terça-feira, outubro 24, 2006

À Amiga


Seria para sempre que tudo iria durar? Ou seria, como antes fora tantas vezes, passageiro? Breve como a passagem do frio deste Inverno?
Quanto tempo dura o para sempre? Quantos dias, quantos meses, anos e estações?
Seria justo assumir o compromisso do para sempre, sabendo que não estava na posse de todos os elementos, como por exemplo, a exacta duração desse tempo? E se algo corresse mal? Se a breve passagem do frio de um Inverno mais lá adiante, ou quem sabe mesmo do próximo esfriasse, congelasse aquela certeza?
E se a certeza se auto-questionasse, colocando dessa forma, tudo em questionamento, em dúvida?
Quais os pilares da sustentação? Seriam fortes, resistentes o suficiente? Cederiam com
os ventos, aguentar-se-iam com a erosão natural da passagem do tempo? Ou pelo contrário, contrariariam as leis da natureza e fortalecer-se-iam com as adversidades da natureza e da vida? As primeiras pedras haviam sido lançadas quando já bem antes, os alicerces estavam sólidos. Seriam os alicerces mais importantes do que os pilares?
Mesmo se estes se desmoronassem o importante é que a estrutura, a base se mantinha inabalável?
Aguentaria o espelho o mesmo reflexo por tanto tempo? E se este aguentasse, aguentaria a mente contemplar a evolução da imagem devolvida?
Para sempre é muito tempo, dizem-nos. Temos vontade em percepcionar o todo, em avistar a meta, o fim, para sabermos se somos capazes de lá chegar. Coragem, medo, prudência, ambição, curiosidade...desculpas para tentarmos obter as respostas àquilo que se impõe a dado momento como essencial.
E o essencial, esse que agora nos engole, poderá ser um dia acessório? Claro que sim, advogam os defensores da constante mutação de todas as coisas. Claro que não, afirmam os que acreditam na estabilidade, no continuum, no estabelecer do equilibrium.
O que é hoje não muda da noite para o dia. Há leis eternas que regulam o aparente caos...
Será o tudo assim tão importante, ou o essencial é relativizar e deixando que o para sempre se construa no dia a dia que se vive à máxima intensidade? Cada dia não será o tijolo do castelo que é o para sempre?
Acho que sim...Talvez...A água continua a escorrer pelos meus dedos, apesar da força com que os cerro. Mas isso não me impede de matar a sede.

2 comentários:

Anónimo disse...

Vamos colocando um tijolo de cada vez e construindo o "para sempre"...

Bj gande e bigada, amiga!!

Na ;)

Maria disse...

Sim....

A água continua a escorrer pelos meus dedos, apesar da força com que os cerro.

Todos os dias.... sinto um jorro de água que me escapa.. que me foge.. mas mesmo assim a água não deixou de me refrescar as mãos!! E lá consigo conservar uma ou outra gotinha!!!

Gotinha a gotinha talvez consiga ter o meu riacho!!