sexta-feira, janeiro 12, 2007

Meditação na Pastelaria

Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.

Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa-educação!

A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte...

Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!

*
O pó de arroz:
Horrível!
O bâton:
Igual!

O amor de Raul é já uma saudade,
Foi sempre uma saudade...

(O escritório
Toma-lhe o tempo todo?
Desconfio que não...)

Filhos tivemos um:
Desapareceu...
E já nem sei chorar!

*
Chorar...
Como eu queria poder chorar!

Chorar encostada a uma saudade
Bem maior do que eu,
Que não fosse esta tristeza
Absurda de cada dia:
Unha
Quebrada de melancolia...

Perdi tudo, quase tudo...

Hoje,
Resta-me a devoção
E este pequeno inteligente cão.

Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.


Alexandre O'Neill (1924 - 1986) in "No Reino da Dinamarca" (1958)

(fica o poema, acompanhado de votos de um bom fim-de-semana que está aí...quase aí...
sejam insolentes, q.b. ;)!)

terça-feira, janeiro 09, 2007

Ele existe!!!!! Gelado com sabor a Bacalhau com Natas!!!!

Não sei se a notícias é novidade para vocês, mas foi para mim!!!

Qual não foi o meu espanto quando, ao ler o diário gratuito "O metro", que por sinal citava o site do Lifecooler, me deparei na coluna dos "breves" com a notícia relativa a um senhor que revolucionou o mundo dos paladares com a venda de gelados de sabores tradicionais portugueses - Gelataria e Cafetaria Coromoto em Portimão.

Para além do nosso querido Bacalhau com Natas, existem outros paladares a provar como as sardinhas assadas e a mais recente novidade, em homenagem ao Rali Lisboa - Dacar 2007, o Lisboa/Potimão/ Dacar. Ora segundo constava na notícia o gelado tem como ingredientes um licor, que simboliza África, e as frutas secas, que representam aquilo que os concorrentes vão encontrar pelos caminhos no deserto.

Portanto e posto isto, posso concluir que somos o máximo, porque até em gelados estamos, para não falar da água com bubbles.

Se não fosse tão longe era provável que o gelado fosse a sobremesa do meu almoço, o do Dacar claro, porque gosto muito do Bacalhau com natas, mas em gelado confesso que me faz alguma espécie.

A saborear!!!!!!

A short story


Once upon a time....

Big eyes framed with long and black eyelashes.
The gentle face mottled with delicious freckles like cinnamon in an apple pie. The nose, always curious to the winds of change...
Dark yet luminous hair. Dressed with a black satin dress she danced along with the gentle sound.
In her feet, scarlet sabrinas of varnish....

O regresso das frases existencialistas

"NÃO SEI QUAL O SEGREDO DO SUCESSO, MAS O SEGREDO DO FRACASO É TENTAR AGRADAR A TODA A GENTE"

Bill Cosby
(in Notícias Magazine)




Já dizia o ditado: não se pode agradar a gregos e a troianos!!!!!!!!!

segunda-feira, janeiro 08, 2007


Já que aqui se falou tanto em método, ora método...método pode ser o método científico. Método científico... Investigação, leis universais, fórmulas...
Fórmula...Fórmula de Deus.
Depois de o ter desembrulhado neste Natal, tornou-se num companheiro nos intervalos de almoço e, por vezes, no momento antes de me deitar.
Alia investigação científica, muita Física, Matemática e História de uma forma muito simples e muito cativante. Há romance à mistura e relatos deliciosos de países como o Irão, Israel, Cairo e do inspirador (e-quem-sabe-um-dia-vamos-lá!!!???) Tibete.
Vale a pena. Acrescentou-me.

(Gostei tanto do livro que o tinha que o comentar e pumba, quem melhor do que o autor para eu o poder fazer? Antes de ir almoçar enviei-lhe um e-mail. Quando regressei tinha a resposta: ''...Um romance que só sirva para distrair não chega, não acha?'' - diz-me ele... Sorri.)

