sexta-feira, maio 28, 2010
Day One
A novidade e a ansiedade de partir à descoberta são os melhores estimulantes que existem, porque não foi preciso qualquer despertador e, ainda que tivéssemos dormido escassas horas , estávamos frescos que nem alfaces!
Apesar do ponto de encontro no pequeno-almoço estar combinado para as oito e meia da manhã, fizemos questão de acordar mais de uma hora antes para desfrutar tudo aquilo que aqueles escassos metros quadrados de quarto poderiam oferecer. A este momento, um sorrisinho maroto desenha-se provavelmente nas vossas caras. Pois bem, nas nossas caras esse sorriso era rasgado e super feliz!
Abrir as grossas cortinas e deixar entrar a luz pelo quarto adentro, olhar em frente e espreitar para cada janelinha dos prédios em frente e deixar-me ali estar como voyeur por uns instantes a imaginar o dia-a-dia daqueles anónimos, era fabuloso.
Enquanto tomávamos um duche, escutávamos as notícias na televisão: relatavam o estado caótico dos aeroportos europeus e falavam no caso português, com todos os voos cancelados.
Tinha sido mesmo por um triz! No dia anterior, percebêramos que as coisas estavam a complicar-se e que a nuvem de cinzas estava a ameaçar deixar muita gente em terra.
A sorte estivera connosco, havia que admitir e, por isso, era bem que aproveitássemos ao máximo!
Ao descer para o pequeno-almoço, o elevador foi parando em vários andares e é curioso que, se cá não existe um comportamento uniforme de cumprimentar as pessoas quando se entra ou sai de um elevador, lá verifiquei que não só se saúdam as pessoas como se começam animadas conversas matinais:
«Hi! Going downstairs?» - uma simpática velhinha pergunta, enquanto entra no elevador acompanhada de mais quatro amigas.
«Yes, we are» - respondemos e calamo-nos, caladinhos como se faz cá na nossa terrinha.
«Oh, your shirt is lovely!» - diz-me ela na maior das naturalidades.
«Oh … actually is a dress …» - respondo eu, contorcendo-me logo a seguir pela resposta estúpida que acabara de dar face a um comentário tão simpático.
É outro hábito da nossa terrinha: não estamos habituados nem a conversas de elevador com desconhecidos, nem a elogios rasgados e espontâneos.
Ela pareceu não se importar muito e continuou a falar comigo: «Well, it’s very nice. It looks very comfortable »
«Thank you, I like it too». – respondi.
Entretanto, não houve tempo para maior confraternização, porque chegáramos à sala de pequenos-almoços.
E que sala! Frutas frescas laminadas e variadas entravam em grandes travessas, havia copos de plástico com a tampinha ‘’à Starbucks’’ para podermos servir-nos de café e leite. A variedade de pães e muffins era enorme e havia ainda os típicos croissants e cereais de pequeno-almoço.
Mas, o que fazia as nossas delícias matinais eram mesmo os iogurtes com cereais e fruta à mistura. Chegavam em copinhos de plástico transparente, fechados e, assim que a funcionária os colocava na mesa comprida era ver toda a gente das mesas em redor a levantar-se e a, de forma elegante mas apressada, tentar agarrar dois ou três daqueles iogurtes deliciosos!
De pequeno-almoço tomado e já cá fora, tempo de marchar até ao Museu de História Natural. Nas ruas via-se pouca gente. Era cedo, era domingo e de certeza que muita gente se estaria ainda a deitar depois da farra nocturna. O frio era cortante, pelo que o casaco andava sempre com as golas levantadas. Rapidamente, o batom de cieiro tornou-se no nosso melhor amigo. As ruas são, ao contrário do que imaginava, muito largas pelo que os arranha-céus não parecem tão ameaçadores, nem impedem que a luz do sol apareça.
Para chegarmos até ao Museu, tínhamos que apanhar o Metro. Se a Nova Iorque à superfície é bonita e moderna, no sub-solo a coisa perde completamente o glamour. A estação era velha, com as entranhas à mostra: tubagens velhas e apodrecidas, ferrugem e pinturas a estalar em todo o lado. As bilheteiras parecem autênticas casas fortes. Do outro lado de um vidro espesso está uma pessoa que nos fala por um intercomunicador. Dois pensamentos imediatos: isto deve ser perigoso e daí a fortaleza e, logo depois, um dia ou noite inteiros enfiado naquele cubículo subterrâneo, benza Deus!
Entender o mapa do metro e todo o emaranhado de ligações não é fácil. Não é tão intuitivo e imediato como, por exemplo, o Tube londrino.
A caminho do museu não pudemos deixar de nos rir com o apelativo cartaz colado no interior.
A acompanhar a imagem de uma família sorridente – pai, mãe e filha abraçados – com um táxi amarelo por detrás, aparecia o slogan: «Come to Manhattan and have a great life parking cars! e, mesmo ao lado, a respectiva tradução hispânica. E, por baixo enunciava as regalias associadas. Não só um salário, como gorjetas, prémios mensais e seguros.
-Olha, o Rui Rio ainda não sabe disto de certeza que ele ia ter logo o problema dos arrumadores resolvido! Recambiava-os logo para cá! – não pudemos deixar de comentar e sorrir com aquilo.
Chegados ao Museu de História Natural, compramos facilmente os bilhetes e acedemos, em conjunto com várias famílias e muitos pequeninos, a um Mundo fantástico em que a origem das espécies e da vida nos vai sendo relatada de forma imponente. Desde a formação das galáxias, até às espécies animais e vegetais e povos de todo o Mundo, tudo está lá para ver em e, muitas vezes, à escala real. É impossível relatar tudo o que se vê num Museu, porque há muita coisa que a retina não consegue apanhar, ora porque o tempo não permite, ou porque o interesse nos foge para outra direcção. Mas posso dizer que imperdível é a sala onde está representado o homem primitivo, desde a sua origem e evolução através dos primeiros tempos e que outro grande momento é passado na famosa Sala que alberga as ossadas dos grandes dinossauros. Para quem viu o filme ‘’Uma noite no Museu’’ esta Sala é a mais familiar. Para além da grandiosidade dos dinossauros, é impossível deixar de ficar fascinado com as citações inscritas nas paredes, todas elas proferidas pelo Presidente Roosevelt. Fotografei quase todas mas estas foram as minhas favoritas:
«Youth: I want to see you game, boys, I want to see you brave and manly, and I also want to see you gentle and tender. Be practical as well as generous in your ideals. Keep your eyes on the stars and keep your feet on the ground. Courage, hard work, self-mastery, and intelligent effort are all essential to successful life. Character, in the long run, is the decisive factor in the life of an individual and of nations alike.». É incrível como as palavras são tão actuais! Até ao final do dia, aquela frase bailava na minha mente: Keep your eyes on the stars and keep your feet on the ground.
À saida, ficamos com a sensação de que o Museu é fantástico e que, para qualquer criança, é uma excelente e gigantesca sala de aula! No entanto, há salas em que já não valorizamos tanto porque já tivemos oportunidade de ver as coisas em carne e osso, como é a da selva. É nesses momentos que nos lembramos e somos relembrados, maliciosamente pelos nossos companheiros de viagem, das nossas aventuras e desventuras passadas há quase dois anos no dorso de um elefante!
Tempo de seguir para o Metropolitam Museum of Art ou, simplesmente, Met. A entrada é logo majestosa, com uma enorme escadaria. Muita gente a subir e a descer fizeram-nos desconfiar que comprar bilhetes seria uma tarefa difícil mas não! Visitar o Met é um desafio longo, porque tudo tem interesse! Para além disso, é também uma grande caminhada! No entanto, o que ficou retido como algo imprescindível são as salas egípcias que tem um recorte de uma pirâmide em que vale a pena entrar para ver as fabulosas pinturas. Fantásticos são também os sarcófagos e toda a arte egípcia que nos deixa boquiabertos perante a sua minúcia e beleza. A área dedicada à Grécia é também avassaladora, mais uma vez com representações fantásticas e in loco da arquitectura e estatuária gregas.
Em cada sala e corredor vai nos sendo contada um pouco da História da Arte de todos os povos (grego, egípcio, islâmico, africano, americano, asiático, medieval, …) até aos nossos dias, embora a Arte Contemporânea em todo o seu esplendor estive reservada para ver no MoMa (Museum of Modern Art). Há salas maravilhosas e os quadros dos grandes nomes estavam lá. Curiosamente, Picasso estava em destaque quer no Met quer no MoMa. Entre os dois Museus, é difícil de escolher um preferido. O MoMa foi uma experiência mais familiar, porque a colecçção é muito semelhante à que se vê na Tate Modern e o espanto da novidade já tinha sido experienciado lá. Porém, a modernidade de um acaba por ser tão fascinante como a antiguidade do que o outro expõe, por assim dizer. E perder uma visita a estes dois Museus é deixar riqueza fugir entre os dedos. É cansativo? É, sobretudo para as pernas e pés. Mas vale cada bolhinha do pé!
