terça-feira, agosto 28, 2007

Memórias do Bacalhau


Episódio pré-histórico - especial Aniversário

O ano é de 1980. O mês é o de Agosto, numa época em que os dias eram daqueles quentinhos, daqueles em que se saía à noite sem precisar do casaco. Em que chovia, mas isso era no ‘estrangeiro’!!
Dia 28: Baby Mary apresenta-se ao mundo. Chorosa, porque queria continuar no bem bom, dentro da barriguinha da sua mãe. De pernas para o ar, recebe como gesto de boas-vindas uma valente palmada no rabo! Baby Mary ressente-se de tal recepção e começa a berrar, amuada.
De repente, sossega. Alguém pega em si, aconchega-a junto ao peito e Baby Mary olha para dentro dos olhos mais reconfortantes, mais meigos e mais amigos da sua vida – os da sua mãe.
A mãe de Baby Mary tinha os olhos de uma Aurora resplandecente e emanavam um enorme calor que lhe aqueceriam o coração ao longo de toda sua vida dali em diante.

Baby Mary era um doce. Uma apple-pie, de cabelinhos escuros. Muito peludinha! A sua mãe rapidamente se apercebeu de duas coisas: a primeira, de que nunca mais conseguiria ter noites de sono de oito horas seguidinhas; a segunda, que estava verdadeiramente apaixonada por aquele ser pequenino e com olhos repuxados à chinesinha!

Depois de algumas latas de leite em pó, de algumas bananas trituradas com bolacha Maria, a Baby Mary foi crescendo em serenidade e equilíbrio.
Até que...

Entra o ano de 1986. Com 6 aninhos completos, Mary tem o coração a palpitar. É o seu primeiro dia de escola! Tudo era novo: a sua bata imaculadamente branca, a sua mochila, os seus lápis, aquela sala, a professora do dente de ouro, os meninos...
Mas Mary estava confiante que iria gostar dali estar. Todos pareciam simpáticos.
Quase que ouvia os passarinhos a chilrearem de alegria lá fora... Até que a professora do dente de ouro se aproximou da sua carteira em madeira. Trazia uma menina pela mão e disse-lhe que se sentasse na sua carteira, ao seu lado.

A menina, de cabelo apanhado num rabo de cavalo, sentou-se junto a si. Mary pensou para consigo: ‘Que bom, uma nova amiguinha!’
- Como te chamas?- perguntou-lhe Mary amistosamente.
- Carminho – respondeu a companheira.
- Não queres saber como me chamo? – disse Mary com um sorriso.
- Ah, na verdade...Essa tesoura em forma de cozinheiro é tua não é? Empresta- ma! – disse Carminho.

Mary nem teve tempo de dizer que sim nem que não. Como boa menina assistiu à pequena Carminho pegar-lhe na tesoura. Ao mesmo tempo que o fez, pegou-lhe também no desenho que estava a fazer durante o tempo em que estivera na sala. Sem dó nem piedade, Carminho tesourou-lhe o desenho!!!!
A pequena Mary assistiu à horrorizada à tragédia!
Carminho, satisfeita, devolveu-lhe o seu desenho e a tesoura.


Os passarinhos tinham subitamente ficado mudos, a professora parecia-lhe agora a bruxa má! Como é que ninguém vira o que lhe acontecera!! A maléfica Carminho arruinara-lhe o desenho!
Mary conteve corajosamente as lágrimas. Decidiu conter-se e esperar (quanto mais não fosse pela hora de escapar daquela sala!!).
(se aquilo era a escola, esperavam-lhe tempos difíceis!)
Os momentos que se seguiram não foram menos tormentosos. A professora do dente de ouro fazia agora a distribuição do material pelos meninos.
- Para guardar os trabalhinhos, cada menino tem uma capa de argolas. Há em azul e em vermelho. Podem escolher a cor e depois vão escrever o vosso nome e cuidar muito bem da capa.

E assim o foi. As capas azuis e vermelhas foram passando até chegarem à carteira de Mary e de Carminho.
- Eu fico com a vermelha! – disse logo Carminho, açambarcando a capa vermelha.


