segunda-feira, outubro 30, 2006

Força da Natureza

(um texto para escutar com a musiquinha...)

Pensava eu que tudo estaria no fim e eis-me de volta ao início. A vida dá muitas voltas – assim mo dizem, mas eu não quero voltas nenhumas. Não preciso delas. Quero seguir em frente, romper com ontem, com anteontem, e até com todos os dias que evoquem laivos deste passado que me corroeu até não mais poder.
E agora estou neste impasse e odeio isto. Sinto raiva pela situação mais ainda por mim, pela minha incapacidade de avançar. Sou uma ave com medo das alturas, um pássaro com vertigens!
Levanto daqui a dias voo para lá, para a Terra prometida, para onde os meus sonhos mais secretos espreitam a cada esquina, onde me sinto mais em casa no meio da mais povoada praça do que no velho sofá da minha própria casa, o meu suposto lar.
Sinto orgulho de mim, das minhas conquistas aos olhos de muitos tão pequenas, ao meus olhos enormes. Só aos meus olhos interessa a análise. Na rua, no trabalho, ninguém escuta o barulho que vai na minha mente. As vozes que gritam ideias. Ideias que querem saltar para a vida, para a prática. O que me impede?
Toda eu sou barulho ultimamente. O silêncio que fui, esse já era. Foi. Alguns pensam, ingenuamente, que ainda sou noite escura, quando agora sou noite, dia, avassaladoramente luminosa e cheia de vozes, ecos, sons que se misturam, que gritam, que riem, que choram, que murmuram e que, por vezes, gemem...
Vou algumas vezes abaixo, é certo, mas logo me levanto. Ergo-me nas dificuldades com o peito cheio de vontade de conquistar mais e mais deste mundo, da vida!
Engulo o tempo antes que ele me engula a mim. Eu quero dominar o tempo, quero controlar o rumo. Quero e vou conseguir, é uma questão de tempo! E se esse tempo teimar em demorar, eu mesma vou tratar de me antecipar! Eu sou assim: determinada, arrojada!
Por vezes, carente, por vezes vou abaixo, mas nesses golpes torno-me mais forte ainda! Sinto-me invencível.
Poucos sabem no que me tornei. Aqueles que me conhecem nunca gostaram tanto de mim como agora - Eu nunca gostei tanto de mim como agora.
Apenas ainda não consigo voar para mais longe. Mas o apenas vai ceder, eu sei.
Sou como uma ave que aprendeu há pouco tempo a aguentar-se pelas próprias pernas. Já sou forte no passo, já caminho para onde quero, como quero e quando quero.
Sou egoísta e narcisista? Talvez, pensem de mim o que quiserem; apenas alguns conseguem decifrar o que sou. Sou um coração grande que pulsa por aqueles que o merecem ouvir pulsar. Sou o que sou e nada é por acaso. Eu estou aqui para uma grande batalha, para uma grande conquista.
Quando levantar asas e voar para lá longe, para Casa, lá adiante, a vida nunca mais dará voltas, a menos que eu queira e não me parece...

5 comentários:

Maria disse...

Poucas pessoas me conseguem ler como tu! Aliás, quem me consegue ler como tu? Sobram-me dedos de uma mão para a resposta........
Tu, a minha adorada Li.
A minha Li, que faz parte da minha vida há 20 anos e que vai fazer até ao meu último suspiro... seja lá onde for que a vida nos leve!

Luto aqui contra as lágrimas!! Como é possível descreveres me tão bem???

Obrigada...

Hoje estava a precisar das tuas palavras!! E do teu fabuloso dom para elas............

Maria disse...

Aqui estou de novo...

Já reli o texto tantas vezes... Desta vez porém reli-o ao som da música... e isso terá feito toda a diferença! Isso e talvez o emaranhado de sensações e sentimentos que ultimamente me inundam! Entraram sem que eu desse por ela.

Ainda tenho as lágrimas a escorrer... Chorei a valer...

Sinto orgulho de mim, das minhas conquistas - SIM.

Toda eu sou barulho ultimamente - SIM, mais do que nunca as minhas múltiplas personalidades não me dão descanso.


Eu nunca gostei tanto de mim como agora - SIM, na verdade nunca tinha achado muita piada à gaija!!

Levanto daqui a dias voo para lá, para a Terra prometida, para onde os meus sonhos mais secretos espreitam a cada esquina, onde me sinto mais em casa no meio da mais povoada praça do que no velho sofá da minha própria casa - SIM, existe um refrão de uma musiquita que diz "o teu lar é onde está o teu coração!!!".....

Fica a reflexão....

Maria disse...

Dois meses depois... tantas emoções vividas e muitas lágrimas derramadas, volto a ler o texto!!Foi das prendas mais lindas que recebi... e volto a lutar contra as lágrimas. Tenho um medo grande para enfrentar. Acho qe o maior da minha curta vida. Aquele meu Adamastor que tantas horas de sono já me tirou. Sei que ainda me vai tirar algumas mais. Estou, porém, determinada a que tal termine. Mas ainda tenho medo. Quero deixar de ter. Relei-o o teu texto.. Eu tenho de nuscar forças a algum lado............. Sei que conto contigo!!!

Maria disse...

Pois é, já cá estou!
O voo correu bem.
A aterragem foi intensa, como todos as aterragens depois de grandes viagens.
Mas duas horas de voo não são uma grande distância!!!
Pois não. Mas a viagem é longa. Deixa-se a mae, o pai, o irmao, toda a familia, os amigos e os caes. Até o carro, o TA!
E vem-se na busca de dois sonhos! (percebe-se bem quais são!!!??).

Aqui e agora, estou pronta para a grande batalha, para a grande conquista. Anseio e desespero por ela do mesmo modo que
desejei levantar asas e voar para longe, para Casa, aqui onde quero que a vida seja como eu quero!!!!

A minha profissão é voar!!!
Voar para longe!!!

Às aterragens já me habituei! Venham as descolagens!!!

Carminho disse...

Eu n disse q eras um força da natureza ;)??

Cá está a comprová-lo o tempo.
Esse tempo que cumpre os desejos dos 'loucos' que se atrevem a ser felizes!

Sê feliz, Amiga

16 Abril '07