E depois de alimentada a mente, tempo para alimentar o corpinho! A escolha do local foi ao acaso. Foi, no entanto, muito feliz, porque acabamos por escolher uma simpática pizzaria perto da Madison Avenue (uma zona residencial abastada e muito recatada de Manhattan). Muito ao estilo de um Al Forno de cá, as pizzas e calzones são feitas à frente do Cliente e a carta é, para quem é amante como nós da cozinha italiana, uma verdadeira tentação!
Entre conversas, risos, pizza, amor e alguma fantasia lá recuperamos energias e partimos em direcção ao Central Park!
Entrar no Central Park é entrar noutra dimensão. É chegar e assistir a uma explosão de verde! Os jardins são gigantescos e muito bem tratados. Havia imensa gente a jogar softball, a namorar, a fazer jogging (como eu imaginava!), a passear (como nós) ou nas esplanadas. É engraçado ver os esquilos a correrem frenéticos de um lado para o outro em busca da sua bolota. Como fazia frio, alguns tinham-se lembrado (e bem!) de levar a bela da mantinha de casa e estavam enroscadinhos e quentes a escutar a grande banda que espalhava música naquele ambiente de pura tranquilidade. No bom tempo, fazer um pic nic no Central Park deve ser uma experiência imperdível mas contentamo-nos em apenas passear. As famosíssimas pontes pedonais logo surgem e lembram-nos logo cenas de filmes como o Home Alone ou outros. Mais uma vez, a imagem era familiar. Passamos por um enorme lago onde boiavam pequenos veleiros controlados à distância por pessoas que estavam na esplanada. Continuávamos a caminhar quando nos apercebemos de um grupo de pessoas vestidos com um estilo rap a chamar as pessoas para se juntarem a eles. No chão, estava um rádio leitor de cassetes daqueles antigos que passava Michael Jackson. Chamavam-nos porque o espectáculo ia começar e pediam-nos que nos sentássemos a assistir. Curiosos, fizemos a vontade e valeu a pena tê-lo feito. À nossa frente, um grupo de seis adultos e um miúdo dançaram até se fartar e foram fenomenais. Iam interagindo com o público e dizendo piadas. Tudo com uma qualidade que nos deixou incrédulos. No final, pagamos o que quisemos. Foi mais que justo! Aplaudimos com vontade!
Já a caminhar de regresso ao Hotel, para descansar um pouco e preparar-nos para Jantar, fizemos o balanço de um dia cheio de imagens e sensações. Um dia já tinha passado e depressa e isso dava ainda mais vontade de aproveitar cada bocadinho, antes que o sonho terminasse!
quarta-feira, maio 26, 2010
Untitled
are. Let this knowledge settle into your bones, and allow your soul the freedom to sing, dance, praise and love. It is there for each and every one of us.", by unknown.
sexta-feira, maio 21, 2010
What’s up NYC?
O tratamento informal é, desde logo, um convite a este à vontade: ‘’Where are you guys from?’’ – questiona o super cool funcionário, enquanto observa com espanto um dos passaportes que tem selos de sítios tão remotos como o Nepal, Moçambique, Angola, Brasil, entre outros.
‘’From Portugal’’ – respondemos, num misto de cansaço e euforia.
Porém o cansaço fica barrado na alfândega, ele não tem visto de entrada em Nova Iorque, pelo que a primeira lufada de ar fresco que se apanha à saída do aeroporto serve perfeitamente como fonte de energia! Há uma fila de pessoas para apanhar um táxi e temos que nos juntar a elas. A organizar a fila e a coordenar os táxis com as pessoas encontramos um indivíduo alto, negro com um tom de voz que eu juraria, se não lhe tivesse visto o rosto, pertencer ao James Earl Jones!
Decidido a despachar o máximo de pessoas no mínimo tempo possível, percebemos de imediato que com o our pal Mr. ‘’Jones’’ não ficaríamos na fila por muito tempo.
E assim foi … Num abrir e fechar de olhos, estávamos a caminho do hotel. As indicações de morada têm que ser precisas, nomeadamente o cruzamento exacto do número da Rua com o da Avenida. É que, por um lado, a cidade é gigantesca demais para apenas se poder dizer o nome da Rua ou do Hotel e esperar que o taxista conheça ( a menos que se fique no Plaza ou no Waldorf Astoria, claro).
E, por outro, quase todos os taxistas – como constatamos mais tarde – necessitavam eles mesmo de orientações, porque pareciam conhecer a cidade tanto quanto nós. A grande maioria é emigrantes a quem puseram um volante numa mão e um ‘’desenrasca-te’’ na outra. E eles safam-se como podem… E às vezes são mal-educados e noutras tentam levar dinheiro a mais, argumentando que a ‘’Tip’’ é extra.
Por isso mesmo, a primeira frase a trocar quando nos cruzamos com um taxista no nosso caminho é: ‘’Put the metter on please’’.
Chegar à noite tem uma mística muito maior do que se fosse ainda de dia, porque as luzes dão uma vida inigualável à cidade. Após um rápido e simpático check-in no fabuloso hotel, não hesitamos em meter pés ao caminho e simplesmente just follow the lights: on our way to Times Square!
Á saída do Hotel pára uma limusina preta, enorme. O elevador apita e dele saem quatro jovens vestidas com roupas elegantíssimas e frescas. A noite era fria e o vento cortante, mas elas não pareciam importar-se. Sorridentes, entraram no limo e seguiram caminho. Espectadora de bancada, assisti deliciada à cena. Afinal, don’t the girls just have to have fun? Yes, they do!
Lá metemos pé ao caminho. O engraçado é que a sensação que se tem, a cada passo dado, é que aquilo tudo nos é familiar. Os filmes e as séries para isso contribuíram, claro está. Até podia pensar que, noutra vida, fui uma nova-iorquina, mas não. Manhattan foi-me apresentada por Woody Allen e por uma série de realizadores e produtores. Não pelo Além, decididamente!
Dizia eu que não existe uma estranheza por ser um local novo. Pelo contrário, é como que um reconhecimento do terreno: sim, os yellow cabs iguais aos dos filmes e dançam ao sabor das lombas nas ruas de alcatrão em obras; sim, os postes de sustentação dos semáforos são longos e parecem frágeis se agitados pelas fortes correntes de vento; sim, os edifícios são tão altos e imponentes que para olharmos para o seu topo, todo o nosso pescoço se contorce; e, sim, a Lua é linda no céu de Nova Iorque.
A poucos quarteirões, passado o Bryant Park e o espanto com o facto de as avenidas serem tão amplas eis que Times Square se revela.
A familiaridade é completamente engolida pelo assombro. Uma coisa é vermos Times Square num ecrã de algumas polegadas, numa foto, num postal. Outra, completamente diferente, é estar em plena Times Square e sentir o coração a bater de emoção como se tivéssemos aterrado no país das Maravilhas! Os nosso olhos simplesmente não param quietos, saltam de ecrã em ecrã, estupefactos com as dimensões gigantescas dos LCD’s e com a vivacidade das cores. Há cor, luz imensa, informação em toda a parte: uma lagartixa que nos dá conta das ultimas novidades do desporto; noutro placar, índices bolsitas; noutro – gigantesco – a yahoo e outras marcas infindáveis fazem publicidade como que a gritar ‘’Pick me, pick me!!’’ de tanto espalhafato que fazem os neóns!!
É absolutamente espectacular e obviamente que percebemos que era sítio a explorar com maior atenção durante os dias seguintes. O impacto desse momento foi brutal e avassalador.
Foi a melhor forma de NYC nos receber e nos dizer ‘’What’s up, you guys?’’.
Nós sorrimos-lhe, tal qual crianças na Euro Disney, abandonamos o corpo e deixamo-nos caminhar e rodopiar naquele bailado de pessoas, cor e luz!
Antes da noite acabar e porque era mesmo preciso amanhecer cedo para aproveitar ao máximo, eis a primeira experiência: o Bubba Gump, ali mesmo em Times Square – a derradeira experiência de atendimento country, com música country à mistura e muitos smoothies deliciosos (e calóricos, diga-se!). Mas, depois de uma refeição sofrível no ar, nós merecíamos saborear aquela visão de Times Square com uma bebida refrescante a acompanhar!
No regresso ao Hotel, os planos borbulhavam nas nossas mentes. Esperava-nos um roteiro ambicioso em termos de tempo disponível e exigente em termos físicos.
No entanto, isso não iria ser problema: o cansaço ficara retido lá atrás e NYC não dorme mesmo!




