quarta-feira, julho 15, 2009

Miscelânia Auditiva

Cá no recinto laboral, vulgo empresa, tenho ultimamente constatado existir uma segmentação musical.

Em jeito de KADOC algarvia, em que existiam (existem?!) múltiplos ambientes, cada um com um estilo de música, cá parece suceder o mesmo. E tenho dado por mim, enquanto transeunte pelas várias áreas, a ser afectada por isso.

A começar pela Contabilidade: durante todo o dia escuta-se Rádio Comercial. Presumo que os lançamentos devem sair mais 'ritmados' se acompanhados de uma hit list repetitiva, escutada alto e a 'bom' som. Tenho para mim que se ouvir novamente a Sónia dos Gift a cantar Amália Hoje acompanhada pelas duas pardalecas da Contabilidade, os meus tímpanos sangram.
Como tal, estimo que as minhas paragens futuras nesta área demorem no máximo um minuto, de forma a prevenir lesões auditivas futuras.

Uma visita à sala da Informática rende-me sempre um comentário do género ''Está com umas olheiras e um ar estranho'', ao que eu não digo, mas penso: ''Pudera!! Essa Brandi Carlile dá cabo do melhor dos seres!!''.
Estimo que as minhas paragens nesta área demorem no máximo dez segundos, de forma a prevenir um informaticídio.

Já no Armazém, reina a balbúrdia geral. Enquanto que na ala norte se escutam temas dos Coldplay a mil décibeis e me gritam ''Ei, ó Doutora! Já escutou esta versão ao vivo? É potentaça!!''; na ala sul, os nostálgicos Jacksonianos acompanham o embalamento das expedições grunhindo ‘’You know I’m bad, I’m bad, you know it, you know … I’m bad, I’m bad’’.
A minha vontade é apertar-lhes o pescocinho de forma a abafar-lhes as cordas vocais e gritar-lhes ‘És mau cantor, mau cantor, és, és!! E acho que tu sabes, tu sabes, tu sabes!!’

A escassos metros, entro na área da logística onde, entremeado com o lirismo das Quatro Estações de Vivaldi que acompanha o ‘Please, hold the line’ das transportadoras, se escuta de, cinco em cinco minutos o papagaio brasileiro de um telemóvel que assobia um ‘’OlhÁ Mensagem!!’. Para condimentar a sinfonia, temos o rewind obsessivo de Carlos Paião.
Se não fosse a miscelânia até conseguia sobreviver por aquelas bandas, mas o conceito de poluição sonora está ali bem patente e, como medida de prevenção, as minhas paragens nesta área demoram no máximo dois minutos.

Para juntar tudo num refogadinho fantástico, no local onde habitualmente almoço, o faduncho está on e a bombar! Agora, degluto o almocinho e pisgo-me antes que me dê uma indigestão. É que, com tanto berro, não há estômago que aguente!

E é isto. Queria agradecer a quem de direito o facto de ainda ter um gabinete no qual me posso refugiar e apreciar o silêncio. Encontram-me no meu aquariozinho, se precisarem.
Ah, e já agora? A empresa paga-me os tampões, certo?

2 comentários:

Ivana disse...

Por aqui, a inevitabilidade do amor:

Antes

Durante o último ano escutavamos a M80, líder no movimento orgulhoso que os nascidos na auspicosa década de 80 levaram a cabo: as roupas e as músicas dos anos 80 não são parolas!!
E no meio do som das teclas e dos telefones, surgia por vezes uma voz abafada cantando "slave to love! naah naah naah naaaaah... I'm a ... slave to love...".

Agora

Desde há um mês para cá, as colunas vomitam a música da Rádio Comercial. Pedro Ribeiro ilumina as manhã, até às 10:00, e depois, pelo menos 20 vezes no dia somos brindadas com a senhora que canta "I love your... I love the your... I love your.......... I love youuuuuuuuuuu".

Numa tentativa de mudar o tom lamechas deste escritório, sintonizei subrepticiamente o rádio na Antena 2... E eis que a voz de Maria Callas encheu cada canto deste escritório! Casta Diva!!!!
Fui obrigada a mudar de estação de rádio por entre protestos... O amor na ópera não lhes enche o coração. OH, sofrimento..........!

Maria disse...

Olha por cá nada de musica no office, que não parece bem!!

Palermas!!!