terça-feira, maio 04, 2010

A bailarina da coxa grossa – um tributo a todas as «popozudas» deste Mundo

Todos os dias se media. Com a fita métrica, como Miss Marie lhe tinha dito.
Apontava as medidas no moleskine azul que a sua irmã lhe tinha oferecido para os seus desenhos a carvão.
Desenhava bailados, sobretudo. Bailarinos da sua imaginação em poses majestosas, sublimes!
O seu sonho era tornar-se bailarina. Por isso, dançava, dançava, nas horas livres e nas que supostamente deveriam ser ocupadas com o estudo.
«Não podes relaxar-te nos estudos, senão já sabes que te tiro do ballet» - a mãe Fátima ameaçava.
Mas ela sabia exactamente qual o caminho que queria seguir. Sabia que o seu sonho – aquele que a comandava – iria concretizar-se lá longe, num tempo que ainda desconhecia mas que sentia e sabia existir.
Apenas uma pedra tentava bloquear-lhe o caminho. Não tinha as «medidas standard».
«Uma bailarina tem que ser perfeita, esguia! Tens que perder volume nessas pernas. Nessas coxas!»
Miss Marie, a professora de dança, conseguia ser um pouco cruel mas tinha-lhe grande respeito e admiração. Se ela dizia que tinha que ser, tinha que ser!
Mas, na verdade, perder volume nas pernas, não era fácil! Era mais fácil fazer um exercício de pontas do que ver as coxas a perder volume.
«Esse é o teu formato de pernas, filha e, de mais a mais, isso não é gordura, é tudo músculo! Sais à minha família.» Dizia-lhe o pai, atento e carinhoso e orgulhoso na sua filha por inteiro.
O desalento começava, por vezes, a tomar conta de si. Nas páginas do moleskine os desenhos não contavam as habituais histórias de bailado. Ao invés disso, retratavam formas humanas com medidas reais e «ideiais» rabiscadas ao lado. Por vezes, chorava e molhava as folhas delicadas do seu bloco azul.
Um dia o pai, atento e carinhoso e orgulhoso na sua filha por inteiro, foi falar com Miss Marie. Comunicou-lhe, após muita reflexão, que os conselhos de Miss Marie talvez não fossem os mais sensatos no que dizia respeito à sua filha. E acrescentou que as bailarinas não são todas iguais. Que a beleza de um bailado não se reduz ao perímetro de uma coxa. Sobretudo, que ela não tinha o direito de condicionar o sonho da sua filha a uma obsessão pela fita métrica.
Quanto a si, despediu-se de Miss Marie lavada em lágrimas. Ela estendeu-lhe a mão, apertou-a, e apenas lhe disse:
«A postura é tudo nesta vida. Seca as tuas lágrimas e lembra-te que a postura é tudo nesta vida».
A nova escola de bailado foi surpreendentemente libertadora! Com novos professores, novos ritmos, novos colegas! Uma excelente surpresa! Um novo interesse surgiu e, pelo meio, as cantigas tornaram-se numa paixão. E o melhor de tudo foi deitar fora a fita métrica. Lá era aceite tal qual era. Não que fossem menos exigentes. Seriam menos focados na grossura da coxa, talvez …

O resultado do esforço foi compensado e hoje em dia as suas coxas eram reconhecidamente ‘’boas bailarinas ‘’ !
A prova? Aqui está …

«Pôxa, que coxa!!»

Espectacular!!

1 comentário:

Maria disse...

A todas as bailarinas de coxa grossa!!!