"Take the first step in faith. You don't have to see the whole staircase. Just take the first step."- Martin Luther King Jr.
Esqueçam tudo o que vem nos guias, revistas de viagens e afins acerca desta Cidade. Eles servem apenas para orientar em termos de percurso exploratório mas são inúteis na descrição dos lugares, das pessoas, das sensações e emoções fortes que se vivem na Big Apple!
Esta é uma história de um Amor que foi crescendo devagar, devagarinho. Remonta a um tempo distante, em que uma menina sonhava, em frente ao televisor, com uma Manhattan que lhe era revelada aos poucos tendo como pretexto as aventuras e desventuras de quatro amigas cosmopolitas, glamorosas e, ao mesmo tempo, frágeis e em busca do seu grande Amor. E, tal como um amor platónico, a ligação entre si e a cidade cosmopolita e das oportunidades foi crescendo, a par do sonho. Com o passar do tempo, a menina foi-se tornando mulher e o sonho foi-se convertendo em fé inabalável e da fé passou a objectivo e, num salto, em realidade.
Na mala de viagem, como não poderia deixar de ser coloquei o pin da amizade. através dele viajaram comigo as amigas que, há cerca de uma década atrás, me inspiraram as crónicas ‘’A falta de sexo (oposto) na Cidade’’ com que, a cada aniversário, brindei cada uma delas. Era uma homenagem mais do que justa.
Há um tempo certo para tudo e é no regresso de Nova Iorque que consigo ver o quadro completo. Não teria feito (tanto) sentido ter ido lá antes. Não sem esta visão do presente, do passado e do futuro. Não sem esta certeza que hoje carrego dentro de mim de que as viagens só fazem sentido se partilhadas com a pessoa que nos completa. Porque, se há uns anos atrás teria feito esta viagem como forma de auto-descoberta pessoal, desta vez viajei inteira para descobrir não a mim mas sim à Cidade que habitava na minha fantasia. Um movimento de dentro para fora aconteceu em mim e simplesmente deixei a felicidade fluir, transbordar …
E foi assim que, carregado de uma enorme vontade de viver a Cidade, o Amor aterrou no Aeroporto JFK, em Nova Iorque, a 08 de Maio de 2010.
Tempo de recuar cinco horas no relógio, buscar as malas e … let love happen!
domingo, maio 16, 2010
Estamos sempre a aprender
Mas tornou-se necessário "molhar a palavra". E que bem molhada ela ficou...
E depois de bem regalados, nada como terminar a noite numa das discotecas da moda. Dançar, saltar e cantar porque é preciso esquecer, porque é preciso não lembrar, porque gostamos, porque somos assim, porque nos divertimos, porque sim...
segunda-feira, maio 10, 2010
Best post ever live at NYC
sábado, maio 08, 2010
sexta-feira, maio 07, 2010
Diz ele (ou os senhores do marketing) que sempre houve um fascínio pela boca de uma mulher e - acrescentam - que não existe acessório mais dramático do que o batom.
Concordo em absoluto e, por mim, andava já com todas as cores dentro da mala a espalhar charme e glamour.
O único pormenor que me aborrece: é que, ao que parece, o batom não sabe assim tão bem para quem nos beija. Pelo menos, para o meu mais-que-tudo, a boquinha ao natural é que é a mais apetitosa!
Pela minha parte, faço-lhe a vontade. Eu quero é beijar! Muito!! :)
quinta-feira, maio 06, 2010
"If"
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:
If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings--nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And--which is more--you'll be a Man, my son!
By Rudyard Kipling (1865-1936).
terça-feira, maio 04, 2010
A bailarina da coxa grossa – um tributo a todas as «popozudas» deste Mundo
Apontava as medidas no moleskine azul que a sua irmã lhe tinha oferecido para os seus desenhos a carvão.
Desenhava bailados, sobretudo. Bailarinos da sua imaginação em poses majestosas, sublimes!
O seu sonho era tornar-se bailarina. Por isso, dançava, dançava, nas horas livres e nas que supostamente deveriam ser ocupadas com o estudo.
«Não podes relaxar-te nos estudos, senão já sabes que te tiro do ballet» - a mãe Fátima ameaçava.
Mas ela sabia exactamente qual o caminho que queria seguir. Sabia que o seu sonho – aquele que a comandava – iria concretizar-se lá longe, num tempo que ainda desconhecia mas que sentia e sabia existir.
Apenas uma pedra tentava bloquear-lhe o caminho. Não tinha as «medidas standard».
«Uma bailarina tem que ser perfeita, esguia! Tens que perder volume nessas pernas. Nessas coxas!»
Miss Marie, a professora de dança, conseguia ser um pouco cruel mas tinha-lhe grande respeito e admiração. Se ela dizia que tinha que ser, tinha que ser!
Mas, na verdade, perder volume nas pernas, não era fácil! Era mais fácil fazer um exercício de pontas do que ver as coxas a perder volume.
«Esse é o teu formato de pernas, filha e, de mais a mais, isso não é gordura, é tudo músculo! Sais à minha família.» Dizia-lhe o pai, atento e carinhoso e orgulhoso na sua filha por inteiro.
O desalento começava, por vezes, a tomar conta de si. Nas páginas do moleskine os desenhos não contavam as habituais histórias de bailado. Ao invés disso, retratavam formas humanas com medidas reais e «ideiais» rabiscadas ao lado. Por vezes, chorava e molhava as folhas delicadas do seu bloco azul.
Um dia o pai, atento e carinhoso e orgulhoso na sua filha por inteiro, foi falar com Miss Marie. Comunicou-lhe, após muita reflexão, que os conselhos de Miss Marie talvez não fossem os mais sensatos no que dizia respeito à sua filha. E acrescentou que as bailarinas não são todas iguais. Que a beleza de um bailado não se reduz ao perímetro de uma coxa. Sobretudo, que ela não tinha o direito de condicionar o sonho da sua filha a uma obsessão pela fita métrica.
Quanto a si, despediu-se de Miss Marie lavada em lágrimas. Ela estendeu-lhe a mão, apertou-a, e apenas lhe disse:
«A postura é tudo nesta vida. Seca as tuas lágrimas e lembra-te que a postura é tudo nesta vida».
A nova escola de bailado foi surpreendentemente libertadora! Com novos professores, novos ritmos, novos colegas! Uma excelente surpresa! Um novo interesse surgiu e, pelo meio, as cantigas tornaram-se numa paixão. E o melhor de tudo foi deitar fora a fita métrica. Lá era aceite tal qual era. Não que fossem menos exigentes. Seriam menos focados na grossura da coxa, talvez …
O resultado do esforço foi compensado e hoje em dia as suas coxas eram reconhecidamente ‘’boas bailarinas ‘’ !
A prova? Aqui está …
«Pôxa, que coxa!!»
Espectacular!!
segunda-feira, maio 03, 2010
Cortar o mal pela raíz
Se quiserem escutar a música de fundo está aqui.
sábado, maio 01, 2010
Sábado de tarde....
quinta-feira, abril 29, 2010
Excentricidades de uma visita Papal ...
É que, católicos ou não católicos, os trabalhadores que não têm (nem vão ter)tolerância de ponto, ver-se-ão gregos para chegarem aos seus locais de trabalho!
Internamente, as pessoas já levam as mãos à cabeça a imaginarem a sua vidinha ...
Melhor começar a rezar por um milagre da multiplicação de ruas ... ou então montar tenda no escritório!
terça-feira, abril 27, 2010
Leg ceiling: nova modalidade desportiva ou nova forma de espionagem industrial?

Desengane-se aquele que diz que já viu tudo nesta vida, pois está redondamente enganado.
Está uma pessoa a laborar, como habitualmente, sentada no seu cubículo-aquário, a pensar com os seus botões como é que a vida a fez aterrar ali há mais de seis anos quando, de repente, escuta um grito assustador vindo de quatro secretárias mais à frente, no openspace.
Acordamos, sobressaltadas, e apenas olhando em frente rapidamente tomamos consciência que esta vida é uma caixinha de surpresas.
Do antes solitário e enfadonho tecto, pendia naquele momento uma perna, que se balançava a um ritmo frenético. Assim, sem mais nem menos, surgira, fracturando o tecto, aterrorizando as pessoas que, sossegadamente, labutavam.
E que perna era esta? De onde vinha, para onde queria ir com aquele balanço todo? Aquele gingar frenético e perturbador?
Pois bem, aquela perna, solitária e encarcerada, pertencia à Administradora. Não era uma perna qualquer, era tão somente a perna que mandava nas pernas de todos nós. Era a perna-mor, a perna que nos paga o salário, a perna no topo do organigrama.
