto de onde partíramos quando nos esperavam para nos conduzir ao Lodge.
- Mais uma hora em cima do Babar! – dissemos. Mas, desta vez, já conhecíamos o caminho e isso fez com que a distância encurtasse.
Pelo caminho, a mesma lassidão, a mesma ausência de animais. Apenas rinocerontes. Concluiríamos no final que o Temple Tiger Lodge se deveria chamar Temple Rhino Lodge…
Chegados, ainda nos reservariam uma outra actividade. Estávamos exaustos, encharcados, enlameados, mas lá fomos, semi-arrastados. Esperava-nos um Elephant Briefing, como lhe chamaram. Conhecemos o espaço onde os elefantes eram tratados e onde dormiam, quer eles, quer os seus tratadores/ condutores. A introdução foi breve: basicamente aprenderíamos as diferenças entre os elefantes asiáticos e os africanos e, no final, ser-nos-ia feita uma pergunta para saber se tínhamos estado atentos! Tal e qual! Este Comandante-Guia não estava para brincadeiras mesmo e por isso lá ouvimos o homem com muita atenção (ou pelo menos fingimos isso…).
Do que ouvimos, ficou a ideia de que, apesar de obedientes e muito bem treinados, se um daqueles elefantes quisesse, num repente podia arruinar com aquilo tudo. Bastava-lhe acordar o selvagem adormecido que havia dentro de si. Isso impõe respeito. Deu a ideia de que basicamente eles estavam ali porque queriam… Não seria bem assim, mas pronto. A desigualdade de forças é inquestionável.
De regresso ao Lodge, fomos avisados que às cinco da tarde, que era quando faria menos calor, nos esperava um novo passeio de elefante. Veríamos … - pensamos.
Após o almoço e um merecido descanso, decidimos que não íamos novamente selva afora. Já que seria o nosso último dia ali no Lodge, aproveitaríamos para explorá-lo e descansar! Fomos então até ao deque de observação dos animais. Uma varanda fabulosa para um enorme lago. O céu estava novamente limpo e o sol brilhava novamente. O dia estava com uma luminosidade, um dourado ímpar! Sentamo-nos e desfrutamos daquele cenário, daquela paz únicos. A magia daquele lugar foi dos melhores momentos que teríamos nesta viagem.
Mais tarde, jantaríamos já acompanhados com novos hóspedes. Um casal que em nada condizia com aquele lugar. Ele olhava enojado para a mesa e para a comida, recusando a comer o que quer que fosse, á excepção do arroz e do vinho que insistentemente pedia para lhe trazerem. Ela viria, no dia seguinte para o safari de elefantes, vestida com uma mini-saia de ganga e com um top com lantejoulas, parecendo ignorar que na selva a vegetação não se afasta à nossa passagem! Não contivemos o riso, sabendo o que os esperava. Será que o Comandante-Guia lhes iria passar um raspanete por mau comportamento?! Nunca o saberíamos, mas como eram arrogantes para com os empregados do Lodge, resolvemos não os avisar das aventuras pelas quais passariam e para as quais deveriam ir pelo menos preparados com meias e calças!
Essa noite foi passada em branco. A ansiedade de regressar invadiu-me a mente. A noite cerrada e os múltiplos sons dentro e fora do bungalow acelereram-me o coração e, de repente, só dali queria sair! A diferença horária fizera com que dormisse nessa tarde e na hora de dormir, não conseguia pregar olho. Sem luz e com as sombras as bailarem nas janelas que rodeavam o bungalow, fui invadida por um sentimento de insegurança, pelo medo! Medo de não sairmos dali sem que nos acontecesse algo de mal. Por mais estranho e paranóico que possa acontecer, nessa noite não conseguia pensar noutra coisa. Que se nos acontecesse algo de mal, não tínhamos escapatória. Não havia telefones, pelo amor de Deus!
As cinco da manhã finalmente chegaram na noite mais longa de toda a viagem e a satisfação por ir embora era enorme! Pelo caminho que viemos, pelo caminho regressamos. O elefante conduziu-nos novamente à canoa e, já nela, o pequeno-almoço deu voltas no estômago mais do que consegui suportar e o vómito foi novamente inevitável. Desta vez, já nem embaraço senti, tal foi o alívio imediato.
Ao longe, na outra margem, avistei com enorme satisfação o Yeti e a sua ‘irmã’. Sorriam e acenavam-nos. Apesar de terem fracos recursos, não deixamos de comentar a excelente logística daquela viagem. Sempre prontos, pontuais e eficientes. O que faltava ali, no lodge, e mesmo até em Kathmandu, era quem ali investisse a sério. Alguém que lhes desse o know-how do turismo a que o europeu está habituado e que lhes desse também dinheiro, claro está, para a melhoria dos alojamentos, e aquisição de novos equipamentos. Ainda havia muito trabalho braçal desnecessário. Certo que empregava pessoas como por exemplo os dois ‘’canoeiros’’ mas será que o turista mais ‘’exigente’’ estaria disposto a arriscar-se a atravessar o rio nas condições em que o fizéramos? Provavelmente não …
Despedimos-nos do Royal Chitwan National Park e rumamos a Pokhara – o último destino antes de regressarmos a Kathmandu. A viagem seria mais curta.
Chegamos ainda de dia, fizemos o check-in e resolvemos de imediato ir espreitar o local. Antes, tempo para um telefonema para casa, que havia já alguns dias em que não dávamos nem recebíamos notícias do exterior. A selva isolara-nos do mundo completamente!

