Há um ano atrás sorri convosco. No meio da serra, este ano começou no meio de risos, dança, música, brindes. sábado, dezembro 30, 2006
Bons dias novos
Há um ano atrás sorri convosco. No meio da serra, este ano começou no meio de risos, dança, música, brindes. sexta-feira, dezembro 29, 2006
KARAOKE
Is this the real life
Is this just fantasy
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
Im just a poor boy,
i need no sympathy
Because Im easy come,
easy go,
A little high,
little low,
Anyway the wind blows,
doesnt really matter to me,
To meeeeeeeeeeeeee
Mama just killed a man,
Put a gun against his head,
Pulled my trigger, now hes dead
Mama, life had just begun,
But now Ive gone and thrown it all away
Mama ooo,
Didnt mean to make you cry
If Im not back again this time tomorrow
Carry on,carry on,as if nothing really matters
Too late,my time has come,
Sense shivers down my spine
Body's aching all the time,
Goodbye everybody-Ive got to goooo
Gotta leave you all behind and face the truth
Mama ooo
I dont want to die,
I sometimes wish Id never been born at all
I see a little silhouetto of a man,
Scaramouche,scaramouche will you do the fandango
Thunderbolt and lightning
very very frightening
Galileo,galileo,Galileo galileoGalileo
figaro-magnificoooooooooooo
But Im just a poor boy and nobody loves me
Hes just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity
Easy come easy go
will you let me go-Bismillah!
no-,we will not let you go-let him go- Bismillah!
we will not let you go-let him goBismillah!
we will not let you go-let me goWill not let you go-let me goWill not let you go let me go
No,no,no,no,no,no,no
Mama mia,mama mia,mama mia let me go
Beelzebub has a devil put aside for me,
for me,for meeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
So you think you can stone me and spit in my eye
So you think you can love me and leave me to die
Oh baby-cant do this to me baby
Just gotta get out, just gotta get right outta here
Nothing really matters
Anyone can see,
Nothing really matters
nothing really matters to me,
Any way the wind blows....
Um ano novo cheio de sorrisos e sucessos... e de canções de amor
Estou nisto envolvida quando olho para a minha direita e me salta à vista o néon do night club “Ondas da Noite”. Pois, por aqui não há quem acredite em canções de amor, de certeza. E vai daí, nem sei, uma senhora que dizem ter sido frequentadora destes locais está no top de vendas dos livros em Portugal. E ainda dizem que não há quem leia em Portugal! Ultraje!
O semáforo ficou verde e voltou a vermelho e eu avancei apenas meia dúzia de metros. No quentinho do meu carro os pensamentos não param. Penso que amanhã (ou seja hoje) é o último dia útil do ano! Mais um ano que passou. Hora do cliché: o que se passa com o tempo que agora voa? Ainda ontem estávamos numa casa de Tum a preparar a despedida de 2005!
Agora que comecei a pensar no ano que está a terminar não consigo deixar de o ver em revista. Aqui há uns anos num final de ano fiz uma lista de coisas que pretendia melhorar em mim. Acho que a pobre da lista acabou num contentor de papel para reciclar. As minhas intenções eram boas, acreditem. Ter-me-á faltado na altura força de vontade para pôr em prática as minhas intenções. Acho que é sempre assim. Sabemos o que temos de mudar, o que podemos fazer de modo diferente, o que nos fará melhor. Só que por vezes esse caminho aparenta ser mais atribulado e deixamos de o escolher. Optamos pela estrada mais gasta, já com indicações dos que lá passaram. È natural, suponho eu.
O ano de 2006, como todos saberão, foi um ano de grande mudança para mim. A minha múltipla personalidade assumiu-se de vez e às tantas já nem eu sei se sou Maria, Ju ou Little Princess. Penso que no fundo sou um misto de muita coisa. E descobri que é na existência de diversidade e pluralidade que estão as coisas boas. Antes achava que só havia uma forma correcta, um caminho, uma opção. Neste ano que agora termina percebi que as coisas não são tão lineares como às vezes pensamos. Foi um ano bom. Muito bom, aliás.
Claro que para alguns, o ano foi igual a tantos outros, com pouco de novidade.
