quarta-feira, fevereiro 23, 2011

É que estou mesmo a ver as vagas a esgotar rapidamente!!



A ANJE presenteou-me esta manhã com um email de divulgação de um Workshop fenomenal.

Senão, leiam:

WORKSHOP MEDITAÇÃO - NÍVEL I

ENQUADRAMENTO
Sensibilizar empresários e quadros das empresas para a importância crescente da meditação enquanto técnica de apoio a profissionais que acumulam diversas responsabilidades é o objectivo do workshop (...)

Partindo de breve reflexão sobre a ética nas empresas, a formadora Isabel Leal acabará por demonstrar a importância do sistema energético e dos exercícios de respiração enquanto técnicas de apaziguamento, de bem-estar pessoal e profissional e ainda de redução de riscos cardiovasculares e outros estados fisiológicos emocionais e mentais negativos.

CONTEÚDOS
- Código de ética
- As funções físicas básicas
- O sistema energético
- O relaxamento
- A respiração
- A postura
- As mudras, posições de mão
- O poder pessoal
- Os mantras, o poder da palavra
- A lei da atracção - visualizações e concretização
- Meditações guiadas
- Gestão emocional
- Energia de grupo
- Ligação e estímulo do potencial criativo
- Exercícios práticos e criativos

FORMADORA
Isabel Leal
- Formadora de reiki e meditação;
- Palestrante na área de stress management e prevenção de questões cardiovasculares;
- Palestrante na área de novas técnicas de apoio escolar;
- Coaching a equipas de projectos educacionais;
- Participação mensal escrita para revista Zen Energy, 100% Natural e revista Coisas de Criança;
- Colaboração no portal Sapo - Astral, Kids, Zen;
- Escritora.

PREÇOS
Associado: 80 Euros
Não Associado: 100 Euros


Depois de ler isto, fiquei realmente convencida.
Acredito realmente que Administradores e Gestores deste país, tipo Paulos de Azevedo, Américos Amorins, Antónios Mexias e outros que tal, estão de facto a precisar de se enfiar numa sala a escutar alguém a dissertar sobre estes temas (ou não).
De qualquer das formas, vale pela intenção.
E quanto mais não seja, se a senhora falar de ética a coisa não estará totalmente perdida.
Já estou a imaginar todos de olhos fechados e mãos dadas a meditar e a proferir mantras do género:

« Não tratarei os meus subordinados abaixo de cão.
Serei menos cabra para os meus funcionários.
Tentarei reduzir em 10% o nº. de mentiras que digo por dia aos meus fornecedores, funcionários e clientes.
Tentarei reduzir em cerca de 25% os meus julgamentos sobre as pessoas baseados na sua aparência e posses pessoais
Perceberei que o lucro deve apenas passar a ocupar 99,9% dos meus pensamentos ao invés dos 200% actuais.
Tentarei dormir mais em estado ZZZZZZZZZZZZZ e um pouco menos em estado €€€€€€€€€€ »

(Percentagens em mantras?! Ah sim, que isto de Workshops para Administradores e Gestores tem que ter indicadores objectivos!! E se a formadora não se empenhar especificar o retorno do investimento relativamente ao valor pago pelo curso, então aí pode tirar o cavalinho da chuva que não lhe aparece ninguém!!)

terça-feira, fevereiro 22, 2011



Ao olhar para esta imagem, muitas outras passaram de rajada pela minha mente ...

Those happy days when ...

- tomavámos banhos de mangueira no Verão no quintal de casa;

- costurávamos roupinha para a Barbie e fazíamos desfiles de moda;

- riamo-nos às gargalhadas enquanto jogavamos ao limbo nos aniversários;

- organizavamos concursos de dança com música da moda: lambada, dirty dancing (!) ...

- forravamos as paredes do quarto e as portas do roupeiro com posters dos nossos heróis (Patrick Swayze, Tom Cruise, Macaulay Culkin, Luke Perry, Jason Priestley, ...) ;

- ansiavamos por completar a Caderneta de Cromos do Beverly Hills 2010 (havia sempre cromos que nunca saíam no Bollycao!);

- compravamos gominhas e flocos de neve à saída da escola e íamos a «mordiscá-las no caminho até casa;

- enchiamos balões com ar e colocavamo-los no peito e rabo, encenando desfiles de mulheres crescidas e voluptuosas ... A risota era tão grande que doía a barriga de tanto rir!!!

- arriscavamos saltos do tabuleiro superior da Piscina de Espinho e ficavamos dentro de água até a pele nao mais poder enrugar!

- ficavamos horas ao telefone com as amigas a(para desespero dos pais na conta do final do mês!)ainda que acabassemos de ter estado com elas;

- comemoravamos cada aniversário como se fosse o acontecimento mais importante do Mundo, com direito a roupa nova :) e preparavamos surpresas para todas (crónicas, desenhos, ...)

... a lista continua ... e eu sorrio por me saber dona deste tesouro tão valioso. :)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Às vezes as imagens valem mesmo mais que mil palavras ...

Are you obsessed with the right things, perguntam eles..
Pois ... a verdade é que, muitas vezes, não, não estou ...



Uma boa supresa

Apesar de ter torcido o nariz aquando da escolha, a verdade é que o filme surpreende e cativa.
Gostamos!

A Srª Bigelow mereceu a estatueta!

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Até logo, se Deus quiser!

Foi assim que hoje uma senhora se despediu na padaria ao pequeno-almoço.

Não pude deixar de pensar no sentido desta frase, se pensar que há dois dias atrás estava de carro a passar pela Praça do Império, poucos momentos depois de uma árvore antiga ter caído, devido à força da ventania, em cima de uma viatura que, tal como eu, circulava na rotunda.
O condutor faleceu.
Penso que, no seu caso, Deus parece não ter querido que ele tivesse mais um «logo» nesta vida ...

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

«Geração à rasca» ...

Ontem passou na SIC uma reportagem intitulada «Geração à rasca».

Bastante sensacionalista, extremamente deprimente mas reconheço que … realista, também.

Revejo-me nesta geração também ontem denominada como «Geração Deolinda».
A geração genialmente apelidada por este grupo musical como «Geração Casinha dos Pais». Pais que lutaram para que os seus filhos pudessem ter acesso àquilo que eles mesmos se viram privados na altura em que eram novos.
Pais que incentivaram e financiaram os seus filhos a prosseguirem estudos, crentes de que o «canudo» seria garante de estabilidade financeira e estatuto social privilegiado.