Passado o susto e o espanto iniciais, a questão seguinte foi: que fazia aquela perna ali?
Porque não estava ela a administrar, a gerir o negócio?
Pois bem, no andar superior, já um monte de pessoas acudia à dona da perna, que estava numa espécie de esparregata olímpica desastrosa, com, literalmente, uma perna in e outra out, não da moda, mas do tecto que - a propósito - no andar de cima, era chão.
Após alguma ajuda, a perna balançante desapareceu e abandonou o cosmos.
Os terráqueos do rés-chão ainda estavam incrédulos com o sucedido. Alguns entraram em pânico e teceram futurologia apocalíptica ‘’Qualquer dia, o tecto desaba em cima de nós!’’. Outros, mais imaginativos, correram a espalhar a notícia, empolando o sucedido ‘’A perna rasgou o tecto e quase que tudo caía em cima de nós, pedaços enormes caíram em cima da minha mesa e, por sorte, não me atingiram’’.
Outros, mais pragmáticos e um pouco pervertidos, limitaram-se a questionar ‘’Ela estava de saia ou de calças?’’
O certo é que, até ao momento, ainda não consegui perceber se aquilo foi uma nova modalidade radical que a Chefe estava a tentar implementar – o leg ceiling – ou se foi uma nova forma de espionagem industrial que correu menos bem.
Uma coisa é certa: se o objectivo era introduzir novidade, foi plenamente atingido.
Por isso, não se esqueçam que, anytime, anywhere, BIG LEG is watching you ….
A caixinha de música: LINDA, LINDA, LINDA ...
Escutar esta música faz-me arrepiar, fechar os olhos por uns momentos e, automaticamente, sorrir.
Como se o arco-íris me abraçasse por instantes.
Porque há músicas que fazem a diferença, mesmo!
domingo, abril 25, 2010
Mergulho na memória
E encontro o meu futuro.
As imagens sucedem-se
E iluminam a minha história:
Danço Bowie com sapatos vermelhos de verniz.
Dou uma gargalhada no metro.
Pergunto “estás Feliz?”
Leio David Mourão-Ferreira e espero.
Como a sobremesa no início da refeição.
Aponto no mapa aquele país.
Abraço e desespero.
Saboreio aquele camarão.
Falho e tento outra vez.
Naufrago.
Volto ao porto de abrigo
E respiro.
Uso a palavra e pinto m cravo vermelho.
-“Escuta!” – grita-me a liberdade – “Acorda!”
“Nunca te deixes adormecer. Mas, por favor,
Nunca deixes de sonhar.”
sexta-feira, abril 23, 2010
Panquecas da Nigella para pequeno-almoço de fim-de-semana :)
225g de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó
pitada de sal
1 colher de chá de açúcar
2 ovos grandes, batidos
30g de manteiga, derretida e fria
300ml de leite
manteiga para fritar
Porção: 11 panquecas
Mistura-se tudo no liquidificador e 1 minuto para cada lado na frigideira :)
Yummie!
One song, one story: (de)lírios & o cuidador
murcha. Ao meu lado, o jarro de água está vazio. Os comprimidos já não fazem efeito. Sinto-me sem vontade de nada. Ao meu redor apenas luz, mas não me sinto tranquila.
Acho que me sinto até agoniada com este excesso de luz. É como se tudo na minha vida se resumisse a duas cores – o negro da noite e o branco das paredes, dos lençóis, da luz que entra por entre as amplas janelas… Uma espécie de código binário apossou-se de toda a minha vida. Só os opostos existem: ora me sinto feliz, ora desolada; umas vezes sei que quero o Mundo, noutras, quero deixar de existir nele. Olho para o meu roupeiro e tudo é preto e branco/ e preto. Preto para a noite - porque é sóbrio e elegante, porque seduz.
Roupa branca para usar durante o dia – porque contrasta com o negro dos meus cabelos, porque combina com a minha pele alva e os meus olhos azuis.
Lembro-me de teres sussurrado que eu era o teu pedaço de céu, porque era clara e suave como as nuvens, tinha o azul celeste espelhado nos olhos e a escuridão da noite cravada nos cabelos. Foi nesse dia exacto que me rendi a ti. Em que te tornei estrela do meu céu.
Queria tanto poder sonhar contigo, mas a insónia dos últimos tempos não o consente. A minha mente está exausta e drogada em demasia para conseguir ir lá atrás buscar esses pedaços de ser e de nós. Desde que partiste que não durmo. Não consigo preencher o vazio que deixaste na cama. Ando nela às voltas, tentando manter quente o teu lugar, como se isso te tornasse mais presente. Mas de nada serve. Preciso de ti, do teu abraço, da tua respiração, do teu sossego.Branco é a cor da pureza. Pela lógica, será o preto necessariamente impuro?
Respondo que não. Que é na escuridão, na absoluta cegueira que se descobre a pureza. É negra a cor da manta que a cobre e protege, a oculta e refugia de tudo
aquilo que a possa contaminar, perturbar até. Tal e qual o nosso casamento – a união entre a força e a vulnerabilidade. Entre a brancura do meu vestido e o negro do teu solene fraque. Pelo menos, foi isso que senti no momento em que a minha mão te foi entregue pela do meu pai. Não pensei muito sobre o assunto nessa altura mas, passados os primeiros tempos, esse desconforto começou a surgir e a questionar-me “Alguma vez terás sido dona de ti própria? Ou és forma humana de frágil cristal que simplesmente mudou de
vigilante?” Assaltam-me a mente todas as formas de mulher que gostaria de ter sido. Uma negra de lábios volumosos e cabelos curtinhos, rentes à nuca, enrolada em tecidos
artesanais, coloridos e rudes, com os pés gastos pela rua e as palmas das mãos brancas e marcadas pela apanha de algodão no campo. Avassaladora nas suas paixões, quente em todas as estações do ano e com olhos avelã, esbugalhados, que lançam uma infinita doçura em tudo o que contemplam!
Terei certamente um lado sádico, mas gosto do contraste entre o negro da pele e o vermelho intenso do sangue. Imagino o sangue a jorrar pelo dedo que se magoa por entre os campos de algodão. Sem achaques e com naturalidade, esta mulher leva o dedo à sua boca e suga o sangue até este estancar. Por entre a terra e as plantas do algodão, vêem-se gotas de sangue e projectam-se figuras sem nome. Comigo, nunca nada se passou assim. Raras foram as vezes em que os meus pés provaram a terra. Lembro-me de me ter magoado muito poucas vezes na infância, tal era a vigilância cerrada da minha ama. Talvez um arranhão no joelho que cedeu numa escada trapaceira, ou um pequeno corte na folha branca de papel na qual tentei, em vão e numa casual tentativa, iniciar a escrita do meu diário. Recordo o fascínio por mim sentido ao ver um menino da escola a sangrar do nariz.
Não percebia porque é que isso acontecia, mas divertia-me com a cena da professora sobressaltada, a correr em sua direcção com um lenço de papel para impedir que o sangue espirrasse em cima dos seus livros e das fichas de trabalho. Chegara mesmo a perguntar à minha mãe porque motivo não sangrava mais vezes e, ela, com a sua fleumática frase habitual: ” Delírios, Maria Madalena… delírios… deixe-me sossegar a cabeça”. E eu assim ia. Não deixa de ser curioso o facto de sempre me ter vestido de branco e negro e de
nunca ter comprado algo em vermelho. Podia ter comprado aquele vestido que vira numa montra algures um dia, cujo escarlate me saltou ao olho. Mas disseste-me que o jantar de aniversário dos teus pais merecia algo mais discreto. Um vestido preto – um básico, ‘’ Intemporal como tu” – disseste-me. No entanto, vinguei-me de ti nessa noite e ofereci um grande ramo de rosas vermelhas à tua mãe. Frescas, em botão, atadas em fio do norte. Sussurraste-me à sobremesa que havia sido “ precipitada” na escolha “Podias ter-me pedido ajuda na escolha, querida. A mamã aprecia outro tipo de flores. Olha, por exemplo, umas violetas ou até mesmo uns jarros. São mais neutros e ligam bem com tudo”. Pois, e passam verdadeiramente despercebidos, com sua aparência insípida e marginal. Mas deixa, já te perdoei isso e tanto mais. Não esqueci, mas perdoei. Agora que aqui estou, com preguiça da vida e com carência de incontáveis horas de sono, olho para a poltrona que está perto da porta do quarto. Mais ao lado, encostada, repousa uma caixa de cartão branca. Estranho… não me recordo de a ter colocado ali, nem sequer de antes a ter visto. O que terá dentro? Começa a crescer uma curiosidade, estranha até, perante uma simples caixa de
cartão branca. Mas o corpo não se levanta para ir lá e saciar esta comichão que sinto! De repente, uma reserva de energia – das últimas, talvez – toma-me e estou em pé, descalça, junto à caixa. Sento-me com ela ao colo na poltrona. Ao levantar a tampa, eis perante mim a luz que ansiava! Um ramo de lírios brancos! Lírios, a flor da pureza!