quinta-feira, julho 10, 2008

Diz a Vera...

Faz hoje 3 anos e 1 mês que este blogue foi concebido. A semente germinou a 10 de Junho de 2005 na bela e romântica localidade de Vila Praia de Âncora, por entre pedrinhas lançadas ao mar.
Com data de nascimento a 21 de Janeiro de 2006, facilmente se compreende que este blogue foi prematuro, com apenas 7 mesinhos de gestação.

Assim se compreende os ciclos que aqui se vivem, oscilando entre momentos tendencialmente hiperactivos com rasgos de loucura e os momentos de evasão e ausência.

Mais ainda, com nascimento em Janeiro, os astros guardam para este pequenote o seguinte destino, esta semana pelo menos:

«Nunca pare de aprender porque nunca sabemos sempre tudo! O conhecimento é o que levamos desta vida, tudo o resto fica cá... Mas é ao "resto" que dedicamos mais tempo...»
(retirado dos sábios conselhos de Vera Xavier, a profissional dos astros com coluna permanente no jornal Metro)

Este blogue abriga loucuras, modas e insensatez.
Esta posta é um exemplo claro disso...

sexta-feira, julho 04, 2008

CHITWAN, O ÚLTIMO REDUTO DA SELVA ASIÁTICA

‘’In the jungle, the mighty jungle, the lion sleeps tonight’’… poderia muito bem ser a música de fundo para esta verdadeira aventura que agora, vista à distância, nos enche de orgulho.
O Parque Nacional de Chitwan é um dos últimos redutos de selva asiática, rico em fauna e flora, albergando animais tão mortíferos como o tigre de Bengala e … o mosquito. Para lá chegarmos, atravessamos as montanhas numa 4x4 numa viagem que durou 7 horas, apesar dos apenas 192 Km de Kathmandu até Chitwan. Sair de Kathmandu foi um verdadeiro suplico, porque uma grua a meio da estrada conseguiu paralisar o trânsito e deter-nos numa fila durante tempos infinitos. Sob um imenso calor e um cheiro nauseabundo a gasóleo que transportávamos connosco em bidões para acudir algum imprevisto, o enjoo e o vómito e o constrangimento foram inevitáveis.
A marcha lenta serviu, no entanto, para uma melhor apreensão das realidades. À medida que saímos do centro urbano, vamo-nos apercebendo da pobreza com que vivem as gentes nos subúrbios. Algumas Habitam barracas em madeira, de pequenas dimensões, para as quais se consegue espreitar ainda que não se quisesse. Os artesãos de beira de estrada também são muitos. Uns costuram em máquinas do tempo das nossas avós, a cair de velhas mas que lá funcionam, outros trabalham as madeiras, outros têm pequenos comércios. Por nós passam imensas carrinhas que transportam as crianças para as escolas. Os School Buses parecem retirados do contexto britânico e caídos ali naquela realidade rural, de uma forma desconcertante!
Vestidos a rigor, com impecáveis uniformes, as crianças acenam-nos e sorriem. Parecem felizes as crianças. Ficamos com uma sensação generalizada de que são crianças amadas verdadeiramente e a maior prova disso será de facto o alto índice de escolaridade. Apesar da pobreza, os nepaleses apostam na educação das suas crianças. Todas aprendem o inglês, obrigatoriamente, o que também revela uma mente aberta para o mundo. Passamos por montanhas, rasgadas por fantásticas cascatas. Lá em baixo, o rio acompanhava-nos na viagem. De vez em quando, lá avistávamos grupos a fazer rafting e imaginávamos o quão fantástico deveria ser deixar-se levar pela corrente rodeado daquele cenário explosivo de verde esperança e de azul celeste!