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O método de Maria Rita

Maria Rita fechou o livro e suspirou. Não era ainda hoje que aquele livro ia parar à prateleira. E tudo por causa do método de Maria Rita. Comprava livros, muitos livros. Umas vezes era o título que captava a sua atenção. Outras vezes aquele autor ou autora que sempre a levava a viajar mais longe com palavras de aqui e acolá. Havia ainda aqueles livros comprados de impulso porque o resumo da contra-capa atraía. Comprava os livros, chegava a casa, tirava a etiqueta ou o autocolante do preço, registava a data na primeira página e juntava-o a tantos outros que lá estavam por ler. Só depois de lido é que o livro era colocado nas prateleiras. Tantas e tantos. Prateleiras e livros. O método de Maria Rita. Havia um outro pormenor: a incapacidade de deixar um livro a meio. Mesmo reconhecendo que já não tinha interesse naquelas letras não conseguia deixar uma leitura a meio. Talvez adiá-la por um tempo mais ou menos indeterminado, mas nunca abandoná-la. Era domingo de tarde. Inverno lá fora. Frio, muito frio. Por dentro Maria Rita sentia também um frio estranho. O calor das emoções pode ser enganador, pensava. Já não se permitia ser triste. Nem sequer ser feliz. Aos olhos mais atentos parecia ter desistido de tudo. Ao olhar dos restantes era apenas mais uma mulher com uma vida banal. Maria Rita permitia-se pensar que era um pouco superior aos restantes, porque ao contrário deles tinha abdicado da inútil luta pela felicidade e tinha desistido. Não era feliz nem infeliz. Nem sequer tinha pena disso. Resignada? Talvez. Mas não se importava com isso. Nada lhe tirava o sono. Quando ainda buscava a felicidade num quotidiano de equívocos mais ou menos dolorosos, perdia horas em reflexões que nunca a fizeram chegar mais perto da realidade. Mas num dia, igual a todos os outros, percebeu. O quê? Que nada iria ser diferente naquele dia. Absolutamente nada. Excepto a percepção que tinha de que nada ia ser diferente. Aí residia a novidade. A enorme distinção face aos dias anteriores. Geralmente elogiam-se os dias que fizeram a diferença porque tiraram a pessoa do mutismo ou a impeliram a fazer algo de inovador que mudou o rumo da vida para melhor. Mas aqui não. Maria Rita simplesmente assinalou no calendário o dia em que desistiu. E nem lhe custou muito. Aliás, para ela tinha sido a mais fácil decisão da sua vida. Depois de 29 anos de decisões difíceis, noites sem dormir e dias inteiros de ansiedade tudo acabava de forma simples. Isto é uma espécie de suicídio. Mas pelo menos a Igreja não me renuncia. Sorriu. Pela última vez, talvez. O rosto de Maria Rita não tinha expressividade. Podia ser uma mulher bonita. Morena, cabelo comprido, traços muito sóbrios. Uma beleza muito calma. Mas não parecia real. Sem expressividade, perdia a beleza natural. Simplesmente não sobressaía numa multidão nem num grupo. Agradava-lhe essa indiferença. Aliás, cultivava desde aquele dia a indiferença por tudo. Excepto pelos livros. Não era má profissional. Pelo contrário, muito competente, nunca deixava um prazo não ser respeitado. E nunca falhava. Não cometia erros. Mas faltava a paixão. E essa faz a diferença. Até no trabalho. Para Maria Rita isso não importava. Para os superiores também não, desde que o trabalho ficasse bem feito. Para os colegas muito menos. Desconfiavam que Maria Rita tinha sofrido algum trauma e por isso era assim. Havia os que apostavam em pais ausentes, e um ou outro até arriscavam a possibilidade de algum abuso. Os outros desconfiavam que era mal de amor não resolvido. Curiosamente, Maria Rita tinha sido uma filha muito desejada e sempre muito adorada. Tinha tido uma educação equilibrada, não lhe tendo faltado bens materiais nem amor e afecto. Em relação a males de amor, não tinha tido nem mais nem menos que a maior parte dos mortais. Sabia que nunca tinha amado um homem. Aquele amor que vale uma vida. Mas quantos são os que vivem essas histórias? Maria Rita tinha para ela que muito poucos. E sabia que facilmente a maior parte das pessoas chegaria à mesma conclusão se parasse para pensar. Simplesmente, poucos o faziam. Mais uma vez a mesma conclusão. Poucos.
Livro pousado em cima das almofadas. Maria Rita foi até à cozinha e preparou a água para tomar um chá. Chá de Londres. Gostava da cidade. Tinha-a visitada mais do que uma vez. Voltava lá por um culto à indiferença. Considerava a cidade fria. Em tudo. Sentia-se bem naquele anonimato. Mas sabia que esse sentimento era apenas passageiro, durante aqueles dias de fuga. Também não se permitiria a mais do que isso.
Chá tomado. Nem sequer saboreado. Apenas tomado. Voltou ao quarto, acendeu a luz do candeeiro. Abriu de novo o livro. È hoje que vais para a prateleira. E disse-o com a mesma determinação com que algum tempo atrás tinha riscado no calendário o dia em que desistiu de tudo. A mesma determinação que tinha tido no dia em decidiu que tudo lhe seria indiferente.