Desço as escadas desenfreadamente e dirijo-me ao jardim e lá o encontro – o negro que me protege, o calor da minha cama, a estrela do meu céu, o guardador da minha fragilidade. Havia regressado. “ Fizeste-me tanta falta. “ – disse-lhe, enquanto repousava no seu abraço. Não me respondeu que também lhe tinha feito falta a si, mas os (de)lírios disseram-no em todas as vozes.
quinta-feira, abril 22, 2010
I just LOVE her bites!

Como falar deste assunto sem me babar? Só mesmo colocando um bibe ... Já está!
Então, é assim: nos meus serões SIC Mulher, ando há algum tempo a ter autênticos ataques de gula!
Sem aviso prévio, ela apareceu, com aquele sotaque e ar aristocrático. Mas o que me prendeu de imediato foi a capacidade narrativa da senhora, aquela paixão que coloca nas palavras ao descrever o paladar dos temperos, os cheiros das especiarias, a textura dos ingredientes...
Falo de Nigella e dos seus Bites fenomenais.
Adoro a cozinha, os utensílios, a forma como ela pica grosseira e despreocupadamente a salsa! Amo o facto de ela não ter os ingredientes ali todos à mão, como os Chéfs de culinária enfadonhos que falam apenas em linguagem de kilogramas e nunca de afectos, de sensibilidade, de paladar!! Sim, eu provo a comida durante o processo! É obrigatório!!
Nigella vai mais além: ela come os ingredientes enquanto cozinha! Ela corta um apetitoso chouriço de colorau às rodelas e não resiste a meter de imediato uma rodela à boca!
Derreto-me sempre quando vejo as maravilhas que ela prepara para os seus dois filhos pequenos e com os sorrisos de todos à volta da mesa, a partilharem refeições feitas pela mãe, carinhosamente. As famílias são assim, sentam-se à mesa juntas, comem juntas, convivem juntas.
Outra coisa que eu adoro na Nigella é o despojamento e o ''estou-me nas tintas'' com que ela ataca o frigorífico à noite, para roubar uma colherada generosa do gelado que tinha feito nesse dia. Quantos de nós não o fazem? :) Sabe pela vida :)
Identifico-me com esta cozinha: saudável, gulosa, terna, cuidadora, afectuosa.
Quando for grande quero ser como a Nigella :)
quarta-feira, abril 21, 2010
Reflexões...
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que pessoas influentes.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor que nada!
terça-feira, abril 20, 2010

Aquela que parecia a saga interminável, entre aulas, exames, trabalhos infinitos, estágios e orais, terminou hoje!
Daqui envio aquele beijo especial à minha ESTRELA maior...
E sim, é favor de darem os Parabéns que ele está bem a merecê-los!!! :)
(claro que é bem provável que ele me mate depois de saber que eu ando aí a gritar ao Mundo a notícia mas, que querem (?!); ao menos, morro feliz :))
E mais....
SUMOL ORIGINAL
VAIS SER MAIS TRISTE.
NESSE DIA, O MAIS PROVÁVEL É QUE TAMBÉM DEIXES DE BEBER REFRIGERANTES.
AQUI FICA UMA IDEIA: QUANDO ESSE DIA CHEGAR, NÃO LHE FALES.
MANTÉM-TE ORIGINAL"
segunda-feira, abril 19, 2010
Passear é bem preciso!!


O meu Porto é, e sempre será, o mai lindo lugar do Mundo.
No entanto, há que reconhcer que o Bairro Alto também é mágico.
Este fim-de-semana foi vadio, preguiçoso, guloso e ... delicioso!
Embrulhados numa mantinha (oferecida, genialmente pelo Hotel!) bebericamos um fumegante cappuccino ao som de Nouvelle Vague, enquanto as conversas corriam livres, fluídas e divertidas!
A paisagem, o local e a companhia foram ímpares. Lounge do Hotel do Bairro Alto Hotel: uma autêntica maravilha! Recomendo!!
Cá fora, na Praça de Camões, um conceito da visionária Catarina Portas: um kiosque de refrescos. Abrigado, povoado de gente animada e colorida. Do que a gente precisa!
sexta-feira, abril 16, 2010
To do's list para o fim-de-semana ...

Ora vamos lá a ver como corre:
Receita de bombons de chocolate caseiros:
- 250 gr de chocolate negro de culinária
- 200 gr de leite condensado
- 40 gr de manteiga
- 200 gr de chocolate branco
Partir a tablete de chocolate negro aos pedaços e derreter em banho maria.
Juntar o leite condensado e mexer muito bem, depois juntar a manteiga e voltar a mexer.
Colocar em pequenas formas para bombons ou se preferir em cuvetes de gelo.
Levar ao frigorífico por algumas horas.
Antes de retirar os bombons do frigorífico, levar o chocolate branco a derreter em banho maria. Retirar os bombons das formas e passá-los no chocolate branco em cima de papel vegetal ou de um prato untado com um pouco de óleo.
Deixar solidificar, levar de novo ao frigorífico, retirar, levar num pratinho para o sofá num lindo e fofo pratinho da Loja Gato Preto, dar e receber bombons na boquinha.
Lambuzar-nos todos!
Será BOM, BOM!
quarta-feira, abril 14, 2010
domingo, abril 11, 2010
Mais uma música e alguns pensamentos...
sexta-feira, abril 09, 2010
Fantastic Mr Fox...
quinta-feira, abril 08, 2010
À boa moda portuguesing :)
… não pude deixar de me lembrar disto …
Caso para dizer:
Inspirating!
''Doing things differently leads to something exceptional''
I wonder: porque é que as melhores publicidades são justamente a bebidas alcoólicas?
terça-feira, abril 06, 2010
segunda-feira, abril 05, 2010
Uma música, uma história ...Dentuças & Orelhudo feat. Coelhinho da Páscoa
O Dentuças era o mais falador, passava horas seguidas a conversar para todos os outros coelhinhos da prateleira.
- Ei, ó malta! Ouvi dizer qu’este ano ‘tá tudo na expectativa d’ir passar a Páscoa a casa da Fátima Lopes! Isso é que era baril!» - disse o Orelhudo, o coelho mais cusco da prateleira e com as orelhas mais antenadas sempre receptivo às novidades.
- Baril?! Fisga-se, a tipa é meio dread, com aquele cabeço preto cortado à tigela à frente e à Morticia Adams quem vê de costas! Eu cá ficava cá todo a tremer de medo. A casa dela deve ser só cenas satânicas e tal, aposto que nem o compasso se atreve a tocar à campaínha!» - respondeu o Dentuças, enquanto se imaginava a trincar as cenourinhas que estavam dispostas no corredor bem mesmo à sua frente.
- Ei, pá, não é dessa que ‘tou a falar! É a do ‘’Modelo por perto, tudo certo!’’! A gaja da TV, a que a era das manhãs e passou p’as tardes! A que faz montes de publicidade. Aquela do Perdoa-me e do All You Need is Love que tinha um corte de rapaz à guna mas que todos diziam ser a ‘bomba’ da SIC..
- Desculpa lá, ó Orelhudo! Como queres que saiba essas tretas, man!? Eu fui fabricado nem fez dois meses e queres que saiba essas cenas todas do antigamente? Se não fosse o expositor das revistas estar aqui no campo de visão da prateleira eu nem sabia quem era o Modelo, pá!
- És mesmo inculto… Bom, diz que este Ano a coisa está complicada para o nosso lado. É que os putos agora preferem os Ovos de Chocolate da Hanna Monta-todas e dos Carrinhos, do Nódinhas, e essas tretas. Ficam fascinados com a embalagem, querem é o presente que lá vem dentro e depois nem ligam ao chocolate.
- Óh! Isso são boatos, ó Orelhudo! Tu ouves mais do que aquilo que devias e depois misturas tudo… Não ligam ao chocolate!? Quem é a criança que é capaz de resistir ao melhor chocolatinho de leite? Ainda por cima, a coelhinhos fofinhos como nós?
- Pois é, mas é o que tenho ouvido por aí. Aliás não achas estranho que ainda não tenham feito reposição da nossa prateleira? A esta altura, véspera de Páscoa já devíamos estar na prateleira de uma casa qualquer e não aqui enfiados.
Estavam os dois coelhinhos de chocolate em amena cavaqueira quando de repente, passa uma velhinha corcunda e, de uma só enfiada, pega nos dois pelas orelhitas e os enfia no carrinho de compras! Dali ao tapete de compras foi um instantinho, passaram no leitor de código de barras – ‘’Ai que isto queima, puxa!! – e foram parar ao saquinho de plástico.
