quarta-feira, março 28, 2007

"Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades para os outros
carregar pedras desperdiçar
muita força para pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
muita força para pouco dinheiro
Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
que força é essa amigo
que força é essa amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
que força é essa amigo
que força é essa amigo
Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a crescer-te nos dentes
não me digas que não me compreendes"

Letra e música de Sérgio Godinho
(do álbum Os Sobreviventes, 1971)

terça-feira, março 27, 2007

O corpo humano de um adulto é cons­tituído por aproximadamente 60% de água, sendo essa percentagem menor no sexo feminino. Mas ela varia com a idade, podendo ir desde 75% nos recém-nascidos até 50% nos idosos», refere o Dr. João Breda, nutricionista do Centro Regional de Saúde Pública do Centro e da Direcção-Geral da Saúde e professor na Universidade Atlântica.

- Meretíssimo! Eu rejeito essa afirmação!! I object!!

- Então, porquê cara Carminho? Conte ao tribunal, se fizer o obséquio.

- É que eu sou a prova viva e andante que eu não sou nem 60, nem 10, nem 80% de água!!!
Toda eu sou 100% de SAUDADES!!
Até jorrava umas lágrimas, mas lá está! 0% agua...

Big Bacalhau com Natas is Watching You...

Episódio ''não sei a quantas vai, dado já lhe ter perdido a conta'...

Em plena era da globalização, o Bacalhau, sempre actual, cosmopolita e also a little bit mundano decidiu enviar alguns dos seus tutores para diferentes partes do mundo por forma a levar a cabo uma investigação acerca da difusão e divulgação mundial do dito cujo, o Bacalhau!

Assim, sendo, se bem se recordam, eu sou a narradora: - ‘’Hello, narreiter speaking, testing, one tue tri’’.

Com efeito, o Bacalhau , após um período de profunda meditação enquanto marinava entre uma cebolada regada com Azeite Galo - passe a publicidade -, decidiu empreender esta missão e para tal, designou como enviados especiais a jovem e destemida Maria e o igualmente jovem e aventureiro Bilha. Agora que ambos tinham mais de um quarto de século de vida, a ida já não mais carecia de autorização parental para participar em tal missão, na sua grandeza só equiparável à saga dos Descobrimentos!

Assim sendo, à multifacetada Maria foi atribuída a missão de ir espalhar os encantos do Bacalhau à cidade do Fog-Londres.
Na sua mala de viagem (que não era de cartão porque isso era só no tempo da Linda de Susa e a Maria é uma jovem fashion!), uma preciosidade se ocultava sob papel mate grosso – postas de bacalhau de elevada qualidade que não foram detectadas pelos pastores alemães da polícia fronteiriça, uma vez que, astutamente, Maria se havia enfrascado com perfume francês e conseguiu, assim, ludibriar os agentes caninos, Rex, ou em versão portuguesa, Max.
Aliás, ao que ouvi dizer, alguns cães chegaram mesmo a desmaiar com tal odor...outros houve que começaram a cantar ‘La Vie en rose’ e abortaram assim a missão e partiram em busca da sua caniche-metade.


Porém, contudo, todavia (!) a Agente Mary não iria sozinha; a acompanhá-la em toda a sua missão/viagem ia um também Jovem Agente chamado Mr. Peter – que já algum tempo actuava infiltrado na cidade Londrina disfarçado de estudante e que, se havia tornado um afiliado do Cod with Neites inglês, a nova Agência de Serviços secretos ingleses criada especificamente para a Missão de domínio do Mundo pelo Bacalhau! (HAHHAHAHHAHAHHA !! – simulação de risos de um louco que pretende controlar o Mundo!!)

Tudo foi de tal forma meticulosamente planeado que as postas atravessaram o Oceano Atlântico e entraram à socapa, mas com imensa classe e dignidade, nas terras de sua majestade, Queen Betinha II. (Ingrupa esta Beta!! Tens a mania que sabes tudo e controlas tudo!! Não só não controlas os adultérios dos teus descendentes ...muito menos postas de bacalhau a infiltrarem-se em Londres!! )


-God Save the Cod!! God Save the Cod!! – cantarolam (numa adaptação eufórica do hino inglês...) os Agentes Peter & Mary à chegada às instalações da British Secret Cod Agency (B.S.C.A.) com o nome de disfarce de The Rose Moon House....
A primeira coisa que fizeram foi colocar as sagradas postas de Bacalhau a descansar na cama, após a cansativa viagem de autocarro clandestino desde o aeroporto de Stanstead à Sede da B.S.C.A..

*

Entretanto, mais abaixo, contornando o Cabo das Tormentas (posteriormente conhecido como Cabo da Boa Esperança) encontramos o outro Agente Secreto, o bravo Bilha.
Se aumentarmos o zoom do Google Earth vemos que aquele ponto vermelhinho nos Maputo é o jovem Bilha.
Questionar-se-ão os leitores o porquê do ‘’vermelhou!’’ Não, Bilha não se convertera em fã da Fafá de Belém, se bem que esse seria um disfarce ultra-genial para justificar a sua estadia nos Maputo, uma vez que os Maputianos (!!???) gostarem bem da abandar suas bundinhas nas horas em que não trabalham (ou seja, a parte do dia em que não estão a dormir...). Mas desenganem-se desde já! O encarnado deve-se ao inteiramente ao escaldão que apanhou...
Fã de Praia por Natureza, o Jovem Bilha atracara no Aeroporto de Maputo e em poucos minutos já se estava a estender, qual fatia de Panrico branquinha sem códea, dentro da torradeira, que é o Sol Maputiano (???!!!). Resultado: tostou, vermelhou!!

Enquanto Bilha abandona o local do solário selvagem e se afasta cantarolando uma estranha canção composta por sons do género (Ai, Ui, Au, Ai, Ei, Ui, Au!) em busca da sombra de uma bananeira, vamos inteirar-nos do que, entretanto, se passava em Portugal ...

Google Earth searching for The Tuga Land...Aqui está!


Hum...vejamos Carminho... Está a fazer colagens de recortes das revistas Vogues que colecciona. Nos últimos tempos, a jovem tem sido vista a cortar e a colar, de uma maneira de tal forma obsessiva e persistente que consta que se lhe apanhou desprevenida uma dor lombar daquelas que ‘Deus nos livre!!’.
Entre recortes e colagens, Carminho tem sido vista a levar ‘’pancada’’ de uma massagista (ex-pugilista) de origens trasmontanas. Ao que parece, a jovem parece ter ficado fã, tanto que já recomendou os serviços da ex-pugilista à jovem Ivana. Hum...

A permanência de Carminho em Portugal não fora despropositada – através de mensagens pelo telex dos tempos modernos – Skype – ela vai assegurando a passagem de informações secretas para o jovem torrado Bilha...
Qual Vasco da Gama, este jovem descobridor dos tempos da Globalização e das proezas tecnológicas como a construção de Aeroportos sob pântanos, Bilha andava de sonda em punho, vestido de calções e de camisa havaiana, à procura de rastos do Bacalhau deixados em terras Maputianas, dos tempos da colonização portuguesa...

...Ouçamos uma das ultimas conversas entre ambos de telex, quer dizer, Skype! :

- crusssshhhhhh...hello Carminho babe?! Tudo em cima??

- crusshhhhhh...Olá Bilha tostado e sem códea! Aqui está tudo um pouco mais em abaixo, porque estou toda apanhadinha das costas de andar nas colagens!! Então, há novidades?

- Ya, babe! Por enquanto, a sonda já começou a apitar em locais bué de bacanos!!

- Ai sim? Então, viste Bacalhau?

- Ya, babe! Quer dizer, não babe! Quando a sonda apitava encontrava sempre, por coincidência, um prato de belos camarõeszitos ali a pedirem para eu os trincar...
E prontos, eu obedeço, está cá uma tosta!!

- Mas caríssimo! O menino B. (de Bacalhau, subentenda-se) não vai gostar nada disso.

- Ya, relax babe...Olha estou a entrar num túnel muito compridoooo.....Acho que vou perder rede.....Crsushhhhhhhh....Ad..e.....e......t..........ss.s..s.s.

- Mas, mas Bilha, estamos a falar de um computador para o outro, Tunel!!?? Que túne?!!! Olha lá estás a fazer aquilo que a Má-dá contava no outro dia que algumas pessoas fazem quando não estão para aturar melgas!!!??? TÔ, Tô???!!! Buáaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Palavras vãs estas de Carminho pois Bilha já se havia esquivado e rumado para a esplanada Maputiana para comer uns camarõezinhos...

Entretanto, em Londres, algumas postas de bacalhau estavam a demolhar, enquanto a Agente Mary estava de molho numa banheira cheia de espuma...e com um bunny lá dentro (?!) Não costumava ser um patinho de borracha? Tempos modernos estes...