Para outros terá sido para esquecer.
Seja qual for o caso de quem está agora a ler faço uma proposta, tirem uns momentos para reflectir um pouco neste ano que passou. Vão ver que mesmo sem fazer lista do “a melhorar” ou “a fazer” será um exercício proveitoso.
Eu já passei o meu ano em revista.
Já arrumei as minhas questões.
Estou pronta para o 2007.
Espero-o munida do meu sorriso, do meu casaco quentinho e da minha vontade de viver cada dia novo que aí vem!
Para todos, um ano novo cheio de sorrisos e sucessos... e de canções de amor.
È que me parece que o tal Sr. é capaz de não ter muita razão....
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Monólogo com a câmara

Toda a gente sabia que Henri Cartier-Bresson não gostava de máquinas fotográficas a apontar para si; talvez ele se apercebesse, como Roland Barthes (pág. 77), da falsidade da situação: “Muitas vezes (demasiadas vezes, na minha opinião), fui fotografado tendo consciência disso. Ora, assim que me sinto na mira da objectiva, tudo muda: constituo-me no processo de posar, fabrico instantaneamente um outro corpo para mim, metamorfoseio-me antes da imagem”
Agnés Sire, Comissária da Exposição Um Silêncio Interior, em “Um silêncio Interior: Retratos de Henri Cartier-Bresson”, 2006.
(Na fotografia, Samuel Becket, em sua casa, em Paris, 1964)
Impressionante a arte deste senhor em captar a essência de alguém, naquele momento, naquele espaço, naquela forma, naquele conteúdo. Impressionante.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Mensagem da Carminho neste Natal ...

Havia no alto de uma montanha três
árvores que sonhavam o que seriam
depois de grandes.
A primeira, olhando as estrelas disse:
"Eu quero ser o baú mais precioso
do mundo, cheio de tesouros".
A segunda, olhando o riacho suspirou:
"Eu quero ser um navio grande
para transportar reis e rainhas".
A terceira, olhou para o vale e disse:
"Quero ficar aqui no alto da montanha e
crescer tanto que as pessoas ao olharem
para mim, levantem os olhos e pensem
em Deus".
Muitos anos se passaram e certo dia três lenhadores cortaram as árvores que estavam ansiosos em ser
transformadas naquilo que sonhavam.
Mas os lenhadores não costumavam
ouvir ou entender de sonhos... Que pena...
A primeira árvore acabou por ser
transformada numa manjedoura de animais
coberta de feno.
A segunda transformou-se num simples barco
de pesca, carregando pessoas e peixes
todos os dias.
A terceira foi cortada em grossas
vigas e colocada de lado, num depósito.
Então, desiludidas e tristes, as três
perguntaram: PORQUÊ ISTO?
Entretanto, numa bela noite, cheia de
luz e estrelas, uma jovem mulher colocou
seu bebé recém-nascido naquela manjedoura
de animais e de repente,
a primeira árvore percebeu que
continha o maior tesouro do mundo.
A segunda árvore estava a transportar
um homem que acabou por adormecer no
barco em que se transformara.
E quando uma tempestade quase afundou
o barco, o homem levantou-se e disse:
"Paz" e, num relance, a segunda árvore
entendeu que estava transportando
o rei do céu e da terra
Tempos mais tarde, numa sexta-feira,
a terceira árvore espantou-se quando suas
vigas foram unidas em forma de cruz e
um homem foi pregado nela.
Logo se sentiu horrível e cruel.
Mas no domingo seguinte, o mundo
vibrou de alegria
E a terceira árvore percebeu que nela
havia sido pregado um homem para a
salvação da humanidade.
E que as pessoas sempre se lembrariam
de Deus e de seu filho ao olharem
para ela
As árvores haviam tido sonhos e desejos,
mas, sua realização foi mil vezes maior
do que haviam imaginando, portanto...
Não importa o tamanho do teu sonho
acreditando nele a tua vida ficará mais
bonita e muito melhor de ser vivida.
Feliz Natal
quinta-feira, dezembro 21, 2006
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Natal
Dizem que altos anjos
Na verdade, casulos de luz
- Pura energia criadora
Desceram de outras dimensões
Para apreciar um nascimento
Muitíssimo essencial...