Dentro do saquinho de compras da velha, comentaram:
- Topaste que tínhamos desconto de 50% em cartão, meu tono? – ripostou o Orelhudo.
- E daí? Tu é que estavas todo pessimista e como vês fomos comprados! – respondeu o Dentuças.
- És mesmo totó. Temos desconto para sermos vendidos mais facilmente. Eu tinha razão. Os ovos não tinham desconto nenhum e vendiam como cachorros quentes depois de uma ida à disco-night!! – rezingou o Orelhudo.
- Ó, tu és mas é um Kalimero, sempre a queixares-te da vida! Vais ver que teremos uma Páscoa rodeada de crianças gordas e gulosas, como se quer! – disse, confiante, o Dentuças…
Chegados ao dia de Páscoa, estavam os dois amigos roedores pousados em cima da mesa de almoço da velha. Estranhando que a velha tivesse almoçado sozinha, Dentuças desistiu do seu amuo para com Orelhudo e comentou baixinho:
- Orelhudo, não aparece cá mais ninguém?
Orelhudo olhou para Dentuças e respondeu, ainda bastante amuado:
- Mais ninguém?! Já viste a quantidade de crianças gordas e gulosas que estão aqui, todas a disputarem-nos entre si? Eu já te disse que fomos tramados pelos Ovoso da Páscoa! Ninguém quer saber de Coelhos, pá!
Enquanto terminava de almoçar, a velha foi até à cozinha, fez um chazinho de cidreira e trouxe-o para a sala.
Sentou-se na sua poltrona e ligou o televisor. Estava na RTP, mas ela pegou no comando e colocou na SIC Gold, um canal revivalista. Curiosamente, estava a passar uma repetição do programa ‘’Perdoa-me’’ apresentado por Fátima Lopes.
- Aiii, que rico programinha para esta tarde pascal. Bem me disse a Gertrudes na quermesse que a Fatinha passava na SIC Gólde. Que riqueza, tão cachopa que ela era!
Aterrorizados, Dentuças e Orelhudo rezaram para que aquele não fosse o seu fim quando viram a mão da velha a retirar a placa e a sorrir na sua direcção enquanto a outra mão os agarrava pelas orelhas. Foi apenas o tempo do diabo da velha os desembrulhar da prata e quando deram por ela as suas últimas palavras foram:

domingo, abril 04, 2010
Peso na consciência... o que é isso?
E tudo isto porque é sempre bom beber um leitinho antes de dormir.
quinta-feira, abril 01, 2010
Reflexões para justificar o código 999 : )
Como a novela é bastante básica e a trama se desenrola a passo de caracol em coma, é fácil apanhar quer a história, quer as 'imperfeições' da coisa.
Vejamos:
- existe uma personagem, escultora residente em Berna e amiga da sofredora central da tramóia, que, em todos os capítulos que eu vi, aparece no seu estúdio, vestindo os mesmos calções de ganga e a mesma camisola de alças e, curiosamente, a moldar a argila sempre recorrendo aos mesmos movimentos. Das duas uma: ou a cena foi gravada uma só única vez e foi repartida aos pedaços para ir usando cada um de quinze em quinze dias lá no meio da historieta (forma inteligente de não ter que remunerar a actriz por mais de um mês consecutivo) OU a actriz representa uma escultora que apenas tem uma peça que, por ser um sucesso fenomenal de vendas, tem centenas de encomendas e por isso tem que fazer centenas de réplicas ...
Quanto aos calções e à camisolita, posso sempre assumir que é uma escultora poupadinha e, ao mesmo tempo, não muito adepta do asseio pessoal...
- existe um atelier de arquitectura no qual 3 arquitectos e 1 engenheira trabalham alegremente numa única mesa de trabalho que faz lembrar as mesas da sala de jantar das nossas casas. Estiradores, cavaletes, réguas enormes e rolos gigantes de papel não se vêem em lado nenhum ... Apesar de estarem sempre a dizer que estão cheios de trabalho, os rapazes e raparigas são uns autênticos baldas! Sempre que acontece algo aborrecido basta-lhes enrugar ligeiramente a testa e dizer a seguinte frase: ''Não estou com cabeça para isto''. Seguidamente, perante o olhar bondoso do patrao do atelier, pegam na bolsa ou no casaco, pedem desculpa de forma sofrida e retiram-se.
O mesmo parece acontecer num outro contexto laboral retratado na novela - um Banco.
Mais uma vez, a frase 'Não estou com cabeça para isto' serve de pretexto a administradores e secretárias para dar o pisga do trabalhinho ...
Mesma coisa no salão de cabeleireiros... na mercearia, e no Café Gourmet! Neste último, a coisa é ainda melhor, porque a patroa é que aconselha a funcionária a ir embora, deixando-a com o trabalhinho todo para si: ''Madalena, tu não estás nada bem. Já vi que hoje não estás com cabeça para isto. Vai-te embora, que eu fico aqui a tomar conta do café''...e ainda lhe diz, a benemérita: ''Toma, pega nestes 100 eur e vai à consulta de psicologia que te vai fazer bem''.
E eu fico ali, em frente ao televisor, a papar aquilo e penso se essa não será a frase mágica a utilizar em dias como este, em que todos estão aqui corpo presente mas de mente ausente, a ansiar pelas seis e meia para irem emborita gozar o fim de semana prolongado.
Infelizmente, a realidade é diferente da ficção. Os patrões foram à vidinha deles e não só não mandaram ninguém para casa mais cedo como também nem desejaram Boa Páscoa. Se calhar eles é que não estão com cabeça para a coisa ... e foram arejar um bocadinho...
É, se calhar foi isso mesmo.
E agora desculpem, ''Não estou com cabeça para isto'' ;) Fui!
sexta-feira, março 26, 2010
quinta-feira, março 25, 2010
Prenda de Natal/Ano Novo bué, bué de atrasada ...
Este é um presente de Natal atrasado.
Algo que fui preparando à medida que o tempo e a imaginação me foram permitindo ...
Penso, contudo, que agora até saiba melhor. É o meu presente de natal/ano novo para o Bacalhau. Espero que gostem de revisitar o ano que passou e que continuemos a encontrar-nos por aqui ...
Uma música, uma história
E depois do abraço:
- Foste o melhor que me aconteceu – sussurrou-lhe.
Como o rio, começou a andar, afastando-se dele. Ele ficou de braços e ombros caídos, como dois ramos de uma árvore que no Outono percebe que o tempo de Verão está a terminar. Alma despida, olhar de náufrago.
Antes de virar a esquina ela estaca. Vira-se para ele, rodando o vestido de seda azul petróleo, e sorri na sua direcção.
-És o melhor de mim – ele devolveu.
quarta-feira, março 24, 2010
terça-feira, março 23, 2010
One song, one story ... Uma Aventura Todo-o-Terreno ao som de Sexy Thang de Mr White
Aqui vai mais uma historinha, desta vez mais picante ...
Os dias de chuva convidavam sempre a um passeio mais demorado na Fnac da Baixa. Lá deixava-se estar horas a fio, a absorver as novidades culturais: livros, CDs, filmes … Tudo parecia ser interessante e tudo apetecia levar para casa!
De repente, tocam-lhe no ombro. Volta-se, surpreendida:
- Olá, bem me parecia que eras tu! Estás lembrada de mim, certo?
O queixo caiu-lhe nesse momento. Pensou, num flash imediato, que tinha morrido e que estava no céu. Se se lembrava dele? Se se lembrava dele?! Como se pode esquecer de alguém que povoou a nossa mente anos a fio, mais propriamente desde os vinte e um aos vinte e seis anos? Como esquecer alguém que num mês consecutivo nos ofereceu promessas e juras de amor eterno e, de repente, sem aviso prévio (como devia ser de lei!) nos deixa de telefonar, de responder aos nossos sms’s que tudo desculpam e tudo inventam para não nos fazer crer que fomos abandonadas? Como podemos esquecer alguém que era demasiadamente lindo e culto e perfeito (ainda que hoje saibamos que esse é um conceito que apenas existe no abstracto e nunca no real), que num dia nos deu o céu e no outro nos tirou o chão? Que nos fez mergulhar no abismo, nos fez gastar rios de dinheiro em conversas ao telefone com as amigas a tentar esmiuçar cada palavra dita, escrita e até não dita mas sugerida por qualquer expressão dele? Como esquecer aquele cheiro, aquele perfume que procurava nas perfumarias como que um cão faminto que fareja junto do lixo?
Olhei-o nos olhos e, quase a hiperventilar, respondi:
- Ah, olá! Claro que me lembro de ti, há quanto tempo! Tudo bem contigo?