A missão começava a ganhar corpo. Nesse cair de tarde, um grupo composto por chineses, italianos, espanhóis, franceses e mais não sei quê –eses... iam às instalações da Rose Moon House para uma apresentação (julgam eles!!) da Tupperware...
O esquema estava brilhantemente montado. Assim que todos estes non-tugas estivessem sentadinhos à espera dos tupperwares...pumba!! Ele ia surgir e maravilhar a plateia para sempre!!! (HAHHAHAHHAHAHHA !! – simulação de risos de um louco que pretende controlar o Mundo!!)

Nessa mesma noite, Má-Dá, Ivana e Carminho iriam também elas, sob ordens do menino B. às compras. Não eram umas compras quaisquer!! Iam em busca de um Kit Mata-Hari, para enviar para a Agent Mary ... Composto por objectos de altíssimo sigilo, apenas sabemos que o Kit teria um saco de Café (para Mary não dormir em serviço!), uma pasta de dentes (para escovar os dentinhos da Secret Agent, porque os dentífricos ingleses não têm flúor suficiente!) e um saco de rebuçados, para mimar as postas de Bacalhau caso fizerrem birrinhas...

Disfarçadas de pessoas-completamente-normais-que-vão-ao-Shopping-para-comprar produtos-altamente-supérfulos-e-extremamente-reveladores-de-um-carácter-consumista, as jovens lá conseguiram compor o Kit e lá o enviaram para Your Majesty’s territory.
Após a missão comprida, as jovens lá foram umas rebeldes e foram espreitar a última performance do Hug Grant ao cinema...Mas sem pipocas, para não darem nas vistas e serem reconhecidas pelo Crunch-Crunch!!
O aviso antes de o filme começar havia sido bem claro: ‘’Senhore Visionante do Filme que se segue após esta seca que estão a ler no écran. Está proíbido de se mexer na cadeira, de se levantar durante a exibição do filme (não foi ao WC? Tivesse ido! Nada de xixis nas cadeiras!!). Qualquer actividade suspeita, como por exemplo, se detectar a presença de Agentes Secretas disfarçadas de pessoas-completamente-normais-que-vão-ao-Shopping-para-comprar produtos-altamente-supérfulos-e-extremamente-reveladores-de-um-carácter-consumista, deve imediatamente ser reportada à segurança. No entanto, como está proíbido de se levantar permitiremos ainda que por uns segundos que levante a mão, fazendo-se notar pelo nosso segurança. Mas nada de falar durante o filme!!! Divirta-se...’’

Entretanto, na Rose Moon House a apresentação ‘’Tupperware’’ estava prestes a começar. O grupo de cobaias estava sentado em torno da mesa e eis que, munida do seu charme e intelecto acima da média, a Agente Mary aparece com duas pegas de cozinha em cada mão e suportando uma travessa que soltava vapor quente. Entre ‘Uau!!!s’’ , Mary colocou a mesma em cima da mesa e reparou que todos os que a rodeavam começavam a salivar...

Mary disse, triunfalmente:

- Ladies and Gentleman. Meet Mr. Cod!

A apresentação durou pouco mais de 5 minutos, porque as postinhas logo desapareceram da travessa e depois dos pratos...onde assentaram praça nem por 3 minutos.

O Bacalhau cumpria a sua missão em Londres! Havia-se infiltrado nos estômagos e no paladar dos non Tugas!! Dali para a frente, o Mundo estava a um passo da sua conquista!!!
(HAHHAHAHHAHAHHA !! – simulação de risos de um louco que pretende controlar o Mundo!!)


Quanto ao jovem Bilha, continuará em missão. Não vai ser nada fácil combater os camarões maputianos... Mas esperemos...o Bacalhau será o ultimo a rir!!!
(HAHHAHAHHAHAHHA !! – simulação de risos de um louco que pretende controlar o Mundo!!)

(Xiça, cale-se seu maníaco!! – Narradora sofre....)

Over and Out.

(Coscuvilhice Final - Sabe-se que as meninas Má-dá, Ivana e Carminho enviaram um requerimento por escrito ao menino B. para que lhe seja também paga uma viagenzita ao estrangeiro!! Afinal de contas, também elas são filhas do Bacalhau!! )

segunda-feira, março 26, 2007

Porque há uma Fada em cada uma de nós...


Cá fora a tarde estava maravilhosa e fresca. A brisa dançava com as ervas dos campos. Ouviam-se os pássaros a cantar. O ar parecia cheio de poeira de oiro.
Oriana foi pela floresta fora, correndo, dançando e voando, até chegar ao pé do rio. Era um rio pequenino e transparente, quase um regato; nas suas margens cresciam trevos, papoilas e margaridas. Oriana sentou-se entre as ervas e as flores a ver correr a água.
De repente, ouviu uma voz que a chamava:
- Oriana, Oriana.
A fada voltou-se e viu um peixe a saltar na areia.
- Salva-me, Oriana – gritava o peixe. Dei um salto atrás de uma mosca e caí fora do rio.
Oriana agarrou no peixe e tornou a pô-lo na água.
- Obrigado, muito obrigado – disse o peixe, fazendo muitas mesuras. – Salvaste-me a vida e a vida de um peixe é uma vida deliciosa. Muito obrigado, Oriana. Se precisares de alguma coisa de mim, lembra-te que eu estou sempre às tuas ordens.
- Obrigado – disse Oriana – agora não preciso de nada.
- Mas lembra-te da minha promessa. Nunca esquecerei que te devo a vida. Pede-me tudo o que quiseres. Sem ti eu morreria miseravelmente asfixiado entre os trevos e as margaridas.
A minha gratidão é eterna.
- Obrigado – disse a fada.
- Boa tarde, Oriana. Agora tenho de ir embora, mas quando quiseres vem ao rio e chama por mim.
E com muitas mesuras o peixe despediu-se da fada.
Oriana ficou a olhar para o peixe, muito divertida porque era um peixe muito pequenino, mas com um ar muito importante.
E quando assim estava a olhar para o peixe viu a sua cara reflectida na água. O reflexo subiu do fundo do regato e veio ao seu encontro. com um sorriso na boca encarnada.
E Oriana viu os seus olhos azuis como safiras, os seus cabelos loiros como as searas, a sua pele branca como lírios e as suas asas cor do ar, claras e brilhantes.
- Mas que bonita que eu sou – disse ela. Sou linda. Nunca tinha pensado nisto. Nunca me tinha lembrado de me ver! Que grandes são os meus olhos, que fino que é o meu nariz, que doirados que são os meus cabelos! Os meus olhos brilham como estrelas azuis, o meu pescoço é alto e fino como uma torre. Que esquisita que a vida é! Se não fosse este peixe que saltou fora da água para apanhar a mosca eu nunca me teria visto. As árvores, os animais e as flores viam-me e sabiam como sou bonita. Só eu é que nunca me via!
[...]

Excerto retirado da ‘’Fada Oriana’’ de Sophia de Mello Breyner Andresen...

Ontem procurava uma prenda para a minha Princesinha Sofia e ao olhar para a Fada Oriana não resisti e comprei este presente para ela. Cheguei a casa e reli algumas partes.
Escolhi este excerto. Para pensarmos um pouco em nós mesmos e na forma como nos vemos...

