terça-feira, janeiro 30, 2007

O presente

Estávamos no primeiro dia do fim-de-semana. Esperava-me um dia agitado e atribulado com os imensos "afazeres" planeados. Ainda assim permiti-me dormir um pouco mais, para restabelecer as energias dos últimos dias da semana. Resultado: passou da hora. O primeiro "afazer" estava marcado para as 11 horas, valia uma experiência com chocolate, e eu estava atrasada e não podia, nem queria, faltar. Um pouco apressada cheguei ao local, com um vale na mão.
Chegada, fui encaminhada para o local onde a experiência, chamemos-lhe assim, ia ter lugar. A sala apresentava-se bastante acolhedora, dado o frio que fazia lá fora, escura, apenas iluminada por velas aromáticas e um foco de luz suave e existia uma música muito tranquila, que entrava pelos meus ouvidos sem pedir licença e a qual eu deixei entrar. Rapidamente esqueci o que se passava lá fora. No decorrer da experiência com chocolate, para além de me sentir mimada, aliás extremamente mimada e confortável, tive um momento, longo, sozinha.
Sozinha, aconchegada, iluminada apenas pelo pavio das velas, com uma música de fundo a transmitir paz de espírito e um cheiro suave a chocolate, que estava tão perto e eu não podia tocar. Nesse momento em que ficamos entregues a nós próprios e que parecem uma eternidade, aí em que não tens nada para fazer ou com que te entreter, aí… vês a vida, a tua vida, a passar-te diante dos olhos, ainda que eles estivessem fechados. Lembras o bom, o mau, aqueles que gostas, e alguns deles apadrinharam aqueles momentos, aqueles que não gostas, o que queres fazer e o que queres deixar de fazer, recordas…. Desenha-se um sorriso nos lábios e nas feições do rosto, caiem algumas lágrimas, mas não serve de nada, porque continuamos ali, sozinhos entregues a nós e a todo aquele ambiente. A experiência terminou com mais um momento delicioso, onde sentes todos os teus músculos a agradecer. Apeteceu ficar ali mais uns minutos só a sentir o calor da sala, a música e o aroma a chocolate.
À saída parecia uma hippie a pensar apenas “Peace and Love”. Durante o dia esforcei-me imenso para ninguém estragar o estado de boa disposição em que estava.

Todos deveriam passar por uma experiência destas, com ou sem chocolate. Sentir que só estamos ali por nós e com nós. Só.

3 comentários:

Carminho disse...

Obrigada pelo teu presente-relato!

Sabe-me muito bem saber que adoraste a nossa surpresa.

Dá imensa vontade de ser envolvida pelo chocolate!!

(fiquei pensativa sobre o que escreveste nas ultimas linhas. por vezes estamos de paz com a vida e o mundo e vem alguém tentar perturbar isso. Os outros são por vezes tramados. Mas ainda bem que resististe! Acho que quando conseguimos cada vez mais, ainda que dia-após-dia com retrocessos e avanços, dar a importância correcta e justa aos outros e suas acções, conseguimos viver mto mais em paz...)

Bjs

Ivana disse...

Senti no teu relato que gostaste...

Ainda bem. Mereces!

Maria disse...

:-)

fabuloso relato

de grandes verdades falas tu...

fico contente que tenhas gostado