sexta-feira, setembro 26, 2008

Gostava de ter escrito estas linhas, mas não as escrevi. Não seria capaz de ser tão assertiva. As palavras (dos outros) têm isso de fantástico; depois de escritas podemos apoderar-nos delas como se fossem nossas. É incrível como, por vezes, os outros conseguem dizer exactamente o que sentimos sem nos conhecer e ironicamente, conhecer-nos melhor do que nós próprios. Sophia é exímia nesse aspecto. Ainda bem que ela me conhece.


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com os teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto

Entre a praia e a serra...

(Amar é deixar tudo somente pelo teu olhar, pelo teu beijo, pelo teu toque... por ti.
Diz "Vem!"... e eu deixo tudo.)

2 comentários:

Ivana disse...

És especial.
Não me canso de to dizer. Mesmo quando não te digo...
A vontade de ir é verdadeira, eu sei.
Estou contigo se fores. Estou contigo se ficares.
Gosto de ti.

Li disse...

Sophia era divina exactamente por ser tão humana.
E, sem dúvida alguma, não há nada nesta vida que valha mais a pena do que entregarmo-nos de corpo e alma ao nosso Amor!