terça-feira, novembro 07, 2006

Bacalhau com Natas

Renuncio a Ser Adulto

Por este meio renuncio a ser adulto. Decidi aceitar a responsabilidade de ter 6 anos outra vez.

Quero ir a um MacDonalds e pensar que é um restaurante de 5 estelas;
Quero fazer navegar barquinhos de papel num tanque;
Quero fazer ondas atirando pedras à água para poder valorizar o simples outra vez;
Quero pensar que os doces e os amigos são melhores do que o dinheiro;
Quero tomar banhos muito demorados e dormir 10 horas todas as noites;
Quero abraçar os meus pais e enxaguar as minhas lágrimas nos ombros deles;
Quero regressar aos tempos em que a vida era simples, quando tudo o que sabia eram cores, tabuadas e contos de fadas, e isso não me chateava, porque não sabia o que não sabia e não me preocupava por não saber. Quando pensava que o pior que me podia acontecer era que alguém me tirasse a bola ou me escolhesse em último lugar para ser companheiro de equipa.

Quero voltar aos meus 6 anos para pensar que o mundo é justo. Que tudo e todas as pessoas são honestas e boas, que não há invejas, quero pensar que tudo é possível.

Mas em algum momento da minha juventude amadureci e aprendi demasiado. Aprendi como as pessoas não sabem querer nem amar, como nos destruímos entre nós, como a inveja nos rodeia e nos faz desejar o mal. Amadureci, contaminei-me, e aprendi sobre mentiras, sofrimentos, doenças, guerras, dor e morte. Aprendi como o dinheiro domina as nossas vidas, como já não importa o sentir, mas sim o conseguir...e cada vez mais.

Mas eu renuncio! Quero viver de forma simples novamente. Não quero que os meus dias sejam de jornadas intermináveis de trabalho, de materialismo, de notícias deprimentes, de invejas, de intrigas, de doenças e de perda de seres queridos.

Quero acreditar no poder do sorriso, do abraço, do apertar de mãos, no poder da palavra doce, da verdade, da paz, do super herói de banda desenhada e da imaginação.

Admiro a doce loucura das crianças e detesto a mentira da prudência dos adultos.

Quero voltar aos meus 6 anos. Quero deixar viver mais essa criança que todos levamos dentro, para valorizar o bom e o simples que nos rodeia e que os adultos deixaram de apreciar.


(Estas palavras vão dedicadas a todos vocês que não se esqueceram de saltar numa poça de água sem se importarem de molhar os sapatos e para todos os que não se esqueceram que com uma pastilha ou um rebuçado éramos felizes.)

4 comentários:

Maria disse...

Acho que inconscientemente renunciei a ser adulta há algum tempo. Pelo menos renunciei a sê-lo 24 horas por dia, sete dias na semana.

Eu acredito no poder do sorriso, do abraço, do apertar de mãos, no poder da palavra doce, da verdade, e mais .. acredito por instinto como aquele que as crianças têm e que não se engana!

Claro que por vezes me engano.. porque já me contaminei de ser adulta... mas cada vez mais acredito que tenho de acreditar!! Baralhei? Pois é tipico dos adultos e ainda mais meu.

'Brigada Betty.

O teu post apareceu no dia certo. No dia a seguir aquele em que me distrai e perdi o olhar dos meus sorrisos. Já sorrio de novo. E o teu post - qual lista de coisas boas da vida - faz-me sorrir.

Hoje é dia novo!

Carminho disse...

Renuncio acima de tudo a deixar de ser igual a mim mesma... a seguir aquilo que sinto, a fazer aquilo que acho que está certo, a usar máscaras para agradar, a perder os valores que me incutiram desde criança.
Esses valores que são raros... assim mo fui apercebendo ao longo da vida, mas que vale a pena conservar porque tive a sorte de pessoas mto especiais mos terem passado.

Valores como a sinceridade, a verdade, a confiança, a entre-ajuda, ...

Alguns dizem que sou ingénua...Talvez, eu acredito na minha verdade, nesta fórmula pessoal de viver a vida e estar com os outros. Até agora tem-me feito viver em paz, com alegria...

É como disse noutro dia...mta coisa me escapa, mta agua escorre pelos meus dedos...mas alguma coisa fica para sempre. A alegria de me ver ao espelho e não me envergonhar de nada do que fiz ou faço...

Gostei Betty! Aparece mais vezes!!

bjs

Ivana disse...

"50 escudos de rebuçados por favor!"

E lambuzavamo-nos durante o tempo do recreio... falando inglês de forma desconexa, e sorrindo que nem umas loucas quando aquele-que-nós-sabemos chegava perto...

Xi para ti.

Madalena disse...

Era bom não era, mas não pode ser.

Contento-me, no momento, apenas com algumas recordações.

Mas adorei o texto. Também gostei de a ver regressar menina betty