( Se por fora tinha a noção que estava tudo controlado, por dentro tudo em mim se embrulhava. Subitamente queria tudo: fazer xixi, popó, beber água, não, melhor ainda, um copo de vinho, por favor!! Socorro, dêem-me um estalo já, por favor!!)
Giro de morrer, com aqueles olhos semicerrados e sorriso insinuante, o bestial que passara entretanto a besta (ou já seria o contrário a esta altura da conversa?! Ai, Deus me acuda!!) devolveu:
- Sim, está tudo porreiro! Há quanto tempo mesmo! Ainda noutro dia pensei em ti, já nem sei exactamente qual foi o motivo e, olha, aqui estás tu depois de tanto tempo. Estás diferente, estás com óptimo ar.
(Óptimo ar? Ar? Estou com cara de estar com flatulência, é isso meu parvalhão?! – pensei): - Ah, sim, é possível que tenha mudado, em cinco anos é natural, não é? Tu por acaso pareces-me igual… (mente irresistível, queria eu dizer mas felizmente os ano, para além da idade, deram-me algum juízo)
- Pois, olha queres ir tomar alguma coisa ali ao bar e falamos um bocado? É que preciso de um café, ainda não tomei nada hoje!
Com aquele sorriso hipnótico, qualquer tansa (grupo no qual me insiro) iria.
Fui, quer dizer, fomos e lá tomamos um café. Ficamos a conversar sobre tudo e mais alguma coisa – faculdade, empregos, projectos, e coisas que tal …
Claro que houve memórias piegas (sobretudo vindo da minha parte) que, sem saber como, quando dava por elas, já estavam ditas, como se fosse uma cuspideira sentimentalona.
O facto é que em cinco anos tudo estava mudado excepto uma coisa: não nos tínhamos conhecido realmente. E quando sublinho o realmente, aproveito para transcrever o que ele disse:
- Sabes, eras uma miúda gira mas tímida demais para a altura. Agora estás muito mais natural, descontraída, estás uma mulher! E uma mulher muito atraente, deixa-me que te diga. Foi pena não nos termos conhecido melhor, acho que devíamos ter muita química, entendes o que quero dizer?
- Ainda vamos a tempo, se ainda quiseres tirar essa dúvida.
(Ai, boca maldita! Que diabo se apoderou de mim nesse dia fatídico, eu cá não o soube, mas ao recordar essa conversa em tudo a resvalar para o engate e cheia de jogos de sedução, tudo me leva a crer que o meu café tinha pó e não era adoçante de certeza…)
A cena seguinte passou-se entre os lençóis. Sim, fomos conhecer-nos melhor. Pensava eu que tinha a situação controlada, porque eu agora é que ia mostrar-lhe o que tinha perdido, a musa que ele tinha desperdiçado, a deusa, a … e eis que…
- Adoro essas tuas curvinhas. Essas dunas no teu rabo e coxas. Parece que estou a atravessar o Dakar, eu e o jipe todo-o-terreno. Sempre achei a celulite sexy, sabes?
(som de disco de vinil do Barry White arranhado)
Penso que devo ter morrido e ido directamente para o inferno naquele instante. Porque fiquei a ferver por dentro. Foi como se estivesse ao lume, como se fosse uma chaleira de água quente a apitar, a respingar de água! Qual água, qual quê?! A destilar raiva!! Muita raiva! Raiva em quantidades que incomensuráveis! Qual raiva?! Aquilo era ódio dentro de mim! Toda eu odiava aquele ser!
Não consegui, porém, soltar uma única palavra. Emudeci.
As horas, dias, anos (!) passados a massajar as coxas e as nádegas com Liposculptor, com Adelgaisto e Celu-aquilo! As massagens – que massagens!? – tareias que a esteticista me deu sessões seguidas pagas a ouro! As sessões de velasmooth, drenagem linfática, mesoterapia, tudo e tudo e tudo!! E, para quê?!
Se morri e chegara ao inferno, ao menos que o Demónio, o Sr. Belzebu me desse uma única explicação para tamanho vexame.
Levantei-me e arrastei aquele lençol comigo. Enrolei-me nele, peguei nas minhas roupas espalhadas pelo chão, enfiei-me na casa de banho, vesti-me em nanossegundos, atravessei o quarto e saí.
Para trás deixei sozinho na cama, um canalha frustrado que tem um fetiche com mulheres com celulite. Olhei-o, com raiva e ele, estupefacto com a minha reacção, ainda perguntou:
- Mas, que se passa? Disse alguma coisa, fiz algo de errado?! Que tens, diz-me?!
Mas uma única certeza ficou – não seria com esta mulher, quiçá uma casca de laranja ambulante, mas acima de tudo, muito MULHER e orgulhosa da sua condição, que ele se iria satisfazer.
- Tens a pi__ pequena. – respondi-lhe, munida da dignidade que ainda me restava – E fina também. Lamento, mas não senti absolutamente nada. Boa sorte para ti ...
Bati com a porta e saí.
Enquanto andava e abanava orgulhosamente o meu rabo celulítico pela rua, reflecti no que realmente acabara de se passar.
Nem precisei de mentir. Afinal, ele era só fogo de vista. Muitos hão-de ainda chorar e penar e implorar pela travessia deste deserto!
(aviso: qualquer semelhança com a vida real é pura ficção)
segunda-feira, março 22, 2010
quinta-feira, março 18, 2010
Uma Joaninha especial ...
quarta-feira, março 17, 2010
Central eléctrica ambulante

Antes que me passe a ferro, vim cá desopilar ou, como diz o outro ser irritantezinho do anuncio ''deitar cá pra fora!'' .
Então é assim: temos cá uma senhora já na casa dos ''enta'' e muitos que, à parte o seu trabalho ligado às contas e números, tem actividades extra-laborais das quais adora pôr-me a par durante as pausas (dela, claro) da manhã.
Gosto dela, é extremamente simpática e não me importo nada de a ouvir. Contudo, porém, todavia, hoje foi a gota de água! Passo a explicar: para esta senhora, os males da vida terrena curam-se à custa de coisas esotéricas ... tudo, mas TUDO MESMO, se resolve com as mezinhas dela e das suas amigas, pseudo-qualquer coisa com o título de Doutora lá pelo meio ...
E eu ouço, ouço, ouço pacientemente (!) esta senhora a contar-me que anda deprimida, à beira de um esgotamento (já estive mesmo á beirinha de lhe explicar que esse termo é aplicável às questões de saneamento urbano e não às de saúde mental, mas não quis estragar-lhe o ''barato'') e que se não tivesse sido um telefonema para a Drª X, que lhe disse que uma das suas amigas lhe roubava as energias e que por isso é que estava assim e que tinha que, imediatamente, comprar a pedra Y e usá-la sempre dentro do soutien (??? junto às marufas é que dá resultado???!!) provavelmente nem força tinha para vir trabalhar....
E eu tento dizer-lhe que não deve tomar Xanax dia sim, dia não, que não se deve auto-medicar e que deve ir ao médico mas ela diz-me que sente mesmo é que precisa de ir limpar a aura...
E eu reviro os olhos e tento fazê-la ver que fazer coisas de que gosta (ela gosta de pintar e fá-lo bem) pode também dar-lhe momentos de prazer, e tento fazê-la rir com os meus disparates (e por vezes até consigo :)) e desafio-a a comer dos meus chocolatinhos negros que tenho sempre na minha gaveta no trabalho mas ela agora até isso recusa, porque a tal ''Dra'' lhe disse que o chocolate ''suja''.
Como assim ''suja''? - perguntei eu (quase receando a resposta que vinha por aí).
Sim - diz-me ela - o chocolate suja a nossa energia, não a deixa purificar-se.
Ó meus amiguinhos, pelas alminhas!! Tentei explicar-lhe que o chocolate é um excelente regulador de humor e que um quadradinho de chocolate podia sujar-lhe, no máximo dos máximos, os dedinhos ou a roupinha!!
Todas as manhãs ela desce as escadas e faz um cházinho - verde, claro - que ''limpa'' a aura, ou que quer que isso seja.
Quer um cafézinho, eu tenho cápsulas? - pergunto-lhe, enquanto tiro o meu ''Roma'' cheiroso da Nespresso e a vejo salivar perante o aroma do café.
Obrigada, mas não posso tomar café que fico toda a tremer - diz-me ela.
Eu tenho descafeinado, quer? - insisto no erro.
Não, obrigada, mas também não posso, disseram-me que faz mal o descafeínado.
Mal a quê? - perguntei, já impaciente e farta daquelas ideias estapafurdias - Que mal pode ter num dia um inocente descafeínado?