PS - Como alguém disse neste espaço, a vida de facto não é cor de rosa. Não é sempre uma viagem agradável e muito cultivadora. Pode ser cinzenta. Pode ser negra. Pode ser transparente. Incolor! Não o esqueço. Luto dia-a-dia para que em cada dia novo eu seja capaz de pintar a minha vida de mil cores. Mas não esqueço que ela pode ser absolutamente negra, ou cinzenta. Nunca o esqueço. Luto para que certas cores tenham pouco palco para actuar na minha vida! Talvez seja esse o caminho!

Revisitando o cd Mellon collie and the infinite sadness




Sabe bem de vez em quando voltar a adormecer ao som de músicas como esta e recordar através delas um pouco de nós que ficou lá atrás...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Olha quem apareceu!...

Espreitando por este espaço povoado de letras, imagens, sons e emoções, eis que se descobre uma diferença na lista de quem o assina:

Sãozinha está por cá... Finalmente!

Benvinda menina maravilha! E que o pó de estrelas te ilumine os sonhos, como sempre...

Mãos à obra e trata de cozinhar umas postinhas cá na panela.

terça-feira, janeiro 02, 2007

(2) 007 – O Agente Secreto




Onze e meia da noite (23 mil horas e meia , como nos serviços militares), dia 31 de Dezembro. Ano de 2006. Cidade do Porto, conhecida também por Invicta.
Disfarçados entre os civis, o grupo de agentes secretos encaminhava-se para o local X.
Com a discrição do costume e, para não dar nas vistas, o grupo subdividiu-se. Iam vestidos com sóbrios sobretudos.
A mensagem autodestruíra-se no dia anterior. Só eles o sabiam e mais ninguém. Iam em missão.

Um a um, cada subgrupo de agentes secretos chegou ao X. Por fora, nada. Nem um letreiro, nada que pudesse revelar o nome do secreto ponto de encontro.
Apenas um cartaz com duas figuras associadas à cena política internacional. Tão somente. Um retrato a preto e branco, simples.

Paredes meias com um velho e soturno parque de estacionamento, o velho edifício na baixa da cidade deu-lhes as boas vindas.

O elevador, pequeno, triste e degradado conduziu-os até ao quarto piso. No interior, apenas um espelho. Nada de informações electrónicas de pisos. Apenas um desejo atravessava a mente dos seus ocupantes: o de que o elevador não resolvesse ser matreiro naquela pequena viagem.

Chegados ao piso 4, nada de especial. Mais uma vez, nada de cartazes. Apenas a porta.

Com um toque de campainha, eis que se entraram para um universo paralelo.
Os agentes secretos infiltraram-se num verdadeiro submundo, em que todos eram diferentes e todos iam para a mesma missão: encontrar-se com o famoso agente (2)007!

Após reconhecimento do local e apropriação de um velho sofá gasto e sem molas, os agentes secretos despiram os sobretudos.

As agentes secretas, sedutoras como sempre, depressa se fizeram servir do seu champagne (sem gelo). Por seu turno, os agentes masculinos, também eles com o seu ar matreiro e charmoso, se muniram de passas.

Até que os Agentes Secretos iniciaram a contagem qual bomba-relógio:

5...4....3...2...1...0

E ei-lo chegado ao local: o Agente (2)007! Todos os agentes secretos brindaram à sua chegada! Às 24 horas da noite, o segredo havia sido desvendado e o homem lá aparecera. Cumprimentou com um aperto de mão os senhores e com uma galante vénia as senhoras.

Servido-se com o seu tradicional martini, ergueu um brinde e deixou uma promessa a todos agentes secretos presentes:
Caríssimos, eu vou proporcionar grandes, saborosas e intensas aventuras! A cada dia, os meus segredos revelar-se-ão! Enjoy the ride!!