Dizem que flocos de neve
Caíram das alturas
Cada um mais especial
Com formas que jamais se repetiram...
Dizem que o ar ficou de tal maneira
Perfumado de rosas e jasmine embriagou os passarinhos
- Que mais docemente cantaram
E girandolando voejaram
Saindo a anunciar
O evento anunciado
Que acabara de acontecer...
Dizem que uma alegria intensa
Se apossou dos pastorinhos,
- Pensaram então fazer parte
Da corte de um certo rei
E se sentiram comovidos,
Não de ouro e prata vestidos
Mas vestidos de Alegria
E canções de ninar entoaram
Louvando a chegada do Menino...
E é por isso que até agora
Quando chega o Natal
Também vestimos a alma
De cores especiais
E a nossa voz se eleva
Para acima de qualquer treva
E desejamos a todos
Votos de tantas coisas
Boas de acontecer...
Quem disse? Quem contou
Essa história às pessoas aqui da Terra?
Ora, os bardos, com a Poesia
Dos que precisam de Luz
Dos que necessitam de esperança
E querem levar alegrias
Pelo menos uma vez ao Ano
Para que os homens não desistam
De renovar seus sonhos
E de aproximar os que sonham...
... E agora, plenificada
de Amor, quem vos reconta,
sou eu: no colar dos contadores
mais uma conta que conta
mais uma ponta que canta...
segunda-feira, dezembro 11, 2006
domingo, dezembro 10, 2006
Comunicado (em nome) de Manuela São Simão
Venho convidá-los para uma visita à Exposição "Boxed Attitudes (Ideias em Acervo)", projecto de instalação desenvolvido para a Galeria Extéril.A inauguração foi no dia 9 de Dezembro, na rua do Bonjardim nrº1176, Porto.
Conto com a vossa presença!
Cumprimentos e até breve! :)
Manuela São Simão
"Boxed Attitudes (Ideias em Acervo)" é o meu pequeno acervo de ideias. Ideias que estão em stand-by, à espera de uma oportunidade para serem expostas, concretizadas.
Trata-se de um projecto feito de projectos. Nele faço alusão a diversos projectos que já concretizei, assim como apresento outros que nunca foram antes mostrados, quer por falta de oportunidade...quer por falta de espaço...! Encontro agora neste pequeno "white cube" que é a Galeria Extéril, um espaço para os mostrar...
O projecto completa-se a um nível virtual no espaço do site da Galeria, onde pode ser visualizada uma pequena animação em "loop" realizada com a ajuda do artista Pedro Brochado, e que se intitula "Breathing inside Frames".
http://www.exteril.com/
P.S.: para quem viu e lá esteve, como eu, fica a impressão de que visitamos uma exposição de um trabalho de muito tempo e esforço, com uma mensagem clara de coerência desta artista.
Mais: como se entrassemos em casa de artesãos onde todos os pormenores merecem atenção. Eu gostei.
terça-feira, novembro 28, 2006
quarta-feira, novembro 22, 2006
O Zero
Achava mesmo que não valia nada. Já muitas vezes tentara ser esguio como o 1, elegante como o 4 ou belo como o 7, mas nem sequer conseguia a pequena proeza de esticar uma haste para se assemelhar ao 6 ou ao 9.
Era realmente uma nulidade. Mas o pior de tudo nem sequer era o aspecto, pois já se tinha habituado a isso e os outros também nunca o tinham visto de outra forma. Não, o pior nem era olhar-se ao espelho: o pior era quando olhava para dentro de si mesmo. Não valia nada, pronto! Era isso. Nunca tinha feito nada de que se pudesse realmente orgulhar; tinha as mãos vazias; nunca deixaria o nome na história ou marcas no mundo.
Não passava de um zero.
Mas, então, por que razão tinha consigo todos aqueles sonhos, aquele desejo de grandeza, a vontade de se lançar a tarefas gigantescas? Era um zero e sentia dentro de si uma enorme tendência para o infinito...