sábado, março 24, 2007

A surpresa



É sabádo de manhã e hoje deixei-me ficar a dormir até mais tarde, para recuperar do cansaço da semana e das várias noites mal dormidas. Acordo, visto uma roupa quentinha porque os dias frios voltaram a Londres, encho uma taça com leite, mel e corn flakes e uns minutos depois, ainda meia a dormir e com o meu London Guide – A to Z Street Map saio de casa em direcção ao posto dos correios para levantar correspondência. Aparentemente tratava-se de algo grande demais para a nossa caixa do correio e eu não estava em casa quando o carteiro veio cá. Na verdade, ele nem se dá ao trabalho de tocar à companhia (na 6.ª feira de manhã eu estava em casa quando o bilhete do Royal Mail “Sorry, you were out” foi colocado na dita caixa do correio). Está mesmo muito, muito frio e arrependo-me de não ter voltado atrás para buscar as luvas. Chego ao local e reparo que estão à minha frente tantas pessoas que mais me valia ter trazido o livro comigo. Já devia saber que sinto a falta dele nestes tempos mortos. Aborrece-me a espera, inútil na sua demora, embora necessária para o meu objectivo. Penso nas coisas que pedi à minha mãe e imagino se terão chegado inteiras depois da viagem desde Portugal. Quando chega a minha vez estendo o dito papelinho mentiroso (que diz que eu não estava em cas quando eu não me encontrava nourro sítio que não no Flat 4 da Rosemoon House!) e espero que a funcionária me traga uma caixinha que curiosamente tem um remetente diferente do que eu esperava: Li, Missy, C. e Na. Saio para o frio da rua a sorrir. Suponho que este sentimento de felicidade infantil só é compreendido quando se vive num emaranhado de emoções provocado pela distância das coisas e das pessoas que amamos. Caminho pelas ruas a sorrir. Sei que me vou deliciar a abrir a caixa da surpresa. Chego a abanar a mesma algmas vezes enquanto regresso a casa. Sempre fui curiosa. A minha mãe escondia as prendas no meio da roupa nos armários, mas eu tinha verdadeiras tardes de Indiana Jones em busca do presente perdido. Revirava as roupas e remexia tudo até encontrar o embrulho e depois, num exercício de paciência premiada desembrulhava, via o que era e volta a pôr tudo no sítio. Foi-se perdendo em mim o efeito surpresa, apesar de muitas vezes as prendas não serem para mim. Hoje em dia tenho até reacções consideradas estranhas. Desenvolvi uma reacção de apatia que deixa todos aqueles que me tentam surpreender, invadidos por pensamentos de “ups, ela não gostou” e “ela está com um ar confuso” e até mesmo “raios, ela já desconfiava”. Desta vez tive uma reacção muito natural: sorri. Sorri quando li o remetente e me surpreendi, e quando abri a caixa e percorri os “artigos do kit”. Nesta surpresa, algumas pistas foram sendo deixadas. O primeiro sinal foi um coment ao post da cafeína: “O pronto socorro vai a caminho”! Pensei para mim ao ler: “Isso é que me faria feliz. Cafezinho vindo de Portugal!”. Depois o post da surpresa deixou–me intrigada: “Quem irá receber uma surpresa?”, pensei. Finalmente a minha Li disse que me tinha escrito e desejou-me um fim-de-semana bom e pink. “Ás tantas, a carta vem num envelope rosa!”.
Sim, tornaram o meu sábado mais rosa, e o contraste com o cinzento do céu londrino foi delicioso. Vou agora arrumar os vários artigos do kit nos sítios certos. A vossa surpresa ficará espalhadinha pelo Flat 4 da Rosemoon House.

Tal como a imagem aqui ao lado mostra, o que vocês me enviaram foi na verdade pó de estrelas: o vosso carinho, cuidado e amor, a vossa amizade, atenção e preocupação são as partículas desse pó colorido, brilhante e delicioso.

Na Rosemoon House a Red Shoes Princess sorri.

:-)

Obrigada às minhas amorinhas!

sexta-feira, março 23, 2007

Usos e Abusos - o Telemóvel

Afinal o Telemóvel não serve só para comunicar, é também útil para "descomunicar"!!!

- 60% dos portugueses utilizam o telemóvel para evitar conversas indesejadas.

- 46% já desligaram dizendo que se tratava de um corte devido a perda de sinal.

- 71% admitem que não escrevem uma carta há anos, optando por enviar SMS.

- 4% já imitaram ruídos para fugir a uma conversa.

"Jornal o metro"
E esta hein!!!

quinta-feira, março 22, 2007

Surpresa


“A surpresa pode ser um sentimento de reacção relativo a um acontecimento inesperado.” Definitivamente, e acho que estamos de acordo, é verdade. E provoca reacções diferentes de pessoas para pessoas. Algumas riem até não poder mais, outros ficam impávidos e serenos a olhar ou a pensar na surpresa, outros choram…..

Algumas características da Surpresa:

“Não vem numa caixinha, como costumam dizer.” Mentirosos!!!

“Ela é imprevisível, inesperada.” Esperamos que sim!!!

“Ela te persegue sem ser vista ou cai do céu.” Não literalmente!!!

“Pode estar no fundo do mar, ou na beira da praia. Pode aparecer em seu trabalho ou em casa, quando estás prestes a dormir.” Definitivamente em casa!!!

“E ainda: nem sempre é boa, positiva ou gratificante. Mas é marcante, em qualquer circunstância.” Aqui, novamente, esperamos que sim!!!

“Feliz ou triste. Bem vinda ou não. É indelével e sem volta.” Não há dúvidas quanto a isto!!!

“Dizem que a cada esquina há uma.”

Isto tudo para dizer que, muito brevemente, alguém vai receber uma surpresa!
Alguns excertos foram retirados de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Surpresa"

quarta-feira, março 21, 2007

A Chegada da Prima Vera

A cidade acordara em sobressalto:
- Cadê ela!? - gritou Anacleto ainda em ceroulas.
- Cadê Anacleto? Por que raios e coriscos estás a falar em brasileiro? - disse Agustina.
- Ora Agustina, é por causa das tuas malditas novelas! O bicho do sotaque apegou-se-me! Mas será que ela já chegou!?
- Ai homem que impaciência!! Tudo por causa dela!! Por mim não ficas tu assim!
- Ora, cala-te mulher! Vejo-te todos os dias há pra mais de 25 anos! Com ela é diferente, só a vejo de ano a ano...
- Pois, pois...eu sempre desconfiei que tu e essa tua priminha tinham algum tipo de paixão assolapada...
- Ó meus amigos, chiça que hoje mordeu-te algum bicho, na certa! Vou-me levantar e vou lá abaixo ver se ela já chegou!
- Vai sim, vai sim, aposto que ela vai chegar aí toda fresca como de costume...ela e a mania das plásticas! Pff, agora essas modernices das espanholas ... Corporacions não sei de quê!
Anacleto encaminhava-se para a porta e de repente tocam à campaínha...Com as mãos suadas, Anacleto abre a porta e ei-la, fresca que nem uma alface - a Prima Vera chegara!!
Anacleto não resistiu à emoção e teve um enfarte... mas felizmente encontra-se agora bem, mas em observação no Hospital da terra. Ao seu lado, Agustina segura-lhe a mão. Fizeram as pazes.
É isto o que faz a Prima Vera...deixa-nos sem fôlego!...

segunda-feira, março 19, 2007


Pode parecer silly de todo mas sendo hoje dia do Pai ocorre-me discorrer (correr! quê? não disseste diz correr? eu disse correr.... Quê??!!!???!!???!??...) sobre um Pai que embora não existaem carnoca e osso, é Pai: o senhor Homer Simpson.
Apesar de tudo, de ser um bejekeiro, de ser um donuteiro, um preguiçoso, um artolas, um dorminhoco e um televiseiro, não deixo de ter uma simpatia por este personagem.
- Dough!” – diz Homer sempre que mete o pé na poça, na lama, na argola e em qualquer outro sítio, dado ser um tipo que se enterra muitas vezes...
Mas, por outro lado, comove-me sempre ver que ele adora a Lisa, adora a Maggie, adora a Marge e até (!) adora o Bart.
Não é o pai-modelo, apesar de nos desenhos animados a criação não ter limites. Podiam ter feito um Homer Simpson perfect dad...Mas não o fizeram e se calhar é por isso que gosto muito do senhor careca, barrigudo e amarelo..porque apesar de tudo, consegue parecer-me muito humano...
Poucas pessoas na vida
Amo tanto, como aquele que me
Inspira, me guia e me faz sorrir neste dia.

Vivam os Pais!! no sentido literal da palavra...

domingo, março 18, 2007

Oferta e partilha





Partilho convosco a banda sonora do meu fim-de-semana. A voz desta menina!
Espero que apreciem a oferta!!
E tenham uma boa semana!!

sábado, março 17, 2007

quarta-feira, março 14, 2007

O dia a dia da cor verde

A cor verde acordou. O marido, castanho levantou-se pouco depois. Trocaram um beijo e ele saiu para trabalhar.O traquinas, cor de laranja acordou depois para ir para a escola. A cor verde foi até ao quintal. Mal saiu de casa o mau tempo desanuviou, afinal ela era a cor da esperança. A cor-de-rosa, esposa do vermelho encontrava-se cá fora a estender a roupa. As duas falaram sobre tudo o que se passava no mundo das cores. Ao fim do dia jantou com a familia. Viu o jornal juntamente com o marido.Deitaram o filho e foram dormir.

sexta-feira, março 09, 2007

A luz do Sol / A luz do teu rosto.

A luz do Sol.
A maravilhosa luz do Sol.
Os raios que me eram oferecidos deixavam antever que algo estava a mudar. Tinha mudado, aliás.
Sim, finalmente!!! A serenidade da Primavera depois de tanta angústia, de tanta espera e até de algum desespero.
Sabia tão bem ser acordada com raios de sol que me tocavam o rosto e me aqueciam.
Raios quentes deliciosos que me faziam despertar mais bem disposta e com vontade de ir depressa para a rua viver a vida. Não ir de metro para o trabalho, mas caminhar até lá. Deixar no armário a cara resmungona dos últimos meses e caminhar confiante com um sorriso nos lábios.
Permitir que o calor que me invade logo pela manhã fique durante o dia a aconchegar-me até ao momento em que me enrosco na minha cama à espera dos quentes raios de Sol que no dia seguinte me acordarão.



