Passo a explicar... Não fosse a contenção orçamental e a indecisão quanto a cor a escolher e uma das apetitosas malinhas da Furla e um belo par de Melissas teriam regressado comigo para Portugal.
Simplesmente lindos!!
(para mim, claro)


O Buddha Eden Garden é um espaço com cerca de 35 hectares, idealizado e concebido por Joe Berardo, em resposta à destruição dos Budas Gigantes de Bamyan, naquele que foi, um dos maiores actos de barbárie cultural, apagando da memória obras primas, do período tardio da Arte de Gandhara.



O textinho:
Se o facto de ser mulher nunca limitou o meu roteiro de viagem, a verdade é que tenho sempre em atenção os aspectos culturais dos locais que visito, nomeadamente no que diz respeito à condição feminina. E o caricato é que, não raras as vezes, o maior cuidado passa exactamente pela escolha do que colocar na mala de viagem!
Recordo, por exemplo, de ter tido um cuidado especial na escolha de roupas discretas na viagem que fiz à Tunísia. E, ainda assim, e apesar de não ter sentido qualquer espécie de discriminação pelo facto de ser mulher, não pude deixar de notar alguns olhares curiosos.
Creio, aliás, que no normal é a estranheza sentir-se de parte a parte, quando se está em culturas com variantes e costumes diferentes da nossa e eu mesma dei por mim a observar de forma indiscreta as mulheres de burca ...
Nunca esquecerei os olhos esbugalhados de uma nepalesa vidrados nos meus corsários. Para ela, habituada a vestes mais femininas, tal terá sido um duro golpe de moda!
Numa visita à Basílica de S. Pedro, no Vaticano, fui inesperadamente barrada à entrada porque vestia uma camisola de alças que punha os meus ombros a nu. A autorização para entrar só me foi concedida após os ter tapado com um lenço. Apesar da tão apregoada modernidade ocidental, aquele lugar atestou ainda existir um precoceito claramente sexual relativamente à mulher... E quem diz Vaticano, diz uma grande parte de locais sagrados.
Já no Brasil, a experiência de feminilidade foi levada ao rubro! Ser mulher e exibir orgulhosamente o corpo é cultural. O samba, a música, a natureza ... um quase endeusamento da mulher faz-nos regressar com uma sensação de «girl power» renascida!
Admito, porém, que se tivesse nascido loura, a coisa seria diferente e teria um cuidado redobrado nas visitas aos países muçulmanos, onde predomina o mito (?) de que as mulheres ocidentais são trocadas por camelos... Aliás, agora que se fala nisso, já fui discriminada, sim! Por ser morena, fui discriminada numa medina marroquina, porque num momento de descontração em que alegremente dançava entre amigos, um comerciante local apenas ofereceu ao meu marido um mísero par de ténis como moeda de troca pela minha pessoa. Absolutamente injusto!
«...Não me peçam cartão de identidade/Pois nenhum outro senão o mundo tenho», sabiamente o escreveu Sophia de Mello Breyner naquele que considero o poema que melhor espelha a minha relação com o mundo e as viagens. E mesmo se tivesse nascido em corpo de homem, acredito que a minha alma de viajante seria exactamente igual!




Nós riamos e tentavamos prestar atenção ao teatrinho, mas era complicado quando ao nosso lado tinhamos crianças com gargalhadas apetitosas, que se repetiam uma e outra vez. Mesmo ao nosso lado, duas meninas conversavam sobre acontecimentos das férias e uma delas explicava que o homem que viu na praia a nadar "era mesmo muito grande, do chão quase ao tecto da praia!". Do outro lado, um menino no colo do pai perguntava com alguma apreensão "a mão vai morrer?". E eu não conseguia deixar de sorrir.
"Seremos nós marionetas?", perguntavamos em silêncio...
E quando retomavamos o caminho de regresso a casa, pelo meio do jardim, começamos a ouvir pequenas risadas, abafadas mas sem sucesso. Olhamos melhor e apanhamos em flagrante as marionetas de pedra perdidas de riso! Eram 13, a rir uns dos outros, a rir do mundo, e rir de nós. Um menino aproximou-se admirado e, estendendo o dedo de forma hesitante de início, imitou o marionetista no gesto de fazer cócegas na palma do pé do homem pequenino com gargalhada de pedra. E eu podia jurar que vi este ser petrificado inclinar-se ainda mais, acompanhando as nossas risadas.
Eu gostei deste domingo à tarde.
Descolei e senti o estômago a subir à garganta. Depois não queria outra coisa.
Outras alturas houve em que esperei e desesperei... Em terra firme, a vida nem sempre rola como é suposto.
Arrisquei tudo! Experimentei.
Praga, Rua Nerudova
Algarve, algures...
Madrid, Plaza Mayor.
Não sei para onde vou a partir daqui. Para já vou dançar, dançar "'till the end of love"...