Pais que nunca sonharam ter os seus filhos a morar sob o mesmo tecto aos vinte e cinco, trinta, trinta e cinco anos, senão mais!
Pais que admiro porque persistem na luta pelo sonho dos seus filhos, trabalhando com afinco para ajudar os seus filhos no que for preciso (apesar de alguns deles poderem estar já na reforma). Pais que motivam, que alimentam a auto-estima debilitada de jovens a quem um dia prestaram ilustre homenagem na imposição das insígnias e chamaram de «senhores doutores» mas que nem uma resposta são dignos de ter quando respondem a anúncios de emprego.

Pais que me abordam e me entregam em mãos o Curriculum dos seus filhos, com olhos de gratidão antecipada postos em cima de mim, que pouco ou nada posso fazer por si, mas que em mim parecem depositar todas as esperanças do Mundo.
Tenho o maior respeito por esta geração que luta com muitas dificuldades em todas as frentes. A quem negam trabalho por falta de experiência e a quem negam trabalho por excesso de qualificações.

Custa-me muito passar os olhos por milhares de candidaturas que forçosamente tenho que excluir porque as vagas são limitadas. Guardo todas essas candidaturas pelo respeito que me merecem e tento (embora às vezes admita que não consiga por constrangimentos de tempo) responder a todas.
Sei que o texto é «chapa 5» que as pessoas estão fartas de ler que a sua candidatura fica em base de dados mas pelo menos acredito que dei um feedback à pessoa por detrás do papel, do email …

Acredito que quem está, como eu, numa posição mais confortável, empregada, com remuneração, enfim … que pode de alguma forma levar adiante alguns dos seus sonhos ao invés de os adiar continuamente por falta de condições, tem o dever de se esforçar um pouquinho mais.
Sei que andamos em tempos em que apetece fugir desta realidade e subitamente encontrar-nos debaixo de um chaparro a escutar o zumbido de abelhas. Tenho a noção de que não só os meus níveis de motivação andam na rua da amargura, como também andam os da esmagadora maioria dos meus colegas. Sei que o salário é sofrível e que está congelado há anos sem que ninguém dê uma única satisfação para que tal aconteça (até porque os resultados anuais têm sido positivos). Sei que vivemos tempos de crise instalada, mas custa-me ver que mais do que financeira, vivemos uma crise em termos de solidariedade e de entre-ajuda. É um salve-se quem puder, um baixar de braços colectivo, um querer gritar mas nem isso fazer porque o mais certo é todos ouvirem mas ninguém deitar a mão …

A Inês Pedrosa dizia numa das suas belas crónicas de fim-de-semana que temos que dar alento a estes jovens, porque tal como ninguém adivinhava a revolução tecnológica espantosa que aconteceu em tão pouco tempo, a mesma incerteza e imprevisibilidade se pode aplicar aos tempos vindouros. E que, por isso, mais vale ter esperança que esses serão de prosperidade, de emprego, de novas oportunidades. Tento abraçar esta ideia e não a largar, segurá-la com firmeza!

Numa altura em que as audiências se concentram num programa que procura o talento em Portugal só me ocorre pensar que esta geração é talentosa, só é pena que todos teimem em negar-lhes palco…

A reportagem de ontem terminou ao som da genial letra dos Deolinda e pensei para comigo que até nisto eles têm razão: «Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?/ Há alguém bem pior do que eu na TV.»

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Quando...

- dou por mim a fazer listas mentais de supermercado às oito e meia da manhã à semana, e troco a hora de almoço por uma ida ao Modelo;

- entro no site da Vaqueiro mais do que três vezes por semana e faço pesquisas por «ingrediente»;

- acho fantástica a minha nova aquisição composta por um Kit para limpar os vidros lá de casa e, pior, falo disso a toda a gente como se fosse a descoberta do século!

- anseio por um ferro de caldeira e começo a imaginar-me, feliz, a passar camisas a ferro com zero vincos!

- levo e dou raspanetes quando algum de nós leva comida para a cama sem levar um pratinho para não deixar migalhas.


... percebo que baixou completamente em mim a:





Soooocooooorrrroooooooo!

Uma visão tragico-cómica sobre as relações amorosas.



É fantástico aquilo que se pode encontrar no Youtube ...

terça-feira, fevereiro 15, 2011

É do BEST!


"Do Jeitinho que És (Ispantosa)"

Música fofinha do dia de S. Valentim


É favor praticar o amor!


Letra: Vasco Palmeirim
Música original: Bruno Mars, 'Just The Way You Are'.


DOWNLOAD, AQUI: http://http//radiocomercial.clix.pt/podcast/index.aspx?id=12


Os seus olhos, seus olhos
Piscam muito devido a um tique nervoso
O cabelo, o cabelo
Cheira a flores do campo. Ou será quitoso?
Ela é linda...
E eu digo-lhe todo o dia!

Eu sei, eu sei
Que aquilo que quero é tê-la ao meu lado
Pegar na mão dela
Que tem cheirinho a refogado

E sempre que ela me pergunta ¿estou bonita?¿,
É isto que eu digo:

Quando vejo tua face
Não há nada que eu mudasse

Porque és Ispantosa
Do jeitinho que és.

Quando te vejo à frente
Tu sorris e eu noto que te caiu mais um dente
E mesmo assim és ispantosa
Do jeitinho que és.

As suas unhas, suas unhas
São cortadas só com uma broca
O seu riso, o seu riso
É relativamente parecido com uma foca

Ela é linda
E eu digo-lhe todo o dia
E quando ela vai à rua
De chinelos e peúga
Ela mostra a todos o seu charme
E a sua verruga
E sempre que ela me pergunta ¿será estou bonita?¿, eu diiiiigo:

Quando vejo tua face
Não há nada que eu mudasse
Porque és Ispantosa
Do jeitinho que és.

Quando te vejo à frente
Tu sorris e eu noto que te caiu mais um dente
E mesmo assim és ispantosa
Do jeitinho que és.

És ispantooooooosa
Marabilhosa
E foi o Umberto Eco que escreveu o Nome da Rosa
ai foi, foi!

Porque afinal quem vê caras não vê corações! E, quem feio ama, bonito lhe parece! And so on, so on and so on!