A luz do teu rosto.
A maravilhosa luz do teu rosto.
O sorriso que me era oferecias deixava antever que algo estava a mudar. Tinha mudado, aliás.
Sim, finalmente!!! A serenidade de te amar epois de tanta angústia, de tanta espera e até de algum desespero.
Sabia tão bem ser acordada com os teus beijos doces que me tocavam o rosto e me aqueciam.
Beijos deliciosos que me faziam despertar mais bem disposta e com vontade de ir depressa para a rua viver a vida. Não ir de metro para o trabalho, mas caminhar até lá. Deixar no armário a cara resmungona dos últimos meses e caminhar confiante com um sorriso nos lábios.
Permitir que o calor que me invade logo pela manhã fique durante o dia a aconchegar-me até ao momento em que me enrosco na minha cama à espera da luz maravilhosa do teu sorriso e dos teus beijos deliciosos que no dia seguinte me acordarão.

Que preguiça!!!!!!!!!!!!


Eu não gosto de café mas hoje até era capaz de beber um, só para deixar de ter aquela sensação que ainda queria estar na cama.

Que preguiçaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!

Cafeína, por favor!

quinta-feira, março 08, 2007

Mulher


Como hoje é o Dia Internacional da Mulher, recordei uma frase, aliás questão, pertinente que me fizeram aquando do curso de Igualdade de Oportunidades.

"Gosta de ser mulher porque?"

Ora bem, na altura gaguejei e disse as frases comuns que toda a gente recorda no momento.

"Porque posso gerar um ser, ou seja, no meu caso ser mãe." Não é que este ponto não seja importante, porque o é de facto. E deve, realmente, ser maravilhoso termos a possibilidade de gerar um ser.

Mas passados uns tempos percebi que gostava de ser mulher por muitos outros motivos e se fosse hoje a minha resposta seria bem diferente.

Gosto de o ser porque posso chorar a ver um filme romântico, e ninguém vai achar que sou sensível demais. Assim como posso ter medo de assitir a um filme de terror e colocar as mãozinhas em frente da cara, e ninguem vai achar estranho.

Gosto porque posso ir as compras e comprar imensa roupa e chegar a casa e achar que não era nada daquilo que queria comprar, e a excepção da conta bancária que se vai ressentir, também não é o fim do mundo.

E... Hoje lembrei-me de mais um facto que me faz gostar de ser mulher: receber flores. Adoro. São lindas e fazem-me sentir importante do momento de as receber. E todas as ocasiões são boas para as receber.

E poderia continuar aqui a inumerar tantas outras coisas.

Fica aqui o mote para pensarmos o que tem de tão especial ser Mulher.

porque hoje é dia da Mulher...as mulheres no seu melhor vistas por MAITENA!! :)





quarta-feira, março 07, 2007

Aqui vai um mimo meu... algo que me deu vontade de fazer, uma montagem.
O poema é da Sophia de Mello Breyner, acho que todas nós gostamos muito da sua poesia...Espero que gostem.

Uma musiquinha...

Porque estamos em tempo de crise!!!


Todos já ouvimos falar da dita crise que assola o nosso querido Portugal, ainda que ela não se reflicta em todos.


Portanto em tempo de crise tem de se fazer escolhas, pensar bem em tudo o que se compra e o que se deixa para comprar, nos jantares a que se vai, nos fins-de-semana fora que queremos passar ou mesmo nas férias que queremos fazer, nos presentes que se comprar e.... a alimentação ainda que um bem essencial e dita de primeira necessidade, sofre represálias. Portanto cá fica uma sugestão, um tanto ao quanto "bizarra", brusca e até mesmo mórbida, de poupança.


É tipo aquele provérbio: "Quando não se tem cão, caça-se com gato!" ou "Quando não há pão, até migalhas vão!". Agora de momento não me recordo de mais nenhum, mas deixo este espaço para outras frases ou soluções de poupança, sei lá, o que vos apetecer.
Deiam asas à vossa imaginação.

terça-feira, março 06, 2007

Bizarria...

Porque hoje é terça feira e só mesmo por isso, resolvi tecer
considerações sobre tudo!
Afinal de contas os dias passam a correr
e se uma pessoa deles nada fizer
nada produzirá, não obterá qualquer tipo de prazer!
Será infeliz, triste e sisudo...

Teço então notícias deste mundo e do outro
Desta feita da Maria, que hoje enviou uma fotografia!
um pouco bizarra, eu diria...
e que nos trasmitia que nos humanos somos pouco
infinitamente pouco aqui na Terra e na Galaxia!!

Galaxia leva acento
Sim sim eu bem o sei
mas se levasse então como a rima funcionaria?
é como agora: só me ocorre a palavra rei
para rimar como o ‘eu bem o sei’
e para me dar alento, que rima com acento
Que tal bizarria...


esta minha de continuar este desvario!
Só porque hoje é terça-feira
e eu estou com frio
e aqui não há aquecedor, nem lareira!!
restaram as palavras para esta brincadeira...

sexta-feira, março 02, 2007

Porque é início de mês



Como a imagem está pequena, vou fazer a legenda:

Salário Cebola: você pega, olha e chora...

Salário Caféjest: não te ajuda em nada, só te faz sofrer, mas você não vive sem ele!

Salário Brasil: você acha que um dia ele vai melhorar...

Salário Futebol: É uma caixinha de surpresas.

Salário Camisinha: Tira o seu tesão.

Salário Broxa: Na hora que você mais precisa, ele te decepciona.

Salário Regime: com ele você come menos.

Salário Ateu: Você prefere nem acreditar...

Salário Surfista: Sóóóó...

Salário Ejaculação precoce: quando entra já acabou.

Salário Menstruação: vem uma vez por mês e dura menos de uma semana - isso quando não atrasa para assustar todo o mundo...

Quando vi achei demais.

E como estamos no início do mês.....