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Bem vindos a 2007


Um ano depois da casa do Tum lá estavamos nós com Maus hábitos!!!!

Sim, Diferente. Alternativo. Hummmm, sim isso tudo que possamos pensar.

Sim, pelos vistos deixamos passar a meia noite. Brindamos uns segundos depois, mas afinal o que é isso em 365 dias? Pouco. Ainda que me possam dizer que é em segundos que tomamos decisões importantes, que a nossa vida muda e por aí fora.

Engraçado ver que nem todos vivem este momento da mesma maneira. Uns sentados nas mesas, sorriem com os brindes dos outros, como se nada de diferente se estivesse a passar. Outros brindam ao novo ano, entre sorrisos e algumas lágrimas. Outros ficam compenetrados nos desejos a pedir às uvas passas, perdendo-se nos 12 desejos; outros pensam nos que não estão connosco neste momento: outros ainda, e no meio desta azáfama, passam em revista o ano que acabou, relembram o bom, o mau, o mais ou menos... Aquele silêncio!!!!!

Pois bem, depois dos brindes, dos sorrisos, das lágrimas, das saudades e dos votos de bom ano novo, espero que possamos sorrir e brilhar em todos os dias de 2007.

Como alguém que nos é familiar, escrever algures: UM 2007 DE EXCELÊNCIA!!!!

Beijos de quem gosta de vós.

sábado, dezembro 30, 2006

Bons dias novos

Há um ano atrás sorri convosco. No meio da serra, este ano começou no meio de risos, dança, música, brindes.
Para os que estão próximos, para os que estão longe mas na minha memória, envio o meu abraço. Porque os abraços nunca são demais.
Bom ano novo, cheio de bons dias novos.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

KARAOKE




Is this the real life
Is this just fantasy
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
Im just a poor boy,
i need no sympathy
Because Im easy come,
easy go,
A little high,
little low,
Anyway the wind blows,
doesnt really matter to me,
To meeeeeeeeeeeeee

Mama just killed a man,
Put a gun against his head,
Pulled my trigger, now hes dead

Mama, life had just begun,
But now Ive gone and thrown it all away
Mama ooo,
Didnt mean to make you cry
If Im not back again this time tomorrow
Carry on,carry on,as if nothing really matters

Too late,my time has come,
Sense shivers down my spine
Body's aching all the time,
Goodbye everybody-Ive got to goooo
Gotta leave you all behind and face the truth
Mama ooo
I dont want to die,
I sometimes wish Id never been born at all

I see a little silhouetto of a man,
Scaramouche,scaramouche will you do the fandango
Thunderbolt and lightning
very very frightening
Galileo,galileo,Galileo galileoGalileo
figaro-magnificoooooooooooo
But Im just a poor boy and nobody loves me
Hes just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity
Easy come easy go
will you let me go-Bismillah!
no-,we will not let you go-let him go- Bismillah!
we will not let you go-let him goBismillah!
we will not let you go-let me goWill not let you go-let me goWill not let you go let me go
No,no,no,no,no,no,no

Mama mia,mama mia,mama mia let me go
Beelzebub has a devil put aside for me,
for me,for meeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

So you think you can stone me and spit in my eye
So you think you can love me and leave me to die
Oh baby-cant do this to me baby
Just gotta get out, just gotta get right outta here

Nothing really matters
Anyone can see,
Nothing really matters
nothing really matters to me,
Any way the wind blows....