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

domingo, fevereiro 13, 2011

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

« A vida normal por Carla Machado
PUBLICO, 24.8.2006


Todos passamos a vida a desejar a vida que não temos. Queixamo-nos do emprego, dos colegas que são chatos, do chefe que não nos dá valor, do muito que trabalhamos e do ordenado que é fraco.Reclamamos do tempo, que chove e não se pode ir à praia, que não chove e faz mal à agricultura, do sol que é pouco ou demasiado, do suor, do frio e do vento, do calor que nunca mais se vai embora e do Verão que nunca mais chega.A família cansa-nos, mas odiamos quando esta nos ignora; dizemos mal do amigos sem os quais não sabemos passar; suspiramos pelo fim do serão em que as visitas se vão embora, mas despedimo-nos combinando um novo jantar.Estamos fartos dos filhos, mas passamos o tempo a falar deles e a mostrar as suas fotografias aos amigos. O barulho que fazem enlouquece-nos, mas o silêncio da sua ausência é insuportável.Queixamo-nos do marido ou da mulher, que não são como dantes, que nos irritam, que não nos surpreendem, mas suspiramos quando nos faltam e reclamamos quando fazem alguma coisa com a qual não contávamos.Estamos no Algarve a suspirar pela frescura do Minho, no Minho damos por nós desejosos da brisa costeira, na cidade irrita-nos o artificialismo e em Trás-os-Montes formigamos com a ânsia de fugir à ruralidade.E do país, todos nos queixamos do país até ao momento em que "lá fora" concluímos com um orgulho disfarçado que realmente "comer, comer bem, só mesmo em Portugal".De queixume em queixume, passamos pela vida muitas vezes sem deixar verdadeiramente que a vida nos atravesse. E só quando somos roubados ao quotidiano que tanto maldissemos damos conta do tempo que perdemos nos lamentos sobre o tempo que os outros nos fazem perder.Há pouco mais de um mês, numa consulta que era suposto ser de rotina, foi-me diagnosticado um tumor. Felizmente benigno, como soube após 24 horas de espera. E, tal como seria de prever, naquele momento inicial em que o espectro de algo mais grave ainda não tinha sido afastado, o meu pensamento imediato foi: "Mas afinal porque é que eu estou aqui, afundada em Braga a trabalhar, em vez de ter já há muito tempo fugido para Bora-Bora?" Passado contudo tal instante, e nas 23 horas que se seguiram, foi da vida normal que tive saudades antecipadas. A vida normal: trabalhar, ir ao cinema, abraçar quem amo, rir-me das pequenas parvoíces do quotidiano, ver a minha filha a dormir e sentir o seu cheiro.A vida normal está aqui mesmo ao lado. E aposto que Bora-Bora tem imensos mosquitos.»


Descubro este texto hoje, quando há apenas três dias atrás recebi a notícia trágica do desaparecimento precoce da autora deste texto. Uma mulher admirável, uma guerreira.
É na adversidade que nos deparamos muitas vezes com a lucidez.
Palavras carregadas de sabedoria que vou tentar recordar e aplicar diariamente.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

A desmancha prazeres ...

Verdadeiramente hilariante!
Caso para dizer: Are you really talking serious?!

Encontrei esta pérola algures na web e achei que devia partilhar … Um alerta à comunidade!
Quase que aposto que quem escreveu este fabuloso artigo usa um número de soutien pequenino … mas isso já sou eu a congeminar …

Melhor é mesmo ler e tirar as próprias conclusões …

«Peito grande pode causar muitos problemas!Apesar de muitas mulheres sonharem ter o peito grande, este também tem muitos pontos fracos
Muitas mulheres queriam ter o peito grande, mas muitas vezes não sabem que ter o peito grande também tem desvantagens.

O peito grande não cabe na palma da mãoApesar de muitos homens acharem o peito grande muito atractivo e excitante, é pouco prático no que respeita a brincar com ele durante o sexo.
O homem consegue segurar peitos pequenos e médios na sua palma da mão, massajá-los e brincar com eles; fazê-lo com peitos maiores é ligeiramente mais difícil porque a palma da mão não é suficientemente grande.

O peito grande pode ser um obstáculo durante o sexoSe o peito for demasiado grande, pode tornar-se um obstáculo durante as relações sexuais. O tamanho pode tornar determinadas posições sexuais impraticáveis. Por exemplo, na posição de missionário, o homem não consegue pressionar o seu corpo contra o da parceira se ela tiver o peito grande. O problema também poderá surgir se a mulher quiser colocar a cabeça do parceiro no peito, no calor da paixão, porque ele terá dificuldade em respirar.
(…) »

Confesso que a primeira desvantagem é realmente arrasadora para quem pensa colocar umas próteses de silicone. Aliás, depois deste artigo e deste argumento, antevejo uma ida massiva a clínicas para realizar cirurgias de redução mamária! Ou então, e depois disto, não será só o tamanho de outras partes do corpo que contam. Afinal, o tamanho da palma da mão do parceiro (ou, parceira!) é fundamental!

Gosto sobretudo do cuidado em fornecer um exemplo ilustrativo do segundo argumento. Penso que só assim não restam dúvidas de que isso de bustos generosos é uma coisa de tal modo nefasta que chega a ser perigosa, ao ponto de sufocar alguém!!
Cuidado!!

Nasa apresenta: o Sol em 3D



Fico fascinada com a beleza da Natureza ...
Estas imagens são absolutamente assombrosas.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Several notes to self...

Urge visitar aqueles que mais amamos com regularidade.
Dizer-lhes o quanto gostamos deles, o quanto significam para nós.
Telefonar, escrever, email(ar) para aqueles que estão distantes no espaço mas não no nosso coração; diminuir distâncias e matar saudades.
Regar o nosso jardim de afectos com muito amor e dedicação.
Cuidar bem de nós, cuidando bem dos outros.
Aceitar-nos como somos, com defeitos e virtudes.
Agradecer a vidinha santa que temos, apesar de nos queixarmos de coisas tão simples como o facto de o tipo da padaria nos ter servido uma 1/2 leite fria ...
Perceber o quão abençoados somos por termos saúde, um lar, uma família, amigos …
Não são aceites desculpas, nem adiamentos.
Porque só temos uma vida, uma oportunidade.
E vale a pena esforçarmo-nos por não a desperdiçar antes que seja tarde demais.

(O mundo viu desaparecer hoje mais uma grande Mulher. Que deixou a sua marca em muitas pessoas, incluindo a mim, que tive o privilégio de a ter conhecido. Mais uma estrela no firmamento …)

Nada como começar a manhã percebendo que temos um herpes no canto da boca!

Die, evil herpes, die!!

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Coisas que vejo por aí ...

A adolescente imberbe entra no salão. Pedem-lhe que aguarde pela sua vez. Senta-se, pega num catálogo de penteados e desfolha-o, descontraída.
Na sua mente, bailam imagens do penteado que vai alterar definitivamente o seu visual, que a irá catapultar aos olhos do rapaz mais lindo do liceu…
Eis que chega a sua vez.
Colocam-lhe uma bata, pedem-lhe que se sente. Enquanto lhe lavam a cabeça, continua a sorrir a pensar naquela mudança e na reacção dos outros …
Será o máximo!
De toalha enrolada na cabeça, encaminham-na para uma cadeira.
À sua frente, um espelho reflecte a sua imagem. Decide que aquele é o momento da despedida do seu antigo eu.
No reflexo surge a imagem daquela que será a fada madrinha da transformação.
«Então, como vai querer cortar?» - pergunta, enquanto lhe desembaraça o cabelo com um pente.
Os seus movimentos são bruscos e sente algum desconforto perante a pouca gentileza … Responde.
«Franja, a direito!»
E, de repente, aquilo que seria idílico transforma-se num cenário horrendo.
«Franja a direito?! É que vai-lhe ficar horrível!»
Subitamente, os olhos enchem-se de água.
Perplexa, emudece enquanto o ser grotesco continua:
«Ah, não faça isso, que horror! Olhe vamos é cortar escalado e dar volume que isso é que se usa…»
A voz regressa e, de fininho, diz:
«Pronto, olhe, deixe lá. Corte só as pontinhas, se faz favor… »

Da perfeição do Cisne Portman ...