Valéria

Se me perguntarem qual a parte do dia que prefiro, respondo sem hesitar: o início da noite. Naquele momento em que estou na cozinha a preparar o jantar e a Valéria está a lavar ou a passar a roupa, a arrumar e arquivar papéis ou a fazer uma das mil e uma “tarefas da casa”. A Valéria odeia cozinhar. Diz que depois de preparar uma refeição perde a vontade de comer. Por isso cá em casa a cozinha está por minha conta. Confesso que me agrada, mas para ser eu o responsável pelas refeições da casa tive de trocar de turno. Trabalhava no hotel no 4.º turno, das 19h até à 1h da manhã. Nessa altura, a Valéria nunca preparava o jantar: aquecia uma sopa ou comia uma peça de fruta e ia dormir. Desde que trabalhava no escritório de arquitectura, saltava o almoço na maior parte das vezes. Esta alimentação tão débil e todo o esforço físico e mental que o novo emprego exigiam dela começaram a ressentir-se num rosto cada vez mais desprovido de vivacidade. Comecei a ficar preocupado com o ar pouco saudável da minha mulher, por isso, decidi mudar para o 2.º turno. Para além de sentir necessidade de cuidar de Valéria, a verdade é que sentia falta dela. Comigo a fazer o último turno do dia nunca nos víamos. Eu chegava a casa às tantas da madrugada e apenas podia contemplar o rosto adormecido de Valéria. Quantas vezes me apeteceu acordá-la para fazermos amor. Muitas. Imensas. Quase todos as noites quando chegava a casa me apetecia fazê-lo. Vezes sem conta vim no autocarro para casa a idealizá-lo. Só o fiz uma vez. Prometi que nunca mais o faria. Ensonada de tão abrupto acordar, em momento algum, Valéria pareceu estar consciente do que fazíamos. Ao fim de 5 minutos desisti. Com uma dor física e psicológica. De manhã, Valéria saía cedo, por volta das 7h30. Eu nem me apercebia dos saltos altos no hall de entrada. O cansaço do trabalho da noite anterior não me permitia sequer acordar para lhe dar um beijo de bom dia. As semanas eram uma sucessão de desencontros, e nem aos fins-de-semana conseguíamos compensar todo o tempo não partilhado. Enquanto Valéria procurava emprego – nos 2 meses que se seguram ao fim da parte académica do curso de arquitectura - os fins-de-semana eram uma delícia. Mas o novo trabalho dela - o estágio que ela tanto precisava para acabar de vez o curso e poder assinar os projectos - exigia tanto que os fins-de-semana eram como dias de trabalho: o despertador tocava apenas um pouco mais tarde que o habitual, ela tomava um duche e desdobrava-se entre livros, programas de computador e projectos em curso. Só não se escapava de comer porque eu insistia com ela tantas vezes que para não me ouvir mais, lá acedia às minhas súplicas.
Ao fim de 2 meses em que quase não via a minha mulher decidi que isto não podia continuar. Um de nós teria de mudar os seus hábitos, a sua rotina, os seus horários. Tínhamos de ter tempo em comum. Senão que sentido fazia estarmos juntos? Valéria não poderia deixar o seu trabalho. Tínhamos lutado tanto para que ela conseguisse um emprego decente que não podíamos deitar tudo a perder agora. Tinha de ser eu. Um domingo ao fim da tarde olhei para Valéria que tinha tirado meia hora de intervalo e folheava uma revista no sofá e disse-lhe:
“Vou pedir para mudar de turno lá no Hotel!”
“Porque?”
“Porque já reparaste que não fazemos nada em comum? Nem jantamos juntos aqui em casa. Eu nunca estou quando tu estás. E tu nunca estás quando eu estou!”
“Mas André, sabes o quanto estes primeiros meses no escritório serão exigentes para mim. Mas são muito importantes. Eu tenho de dar o meu melhor. Se eles gostarem do meu trabalho e da minha atitude eu posso ficar lá no fim do estágio. E aí, amor, a nossa vida será tão melhor!!! Ganharei mais e poderemos finalmente começar a viver uma vida melhor.”
“Sim, eu sei. Mas eu não aguento os meses que ainda faltam. Sem te ver todos os dias, te abraçar e beijar, sem te amar. E com estes malditos horários não dá!
Que dizes? Concordas?”
“Sim, mas os fins-de-semana continuarão a ser como são!”
“Sim, eu sei. Por isso vou passar a trabalhar ao fim-de-semana também. Assim, junto dinheiro. Tenho direito a uma folga por mês. Escolhemos o dia em que estejas menos ocupada e tentamos estar juntos, sem o teu trabalho.”
E assim foi. Passei a chegar a casa a meio da tarde. Tenho tempo de descansar, mesmo nos dias em que vou esperar a Valéria ao trabalho. Sabe-me bem rodar a chave de casa com ela ao meu lado. Enquanto ela toma um duche trato de arrumar algumas coisas da casa. Bem, quando não me esgueiro para o quarto de banho e fico a vê-la sentado na cadeira de vime que crompramos no mercado de Brick Lane. Ela cora sempre. Estamos juntos há tanto tempo e conheço cada canto daquele corpo e ela cora sempre que fico a vê-la no banho! De seguida ela vai tratar daquelas tarefas domésticas e eu preparo o jantar. Vemos as notícias, e começamos um filme que nunca acabamos porque a vontade de namorar é tão forte. E de manhã cedo sou eu que saio quase em bicos de pés para a deixar dormir mais um pouqinho. Aos fins-de-semana nada mudou. Mesmo no meu dia de folga é impossível desligar Valéria do trabalho. Mas eu entendo isso. Aproveito para ir até ao parque e visitar um ou outro museu. Volto a casa a tempo de preparar o jantar. Gosto dos jantares de domingo. Para mim é um alívio a nova semana que começa: Valéria é minha à noite. No fim-de-semana está tão absorvida no trabalho que ainda bem que estou a trabalhar num turno duplo. Ela nem sente a minha falta. Sei que a amo de uma forma avassaladora. Faço tudo por ela. Até ter estes empregos idiotas que tenho. Mas foram eles que permitiram pagar as contas enquanto Valéria tirava o curso, porque nessa altura ela só tinha um part-time de vez em quando. Todo o tempo era para aulas, para projectos, para estudar. Não sei se um dia ainda poderei recuperar estes anos perdidos em empregos idiotas. Valéria diz que sim. Que quer que eu volte à faculdade e termine de vez o curso que eu já tinha largado quando a conheci. Não sei se ainda quero lutar para ser geógrafo. A ver vamos..... Para já adoro os finais de dia. Adoro estar aqui na cozinha entre panelas e caçarolas, entre molhos e especiarias, entre o arroz e as massas, as carnes e os mariscos, que cozinho para mim e Valéria. Adoro sabê-la na sala ao lado a passar a ferro as camisas que ela usa com os fatos de corte discreto combinados com os acessórios mais bizarros que encontra, e com os loucos sapatos de mil cores. Adoro saber que depois de vermos as notícias do dia nos vamos amar. Adoro saber que ela me vai dar aquele sorriso lindo! Adoro! Adoro saber que hoje ainda é 2.ª feira e que uma semana inteirinha está à nossa espera.

À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS


Hoje é daqueles dias!
Diria apenas que há mulheres à Beira de um Ataque de Nervos!
Motivos? Vários.
Há mesmo dias assim.

quinta-feira, março 01, 2007

Ele está por todo o lado!!!!!!


Talvez, qui çá, um dos piores (ini)migos da mulher, encontra-se, de facto, por todo lado. Não acredito que não saibam de quem estou a falar? Claro, como é óbvio, e não podia, aliás, deixar de ser, refiro-me ao nosso querido CHOCOLATE.

Pois, anda uma gaja a tentar controlar o peso (reparem que bonito, controlar o peso!!!! Em vez de já “batida” dieta) e depara-se a cada esquina com pedaços de chocolate. Pois chega-se a casa, depois de um dia de trabalho e restantes actividade diárias, e a mammy está a colocar bombons na bomboneira. Devido a este maravilhoso tempo, não há pachorra, e lá vai um (leia-se bombom).

Vai-se a casa da Tia e lá está mais bombons!

Chega-se ao trabalho e deparamo-nos com bolachas de chocolate! Depois de lhes resistir durante a manhã, lá foi uma de sobremesa.

Abre-se uma revista e ele salta em todas as imagens. Ora são telegramas de chocolate, ora são as receitas, ora é o clube do chocolate, ora são os tratamentos de beleza com o chocolate (chocoterapia. Como se vocês e euzinha, já não soubessemos o que isto é).

É demais. Ele é de todas as cores, tamanhos e feitios.

Portanto e para minimizar a minha tristeza por não conseguir resistir a um pedacinho de puro prazer, fiz uma pesquisa acerca dos benefícios do chocolate.

Parece que o senhor chocolate (apesar de cientificamente ser o cacau, vamos trata-lo somente por chocolate) contém propriedades que fazem bem a circulação sanguínea, a problemas cardiovasculares, activa o cérebro, faz bem a pele (provoca a tão “desejada pele de bebé”) e, o melhor e mais desejado benefício, provoca relaxamento e felicidade.

Ora cá está! O que é que todos nós procuramos na vida: a FELICIDADE? Pois bem, se ela se pode encontrar no chocolate, explica-se que se coma o chocolate para estar feliz, nem que seja por umas breves horas.

Todas as explicações teóricas deixei-as de parte, eram aborrecidas.

Ah! E pelos vistos ele não provoca o acne. Mas, de facto, engorda, quando consumido em excesso. Deviam era ter quantificado o que é o excesso. O que é excesso para mim, pode não ser para outra pessoa. Deviam ter cuidado com estas informações.

Por curiosidade, e atendendo à chocoterapia, a “moda de incorporar o ingrediente dos deuses em tratamentos de beleza pegou desde que tradicional marca americana de chocolate Hershey’s montou um verdadeiro spa na sua fábrica, na Pensilvânia. Os tratamentos oferidos concistiam em banhos de leite com cacau batido, compressas de chocolate branco, exfoliações com amêndoas e outras «delícias»”.

Pronto(s), cá está! Senti a minha consciência menos pesada!

Para mais curiosidades podem consultar, esta, e outras páginas: http://www.cm-obidos.pt/Manchete/default.aspx?detail=1&id=6354705

Um mimo para todos vocês que por aqui passam.....

Porque hoje começa o mês de Março e um sol lindo deixa raios de luz entrarem no meu quarto....

Porque hoje começa o mês de Março e este é o mês que chama pela Primavera....

Porque faz hoje um mês que estou a morar aqui neste cosy place....

Porque este senhor que vão poder ouvir tem sido uma das bandas sonoras dos primeiros dias aqui...


quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Azeite Galo a cantar desde 1919


Durante os últimos dias uma palavra tem-me invadido a mente muito frequentemente. Tem 3 letrinhas : O (origami), P (piripiri) e A (ai a bida!)

OPA para aqui
OPA para ali
OPA para acolá

Faz-me lembrar de quando era pequena e usava a mesma OPA como uma interjeição sempre que me esticava para por exemplo conseguir chegar ao móvel alto da cozinha para pegar um simples copo.

