sexta-feira, fevereiro 26, 2010

One song - One story

O táxi parou. O homem parou o taxímetro: Eight dollars, miss.
Estendeu-lhe dez - Keep the change - e saiu.
O taxista ainda demorou a arrancar, inebriado com o perfume que passeava, libertino e perturbador por toda a viatura. Aquela mulher! Durante a curta viagem, não conseguiu deixar de a olhar, de soslaio, pelo retrovisor. O cabelo negro, comprido, selvagem. A pele morena, os traços indígenos, entrecortados por um verde marinho profundo do olhar. O vestido, justo ao corpo, denunciava um decote suculento e revelava as pernas atléticas e brilhantes. Sentiu-se guloso daquela mulher! Ainda ficou um bom bocado a vê-la a afastar-se, rua afora.
Anna caminhava por uma rua de South Beach, iluminada pelas luzes quentes e cheia de gente dispersa pelos lounges, entretida entre sessões de manicure ao ar livre e martinis.
Black is the night, my heart, my soul - pensava ao escutar a música que parecia não só percorrer a sua mente, como o seu corpo, como um abraço forçado, à bruta.
A agitação da noite boémia condizia com o seu estado de espírito. No começo da Ocean Drive, chegara à discoteca. Entrou e logo se entregou aos ritmos e à bebida. A regra era apenas uma: libertar-se!
Black is the night, black is all I see…
Quem disse que a escuridão da noite não pode ser a nossa melhor companhia?



(o mote está dado: colocar uma música a tocar, inspirar-se e deitar uma história cá para fora, partilhar histórias saídas do nada, dos cantos recônditos da nossa mente ... e lê-las ao som da música ... bale?! )

3 comentários:

Maria disse...

Bale Bale....

Vou fazer isso!!

Madalena disse...

Muy bien! Vou inspirar-me e realizar qualquer coisa bem catita!

Betty disse...

Gostei! Vamos lá ver o que sai destes neurónios.