Estrada afora, passamos por umas boas dezenas de camiões. Os condutores são verdadeiramente loucos: ultrapassam-nos nas curvas, andam a velocidades inimagináveis! Impróprio para cardíacos! Descrever um camião destes é uma tarefa ingrata, porque são completamente diferente de tudo aquilo que já vimos: apesar de degradados, estão completamente enfeitados como verdadeiras árvores de natal ambulantes! Geralmente sem portas laterais, espreitamos que os condutores são miúdos com pouco mais de dezasseis anos. Cintos de segurança? Esqueçam … isso é coisa que não existe e que serve de feitio...
Nesta e nas restantes viagens fomos conduzidos por um simpático nepalês do qual nunca víriamos a saber o nome. Por mais vergonhoso que isso possa parecer, a explicação é simples. O homem percebia mal o inglês. Quando lhe perguntamos: ‘’ What’s your name?’’, ele respondeu-nos com um ‘’ name river Kaliri…’’ e apontou para o rio. Olhamos um para o outro e recostamo-nos no banco resignados com a resposta. A partir desse momento, baptizamo-lo com o nome Yeti (que era o nome da agência de viagens local ‘’Yeti travels’’).
A meio do destino final, o Yeti pára e informa-nos (num inglês muito esforçado) que iremos ter uma nova companheira de viagem: ‘’ my sister’’. Sorrimos e uma senhora com pouco mais de metro e meio, morena, vestida com umas roupas coloridas a evocar o sari indiano, saúda-nos com um ‘’Nameste!’’ e entra rapidamente no banco da frente. Ao longo da viagem, fala, fala, fala como se não houvesse amanhã! Não percebemos o que diz, mas entretemos a olhá-la e a sorrir. Yeti, compenetrado na estrada não abria a boca, nem tão pouco acenava ou dizia ‘’hum-hum’’…Ouvia o que a irmã lhe dizia …
Pelo caminho, começamos a duvidar do grau de parentesco entre ambos e começamos a tecer histórias acerca daquele casal tão caricato. Provavelmente, não seria irmã, mas uma amiga especial, a quem Yeti proporcionava uns dias diferentes, ao mesmo tempo que garantia companhia para os 4 dias em que ficaria à nossa espera para depois nos trazer de volta a Kathmandu. E se assim fosse, tudo muito bem!
E eis-nos então chegados ao Park de Chitwan! Contrastando com as montanhas, é uma área de fácil acessibilidade por comparação com as montanhas do resto do país, de terras férteis, com abundância de água e um clima húmido e subtropical, onde abundam os arrozais. O jipe atravessou o Park e, expectantes, olhávamos em volta, na ânsia de avistar os bungalows.
Até que o carro pára junto à margem do rio e começamos a aperceber-nos da realidade. Teríamos que atravessar o rio. À nossa espera, uma canoa e dois homens esperavam-nos. As canoas, em madeira, pareciam a coisa mais insegura do mundo, perante o colossal rio e a forte corrente. Os primeiros risos de medo miudinho começaram a surgir. Yeti, sorridente, passou-nos a mochila e acenou-nos com um ‘’Bye-bye’’.
Sem escolha, entramos na canoa. Já na outra margem, mais uma surpresa nos esperava. Um elefante seria o nosso meio de transporte até ao Lodge. O coração acelera um pouco ao empoleirarmo-nos no desconforto do dorso de um elefante. E lá começamos viagem. O condutor do elefante não fala connosco durante todo o percurso, provavelmente porque não sabe falar inglês. Ao fim dos primeiros dez minutos, começamos a interrogar-nos para onde nos leva, porque no horizonte não se avista nenhuma construção, apenas floresta. O nervoso