Mais atrás ainda no tempo, OPA (leia-se ÔPA!) era o que os meus pais me diziam sempre que caía na altura em começava a dar os primeiros passos. Era um incentivo a pôr-me em pé para voltar a tentar.

OPA (leia-se Ó Pá!!), quando é que isto termina!??
Isto já não é nada como antigamente...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Nem tudo o que vem à rede....


Praia de Matosinhos, manhã de domingo em Fevereiro. Ao longe a "instalação artística" símbolo de modernidade. Em primeiro plano o lixo trazido pelo mar ao longo dos meses não balneares. Terra de mar e de horizonte... Portugal, jardim à beira mar plantado...
Porque nem só de amor, emoções e narrativas vive o Bacalhau.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Quem parte e reparte fica sempre com a melhor parte, dizem.
Isso agora já não sei, porque quando reparto o meu kit kat aqui no trabalho, o que é certo é que fico amuada...Ah e tal, ser generosa, partilhar e tudo, tudo...
Fico é desconsolada!!

Mas vendo as coisas por um outro prisma, o que é certo é que quando isso toca a partilha de algo mais substancial, como um abraço, um carinho, um beijo...um segredo...bem, aí realmente tocamos o céu !!

Uma grande maioria de nós também espera generosidade alheia para connosco, especialmente quando esta toca a pessoas mais familiares...mais intimas...Desejamos secretamente que o nosso pai, na eventualidade de ganhar o Euromilhões, nos presenteie generosamente com uma boa maquia. Ah e tal, não é bem assim! Não é bem assim?! Digam lá se não é verdade que se isso acontecesse e ele não vos desse nada, nem vos pagasse uma pizza para celebrar, não iam sentir-se um pouco desiludidas com tal atitude?!
Iam sim e não vale negar!! E mais!! Iam começar a ouvir na cabeça a musiquinha de abertura da rubrica do Markl do Livro dos Porquês: ‘’Porquê, porquê, porquê, porquê?
’Porquê, porquê, porquê, porquê? ’Porquê, porquê, porquê, porquê? ‘’ e quando dessem por ela estavam reféns dessa cantilena, e ela tinha-se espalhado pelo vosso cerébro, entrado na corrente sanguínea e alterado o vosso ADN!!!
Medo? Tenham muitoooo meddoooooo....BÚ!! (assustei-vos? :))

Mas....esta lenga lenga toda para partilhar algo convosco. Algo que descobri assim por acaso e que me prendeu...me fez sair um pouco desta rotina e destes dias cinzentões (já sabia bem o arzinho da Primavera, não é? Anda esquisita a moça!! Já desde o ano passado que continua uma insolente!!)

Ponto em comum a todos os contributors deste blog sublime...ADORAMOS VIAGENS!!

Seja dentro do País, fora dele, para a montanha, para a cidade, para o campo, para o deserto, para o mar, para o rio, para as cataratas de Niagara (ãh, era uma boa não era?!)

E no fundo, no fundo, se nos saísse o Euromilhões aposto a minha unhinha do mindinho que todos usaríamos um bocadinho desse rio de notas para cumprir o desejo de viajar, de correr partes do Mundo, acrescentar-nos a nós mesmos com o que veríamos, conheceríamos... Am I right or not??

Sem mais demoras, um site fantástico, inspirador e quem, sabe, útil para viagens em breve. Quem sabe....basta que acompanhemos a Rota do Vento...

Explorem: http://www.rotasdovento.com/

Bom Fim de Semana, para quem fica, para quem parte e para quem regressa!!!
Façam boas viagens!!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007



Há muito que não ouvia Jeff Buckley...um pouco nostálgico, mas considero bonito e simples.

''It's never over, my kingdom for a kiss upon her shoulder... ''


E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Poema de Al Berto

segunda-feira, fevereiro 19, 2007


Uma linda índiazinha moreninha veio ter comigo e estendeu-me a pequena mão:
Anda brincar aos índios – diz-me ela!

Acedi ao pedido, e ali na sala andamos em rodopios, a bater com a palma da mãos na boca de modo a fazer soar o típico som dos índios, na dança da chuva....

De repente, uma ainda mais pequena Minnie com ar de arisca lança-me um olhar matreiro e rapta-me do acampamento índio e faz-me sua refém:
Agora ficas aqui, a brincar comigo!!

Não!!
– disse a índiazinha.
Xim!! – ripostou a Minnie picolina...

Ei, tenham calma!! E se brincássemos as três? Ah, fazíamos um acampamento índio com uma minnie e uma ...eu!

E tu eras o quê?? -perguntaram a indiazinha e a Minnie.

Eu? Eu era a Chefe da Tribo!! Eu era a Pocahontas!!


Ehehhehehhehe!


Este Carnaval serei a Pocahontas ...
Terei o meu ‘John Smith’ noutra ilha, mas ainda assim sempre na mente e no coração.
Por cá, ficarei com a minha tribo de endiabradas, os meus tesouros...

Ainda que não ligue particularmente ao Carnaval desejo a todos um excelente Carnaval!!
Com confettis e serpentinas! (também eram daquelas que faziam 'concertinas' com as fitas de Carnaval?? :)?)

Aproveitem o dia da melhor forma que puderem e souberem!


sábado, fevereiro 17, 2007

Emptiness


Onde estás?

Para onde foste?

Quando partiste?

Não me lembro.

O teu rosto desvanece aos poucos. Todo o teu ser vai desaparecendo da minha memória. Lembro-me que tinhas um corpo lindo, quase perfeito. Alto, muito moreno, pestanas compridas e espessas e uns enormes olhos do mais banal castanho.

Pegavas em mim ao colo na cozinha e fazias-me rodopiar. Eu tremia com medo de cair ao chão. Uma psicose qualquer que nunca ultrapassei, nem mesmo com os teus insistentes e reconfortantes sussuros no meu ouvido: “Eu nunca te deixaria cair!”

Quando é que tudo acabou??

Olho a janela. Nunca mais parou de chover desde que percebi que já não estavas ao meu lado.

Não sei onde estás.

Não sei para onde foste.

Desapareceste simplesmente.

Penso que deveria estar tão envolvia nas minhas neuroses que não me apercebi do desenlace desta história. Ou então bloqueei esses acontecimentos da minha memória. É possível. Quando a minha irmã Cristina morreu, com apenas 14 meses, eu uma menina de 7 anos curiosa, vivaça e cheia de energia, apaguei de tal forma aquele acontecimento da minha vida que para mim era como se a minha irmã nunca tivesse existido. Nunca mais falei dela. No dia em que se passavam 10 anos sobre a morte de Cristina entrei na cozinha onde a minha mãe preparava o assado de domingo e disse: “Mãe vou levar uma rosa a Cristina!”. A minha mãe quase desfaleceu de susto. Durante 10 anos eu não tinha manifestado qualquer sinal de me lembrar da minha irmã. Nenhum. E agora estava frente a ela vestida com a minha roupa de domingo, com uma rosa branca na mão e a dizer que ia visitar Cristina. A minha mãe deu-me um beijo molhado de lágrimas e voltou ao assado. Percebeu que era um caminho que eu teria de percorrer sozinha.

Quanto tempo demorarei agora para me relembrar do que se passou?

Angústia-me esta névoa. Ao inicio era apenas uma nuvem sobre os últimos instantes ou momentos ou dias da nossa vida em conjunto. Não sei bem medir o fim, porque simplesmente não me lembro. Depois os dias foram passando e a nuvem multiplicou-se, cresceu e foi cobrindo a memória que eu guardava de ti, de nós.

Ás vezes dou por mim a pensar se não teria sido melhor bloquear-te de vez como fiz com Cristina. Mas depois fecho os olhos e lembro-me do sabor dos teus beijos. Como eu adorava os teus beijos. Acho que era o que eu mais gostava. Claro que adorava fazer amor contigo, abraçar-te forte e enrolar as minhas pernas nas tuas, mas os nossos beijos eram deliciosos. O sabor da tua boca. Dava-te o primeiro e já não conseguia parar. Por vezes evitava beijar-te pois sabia que is ser tão dificil parar.

Mas na maior parte do tempo penso mesmo que seria melhor esquecer-te de vez. Já não passas de um rosto desvanecido na minha memória, ao qual associo a lembrança de doces beijos e alguns momentos que também vou esquecendo. Por vezes esforço-me por esquecer partes da nossa história, pois parece-me que a memória se gasta com o uso. Talvez tenha sido isso que aconteceu. Terei eu invocado tanto aquele momento final que o desgastei e ele se desvaneceu-se na minha memória? Confesso que me aborrece não perceber o que se passou. Viver nesta incerteza.

O que te aconteceu?