Um ano novo cheio de sorrisos e sucessos... e de canções de amor

É dia 28 de Dezembro. São 19h30 e estou parada numa fila de trânsito algures no Porto. Na rádio o Sr Rui Veloso diz que já não há canções de amor por não haver quem acredite... Fico a pensar: terá ele razão?
Estou nisto envolvida quando olho para a minha direita e me salta à vista o néon do night club “Ondas da Noite”. Pois, por aqui não há quem acredite em canções de amor, de certeza. E vai daí, nem sei, uma senhora que dizem ter sido frequentadora destes locais está no top de vendas dos livros em Portugal. E ainda dizem que não há quem leia em Portugal! Ultraje!
O semáforo ficou verde e voltou a vermelho e eu avancei apenas meia dúzia de metros. No quentinho do meu carro os pensamentos não param. Penso que amanhã (ou seja hoje) é o último dia útil do ano! Mais um ano que passou. Hora do cliché: o que se passa com o tempo que agora voa? Ainda ontem estávamos numa casa de Tum a preparar a despedida de 2005!
Agora que comecei a pensar no ano que está a terminar não consigo deixar de o ver em revista. Aqui há uns anos num final de ano fiz uma lista de coisas que pretendia melhorar em mim. Acho que a pobre da lista acabou num contentor de papel para reciclar. As minhas intenções eram boas, acreditem. Ter-me-á faltado na altura força de vontade para pôr em prática as minhas intenções. Acho que é sempre assim. Sabemos o que temos de mudar, o que podemos fazer de modo diferente, o que nos fará melhor. Só que por vezes esse caminho aparenta ser mais atribulado e deixamos de o escolher. Optamos pela estrada mais gasta, já com indicações dos que lá passaram. È natural, suponho eu.
O ano de 2006, como todos saberão, foi um ano de grande mudança para mim. A minha múltipla personalidade assumiu-se de vez e às tantas já nem eu sei se sou Maria, Ju ou Little Princess. Penso que no fundo sou um misto de muita coisa. E descobri que é na existência de diversidade e pluralidade que estão as coisas boas. Antes achava que só havia uma forma correcta, um caminho, uma opção. Neste ano que agora termina percebi que as coisas não são tão lineares como às vezes pensamos. Foi um ano bom. Muito bom, aliás.
Claro que para alguns, o ano foi igual a tantos outros, com pouco de novidade.
Para outros terá sido para esquecer.
Seja qual for o caso de quem está agora a ler faço uma proposta, tirem uns momentos para reflectir um pouco neste ano que passou. Vão ver que mesmo sem fazer lista do “a melhorar” ou “a fazer” será um exercício proveitoso.

Eu já passei o meu ano em revista.
Já arrumei as minhas questões.

Estou pronta para o 2007.
Espero-o munida do meu sorriso, do meu casaco quentinho e da minha vontade de viver cada dia novo que aí vem!


Para todos, um ano novo cheio de sorrisos e sucessos... e de canções de amor.
È que me parece que o tal Sr. é capaz de não ter muita razão....

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Monólogo com a câmara


Toda a gente sabia que Henri Cartier-Bresson não gostava de máquinas fotográficas a apontar para si; talvez ele se apercebesse, como Roland Barthes (pág. 77), da falsidade da situação: “Muitas vezes (demasiadas vezes, na minha opinião), fui fotografado tendo consciência disso. Ora, assim que me sinto na mira da objectiva, tudo muda: constituo-me no processo de posar, fabrico instantaneamente um outro corpo para mim, metamorfoseio-me antes da imagem”

Agnés Sire, Comissária da Exposição Um Silêncio Interior, em “Um silêncio Interior: Retratos de Henri Cartier-Bresson”, 2006.

(Na fotografia, Samuel Becket, em sua casa, em Paris, 1964)

Impressionante a arte deste senhor em captar a essência de alguém, naquele momento, naquele espaço, naquela forma, naquele conteúdo. Impressionante.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Mensagem da Carminho neste Natal ...


Havia no alto de uma montanha três
árvores que sonhavam o que seriam
depois de grandes.


A primeira, olhando as estrelas disse:
"Eu quero ser o baú mais precioso
do mundo, cheio de tesouros".

A segunda, olhando o riacho suspirou:
"Eu quero ser um navio grande
para transportar reis e rainhas".

A terceira, olhou para o vale e disse:
"Quero ficar aqui no alto da montanha e
crescer tanto que as pessoas ao olharem
para mim, levantem os olhos e pensem
em Deus".


Muitos anos se passaram e certo dia três lenhadores cortaram as árvores que estavam ansiosos em ser
transformadas naquilo que sonhavam.

Mas os lenhadores não costumavam
ouvir ou entender de sonhos... Que pena...


A primeira árvore acabou por ser
transformada numa manjedoura de animais
coberta de feno.

A segunda transformou-se num simples barco
de pesca, carregando pessoas e peixes
todos os dias.

A terceira foi cortada em grossas
vigas e colocada de lado, num depósito.

Então, desiludidas e tristes, as três
perguntaram: PORQUÊ ISTO?


Entretanto, numa bela noite, cheia de
luz e estrelas, uma jovem mulher colocou
seu bebé recém-nascido naquela manjedoura
de animais e de repente,

a primeira árvore percebeu que
continha o maior tesouro do mundo.