começa a aumentar. Vinte minutos, e estamos já dentro da selva, o homem pára e aponta para o lado. Ali, pertíssimo, avistamos o primeiro de muitos rinocerontes. A sensação é espanto, mas também de algum receio. Afinal, estávamos ali tão perto de um gigante da selva! Mas logo sossegamos, porque comparativamente ao nosso elefante, o pobre do rinoceronte saía a perder. O condutor segue armado com um pau. Na parte de trás das orelhas do elefante, indica-lhe o caminho a seguir com os pés, tal e qual como se fossem pedais de um automóvel. Para virar à esquerda, um toque na orelha com o pé esquerdo, para marcha atrás, um toque de leve com o calcanhar. Cansados da viagem e atarantados com a viagem inesperada pela selva afora, começamos a vislumbrar, passada quase uma hora (!) umas cabanas. A primeira impressão é desoladora: cabanas de madeira, velhas, com aspecto de ruírem. Esperamos para ver mais, já com uma enorme impaciência e com vontade de ir a pé! Andar em cima de um elefante é um excelente método de relaxamento forçado, porque o animal anda de forma tão lenta, tão lenta que das duas uma: ou nos acalmamos e entramos no ritmo ligeiro dele, apreciando a paisagem e deixando a mente divagar; ou então, ficamos frenéticos e impacientes e só queremos é dali saltar e isso estava fora de questão porque estávamos na selva…
E eis-nos chegados (finalmente!) ao Temple Tiger Lodge! Uma grande recepção!? Nem por isso. Esperava-nos um homem, de aspecto rude e a lembrar um índio da amazónia, com cabelo negro cortado à tigela. Ele e os demais trabalhadores do Lodge usavam roupas verde tropa e todo o cenário de resto nos faria lembrar um acampamento militar.
Enquanto nos conduz para o centro do lodge, que serviria de ponto de encontro para as actividades, reparamos nos bungalows. Nada ali, ao contrário do que esperávamos, parece ter grandes luxos, bem pelo contrário. Mudos, seguimos o homem que segue também ele calado.
Chegados ao centro, manda-nos sentar e começa a discursar começando por dizer que Ali, na Selva há regras e que as regras têm que ser cumpridas. Tem sido assim e assim se têm dado bem.
Arqueamos as sobrancelhas e escutamos as regras: 1) levantar às 05h30 para tomar pequeno-almoço às 06h e depois sair para as actividades. 2) No electricity (aqui o espanto é total e os olhos arregalam-se inevitavelmente!), existindo porém um gerador que funcionaria das 05h30 às 07h da manhã e das 19h30 às 22h00. O mesmo se aplicaria à água quente, sendo que a água seria proveniente dos reservatórios. O resto que se seguiu já pouco interessava que a mente só se detinha naqueles dois dados iniciais, dos quais tínhamos perfeito desconhecimento. ‘’Afinal isto tem 4 estrelas, valha-me Deus!’’.
Fomos conduzidos ao bungalow 120 por um rapaz novo. Aliás aquilo parecia mesmo a tropa, porque os rapazes eram todos novos e o (como lhe víriamos a chamar) ‘’General’’ das ‘’regras’’ era o mais velho e o ‘’manda-chuva’’ dali. Mulheres? Nem vê-las … Só ali trabalhavam homens.
Os bungalows eram muito modestos. Feitos de madeira e com tectos em colmo, tinham um quarto e um quarto de banho. No quarto, uma cama, uma ventoinha que teria pouca ou nenhuma utilidade (dado que como não havia electricidade, só funcionaria nos períodos em que o gerador estaria ligado) e uma cadeira. O mais básico possível. Aproveitamos para descansar um pouco e tentar-nos convencer que, ao contrário do que esperávamos até por comparação com Lodges Sul-Africanos, ali teríamos de fazer um esforço para viver com bem menos condições do que aquelas a que estávamos habituados.