Ora, isto - pensava ele - não tinha lógica nenhuma. Era até contraditório. E filosofava: Via-se logo que os números tinham sido uma invenção dos homens. Por isso não batiam certo. Se tivessem sido obra de Deus, tudo teria sido diferente. Sendo assim, paciência...
Mas o Zero estava de longe de se resignar com a situação. Alguma coisa lá por dentro se recusava a aceitar pacificamente estas filosofias, ainda que elas servissem perfeitamente como justificação para a sua nulidade e para a vida preguiçosa que levava.
E, no fim de contas, talvez os algarismos não fossem uma invenção dos homens.
Muitas vezes dizia para si mesmo que não podia fugir à sua natureza, à incapacidade com que nascera. Sentindo-se incapaz do esforço de alcançar o infinito, que chamava por ele, repetia cinquenta vezes por dia que o infinito não existia. Para se convencer a si próprio. Para se poder entregar tranquilamente à doçura de uma vida sem montanhas para subir.
No entanto, aquela doçura acabava por o maçar. Tornava-se amarga: não na boca, mas num lugar qualquer que ele não sabia identificar com exactidão. Ora, aquilo doía-lhe. Era como se tomasse veneno.
O Zero sabia a solução, a resposta, a verdade, mas fugia de pensar nisso. Também lhe doía... O Zero sabia que o verdadeiro problema não era a preguiça nem a falta de capacidade. A questão importante era o orgulho.
Sucedia que o orgulho o levava a procurar sempre o primeiro lugar quando se juntava aos outros algarismos para fazerem alguma coisa em conjunto. Conseguia esse lugar porque era o mais forte de todos, mas os outros algarismos não achavam aquilo bem. E quando isso sucedia formava-se uma barreira, uma vírgula, entre ele e os outros. E, assim, com o Zero no primeiro lugar e a vírgula logo a seguir, aquilo que faziam não valia quase nada.
O Zero pressentia que, se aceitasse um dos últimos lugares, tudo seria diferente. Talvez então pudessem, em conjunto, aproximar-se do infinito e até tocar-lhe. Talvez assim se abrissem as portas a todos os sonhos que desde sempre trouxera consigo. Mas teria - assim pensava - de se curvar perante os outros, e baixar a cabeça era para ele uma impossibilidade...
Não vou acabar de contar a história do Zero. Não vou dizer como chegou a entender que para um zero o melhor lugar é o último. Nem como acabou por pedir desculpa aos outros. Nem como conseguiu depois - não sempre, mas muitas vezes - a glória de baixar a cabeça e se colocar no último posto.
É que estas transformações são sempre muito íntimas e dolorosas. Sou amigo do Zero - conheço-o muito bem - e não está certo que revele em público a sua intimidade.
Texto de Paulo Geraldo
terça-feira, novembro 21, 2006
Maria
A Maria desapareceu. Há duas semanas que não recebo um telefonema dela nem sequer uma mensagem. Tinha razão meu amigo.
Ela vai sair da tua vida com a mesma rapidez com que entrou. E tu não estás a fazer nada para não sofrer com isso Afonso!
Não quis saber das suas palavras naquele dia. Disse que não compreendia porque dizia isso. A Maria era absolutamente adorável.
A Maria é fatal Afonso. Ela vai sugar o que tu tens de melhor e quando acabar serás um trapo.
Saí do café sem querer ouvir mais. Penso que percebeu como o evitei nas semanas seguintes no golfe, no clube e nos jantares semanais da Carminho. Não conseguia deixar de pensar que me invejava a sorte de ter encontrado alguém como a Maria. Cheguei a imaginar que desejava Maria e que aquele seu discurso era para me fazer afastar dela. Agora, quando já é tarde demais, percebo que via o que os meus olhos cegos de paixão não distinguiam.
A Maria sempre foi muito misteriosa: nunca me deixou ir a casa dela, nem tão pouco um número de telefone fixo me deu - apenas falávamos por telemóvel. Ela dizia que não tinha telefone em casa e ficávamos sempre no meu apartamento: Porque tem uma vista tão linda para o mar, Afonso. Prefiro acordar e poder vê-lo. Para mim só importava acordar ao lado dela. Senti-la deitada ao meu lado, depois de uma noite misto de loucura, paixão e serenidade. Sim, eu sentia serenidade ao vê-la dormir (ela adormecia sempre primeiro e acordava sempre depois – como gentileza das minhas insónias via-a dormir).
