quinta-feira, novembro 09, 2006



"Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços,
coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva
incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"


Pablo Neruda



P.S. Encontrei este texto num blog perdido no tempo.
Gostei, copiei e resolvi partilhar convosco.
É nostalgico, concordo, mas digam lá que não tem muitas verdades escritas.

4 comentários:

Maria disse...

Obrigada Má-Dá.

É simplesmente lindo.

Obrigada pela partilha.

Maria disse...

Este poema é desconcertante e não me consegui exprimir no coment anterior...

Aqui vai:

Sou pelo ler e por ouvir / escutar música;
Adoro arriscar cores novas (nas unhas, no cabelo, nas roupas,..);
Gosto de mim e quero ajudar assim como quero que me ajudem;
Não mais quero fugir da paixão nem das paixões;
Quero turbilhões de mil cores, sons, sabores e emoções;
Quero apreciar os pingos de chuva que me caiem no decote e esquecer os pés húmidos;
Quero aprender, quero que me contem histórias e vidas;
Quero correr e quero estar no mesmo sitio que os meus sonhos. Ao mesmo tempo que eles!;
Quero sentir o coração apertar depois de fortes batidelas;

Quero estar vida: senti-lo!!!

Sim, sou pela vida!
Finalmente percebi que sou pela vida e vivo-a o melhor que sei! Mas quero mais e melhor!!! Porque estou a adorar a viagem!!!!!

Ivana disse...

Neruda sabe do que fala.
Eu sei que tu consegues.
Tu sabes que gosto muito de ti.

Carminho disse...

Faço minhas as palavras da Ivana, Biju.

Grande beijinho