Onde estás?

Que me disseste antes de desaparecer?

Para eu esperar por ti?

Para te apagar da minha vida?

Estou a obedecer ao que me pediste ou não?

Pediste-me algo?

Estou completamente perdida neste quarto grande demais para mim. Era o nosso quarto. Sim, lembro-me como o decoramos juntos. Estava horrorosamente mobilidado quando nos mudamos. Depois da mudança para o novo apartamento passámos os primeiros sábados perdidos em mercados e lojas de decoração. Foi delicioso ir decorando o nosso quarto aos poucos, devagarinho como quem constrói algo que nunca foi feito. Mas já nada faz sentido nesta decoração à minha volta. Tu não estás aqui neste espaço que não é meu, pois era nosso.

Que faço?

Deito tudo fora? Porque talvez não voltes nunca. Talvez mo tenhas dito, num derradeiro berro com que te despediste de mim nessa brutal discussão.

Guardo tudo para quando voltares? Vais voltar? Talvez tenha sido isso que me sussuraste ao ouvido nessa última conversa.

Ou saio daqui e deixo tudo para trás? Sem destino parto. Se me amares e voltares para me procurar, empreenderás todos os esforços para me encontrar. O amor é assim. Li algures.

Não sei que faça.....

Acho que vou dormir e penso nisso mais tarde. Talvez me lembre de ti um pouco menos. Talvez não. Confesso que não aguento muito mais isto. Vou tomar um comprimido e dormir. Ao menos aí os teus fantasmas não me magoam tanto.

Ou será que isto é que é um sonho e esta é que é a dor real?

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Porque aqui a donzela em cabelo em breve ficará sentadinha à espera do regresso do seu amado, aqui deixo em homenagem a todos os cavaleiros andantes e viajantes e elegantes, uma ''cantiga de amigo''... em solidariedade com todas as donzelas que, como eu, estão prestes a descabelarem-se com as saudades!!!

Naquele tempo, os trovadores é que a sabiam toda, não era? Aqui vai então uma dose de ''cóltura'' medievale!

Ai flores, ai flores do verde pinho
se sabedes novas do meu amigo,
ai deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado,
ai deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquele que mentiu do que pôs comigo,
ai deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquele que mentiu do que me há jurado
ai deus, e u é?

(...)

D. Dinis

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Amigo/as e Amizades

“Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim… do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe… nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
Ai, os dias vão passar, meses… anos… até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo…
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: “Quem são aquelas pessoas?
Diremos… que eram nossos amigos e… isso vai doer tanto! – “Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!”. A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente…
Quando o nosso grupo estiver incompleto… reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim cada um vai para seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo.
Por isso fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam causa de grandes tempestades…
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

Fernando Pessoa

Carta aberta ao Mister Gúgle...e alerta geral aos contribuidores do ‘’Bacalhau’’

Dear mister Gúgle,

Dirijo-me a vossa senhoria virtual no sentido de expôr a situation really aborrecida.
Vai daí que certo dia andava eu na vidinha do costume, ora posta daqui ora comenta dali, que o ‘Bacalhau com Natas’ é para mim como se fosse um filho fruto de inseminação virtual e, portantos, não pecaminosa e altamente higiénica, e com que me deparo eu?
Hã, mister Gúgle? Hã?
Ora nada mais, nada menos com um sucedido deveras pesaroso e também confrangedor...
Ora pois que se sabe, assim sem contar não é?, que o menino Blogger terminou o casamento com a menina Beta?!
Ó meus, francamente...Isto não é assim, valha-me santa quitéria? Não é zangarem-se e cada um vai para o seu lado!! Isto há pró-formes, devia de haver um ofício, uma Comunicação Interna a informar da situação, uma nota de culpa dirigida a cada um deles a instaurar-lhes um processo disciplinar por conduta abusiva, actos maliciosos, eu sei lá, não é??!!
Isto da internéte não pode ser uma anarquia, um casa e descasa, uma pouca vergonha?
E a gente que até era administradora e coisa e tal, que era a categoria que m’aparecia no recibo de postante e tal e repentinamente, a gente é barrada! Como se tivesse sido expulsa de casa pelo pai que nos descobriu a barriga aos 13 anos!
Francamente, mister Gúgle, o senhor tem que intervire e por ordem nesta pouca-vergonha!!
È que não pode o menino Blogger acordar assim mal disposto e ressabiado com a vida e começar a amuar e a fazer o que lhe apetece e não o que a gente quer! A gente temos direitos!! A gente posta, a gente labuta, acorda e trabalha de sol a sol para alimentar o Bacalhau, para que nada lhe falte, ómessa!
E vem o menino mimado que faz de conta que não nos conhece e nos fecha a porta de casa, nos impede de postar (!!) e que começa com birras sempre que a gente comenta alguma coisinha?! Ah e tal, os commentes têm que ser aprovados?! Mas onde é que estamos!? O Salazar agora é uma estilista e tem cabelo pintado de vermelho!!
Olhe, Mister Gúgle, eu cá não gosto de ser malidicente, mas isto desculpe a franqueza é o que faz ser-se brando. Era impor-lhes ordem, disciplina, que eles não andavam por aí a pular as cercas nem se metiam nestas quezílias! Agora é isto: nova versão?
Mas, nova versão significa o quê? Que o Blogger agora é novamente solteiro e bom rapaz? Que está aí para as curvas e se recomenda?? Hã, mister Gúgle? Quand’tal o rapaz decide furar-se todo com pierces!!
Espero que tome medidas correctivas e que a situação regressa à normalidade o quanto antes. Se não, vou ter que fazer como os políticos e andar aí nas ruas com um livro a recolher assinaturas para impugnar esse divórcio e fazer com que tudo volte aos bons velhos tempos.

(Nota aos membros do Bacalhau – Pessoal!! quem aqui não coloca a sua posta há algum tempo, ainda não deve ter-se deparado com as mudanças e novas formas de registo para poder comentar e postar. A versão Blogger foi actualizada e como tal, para se registarem novamente como contribuidores e verem o vosso nome a aparecer no cantinho superior direito, devem ir aos conteúdos do www.blogger.com e mais especificamente à administração dos conteúdos do Bacalhau com Natas. O vosso nome não foi esquecido, nem tão pouco eliminado. Ele encontra-se lá, na lista de contribuidores do costume. Apenas têm que ir lá e actualizar os vossos dados e criar contas no Google caso ainda não as tenham. Boas postas!)

Porque hoje se celebra o Amor

Para pensar no assunto


Cá está uma imagem da minha sugestão.
Acho que vendo tem outro impacto.

terça-feira, fevereiro 13, 2007


- És capaz de guardar um segredo?
- Sim.
- Então, está bem, eu conto-te como tudo se passou.


Ela de lábios encarnados, inflamados, bico no ar, a presumida!
Ele de bico encolhido, meio escondido, tímido!

Ela sentia falta de algo.
Ele sentia falta de alga.

Lá andavam cada um na sua vidinha do dia-a-dia, ora a debicar, ora a dormitar, ora a dançar nas pistas mais badaladas do reino dos Quá-Quás.
Ela toda vaidosa, ele todo charmoso.

Até que, um dia, apareceu um menino mutante. Coitadinho...há que ter pena, porque no cruzamento das espécies dava sempre asneira e ele lá ganhara um par de asas que não eram supostas de naquele ser existirem.
O menino voador tinha duas particularidades: uma delas era ser parecido com o antigo Marco Paulo pois tinha uma cabeleira farta e encaracolada; a outra, era ser fã incondicional do Guilherme Tell. Passava os dias a treinar tiro ao arco. Só que para ser original, atirava para as pessoas. Como estava no reino dos Qua-Quás atirava nos patinhos e nas patinhas.
E o que é que acontecia??
Ora bem, o menino mutante era muito matreiro...e em cada seta juntava uma poção mágica. Quem fosse atingido por alguma das suas setas, ficava logo enfeitiçado!!!

Ora vai daí, ia um dia a patinha do bico encarnado no lado de lá do passeio e do outro, lá ia o patinho do bico cabisbaixo e Piff!! Uma seta do menino mutante voador atinge o dorso da pata!
Após um Quác! de dor, o olhar da ‘flechada’ cai em cima do olhar do jovem pato e, sem mais demoras o feitiço surte efeito.

E eis o que a imagem ilustra. O pato e a pata foram atingidos pelo feitiço da super cola 3!!! Desde esse dia que os seus biquinhos não desgrudam um do outro !!!!

- Então, gostaste da cusquice?
- Sim.
- E agora onde é que vais?
- Vou contar aos meus amigos!!
- E então o segredo?!
- Enganei-te! És um pato! Quá!!


Moral da história: Cuidem dos vossos/as patinho/as com muito Amor....