Será possível confundir serenidade com frieza? A calma que ela transmitia era uma gélida indiferença perante quase tudo. Sim, agora percebo.
A Maria é fatal Afonso.
Sim, como o compreendo agora.
Mas como podia eu resistir à minha luz, ao meu norte, ao meu caminho? Acho que não mais encontrarei nada disso, Luís, meu caro. Só queria tê-la de volta. Não me importaria do preço a pagar. Toda a minha riqueza? Seria de quem me trouxesse Maria. As empresas, o apartamento com vista para o mar, a casa de campo, os cartões de crédito e os plafonds, e até as jóias de família. Renunciaria a tudo para ter Maria de novo nos meus braços.
Sinto-me perdido, amigo. Sei que estou.
Há dias o telefone tocava sem parar. Acho que continua a tocar, mas já não o ouço.
A minha irmã Rita passou cá.
Afonso tu tens responsabilidades. Esquece essa mulher maldita e volta à tua vida.
Mandei-a sair porta fora, mas não sem antes estalar o verniz entre nós, como o amigo costuma dizer em tom de brincadeira.
Quem és tu para me falar de responsabilidades? O pai sempre te deu tudo. E quem é que gere as empresas das quais recebes confortáveis dividendos todos os anos? Eu e o teu marido corno?
Oh Rita, não faças essa cara de senhora respeitável insultada na sua integridade. Toda a gente sabe que tens amantes!
Tu estás a abusar, Afonso. Eu vim aqui oferecer a minha ajuda. Não ser insultada. E tudo isto por causa dessa mulher vulgar!
Sai Rita. Ao menos eu assumo. Algo que tu nunca fizeste.
Já não ouvi a resposta. Expulsei-a daqui para fora. Fiz o mesmo com todos os outros que cá vieram. Não foram assim tantos.
Olho o mar, e penso nela. Ela era fatal, Luís. Mas entende que era precisamente isso que eu amava nela?
Rebelde e indomável foi a aproximação dela:
Desculpe mas o seu tabaco está a incomodar-me!
Minha senhora peço desculpa, mas estou na área do clube reservada a fumadores.
Sim, de facto. Mas esta é a melhor vista que se tem para os jardins. E não pretendo desfrutar dela com o seu tabaco a incomodar.
Foi impossível não me apaixonar por aquela morena de olhos esverdeados, lábios vermelhos (sim, já sei o cliché do pecado) e nariz empertigado. Lembro-me das pernas cruzadas dentro da saia preta, justa, até ao joelho. Deliciosamente tentadoras. O tempo todo que falei com ela só pensava naquelas pernas enroladas à volta do meu corpo. Horas mais tarde ela adivinharia esse meu desejo.
Maria onde estás? Para onde foste mostrar teus encantos? Sei que não voltas e que nunca mais te verei. Sei-o porque quando encontramos a minha última ex-namorada num dos jantares da Carminho tu disseste com desdém:
Não permito que ex’s fiquem na minha vida a puxar-me para o passado.
Mas a Ana não me puxa para o passado. Simplesmente fez parte da minha vida.
Afonso meu querido eu adoro-o, como sabe. Mas fique a saber que quando tudo terminar não mais me verá.
Gelei, mas a interrupção da Carminho não permitiu continuar. Nem Maria me deixou retomar aquele assunto mais tarde.
Luís, sabe porque não o ouvi?
Porque quando amamos, mais nada interessa que não o objecto da nossa obsessão. Sim, é isso meu caro estou obcecado por aquela mulher. O cheiro dela não sai da minha casa, da minha cama, da minha roupa nem tão pouco do meu corpo. Como é possível se a toquei pela última vez há duas semanas?
Sabe meu caro amigo, já nada interessa. Nem sequer me interessa saber que isto há-de passar.
Porque ninguém morre de amores! – Já dizia a minha saudosa mãe Dona Isabel.