Às cinco em ponto, obedecendo ao General, estávamos no ponto de encontro para o primeiro safari de elefante. Nós e o único hóspede para além de nós. Três gatos pingados, portanto. Partimos em dois elefantes, mais mortos do que vivos devido à viagem anterior e à quase uma hora de elefante que ainda sentíamos no corpo. Mas lá fomos, com espírito e mentes abertas e optimistas de que valeria a pena. A rigorosamente 2,5 Km/h lá íamos 4 montados no elefante: nós, o condutor e o guia (o General) lá íamos. Entre árvores e solos lamacentos, nada parecia ser impedimento para o elefante. Um verdadeiro todo-o-terreno! O céu começava a fechar e ameaçava chover, mas lá prosseguíamos. Começamos então a encontrar-nos com rinocerontes e macacos que pareciam resmungar entre si. Já o tigre, apesar de habitar por aquelas bandas foi o rei da ilusão, verdadeiro mágico que se deixa ouvir, mas raramente ver (e ainda bem, digo eu).
Ao percorrer os trilhos desta floresta densa, focamo-nos apenas na extraordinária beleza da luz que trespassa as árvores, na delicadeza das aves brancas que se empoleiram em ramos secos, na banda sonora de trinados e restolhadas que nos rodeia. De vez em quando um veado pára numa clareira, tão surpreendido como nós, antes de seguir caminho com ar arrogante. Macacos insultam-se nas árvores, e gigantescas teias de aranha, ainda salpicadas de orvalho, lembram colares de rainhas egípcias. Atravessamos “pontes” de troncos caídos.
Patelas de bosta de elefante secam no chão e neles começam a nascer cogumelos!
O sol cai como uma bola vermelha e volta a aparecer igualzinho de madrugada, embrulhado num nevoeiro húmido que faz as árvores pingarem como se tivesse chovido. Tempo de regressar ao Lodge. O primeiro dia fora estafante.
Antes do jantar, travamos conhecimento com o nosso vizinho de bungalow, um british nascido na índia, que trabalhava numa agência de viagens inglesa e que estava ali para avaliar se o Temple Tiger era digno ou não de integrar um roteiro de viagem pelo Nepal que a agência pensava em comercializar. Um tipo simpático. Não houve muito tempo para conversas, dado que estávamos todos exaustos e famintos!
O primeiro duche foi … diferente. Uma aranha de dimensões consideráveis esperava-nos no chuveiro e foi-lhe pedido para se retirar. Como não atendeu ao pedido, não restou alternativa se não enviá-la para o outro mundo. Apenas com um amaciador disponível, porque o Shampoo havia ficado na mala em Kathmandu convictos que o Lodge das 4 estrelas (?!) teria Shampoo e as restantes papariquices que os Hoteis costumam ter, lá nos desembaraçamos.
O jantar foi inesperadamente saboroso! Uma Chicken Cury: pedaços de galinha temperados com caril, acompanhados de arroz branco e legumes salteados. Muito bom. Para sobremesa, saboreamos um pudim inesperadamente parecido com os nossos.
O dia ia já longo e o merecido descanso estava próximo. Antes, tempo para inspeccionar se havia mosquitos no quarto e para torcer o nariz perante os lençóis poídos e mofentos.
O gerador desligou e a noite caiu no bungalow. Tempo para descansar que o dia iria começar bem cedo às cinco e meia da manhã. Lá fora, a selva não dormia e dava o seu concerto nocturno…