Ah, sabe que o descafeínado é sujeito a tratamentos ...
Foi aí que desliguei e não ouvia o resto da explicação ''científica'' acerca dos malefícios do descafeínado...
Bom, e que dizer do tarôt?! Esta senhora ''põe'' as Cartas do Tarot a pessoas que lhe pagam para isso?! A ''ciência'' do tarôt - como ela lhe chama - revela aquilo que o universo nos quer revelar, naquele momento - esclareceu-me ela noutro dia. Tal pôs-me a cogitar que, se o Universo decidir fazer blackout no dia específico em que eu pago 50 mocas para me dizerem se sempre vou ganhar o Euromilhões ou não, estou tramada porque fico sem as 50 mocas e levo as mãozinhas a abanar para casa.
Desafiadora, um dia disse-lhe: se consegue ler para os outros, porque não pode pôr as cartas do Tarôt para si e encontrar essas respostas que tanto procura?
Ah e tal não dá porque isto e mal aquilo e mais aqueloutro...
Traduzido em miudos é, à boa maneira americana, bullshit. Caquinha de treta, é o que é.
E lá anda ela metida em cursos ao fim-de-semana de aperfeiçoamento de tarôt, de mesa radiónica (um tabuleiro energético), de reiki e de feng-shui!! Pagos, claro, bem pagos!!
Apetece-me só dizer-lhe: Minha senhora, pegue nesse dinheirinho e faça férias cá dentro! Vá a museus, a Jardins, pinte, dance as suas danças de salão que tanto adora mas das quais desistiu porque o dinheiro nã chega para tudo (mas para os cursitos da treta tem que chegar!!).
E hoje, depois de ontem lhe ter dito que tenho uma simples parede da sala com cores azul-turquesa e verde-alface, ela hoje traz-me o seu Manual do Curso que fez de Feng-Shui (que traz na capa uma bússola e tudo para, segundo ela, fazer as ''medições dos espaços'' ...) e começa a mostrar-me que não é bom ter posto o verde na sala porque traz ''energia'' em excesso e que o azul forte inibe o apetite e que eles até recomendam que os obesos pintem a sala de azul forte porque ficam com menos apetite (isso até eu também ficava! Bolas! Uma sala pintada quase de preto põe qualquer um sem vontade de viver, de comer!!).
E como eu hoje não estou propriamente ''católica'', fico passada com aquilo tudo e digo-lhe que estou-me nas tintas para aquilo e que o que interessa é que as cores da minha sala me agradam completamente. E ela diz-me que aquela ciência ajuda muito as pessoas a sentirem-me mais energizadas nos seus espaços de vida. E eu respondo, ironicamente, que aquela 'ciência' é relativa. E ela contra-argumenta a dizer que é uma ciência milenar e que os chineses são fantásticos.
E é aí que ela me cala. Eles são fantásticos sim, penso eu, a recordar-me do fantástico chop-soy de gambas que jantei no sábado que passou. Calo-me porque a respeito e se ela quer acreditar naquela teoria toda, então que acredite.
Se para ela todos nós somos fontes de energia, que atrai e que repele energia, se isso para ela a conforta de algum modo, lhe sossega as inquietações e toda a ânsia e dúvidas que traz dentro de sil, então que seja.
Ainda que eu pense que para ela e para os seus ''Mestres'' somos não seres humanos mas antes centrais eléctricas ambulantes, isso não interessa nada.
Se a racionalidade não a deixa dormir e o esoterismo a apazigua, então que assim seja.
Que não seja eu a cortar-lhe o ''power''.
segunda-feira, março 15, 2010
Momento Cine-Magia
Imagens do inesquecível ''Eduardo Mãos-de-Tesoura'' ao som do genial Danny Elfman, o mago musical (também brilhante em Alice in Wonderland OST''.
Deixem-se contagiar pela magia: fechem os olhos e que a música vos entre na alma ...
Trabalho de Formiga ...
sexta-feira, março 12, 2010
Nó na Garganta: um desabafo …
Ela: Às vezes, sinto que estou a desperdiçar a minha vida estando com ele.
A amiga: Ele ama-te, consegue-se percebê-lo na forma como te olha, do modo como te trata …
Ela: Como me trata?! Ele recusa-se a casar comigo!
A Amiga: (silêncio) Não sabia que querias casar, que isso era assim tão importante para ti…
Ela: E não é! O casar pela igreja, a cerimónia, a festa, …, isso tudo até dispenso porque realmente cada vez mais acho que é um desperdício de dinheiro que faz falta para outras coisas! Mas é o gesto, o pedido formal de que eu seja mulher, companheira dele para sempre. Algo que me mostre que ele vai estar sempre lá para mim da mesma forma que eu estou lá para ele e que não ande alguns dias com dúvidas sobre nós, noutros aparentemente feliz!
Ele Diz-me que sou promíscua, que tive muitos relacionamentos anteriores fugazes e não consegue perceber como pude andar com alguém sem intenção de que fosse algo para durar. Ele nunca imaginou casar com uma mulher assim. Diz que se guardou para a mulher ideal e que, embora me ame, eu não sirvo as medidas dele, desse sonho de ‘’mulher perfeita’’!
A Amiga: Não imaginava …
Ela: Pois não, não imaginavas. Ninguém imagina o que eu passo! Estou condenada a relações amorosas falhadas! (silêncio) ... acho que já não aguento mais isto. Esta relação pela metade. Este querer e não querer! Já passei dos 30 e tenho medo de não aguentar, de explodir, de sair de casa ... tenho medo de ficar sozinha ....
A Amiga: (silêncio)
(Abraçam-se)
Homens inteligentes traem menos
Diz o estudo da Universidade britânica que homens com um QI mais alto dão maior importância a valores como a monogamia e a verdade.
"A análise empírica [...] mostra que homens mais inteligentes valorizam mais a monogamia e a exclusividade sexual do que os homens menos inteligentes", afirmou o Dr. Satoshi Kanazawa, responsável pela investigação, ao 'The Guardian'.
O mesmo especialista afirmou também que esta relação entre inteligência e monogamia tem a sua origem na evolução da espécie, tendo em consideração que os seres mais inteligentes são os que têm maior capacidade de adaptação a novos modelos comportamentais.
A monogamia e a fidelidade são valores adquiridos ao longo dos tempos, visto que o homem primitivo era potencialmente promíscuo.
O mesmo estudo, que se centra exclusivamente no género masculino, revela ainda que o ateísmo e o liberalismo são valores mais defendidos entre os homens mais inteligentes.
A pesquisa não revela, contudo, se esta correlação se pode estabelecer também nas mulheres.
(Comentariozinho .... É claro que os inteligentes traem menos! Conseguem antecipar mais rapidamente as terríveis consequências do acto! Até porque sabem que não há mulheres burras, mas tão somente mulheres que se fazem de burras para agradar aos homens ... )
quinta-feira, março 11, 2010
Minina, ocê tá di parabéns!
Music and more!
Espero que estejam a receber e gostar do meu Music list semanal. Espero feedback!
Fiquem com:
www.myspace.com/shekeepsbees (Blues Vs. Country Vs Songwriter Vs. Guitar Vs. Drums)
www.mypace.com/slowclub (Folk Pop on Moshi Moshi)
terça-feira, março 09, 2010
Alice Vieira - a poetisa
muito mais do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente indefesos
um perigo
as palavras
mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero
Gosto muito da Alice Vieira. Sobretudo das suas histórias para a gente pequena.
Rosa, minha irmã Rosa foi um livro que marcou gerações e ainda hoje os mais pequenos podem deliciar-se com a sua escrita.
Desconhecia os seus poemas, daí que hoje me tenha apetecido postar um deles. Gosto do jogo com as palavras, gosto da mensagem.
As palavras são perigosas sim, pelo menos algumas. Mas se umas caem sobre nós como pedras, outras caem como plumas carinhosas....
... Não será a arte de comunicar um dos grandes desafios da Humanidade?
Frase do Dia
domingo, março 07, 2010
quinta-feira, março 04, 2010
terça-feira, março 02, 2010
Squeak, squeak
O meu Salta-Pocinhas já fazia uns barulhos estranhos, mas desde que há uns dias iniciei funções num novo local de trabalho, a coisa agravou-se. A estrada é do pior que há, é só altos e baixos, buracos e remendos e o belo do paralelo. Por isso, além do som que brota naturalmente do meu rádio, agora faço as viagens com mais um som... só ainda não decidi se é uma "guinchadeira" ou uma "chiadeira", ...mas é uma "irritadeira".segunda-feira, março 01, 2010
Mergulho no teu olhar
se mergulhasse no teu olhar ?
à tona, leve, leve eu flutuaria
ou então me afogaria
sem salvação, à falta de ar?