Eu só queria ser perfeita”, diz a personagem de Natalie Portman a certa altura de “Black Swan” ...
A desilusão enlouquece as pessoas. Os perfeccionistas perseguem objectivos com tal obsessão que perdem o sentido da realidade …
Cisne Negro dá pinceladas numa possível esquizofrenia de Nina, e vai apresentando aos poucos o seu mergulho num processo psicótico cada vez mais profundo. A partir de certo momento, ela não consegue mais distinguir entre a realidade e a alucinação, e passa a agir indistintamente em função de qualquer uma das duas como se fossem a mesma coisa.
Com a música envolvente de Tchaikovsky, percebemos na bailarina, o tempo todo, a rapariga perfeita construída socialmente: um cisne branco frígido, estéril e incapaz de aproveitar todo o seu potencial expressivo; e o cisne negro que se debate pela liberdade, agressivo, destruidor, erótico, e completamente estético.
O lado bom e o ruim convivem com a mesma pessoa.
Cisne Negro representa talvez um medo comum de que a fronteira entre o bem e o mal não seja nítida, de que para realizar coisas boas e belas podem ser necessários actos que sejam feios ou condenáveis.
Óscar para melhor filme? Duvido. Mas quanto a Melhor Actiz, será uma injustiça se Natalie não levar a estatueta para casa.
Em seis meses, ela sem dúvida transformou-se no Cisne Perfeito!

sábado, fevereiro 05, 2011

Directamente do meu fim-de-semana britânico...

.. aqui ficam algumas cenas deliciosas do Family Guy. Não sou fã da série, mas acho que nestes excertos estão talvez dos melhores momentos da série. Naquilo que é talvez um grande cliché acerca da cultura britânica!!!





quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Anseio pelo fim-de-semana ...

Expectativas em alta para ver e ouvir :



A música é absolutamente sublime.

Dá que pensar ...

O meu pai tem 74 anos e faz diariamente a pé o percurso que vai do Marquês ao Cais de Gaia.

Nas suas palavras, apesar de o frio convidar a ficar em casa «-Não se pode fazer a vontade ao corpo».

Eu tenho 30 anos e queixo-me de andar mais de cinco minutos a pé ...

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

...

Vocês sabiam que hoje é o Dia Mundial das Zonas Húmidas?

Já festejaram?

A Mulher que calçava sapatos de homem

Tirando os aspectos negativos de ter que andar de autocarro todas as manhãs (que são alguns, é certo, mas aos quais sobrevivo) confesso que acho divertido o facto de começar a conhecer as pessoas que, de segunda a sexta, me acompanham na viagem.

Entre elas, existem duas senhoras muito castiças, mas destaco a mulher que calça sapatos de homem.
Não é jovem, podia ser minha mãe. Usa roupas femininas, banais mas nos pés traz sempre calçado tipicamente masculino.
Num dia, mocassins pretos em verniz, noutros sapato de atacador em camurça castanha, entre outros modelos.
Dou por mim a olhar para os pézitos desta senhora curiosa por saber o seu sapatito do dia e, sobretudo, a pensar que ela tem uma ganda pinta!!

Nos restantes momentos da viagem em que não vou entretida a olhar para os pés dos passageiros, fecho os olhinhos e «medito» :)

Saudosismo ...



Este Vitinho é uma ternura!

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Ainda sobre cabelos (como é possível?!)

Hoje de manhã, ao finalizar o penteado, abro a gaveta da casa de banho, tiro a laca para fora e «Tzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz» no cabelinho.

Ao meu lado, atónito, com metade de cara barbeada e a outra metade coberta de espuma, o meu rico marico, diz-me:

- Laca?! É oficial, tu estás mesmo COTA!!

Depois de me partir a rir, respondi:

- COTA mas impecavelmente penteada, ah pois!!

segunda-feira, janeiro 31, 2011

E, de repente, saímos da nossa zona de conforto e mergulhamos na tela, num sub-mundo clustrofóbico, intenso e sufocante. Um mundo nada «Biutiful»
Uma obra-prima. Um soco no estômago.
Não tenho palavras para Javier Bardem neste filme. Fiquei com um nó na garganta tão grande!
Um colosso de talento.
Depois dos geniais Mundo Cão, 21 Gramas e de Babel, é imperativo assistir a Biutiful.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Ora, diz assim o meu horóscopo de hoje ...

« Tempo de arrumar o passado e tudo aquilo que já não faz sentido nesta sua fase de vida.
E a paz que encontrará dar-lhe-á uma serena disponibilidade para o futuro.»

Pronto, é desta que não me escapo a arrumar o roupeiro! Bem, algum dia tinha que ser! LOL

Surreal!

Hoje 12h35 - Atendo o telefone. Do outro lado da linha, um candidato que faltara à entrevista de emprego que tínhamos marcado para hoje, às 10h30 ...

Candidato: Está, daqui é o XPTO, nós tínhamos uma entrevista hoje às 10h30 ...

Eu: Pois tínhamos!

Candidato: Pois, sabe é que eu ... baldei-me! É que baldei-me completamente!! E só agora fui ao computador e percebi que me tinha esquecido da entrevista!

Eu: (muda e perplexa)

Candidato: Ouça, quando é que podemos reagendar isso?

Eu: (continuando muda e perplexa, decido reagir) Não podemos! Neste momento, não disponho de agendamento para breve. Não se preocupe, quando for necessário, nós ligámos, ok?! Passar bem, bom dia!!


E é isto. Quando penso que já vi tudo, aparecem-me estas «pérolas». Eu bem sei que a honestidade é uma virtude mas no que diz respeito a esta situação, já se tinha arranjado uma desculpa esfarrapada ...(não?!)

Lovely ...

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Agora a sério...

São Pedro, o frio é bom durante uns tempos, usamos acessórios bonitos, mas agora já chega. Não dá para aumentar só um bocadinho a temperatura? Assim congelo os neurónios e não consigo ser produtiva como a patroa quer.