(Adoro-te meu patinho lindo...)

Vamos!

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim de estrelas,
no rastro dos astros, na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar…
até onde alcançam o pensamento e o coração, vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial.
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O primeiro dia.

"A principio é simples, anda-se sózinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."

O Sérgio (Godinho), de novo... Foi a primeira noite...

"Encontrei esta mensagem que fica para pensarmos os dois:"

"A amizade sincera é um santo remédio,
é um abrigo seguro!
É natural da amizade o abraço,
o aperto de mão, o sorriso.
Os verdadeiros amigos,
amigos de fé, os melhores amigos
não trazem dentro da boca
palavras fingidas ou falsas histórias.
Sabem entender o silêncio
e manter a presença, mesmo quando ausentes.
Por isso mesmo, apesar de tão raros,
não há nada melhor do que um GRANDE AMIGO."


Esta mensagem foi-me reencaminhada, por isso não sei o autor.

domingo, fevereiro 11, 2007

Olhos doces de pecado ou olhos claros sem vida? - Uma reflexão!

Está quente. Um calor estranho. Muito fora do normal mesmo. Eu nunca me sinto quente. Mesmo nos melhores dias o calor do corpo não é suficiente para me aconchegar a alma. Hoje, uma brisa quente faz balançar as cortinas brancas e imaculadas deste quarto onde estou deitada. O ar circula neste espaço e roça no meu vestido preto. Tirei o lenço da cabeça. Também é preto e cobre os meus longos cabelos cor de amêndoa. Procuro descansar. Fecho os olhos e nada. Não consigo sonhar. Não consigo imaginar. Não consigo sair deste espaço para onde me remeteram. Até a capacidade de voar num mundo imaginário de cores e sabores me tiraram. Não, estou errada. Ninguém me retirou nada. Nem a mim nem a nenhuma de nós. E porquê? Porque para algo ser retirado a alguém essa pessoa tem de ter possuído esse algo, seja um objecto, um pensamento ou um sonho. Portanto, tenho de ser justa. Ninguém me retirou nada. Simplesmente não me deram a conhecer essa capacidade. Mas na verdade a culpa é minha também. Poderia dizer que tenho os meus direitos e que quero conhecer e sentir como outras fazem. Mas suponho que seria errado. Esta vida é passageira e poderia deitar tudo a perder por um capricho. Tenho de ser submissa e respeitosa. Só assim encontraria alguém que me aceite para ser sua. E depois é viver os dias, um a um. Todos iguais numa calma que desconfio nunca me aconchegará. A minha irmã mais velha tem 20 anos e tem 3 filhos. Três homens. Que sorte a dela. Eu espero o primeiro filho. Gostava que fosse rapaz. Tudo é mais simples para eles. O meu marido é irmão do meu cunhado. Homem trabalhador. Temente de Deus. Sim, tenho tido sorte. Só queria por vezes não ter de suportar tanto negro sobre mim. E este calor estranho que agora me invade o quarto é insuportável. Mas sinto que não passará tão cedo. E ainda tenho de ir à rua tratar das compras da casa. Respiro fundo e levanto-me. Devagar. Com muito esforço e algum equilibrismo consigo sentar-me na cama. A barriga começa a incomodar-me um pouco. Deus me perdoe a blasfémia. Amarro o cabelo o melhor possível e prendo o lenço preto com o alfinete. Levanto-me devagar. Guardo as libras que o meu marido me deixou. Pego a lista de compras. Tapo o rosto. Só os olhos se vêm. “Olhos doces de pecado” ouvi uma vez o meu cunhado dizer. Não percebi. Bato a porta do quarto e saio para a rua. Está mesmo abafado, mas todos os outros parecem ter frio. Fecho os olhos e inspiro. Começo a andar o mais depressa que posso. Não tenho muito tempo a perder. Ainda estou longe do supermercado e se não me despacho fica tarde.


Nota – A zona onde eu e o Pedro moramos tem muitas etnias e nacionalidades. O que mais vemos são mulheres de vestidos compridos; mulheres de vestidos compridos e lenços nos cabelos; mulheres de vestidos compridos e lenços nos cabelos e nos rostos. È impressionante. Até meninas pequeninas usam os lenços. Ontem vi uma menina que não teria mais de 5 anos com o lenço rosa na cabeça. Mas o que me afectou e inspirou a escrever este pequeno texto foi uma mulher que vi nos correios a semana passada. Toda vestida de negro. Só os olhos se viam e um pouco de pele. Uns olhos muito claros, quase sem vida. E uma pele tão transparente. Na altura não liguei particularmente. Mas mais tarde em casa lembrei-me daquele olhar. E tive de escrever. Não quero perturbar ningém. Não pretendo emitir qualquer juízo. Não consigo sequer. Apenas quis reflectir.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Beijos, beijinhos, beijões, beijocos, beijocas e bejerinzinhos...


Textos de Fernando Pessoa

Beijos... ''Imensos Beijos''

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Excertos de Cartas de Amor...porque...só porque sim.


Carta de Alicia Urrutia a Pablo Neruda
Pablo amor, que sejas feliz. A todas as horas do dia e da noite estejas onde estiveres e com quem seja sê feliz, lembrar-me-ei de ti, pensarei em ti alma minha. O meu coração está tíbio de amar-te tanto e pensar em ti. Amor amado amor beijo-te e acarinho-te por todo o teu corpo amado. Amor amado amor amor amor amor meu. Tua Alica que te Ama.

Carta de Fernando Pessoa a Ofélia - 19.2.1920 - 4 da madrugada
Meu amorzinho, meu Bébé querido:
São cerca de 4 horas da madrugada e acabo, apezar de ter todo o corpo dorido e a pedir repouso, de desistir definitivamente de dormir. Ha trez noites que isto me acontece, mas a noite de hoje, então, foi das mais horriveis que tenho passado em minha vida. Felizmente para ti, amorzinho, não podes imaginar. (...) Vês, meu Bébé adorado, qual o estado de espirito em que tenho vivido estes dias, estes dois ultimos dias sobretudo? E não imaginas as saudades doidas, as saudades constantes que de ti tenho tido. Cada vez a tua ausencia, ainda que seja só de um dia para o outro, me abate; quanto mais hão havia eu de sentir o não te ver, meu amor, ha quasi três dias! (...) Ai, meu amor, meu Bébé, minha bonequinha, quem te tivesse aqui!
Muitos, muitos, muitos, muitos, muitos beijos do teu, sempre teu
Fernando

Carta de Oscar Wide a Lord Alfred Douglas
Querido rapaz meu:
O teu soneto é absolutamente adorável e é uma maravilha que esses lábios de pétala de rosa vermelha que são os teus tenham sido criados não tanto para o canto musical como para a loucura de beijar. Tua adorada alma deambula entre a paixão e a poesia. Eu sei que Hyacinthus, a quem Apolo amou tão loucamente, és tu naqueles gregos dias. Porque estás tão só em Londres? Este é um lugar adorável; só faltas tu.Com improcedente amor, Sempre teuOscar

Carta de Napoleón a Josefina - Paris, Dezembro de 1795
Acordo cheio de pensamentos sobre ti. O teu retrato e a tarde intoxicante que ontem passámos deixaram os meus sentidos agitados. Doce e incomparável Josefina, que efeito estranho tendes em meu coração! Ver-vos-ei dentro de três horas. Até lá, meu doce amor, mil beijos; mas não me correspondas a nenhum, pois encendeiam-me o sangue.

Carta de Winston Churchill à sua esposa - Janeiro 23, 1935
Minha querida Clemmie:
Na tua carta de Madras escreves-me umas palavras muito queridas, sobre o quanto enriqueci a tua vida. Não posso expressar-te o prazer que me deu, porque sinto-me sempre teu devedor, houvesse contas no amor... O que tem sido para mim viver todos estes anos no teu coração e companheirismo, nenhuma frase o poderá transmitir. O tempo passa de forma veloz mas, que maior felicidade ver tão grande e crescente o tesouro que temos guardado juntos, no meio das tormentas e das tensões de tão agitados, trágicos e terríveis anos?Teu amante esposo

Carta de Frida Kalho a Diego Rivera
Meu Diego Espelho da noite.
Os teus olhos espadas verdes dentro da minha carne, ondas entre as nossas mãos.
Todo tu no espaço repleto de sonidos. Na sombra e na luz. Tu te chamarás Auxocromo – o que capta a cor. Eu Cromóforo – o que dá a cor. Tu és toda a combinação de números. A vida.
O meu desejo é entender a linha a forma o movimento. Tu enches e eu recebo. A tua palvra percorre todo o espaço e chega às minhas células que são os meus astros e vai para as tuas que são a minha luz