Como havia apenas outra de cor azul pousada na mesa Mary, sem opção, resignou-se e segurou na capa azul.
Mas...Carminho grita:
- Não, afinal fico com a azul e tu com a vermelha! – disse, enquanto lha tirou das mãos.
Mary, mais uma vez controlada, nada disse, nada fez.
Não satisfeita, Carminho:
- Olha, eu quero é mesmo a vermelha!

Dito e feito. Mary hasteou a bandeira branca e rendeu-se. Estava oficialmente tramada com a prenda que lhe saíra como companheira...

Os dias, meses e anos que se seguiram consistiram basicamente em Mary amestrar a pequena Carminho. As duas miniaturas de gente começaram então a entender-se e a trocar berlindes nos intervalos e a partilhar os mesmos gostos quanto a rapazes. Até à quarta-classe ambas sonhavam namorar o mesmo galã e quebra-corações da sala. Mas ficaram-se pela ambição que o rapaz queria era andar de bicicleta e andar sempre fanhoso e a precisar que alguém lhe assoasse o nariz...(Iac!)

Com um corte de cabelo à tigela e muitas sardas na face Mary foi-se tornando amiguinha de Carminho e convidava-a para as suas festas de anos!
Como eram sempre durante o período das férias grandes, a loucura era total!

Carminho nunca se recusava a ir às festas de Mary (de pequenina se torce o pepino...) E lá ia ela toda feliz, em calções curtinhos e sempre de rabo de cavalo! Festas ultra-exclusivas (tanto que o único rapaz lá visto era o irmão de Mary), nas quais o limbo e os concursos de dança eram obrigatórios. Um Must!

O tempo foi passando, o grunge nasceu, cresceu e morreu, o FootLoose passou a ser o disco dos cotas, os Ministars e os Onda Choc foram todos para a universidade, outros seguiram um curso técnico profissional, casaram e tiveram uma data de filhos que nunca souberam o que era o vinil e as meninas Mary e Carminho lá se iam encontrando no mega evento de Agosto (quais festas da extinta Casa do Castelo) – as festas de aniversário de Mary...

E eis-nos chegados a este dia 28 de Agosto de 2007.

Carminho passa em revista na sua memória alguns dos melhores momentos passados com Mary na comemoração de cada aniversário da sua querida amiga, desde pequena, (desde que começou a ser gente e a adquirir regras de convivio social pacifico : )).
E pensa em Mary com muito carinho e que pela, primeira vez em vinte anos!) não lhe vai poder dar pessoalmente um beijinho de parabéns. Fica no entanto, a promessa de o fazer muito em breve : )

Mary, por seu turno, estará sentada na sua secretária de trabalho londrina. Vai abrir a sua mail box durante a pausa de almoço e, enquanto ‘morderá’ o seu almoço (uma japonesisse qualquer), lerá estas palavras que Carminho lhe dedica e vai sorrir tal e qual a Mary picolina de outrora.
Eu sei que vai. ..


(Espero que estas palavras viagem ao teu encontro. Vão carregadas de carinho, estima e de uma enorme admiração.
Desejo que o teu sopro de velas deste ano seja carregado de renovada esperança nesta vida que é tão bela e tão inspiradora! Tem um dia em GRANDE! Beijinho Enorme!)

4 comentários:

Carminho disse...

Parabéns!!!!!
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Madalena disse...

Feliz aniversário minha linda!

"Que mil sorrisos te encontrem!"

Beijos enormes!

Missy

Maria disse...

Mais uma vez lá conseguiste a proeza do costume: pôr-me a chorar!!!
Chorei de felicidade.
Chorei por ter o privilégio de te ter como amiga.
Chorei porque me conheces tão bem!!
Amo-te muito!!

Maria disse...

PS - Hoje não comi nehuma japonesise!! Apenas uma sandocas à inglesa!! Amanhã tenho o almocito com a gang toda do escritório!!! HIHHIIHIHIH