Atentamente,

B.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

ADOREI


Pessoal do Bacalhau e outros afins,


ADOREI ver os "DEOLINDA" no Coliseu do Porto.


Foi sensacional, horas depois do concerto ainda cantarolava e dançava.


MUITO OBRIGADA pelo Presente!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

domingo, janeiro 16, 2011

Mesmo com atraso...

Para a menina com um coração de mel, mando um beijo, soprado nas asas de uma borboleta cor de prata. É um privilégio caminhar contigo.
Parabéns!

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Dos Agentes Imobiliários (com quem me tenho cruzado)

Antes de dizer o que quer que seja, não posso deixar de manifestar a minha total perplexidade para com as reacções ao meu último texto.
Digamos que a intenção de mudar as águas do Bacalhau foi um pouco mais além e atrever-me-ia a dizer que não só as mudei como as agitei!
Estas reacções não só vieram comprovar que a temática capilar não só é uma preocupação nacional como também além-fronteiras!
:) Obrigadíssima!
Mais recentemente, tenho direccionado a minha energia para a temática imobiliária.

Dado que tenho um imóvel para arrendar ou (preferencialmente) vender, lidar com agentes imobiliários tem sido uma experiência constante e, diga-se, muito reveladora.

Como diriam os americamos atrevo-me a resumir «in a nutshell» esta interacção como «desastrosa».

Se tivermos em linha de conta que hoje em dia que a procura de empregos é tremendamente superior à oferta dos mesmos, om lógico será esperar o máximo profissionalismo e eficiência dos profissionais que connosco se cruzam. Tudo, claro, em busca da sobrevivência, que é como quem diz, da conservação do empreguinho...
Certo?
Errado!
Não generalizando e cingindo-me apenas à minha experiência com meia dúzia de profissionais da área imobiliária, devo dizer que observo exactamente o oposto.

Em todos eles, consegui isolar uma série de características que são absolutamente o oposto daquilo que eu considero (ainda) ser o perfil de um profissional competente.
Ora a saber:

- Tremenda Falta de Pontualidade (é que não há uma única vez que não leve seca!!)

- Ineficiência Total na Gestão de Contactos
(« Desculpe, apercebi-me agora que estava a ligar para o seu numero profissional e que me havia pedido para lhe ligar para o número pessoal...»)

- Incapacidade de Gestão de Tempo e de Prioridades
( «Ah, vem a caminho para a reunião? Ai! Peço desculpa mas esqueci-me completamente! Podemos adiar? ... Não?! Então, então, pode ser para depois do almoço que está quase a ser?» ou
« Amanhã tem o meu email na sua caixa de correio, se calhar ainda mesmo hoje à noite!» (pois, até hoje ...)

- Ausência de Ética
(«Sim, claro que está em boas mãos, apenas andamos dois meses sem publicitar o seu imóvel com a informação correcta porque, pronto, a culpa foi da sua comercial que por acaso agora até já nem trabalha connosco... Mas agora com a nova vai correr tudo bem!!»)

- Deficiente escuta activa ou amnésia
(«Ah,afinal o valor do condomínio não é o que andamos a publicitar. Ah, tínhamos dito isso? Ah....ZZZZZZZZZ)

Isto tudo para dizer que parte das brancas mais recentes já têm explicação!!

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Resgatado do fundo do baú...

O texto abaixo foi resgatado do fundo do baú … Foi escrito meses antes de fazer 30.
Agora, ao relê-lo, concluo que nada do que escrevi faz sentido ...
Deve ser da maturidade de quem tem já 30 anos e 3 meses, suponho?!
De qualquer modo, como diria a minha cara amiga Maria, eu mesma me admiro com a minha capacidade para dissertar sobre cabelos.
Terei passado certamente ao lado de uma bela carreira de cronista da área capilar, decerto...
LOL


