terça-feira, abril 08, 2008

Rio-Mar

E então, mesmo quando passava junto do meu anjo da ribeira, a gaivota planou junto a mim e gritou. Um grito agudo, claro, que me despertou.
Olhei-a admirada mas ela agia como se já tivesse cumprido a sua função. Planava ainda, no entanto, altiva, mesmo junto a mim.
Gritou de novo. E então percebi. Os barcos agitados sussurravam entre si apreensivos. Os seus nomes ondulavam com força e mesmo a “Maria da Nazaré” parecia pronta a zarpar a qualquer momento.
Do outro lado do mundo, o mar elevava-se indignado, espumava-se e debatia-se contra a torre de chapéu vermelho iluminado. Vi novas gaivotas clamando calma e também eu me agitei por dentro.
No meio, mesmo no limiar do espelho que me transportava entre mundos, lá estava ele. O Rio-Mar.
Olhava-me prateado, orgulhoso e parecia sorrir de forma provocadora. Formava pequenas ondas e estava grávido até à estrada.
O rio queria ser mar nesse dia e a natureza parecia zangada.

2 comentários:

Li disse...

Que maravilhosa e poética forma de descrever a Foz...
Adorei.

Maria disse...

Lindo
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