segunda-feira, outubro 20, 2008

«Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez, e outra e outra, como uma especie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada a ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta à outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.»

pp. 10 Kafka à beira-mar
Haruki Murakami

4 comentários:

Cláudia disse...

É fantástico.
A Biblioteca é, talvez, o meu refúgio nessa história.

Maria disse...

Murakami rules!!
Por vezes um pouco demais, parece-me!

Betty disse...

Não gosto de tempestades de areia! Principalmente quando estou no meio de uma... sinto-me desorientada e confusa, procuro o sol e só encontro mais desorientação.
Espero que a tempestade passe rapidamente...

Ivana disse...

A tempestade pode ser a melhor coisa que te podia acontecer. Depois desta passar, limpa a areia dos olhos, sacode a areia dos ombros e prepara-te para veres o sol. Seja de que cor, forma ou tamanho for.
A vida também vale a pena pelas tempestades...

lobe iu