Dizem que a entrada nos trinta assinala o auge feminino. Estou a escassos meses de completar essa idade - que é para mim mais bizarra estranha do que os costumes dos habitantes da Patagónia - e posso jurar que sinto tudo menos que caminho para o pódio.
Conversando um dia destes com mais duas amigas sobre celulites e coisas afins, cheguei à conclusão de que se me fosse concedido um derradeiro desejo ao génio da lâmpada todo o meu agradecimento recaíra no facto deste me voltar a conceder o meu cabelo de adolescente, com zero brancas pelo meio. Na verdade, de todos os males da idade, as brancas vieram desestabilizar a minha vida de tal maneira que grande parte da minha vida gira em torno de contagens decrescentes até à próxima coloração. Se, por um lado, o ritual do tingimento dos fios capilares é para mim como que uma tortura, por outro lado, o resultado é uma bênção. É como se passasse dos cinquenta novamente para os vinte (vinte e seis, vá).
O pior é que desde os últimos tempos que a coisa se tem vindo a agravar. O milagre das tintas parece estar a desistir de mim, porque ultimamente saio do cabeleireiro já com duas ou três brancas a brilharem no alto da minha cabeça, orgulhosas do facto de terem adquirido uma misteriosa imunidade face ao poderoso químico que parece tingir tudo (orelhas, testa, toalha (!)) menos o que deveria.
Mas isto não é tudo. A agravar a situação, o meu cabelo, outrora farto, ameaça tornar-se numa fina película a cobrir-me a nuca. Cai de tal forma frequente e descontrolada que, por onde passo, pareço deixar um rasto de cabelos atrás de mim. Mais uma vez, recorrendo à ciência capilar, tenho feito uso e abuso de todas as mezinhas que apanho pela frente, desde pozinhos multi-vitamínicos solúveis até às típicas ampolas que me dão cabo da paciência porque demoram demasiado tempo a aplicar e, sobretudo, porque obedecem a rotinas, um sacrifício e convite irresistível à desistência.
Sempre detestei rotinas e desde que casei que tentei impedir que estas se instituíssem nas nossas vidas. Não existe dia fixo para visitar os parentes, para estar com os amigos, ir ao cinema e muito menos (!) para actividades do casal … Como a rotina dos cinco dias úteis de trabalho tem um peso esmagador na minha vida penso que no facto de não existir rotinas na minha vida pessoal encontrei uma bóia de salvação da insanidade total. Pelo menos assim o quero acreditar.
Estava a falar do meu cabelo e comecei a perder o rumo da conversa. Isso em mim é tão habitual que algumas pessoas já me disseram que sou muito faladora ou uma ‘’fala barato’’. Nunca cheguei a perceber as exactas percentagens de crítica e de elogio subjacentes nessa apreciação, mas a verdade é que cada vez mais me estou nas tintas para o que os outros pensam sobre mim.
Até porque, se há uma coisa de útil em envelhecer, é a dita sabedoria. A minha, apesar de embrionária, diz-me que serei mais feliz se deixar de considerar as opiniões sobre minha pessoa que são proferidas por pessoas pelas quais não tenho profunda admiração e que me despertam vontade súbita de tirar a sesta. E a verdade é que até me tenho dado razoavelmente bem seguindo esta teoria.
No fundo, o que de bom têm as nossas crenças é que são como os leggings, um dia estão na moda, no outro estão fora dela. E é por isso que acredito cada vez mais que as pessoas mais felizes tendem a mudar de opinião mais vezes e a ter cada vez menos certezas na vida. Porque ao ritmo de mudança que hoje experienciamos tudo é posto em perspectiva de forma tão veloz que se não somos flexíveis e preferimos ver a coisa apenas ‘’à nossa maneira’’ quando dermos por ela, estamos sozinhos e infelizes.
Nada disto faz sentido se pensado no abstracto. Um exemplo em concreto: a questão da despenalização do aborto. Se há uns anos tinha uma opinião, hoje tenho outra que é o oposto. O que aconteceu dentro de mim? Aprendizagem. Já é positivo, significa que pelo menos o meu sedentarismo crónico ainda não atingiu o meu cérebro.
Ora, voltando ao cabelo parece passar-se o oposto. Parece que quanto mais tempo passo a cuidar dele, menos conhecedora dele me torno, porque por um lado, e apesar de todos os meus esforços e serúns milagrosos, as pontas continuam a espigar e, por outro, quanto mais prancha alisadora lhe ponho em cima, mais o estafermo teima em encaracolar.
Desistir seria admitir um fracasso e penso que ainda sou demasiadamente jovem para assumir tal peso nas costas. Até porque, uma vez que se fala nelas, diga-se que a entrada nos trinta não estão a correr nada bem nesse campo. No espaço de dois anos, um médico comunicou-me que tinha um ombro mais acima do que o outro (o que é aborrecido para usar tops), ameaçou-me com uma hérnia discal que posteriormente foi desconfirmada mas que me obrigou a passar pela experiência claustrofóbica e ensurdecedora de uma ressonância magnética e pelo trauma de picadas e choques de agulhas da electromiografia ao braço esquerdo. Como se não bastasse sentir-me como um fruto que apodrece, eis senão quando um personal trainer me encosta literalmente a uma parede, olha para a minha curvatura lombar e prenuncia o meu fim: ‘’Você com essa lordose (i.e. curvatura pronunciada no final das costas, na zona do cóccix) e da maneira como tem essas costas ao terceiro mês de gravidez vai para casa e fica de cama até ao final’’. Não satisfeito ainda adicionou mais pesticida à fruta já de si podre e rematou: ‘’E que dizer dessas clavículas assim sem massa muscular e só osso? Num acidente a 50 à hora, fica paralisada na certa’’.
Há que ser muito resiliente e, como dizem os brasileiros, ouvido duro para ignorar estas sentenças apocalípticas. Mas a verdade é que não só consegui ignorá-las como direccionar toda a minha atenção e preocupação para o meu drama capilar. Afinal de contas, o cabelo embeleza sobremaneira uma mulher.
Bom, ainda acerca de génios da lâmpada e de concessão gratuita de desejos, creio ter desiludido a minha barriga da perna que não se viu contemplada com uma atençãozinha do génio omnipotente.
A verdade é que, se há capítulo virado definitivamente no meu livro de aflições femininas e que não transita para a década dos trinta, é a que contempla a temática pernas e toda uma secção dedicada à barriga da perna, gémeos incluídos. Palavras como: presunto, troncos de árvore e garrotes deixaram de ter duplo significado e de estar associadas à justificação pela qual me recusava a usar qualquer tipo de roupa (vestido, saias, calções) que não cobrisse as minhas pernas. Presunto passou apenas a ser uma iguaria saborosa em combinação com melão e os troncos de árvore passaram a ser única e exclusivamente isso mesmo: troncos de árvore. E, já agora, garrotes são apenas pedaços de madeira que evito pegar para não infligir ainda mais danos nas minhas já de si desidratadas e degeneradas vértebras lombares
A partir do momento em que ultrapassei essa barreira todo um novo mundo se abriu perante mim, ou melhor, perante os meus joelhos que passaram a ver mais vezes a luz do dia.
A parte menos boa da coisa é que me tornei viciada em vestidos. Lisos, floridos, a direito ou plissados, não interessa. Os meus olhos estigmatizados e recentemente míopes brilham com vestidos. E o facto é que tendencialmente os compro não muito justos, com a desculpa de vão ser roupas úteis no período da gravidez.
Porque a mudança é uma constante da vida, a gravidez antevê-se não só como um estado de graça a curto-prazo …
Sim, o meu cabelo irá ficar ainda mais fraco, e sim, as unhas e os dentes ficaram fraquinhos. A circulação irá piorar e as pernas se já antes inchavam com o calor e o cansaço irão nessa altura duplicar de tamanho. Ainda assim, teimo em caminhar nesse sentido.
Mas como antes dos trinta anos tal não irá acontecer, resta-me discorrer sobre temas tão centrais como cabelos, vestidos, drenagem linfática e carreira. Porque graças a Deus, de Amor estou bem servida e porque a felicidade não cabe nas palavras.
E chegada ao fim da página, percebo que a subida ao pódio nos trinta anos não passa por ter uma cabeleira farta, nem tão pouco umas pernas Olívia Palito. O que mói o juizinho, o que aborrece mesmo é entrar nos trinta anos e perceber que tudo permanece aborrecidamente igual aqui neste cubículo estéril de inspiração, entusiasmo e vida em que a motivação é um pequeno punhado de notas que ao final do mês servem, pelo menos, para comprar tinta de cabelo.

Das coisas que eu não aprecio nos dias de chuva ...

... o meu afro-penteado.

Desço o elevador de manhã com o cabelo imaculadamente liso, escorrido, chapinha nota 10.

Chego à estação de comboios e toda eu sou caracoís e juba.

Esta fase da Tina Turner ou passa rápido ou começo a trazer o Babyliss para o emprego!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Oi?