Mas sabe meu amigo acho que me vou permitir ter uma excentricidade agora no final. Sempre tive tudo o que queria e sem pedir. Aliás, sem me esforçar, sequer. Agora apenas queria Maria. Não quero continuar sem ela. Não, nem que me diga que daqui a vinte anos estarei feliz com uma família. Esqueça... Prefiro acabar com essa lamentável imagem desde já antes que ela se comece a idealizar. Nestas últimas duas semanas apenas fui a um sítio: a casa de meu pai e directamente à estante da sala. Sim, meu caro é lá que meu pai tem a odiosa colecção de armas. Parece que finalmente lhe encontrei utilidade.
Curioso, como sabe aquele pedaço de sala sempre me fascinou. Seria o destino? Certamente que sim.
Caro Luís resta-me pedir-lhe perdão por toda a minha indelicadeza. O Luís sempre foi um amigo impecável. Desejo que tenha a vida que deseja. Peço-lhe perdão por ser o destinatário intencional desta última carta. Mas sabe, acho que ao longo da minha vida só você mesmo se importou comigo. O meu agradecimento!
Desculpe se tenho de me apressar, parece-me que já vejo Maria e que escuto a voz dela que me chama. Sabe, não resisto ao sussurrar dela!
Afonso, Afonso
Sim, ouço-a cada vez mais perto
Meu amigo afinal ela está por aí...
Até breve...
segunda-feira, novembro 20, 2006
Vogue
Uma paixão, uma mania, um consumo.Vogue é o nome da revista. A revista que com apenas 13 anos já pedia à minha mãe para me comprar. Uns compravam a Bravo, outros a Super Pop e outras revistas ...
Eu comprava a Vogue. Nem todos os meses a comprava, porque a edição era ainda estrangeira e cada Vogue era caríssima! Ainda lá as tenho lá por casa, guardo-as como relíquias.
Quando começou a edição portuguesa, iniciei a colecção. Todos os meses, mais uma revista para a prateleira, devorada todinha por mim!!
E o que tem esta revista de especial? Para os outros se calhar nada, para mim muita coisa. Lá encontra-se de tudo: artigos de moda, artigos sobre coisas que não têm nada que ver com o mundo da moda, mas interessantes: arquitectura, design, agenda cultural, etc. Tem sobretudo, uma forte componente estética. Toda a revista é cuidadosamente pensada a nível gráfico, desde a Capa até à última página. É certo que quase 30% da revista é feita de páginas de publicidade, mas até dessas gosto. Em muitas encontro fotografias fantásticas, de pessoas, objectos ou paisagens. Depois há, claro, as roupas.
Gosto de roupa. Assumidamente. Gosto de peças bonitas, gosto de vestidos, gosto de écharpes, de trench-coats...de malas e de acessórios enfim! De uma infinitude de coisas que compõem as peças de vestuário da mulher. Gosto de ver aquela montra em forma de revista. Faz-me bem, faz-me viajar elegantemente vestida ...faz-me sorrir.
De algumas viagens que fiz trouxe comigo uma Vogue de recordação. Quando não sou eu a viajar peço para me trazerem uma. Todas elas são especiais, gosto de as rever de vez em quando. É uma mania, um gosto que tenho...
Desta vez, não pedi a revista. Mas quem me conhece bem, soube arrancar de mim um enorme sorriso. Apesar dos Kilos a mais na bagagem, ela lá veio directamente de Londres, para mim. Uma Edição especial dos 90 anos da revista. Um calhamaço que devorei satisfeita da vida este Domingo!!
Adorei a capa, por isso aqui vai ela.
Dois beijos de obrigada por se terem lembrado deste mimo. Adorei.
Sonho
Este poderia ser o início de uma nova saga ao estilo do Saggie (o nome carinhoso com o qual rebaptizei Saramago depois de anos zangada com ele).
Os sonhos são algo de imprevisível e de fantástico.
Nunca sabemos de antemão o que vamos sonhar e por vezes, o sonho ultrapassa tudo aquilo que pensamos ser os limites da nossa imaginação.
E mais, os sonhos têm a fabulosa capacidade de nos tornarem o dia miserável ou verdadeiramente excepcional, dependendo se consideramos o sonho que tivemos algo de bom ou um verdadeiro pesadelo que, só de nos lembrarmos dele, nos deixa verdadeiramente mal dispostos.
