terça-feira, julho 01, 2008

Rumo ao Nepal Exótico: voo até ao vale

Ouvi algures um dia que, ao nascermos, são os nomes que nos escolhem e não o contrário. O mesmo parece ter-se passado com este destino. Quase que por intuição mútua deixamo-nos embalar numa promessa de misticismo, aventura e exotismo, e marcamos viagem.
O primeiro voo, Porto-Madrid, serve para relembrar o roteiro de viagem traçado em apenas duas folhas pela agência de viagens. Primeiro, iríamos para Kathmandu, seguidamente para Chitwan, depois para Pokhara e aí então regressaríamos a Kathmandu. Nesse momento, apenas nomes e uma enorme expectativa. No pensamento, ainda dançavam memórias recentes do nosso Dia, misturadas com uma enorme ânsia de chegar ao nosso destino.
O segundo voo duraria bem mais que os meros cinquenta minutos até Madrid. Seguíamos rumo a Doha, principal cidade do reino do Qatar. A bordo de um gigante aéreo, passamos de um ápice da noite para o dia, como que de um salto no tempo se tratasse. Bruscamente, já durante o sono, acordam-nos para tomarmos um pequeno-almoço inesperado e quase colado ao jantar que nos haviam servido, abrem-nos as janelas e quase que nos cegam com a luz forte do exterior. Adiantamos os relógios cinco horas e começamos, ainda que com dificuldade, a convencer-nos de que é mais que hora de acordar (embora o nosso corpo se contorça de preguiça e os olhos teimem em fechar). Houve tempo para ver uns filmes a bordo, com a possibilidade de cada passageiro poder seleccionar o que mais lhe agradava. O título do filme: ‘’Breakfast at tiffany’s ‘’ foi mais ‘’Breakfast at Qatar Airways ‘’, onde os luxos também abundavam, ainda que viajássemos em económica.
A chegada ao Qatar foi quase uma bênção! Poder esticar o corpo! No percurso feito de autocarro até ao aeroporto sentia-se uma bafo de ar quente, reparávamos no solo árido e poeirento e ao longe nos edifícios imponentes e espelhados, a lembrar o Dubai, ou não estivéssemos nós numa cidade de árabes senhores do petróleo.
Ao passarmos o controlo policial, entramos num autêntico centro comercial de luxo. Os corners fazem lembrar o El Corte Inglés, com um cantinho para a Swarovski, outro para a Bulgari, outro para a Chanel, etc, etc … Aqui existe muito dinheiro a circular dada a quantidade de pessoas que se vê a comprar. Não deixa de ser caricato ver mulheres de burca negra a comprar produtos de maquilhagem. Presume-se que para usarem dentro de casa – exactamente ao contrário da ideia ocidental. A completar o cenário da ostentação, um BMW topo de gama está estacionado bem no centro do ‘’shopping’’ e é polido a cada segundo por um homem. Provavelmente, um sorteio …
Aproveitamos a espera para dormitar nos bancos do aeroporto, porque o sono não se engana assim tão facilmente…
Entramos a bordo do voo do último voo. Neste momento, a descolagem perde toda a formalidade que tivera nos voos anteriores. A impaciência é já alguma. O avião é já bem menor e a bordo vêem-se já pessoas com traços exóticos, asiáticos. Estamos a caminho de Kathmandu e a ansiedade cresce mas aguentaríamos ainda cerca de cinco horas até ao momento em que aterraríamos entre as montanhas.
Entramos no aeroporto e logo nos apercebemos da falta de recursos. Se o de Qatar era colossal, este é pequeno, velho e abafado. Os pouquíssimos computadores que se vêem são IBM’s pré-históricos, sujos do tempo. Preenchemos os inúteis questionários para estrangeiros cujos dados sabemos que nunca irão ser tratados. Papel desperdiçado verdadeiramente. Recebe-nos um senhor que verifica os nossos passaportes e que em troca de 30 dólares por cada um nos concede visto para os sete dias que ficaríamos.
‘’- Portugal? Oh, football! – diz ele e não seria o único …’’
À saída uns fulanos de uma agência dão-nos as boas vindas e repetem a mesma ladainha quando nos identificamos como portugueses. Desejam-nos boa estadia e dão-nos um mapa da cidade.
Já cá fora, esperava-nos o Sr. Omkar , representante local da nossa agência. E eis-nos num carro a caminho do nosso Hotel Everest, naquela que seria a nossa primeira e louca experiência de condução nepalesa: carros vindos de toda a parte, desenfreados, parecendo ignorar a presença dos outros, vacas no meio da estrada como se nada se passasse em redor, um uso abusivo e quase proibitivo da buzina, uma enorme nuvem de fumo vinda dos escapes das sucatas ambulantes que enchem as ruas da cidade, polícias sinaleiros plantados a cada esquina gesticulando sabe-se lá bem … enfim, uma anarquia total em espécie de salve-se quem puder. Pelo caminho, o carro da frente resolve inverter marcha e fá-lo no momento, sem qualquer impedimento nem preocupação. Qual separador de via, qual rotunda, qual quê?! Em Kathmandu tudo parece ser possível! Em breve, seríamos surpreendidos com novidades.

3 comentários:

Filipa disse...

Gostei tanto de ler esta descrição... Estava com imensa curiosidade para saber como tinha sido a lua-de-mel...

Beijinhos

Filipa

Li disse...

A lua-de-mel fez jus ao nome.
Foi muito boa :)
Só agora consegui parar um pouco e colocar no blog as primeiras recordações. Vai aparecendo e lendo!

Beijinhos e até sábado,
Li

Maria disse...

que descrição tão fantástica.... quase dá para sentir que lá se está.... quero ler mais!!!