A segunda árvore estava a transportar
um homem que acabou por adormecer no
barco em que se transformara.

E quando uma tempestade quase afundou
o barco, o homem levantou-se e disse:
"Paz" e, num relance, a segunda árvore
entendeu que estava transportando
o rei do céu e da terra


Tempos mais tarde, numa sexta-feira,
a terceira árvore espantou-se quando suas
vigas foram unidas em forma de cruz e
um homem foi pregado nela.

Logo se sentiu horrível e cruel.
Mas no domingo seguinte, o mundo
vibrou de alegria


E a terceira árvore percebeu que nela
havia sido pregado um homem para a
salvação da humanidade.

E que as pessoas sempre se lembrariam
de Deus e de seu filho ao olharem
para ela


As árvores haviam tido sonhos e desejos,
mas, sua realização foi mil vezes maior
do que haviam imaginando, portanto...


Não importa o tamanho do teu sonho
acreditando nele a tua vida ficará mais
bonita e muito melhor de ser vivida.


Feliz Natal

quinta-feira, dezembro 21, 2006

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Natal

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Dizem que altos anjos
Da Divina hierarquia,
Na verdade, casulos de luz
- Pura energia criadora
Desceram de outras dimensões
Para apreciar um nascimento
Muitíssimo essencial...
Dizem que flocos de neve
Caíram das alturas
Cada um mais especial
Com formas que jamais se repetiram...
Dizem que o ar ficou de tal maneira
Perfumado de rosas e jasmine embriagou os passarinhos
- Que mais docemente cantaram
E girandolando voejaram
Saindo a anunciar
O evento anunciado
Que acabara de acontecer...
Dizem que uma alegria intensa
Se apossou dos pastorinhos,
- Pensaram então fazer parte
Da corte de um certo rei
E se sentiram comovidos,
Não de ouro e prata vestidos
Mas vestidos de Alegria
E canções de ninar entoaram
Louvando a chegada do Menino...


E é por isso que até agora
Quando chega o Natal
Também vestimos a alma
De cores especiais
E a nossa voz se eleva
Para acima de qualquer treva
E desejamos a todos
Votos de tantas coisas
Boas de acontecer...


Quem disse? Quem contou
Essa história às pessoas aqui da Terra?
Ora, os bardos, com a Poesia
Dos que precisam de Luz


Dos que necessitam de esperança
E querem levar alegrias
Pelo menos uma vez ao Ano
Para que os homens não desistam
De renovar seus sonhos
E de aproximar os que sonham...

... E agora, plenificada

de Amor, quem vos reconta,
sou eu: no colar dos contadores
mais uma conta que conta
mais uma ponta que canta...



Um Feliz Natal

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Ponham os cachecóis, calçem as luvas, vão para a rua ficar com as faces do rosto rosadinhas, e sorriam.

Ele anda por aí....


domingo, dezembro 10, 2006

Comunicado (em nome) de Manuela São Simão

Venho convidá-los para uma visita à Exposição "Boxed Attitudes (Ideias em Acervo)", projecto de instalação desenvolvido para a Galeria Extéril.

A inauguração foi no dia 9 de Dezembro, na rua do Bonjardim nrº1176, Porto.

Conto com a vossa presença!

Cumprimentos e até breve! :)

Manuela São Simão



"Boxed Attitudes (Ideias em Acervo)" é o meu pequeno acervo de ideias. Ideias que estão em stand-by, à espera de uma oportunidade para serem expostas, concretizadas.
Trata-se de um projecto feito de projectos. Nele faço alusão a diversos projectos que já concretizei, assim como apresento outros que nunca foram antes mostrados, quer por falta de oportunidade...quer por falta de espaço...! Encontro agora neste pequeno "white cube" que é a Galeria Extéril, um espaço para os mostrar...
O projecto completa-se a um nível virtual no espaço do site da Galeria, onde pode ser visualizada uma pequena animação em "loop" realizada com a ajuda do artista Pedro Brochado, e que se intitula "Breathing inside Frames".

http://www.exteril.com/


P.S.: para quem viu e lá esteve, como eu, fica a impressão de que visitamos uma exposição de um trabalho de muito tempo e esforço, com uma mensagem clara de coerência desta artista.
Mais: como se entrassemos em casa de artesãos onde todos os pormenores merecem atenção. Eu gostei.