Já me aconteceu deitar-me e tentar condicionar o meu sonho, tentando pensar muito sobre algo ou alguém, na expectativa de que durante o sono, a minha imaginação teça alguma história acerca disso. Claro que isso só acontece com coisas, acontecimentos agradáveis...
Um sonho recorrente que tenho é um em que estou a voar. Não tenho asas, apenas voo. Pairo sobre o céu e acontece-me andar por aí a pairar perto dos prédios...vejo dentro deles pessoas que conheço... Terei talvez um lado voyerista mas que sonho muitas vezes isto, sonho.
Depois há aquele sonho que quando acontece é muito engraçado: sonho que estou a cair e que nesse instante, desperto e a sensação é a de que acabo de aterrar abruptamente no colchão! É uma sensação muito estranha!
Tudo isto para dizer que, pela primeira vez (pelo menos que me recorde) sonhei com este blog.
Parece completamente de sentido, e de facto, é. Mas os sonhos não têm que ter significado (pelo menos não para mim) e o blog foi o tema central deste sonho. Nele acedia ao blog e de repente via que havia uma lista enorme de novos contribuidores com nomes que, apesar de muito estranhos e diferentes, já não lembro. E havia muitos novos posts também. No sonho procurava identificar aquelas pessoas, mas não conseguia chegar até lá apenas pelos nomes...
Apenas me lembro que acedia ao blog através de um computador da minha Escola Secundária! (depois é isto: o sonho é completamente uma máquina misturadora desta e daquela vivência...)
E lá estava eu no sonho: verdadeiramente intrigada com aquelas novas pessoas...
E foi isto, nada de especial, mas fica o registo do sonho com o Bacalhau com Natas.
sexta-feira, novembro 17, 2006
quinta-feira, novembro 16, 2006
Golden Opportunity
Foi isso que sentiu quando perdeu Joana, a sua companheira de sempre, há cerca de 3 anos e meio. Da mesma idade, conheceram-se através de amigos em comum. Joana formou-se em gestão de empresas numa conceituada Universidade também ela no Porto. No último ano da licenciatura partiu em Erasmus para Espanha; instalou-se na capital madrilena e lá ficou por doze meses. Partiu com o coração nas mãos, deixava João para trás no aeroporto, entre lágrimas e abraços já cheios de saudade e de expectativa sobre o futuro, sobre a relação.
Em doze meses, a vida pode dar um looping ...um salto triplo mortal e desarranjar-nos por completo os planos, ainda que esses planos se julgassem ser de pedra e cal. Vai-se a ver e os planos não nos pertencem. Apenas os sonhos nos pertencem e pode ser que esses coincidam com os planos que a vida tem para nós. Pode ser...
Em Madrid, Joana foi infeliz. Saudosa, não se adaptou às pessoas nem ao ambiente citadino. Muito menos à língua. Invadida por pensamentos de tristeza e de algum fatalismo, foi-se afundando num fosso em que a comida parecia ser o único conforto. Comia porque se sentia triste. Comia para esquecer, comia para recordar e comia para tentar enganar o tempo que parecia estagnado. Toda ela estava estagnada. Apenas se movia para os estudos, para o que a levara lá. Afastou-se de João, porque se sentia feia, porque não mais acreditava em si, nas suas qualidades, nas suas capacidades. Ficou evasiva aos telefonemas, às visitas.
João não compreendia o que se passava e a distância ia gerando mal entendidos. O pedido de socorro de Joana chegava distorcido a João e ele julgava que Joana deixara de o amar. Ainda chegou a ir lá visitá-la mas Joana foi (ainda que a muito custo) fria, distante. Achava que João havia de se afastar dela, que o melhor era assim, que ela só lhe ia fazer mal, que lhe ia dar somente tristeza, pois toda ela era tristeza, desilusão, fraqueza.