Só para dizer que não gosto quando me tocam à campainha e assim que eu respondo Bom dia/ Boa tarde, a pessoa fica a olhar para mim em silêncio. Deve estar à espera que eu adivinhe qual dos elementos que habitam a minha bela maison eu devo chamar. E se eu disser que mamã e/ou papá não está, continuam em silêncio. Ah, agora devo adivinhar se a pessoa quer deixar recado ou não. (Tão lerdinha que eu sou.)

terça-feira, janeiro 04, 2011

Constatação

Temos imensos seguidores!!

segunda-feira, janeiro 03, 2011

A modos que vim cá mudar as águas ao Bacalhau, que é como quem diz, encetar o Ano Novo para o rapaz que ultimamente, coitadinho, anda em estado de coma profundo...
Ninguém sabe se é do frio que congela os dedinhos de quem tecla, mas o que é certo é que o rapaz ainda respira.
Bom Ano Bacalhau!!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Uma parábola sobre liderança - Luís Fernando Veríssimo

Uma empresa entendeu que estava na hora de mudar o estilo de gestão e contratou um novo gerente geral.
Este veio determinado a agitar as bases e tornar a empresa mais produtiva.
No primeiro dia, acompanhado dos principais assessores, fez uma inspeção à toda empresa.
No armazém todos estavam trabalhando, mas um rapaz novo estava encostado na parede com as mãos no bolso.
Vendo uma boa oportunidade de demonstrar a sua nova filosofia de trabalho, o novo gerente perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Trezentos reais, porquê?... Respondeu o rapaz sem saber do que se tratava.
O administrador tirou OS R$ 300,00 do bolso e deu-os ao rapaz,
Dizendo:
- Aqui está o seu salário deste mês. Agora desapareça e não volte aqui nunca mais!
O rapaz guardou o dinheiro e saiu conforme as ordens recebidas. O gerente então, enchendo o peito, pergunta ao grupo de operários:
- Algum de vocês sabe o que Este tipo fazia aqui?
- Sim Senhor ... Responderam atônitos OS operários.
- Veio entregar uma pizza e estava aguardando o troco.

"Há pessoas que desejam tanto mandar, que se esquecem de pensar"

(Obrigado Li pelo mail)

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Fernando Pessoa


Porque ontem não houve tempo, aqui fica a minha homenagem a alguém que sabia muito. Alguém que se sentia "muitos" e brilhantemente os deu a conhecer.

Identifico-me bastante com as suas palavras, por isso não consigo escolher o meu poema preferido.

Estejam à-vontade para o fazer...

terça-feira, novembro 23, 2010

sexta-feira, novembro 19, 2010

sábado, novembro 13, 2010

You Can Dance if You Want....



.. e eu quero!!!

Inauguro o meu fim-de-semana a dançar pela casa ao som dos loucos anos 80!!!

PS - Eu estou sempre a dizer mal dos anos 80, mas quando vou a Brick Lane, sinto me transportada no tempo para essa década dourada do "xunga". São as lojas vintage, são as lojas de coisas em segunda, terceira e quarta mão (e fiquemos por aqui)... São os arty-pop, trendies, Bricklanes, Dickheads, .. (you name it) e estamos de volta aos 80´s. A parte mais louca é que às vezes penso que gostava de ter sido teenager nos anos 80 e não nos 90.... Devia ter sido muito mais giro!!!

quarta-feira, novembro 10, 2010

Amigo Oculto.............

Feito o sorteio, mesmo sem a presença do do Governador Civil primo da Rainha Betinha, resta começar a pensar nas prendas e ir às compras!!!!
Com amizade...
P&J ou J&P (prós amigos)

sexta-feira, novembro 05, 2010

sexta-feira, outubro 22, 2010

Bom fim de semana ao sabor da ondulação do mar da Bahia ... :)

A seguir a Nova Iorque, o nosso destino de eleição é, sem dúvida, o Brasil.
A Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, Búzios, Porto Galinhas, Recife, Costa do Sauípe e Salvador da Bahia.
Já tive o privilégio de visitar todos estes lugares cheios de luz, vida e beleza.
E esta musiquinha fez-me revisitar esses dias de paraíso vividos em Salvador.
Dá-nos vontade de aproveitar a vida, contagia de alegria, liberdade!!

Fortemente recomendável!!

domingo, outubro 17, 2010

Nine

Ok, é um filme musical baseado num musical da Broadway... mas tem o Daniel Day-Lewis e este homem consegue ser fantástico em todos os personagens que encarna - é brutal. E tem umas quantas belas senhoras a fazer-lhe companhia: a Dame Judi Dench, a Diva Sophia Lorenn, a Penélope Cruz, a Nicole Kidman, a Kate Hudson e a Fergie. Apesar das cantigas e musiquetas, vale a pena.

E fiquei com tanta vontade de ir a Itália!!!!!!!! Já que não posso voltar no tempo e viver nos magnificos anos de ouro das divas italianas do cinema.

segunda-feira, outubro 11, 2010

«Como te sentes com 30 anos?»

Essa foi a pergunta que mais me fizeram no passado dia 08.

Com esta música dos meus amados Pearl Jam respondo ...




Em tranquilidade, feliz, completa, bem comigo mesma e com os outros.
Porque a sabedoria do passar dos anos tem vindo a mostrar-me que o dia a dia é muito mais poderoso do que jamais sonhariam os nossos sonhos.
Como disse John Lennon, a vida é o que acontece enquanto fazemos planos.
E eu quero vivê-la sem perder nadinha da fita!!

sexta-feira, outubro 08, 2010

Parabéns!! Parabéns!! Parabéns!!

PARABÉNS BIJU!
BEMVINDA AO CLUBE DOS "INTA"

quinta-feira, outubro 07, 2010

Sãozinha ilustra conto infantil. Uma pareceria de sucesso. A não perder!


A história que vou contar-te passou-se há muitos anos, na cidade do Porto. Ora escuta. Era uma vez um menino sem tempo para ficar quieto. Quando se cansava de ler ou de brincar sozinho, uma névoa toldava-lhe os grandes olhos castanhos. Sabia que apenas o deixavam sair se fosse para ir à escola, ou a recados à mercearia do senhor Carvalho ou à «loja das miudezas», como a mãe chamava a uma locanda onde uma doce senhora de olhos vesgos vendia carrinhos de linhas, botões, colchetes, fivelas e elásticos. Por isso, o João – era este o nome do menino passava horas sem fim à janela.

É assim que começa o Conto da Travessa das Musas, uma história de encantar e um desfiar de memórias e outras histórias. Um livro para pais, avós e netos .....




APRESENTAÇÃO DIA 9 de OUTUBRO, na BIBLIOTECA MUNICIPAL DO PORTO, pelas 16:30, com a presença do autor JOÃO PEDRO MÉSSEDER e da ilustradora MANUELA SÃO SIMÃO.À apresentação seguir-se-á uma actividade/workshop dinamizada por Manuela São Simão.

terça-feira, outubro 05, 2010

Nos meus vôos não há nada disto.....