Até que o tempo afinal ditou o regresso de Joana. As mudanças nem haviam sido muitas. Fisicamente Joana estava um pouco mudada, maus hábitos alimentares – pensaram. Interiormente vinha um caco e isso não foi dúvida para ninguém. Joana chorava compulsivamente à mesa, no quarto, na sala, na rua, no carro. Libertava o que conteve sozinha durante 12 meses. Chorava de saudades de João, chorava de remorsos porque agora apercebia-se que ao invés de o ter afastado o devia ter chamado para junto de si, que a união faz a força e que a solidão nos corrói, nos deixa fracos.
João foi-se aproximando aos poucos. Um a dois telefonemas por semana, uma visita de quinze em quinze dias, um café, depois outro café, uma visita demorada lá a casa, um jantar e a reconciliação. O abraço forte e apaixonado aconteceu. Joana recuperara finalmente a auto-estima, a vontade e a alegria de outrora.
Encarou o mercado de trabalho com garra, determinação e logo conseguiu uma oportunidade numa firma conceituada. João estava também a dar os primeiros mas sólidos passos na sua área.
Quase meio ano depois aconteceu a notícia, a boa nova invadiu de alegria os pais, os familiares, os amigos: iam casar.
A cerimónia foi lindíssima. Com mais de 300 pessoas reunidas, com um fogo de artificio que tornou a noite em dia, como um conto de fadas - um dia inesquecível.
Se ao menos um dia todos pudessem ter uma porção de felicidade como a deles, não havia tristeza que sobrevivesse num único ser humano.
E assim se inicia a vida a dois, com horas para levantar, com horas para ir trabalhar. Mas as horas sabem melhor, passam melhor. Vamos trabalhar mas não vamos sós. Regressamos a casa cheios de energia, porque é lá que nos esperam, é lá que esperamos. É lá que acontecem os abraços, que se trocam as palavras mais doces, que se dorme abraçado, que se acorda com o calor do corpo da pessoa que para nós é tudo nesta vida. É lá que se partilham as coisas que não dizemos a mais ninguém. Que sussurramos palavras. Que deitamos e enxugamos lágrimas. Que nos tornamos melhores pessoas. Porque o amor adoça-nos e devolve-nos o sentido do que é verdadeiramente importante nesta vida.
Foi lá, em casa, que surgiu a notícia: proposta de ida para Angola, para acompanhar 3 das maiores obras locais. Uma oportunidade de ouro. Um excelente pacote remuneratório, uma alavanca excepcional na carreira. Tempo: 3 anos.
Três anos. Trinta e seis meses. Mil e noventa e cinco dias. Vinte e seis mil e duzentas e oitenta horas.
Surge a dúvida. Não se consegue decidir algo que implica três anos da noite para o dia.
Iniciam os diálogos. Valerá a pena, e o meu trabalho?, e onde viveríamos?, e o nosso apartamento? vender? continuar a pagar?, e o país?, e as doenças?, e se algo corre mal?, e eu encontrar lá emprego?, e vais mesmo ganhar isso tudo?, e o custo de vida?...
Nem todas as perguntas têm resposta. Algumas destas respostas seriam meras suposições, outras ficariam por responder. Mais uma vez, estavam ao sabor do tempo, só a passagem deste ia deslizando a cortina e desvendado respostas através de acontecimentos.
Mais um salto no tempo. João está numa obra gigantesca, coordena um projecto e uma enorme equipa de trabalhadores. Anda numa azáfama diária imparável, extremamente exigente. Mas está muito entusiasmado com tudo. Gosta imenso do que faz. Sabe que quando regressar a qualidade de vida irá aumentar exponencialmente. Mesmo que isso não aconteça (o que é pouco provável) está a viver uma fase de aprendizagem profunda. A adaptação foi relativamente fácil. Não é o único português.
E Joana?
Ah, Joana está uns kilómetros mais além, está na praia com um grupo de jovens esposas que também resolveram arriscar com os seus maridos e agarrar uma oportunidade que o acaso
lhes atirou ...O resto do dia, cuida de crianças num infantário.
Estão felizes, sabem que a união faz a força, e que a força que os move é o Amor que sentem um pelo outro.
quarta-feira, novembro 15, 2006
Um poema à serenidade...uma sereia serena...

UM POEMA
Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar,
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
Miguel Torga, Diário XIII
'A pequena sereia' em Copenhaga...