E se as hospedeiras do seu voo fizessem a demonstração de segurança com coreografia à Lady Gaga e música à medida? Se apanhar um voo na Cebu Pacific, das Filipinas, poderá viver essa experiência. No YouTube, o vídeo tornou-se viral e é mais um fenómeno net. Ao som de "Just Dance", as hospedeiras dançam os conselhos. A companhia sublinha que os passageiros recebem primeiro as habituais e sérias recomendações de dança e que depois é que chega a dança. Segundo uma responsável pelo marketing da empresa, Candice Iyog, citada pela CNN, a dança tem sido muito apreciada pelos passageiros e, por isso mesmo, será introduzida em mais voos: “Não pomos em causa a segurança em nada do que fazemos”, sublinha, “apenas queremos divulgar a cultura da diversão”. O detalhe: o vídeo original no YouTube já ultrapassou 6,5 milhões de visualizações em cinco dias, sendo referenciado como disponibilizado por um passageiro da Cebu e não pelo seu departamento de marketing. Pelo YouTube, encontram-se já outros vídeos relacionados, como um que dá a entender tratar-se dos ensaios das hospedeiras para a dita coreografia - também neste caso, colocado no portal por um utilizador e sem referência ao marketing da Cebu. Seja como for, o certo é que melhor e mais barata publicidade como a que se consegue com vídeos que têm a sorte de se tornarem virais (e notícia em sites e blogues como este...) não há.

In Fugas

Oliveira e a República

Manoel de Oliveira é mais antigo que a República e está de melhor saúde.

sábado, outubro 02, 2010

Marjorie Miller

Miller was an illustrator of children’s stories and periodicals around 1924-1935.





Lindo. Vejam mais aqui.

quarta-feira, setembro 29, 2010

sexta-feira, setembro 24, 2010

Com votos de um bom fim-de-semana*



* e não é que os meus posts mais recentes são todos a desejar bom fim-de-semana!
Depois da heroína Sandra Priscila, tive hoje o insight: o nome da próxima protagonista da sequela de «Querido, mudei de emprego» será Naomi Roxana.

De origens étnicas diversificadas, esta personagem promete arrasar os corações masculinos e fazer com que as leitoras roam as unhas até fazer ferida.
Um romance com muita paixão, pimenta, piripiri, rúcula e, claro, ENO digestivo.

Over and out

domingo, setembro 19, 2010

Festival de Sensações


Enquanto as crianças faziam ali ao lado marionetas, a partir de tudo o que o mundo dos homens geralmente deita fora, do outro lado do jardim decorria uma das três histórias do espectáculo "Petites histoires sans paroles", integrado no Festival Internacional de Marionetas do Porto. No meio de tantas avanturas, um saco devorava as marionetas que lhe apareciam. Uma aventura em que uns salvam outros, em que as marionetas descobrem quem as manipula, em que o som dos pássaros completavam na perfeição o som que o músico extraía do seu laboratório musical. Lembrei-me de pessoas assim, que devoram quem as procura conhecer, e depois lembrei-me de pessoas que nos salvam.




Nós riamos e tentavamos prestar atenção ao teatrinho, mas era complicado quando ao nosso lado tinhamos crianças com gargalhadas apetitosas, que se repetiam uma e outra vez. Mesmo ao nosso lado, duas meninas conversavam sobre acontecimentos das férias e uma delas explicava que o homem que viu na praia a nadar "era mesmo muito grande, do chão quase ao tecto da praia!". Do outro lado, um menino no colo do pai perguntava com alguma apreensão "a mão vai morrer?". E eu não conseguia deixar de sorrir.





"Seremos nós marionetas?", perguntavamos em silêncio...


E quando retomavamos o caminho de regresso a casa, pelo meio do jardim, começamos a ouvir pequenas risadas, abafadas mas sem sucesso. Olhamos melhor e apanhamos em flagrante as marionetas de pedra perdidas de riso! Eram 13, a rir uns dos outros, a rir do mundo, e rir de nós. Um menino aproximou-se admirado e, estendendo o dedo de forma hesitante de início, imitou o marionetista no gesto de fazer cócegas na palma do pé do homem pequenino com gargalhada de pedra. E eu podia jurar que vi este ser petrificado inclinar-se ainda mais, acompanhando as nossas risadas.

Eu gostei deste domingo à tarde.

sexta-feira, setembro 17, 2010

sábado, setembro 11, 2010

A banda sonora do meu fim-de-semana ....



PS - 3€ em qualquer FNAC perto de si!! lol

PS 2 - Bom fim-de-semana

quinta-feira, setembro 09, 2010

Tenho acontecido ultimamente. Senão, vejamos:

Descolei e senti o estômago a subir à garganta. Depois não queria outra coisa.


Outras alturas houve em que esperei e desesperei... Em terra firme, a vida nem sempre rola como é suposto.





Arrisquei tudo! Experimentei.







O mundo é uma casca de noz, tenho dito amiúde. Mas também é preciso passar as passas do Algarve para poder viajar e conhecê-lo…

Praga, Rua Nerudova




Algarve, algures...






Madrid, Plaza Mayor.


Não sei para onde vou a partir daqui. Para já vou dançar, dançar "'till the end of love"...











segunda-feira, setembro 06, 2010

Obrigada obrigada obrigada!

A minha festa de aniversário (sim, foi uma grande festa!) foi a melhor que podia alguma vez ter imaginado.

Amigos, música, muito carinho e sorrisos imensos. Faltou apenas uma princesa... mas mesmo essa esteve no meu coração.

Eu gosto muito de vocês. Mas isso não é novidade...

segunda-feira, agosto 30, 2010

domingo, agosto 29, 2010

No ano em que a Joaninha turns 30 todos lhe pedem que volte, que volte.
Bata asinhas e regresse.
Que o sonho comanda a vida e é tempo de ele assumir os comandos.

Feliz Aniversário amora.
love u

segunda-feira, agosto 16, 2010

Am I one?



O Pedro diz que SIM, depois de eu ter lido as 586 páginas d' O Jogo do Anjo em menos de 6 dias. :))))))

quarta-feira, agosto 04, 2010

...

Comprei um produto para o cabelo, mas só quando cheguei a casa reparei que o mesmo deve ser usado à noite antes de deitar.

Se eu o usar durante o dia, o cabelo sabe e o creme já não funciona ou pensa que já é noite e faz milagres?

quarta-feira, julho 28, 2010

SÉTIMO MANDAMENTO

INVESTE NUMA PROLE NUMEROSA
(E ACEDERÁS AO FANTÁSTICO MUNDO DE NEVERLAND)

sexta-feira, julho 23, 2010

Sugestão de fim-de-semana


A vida é um milagre de Emir Kusturica. 2h 30 minutos de uma beleza sem palavras. O cenário é lindo. As músicas são imensamente divertidas. Os personagens são hilariantes - obviamente, pois é um filme do Kusturica. E o cão, o gato e a burra são de rir até ficar com dores de barriga!! Tentei encontrar um vídeo no you tube para postar, mas não fazem justiça ao filme. Vão ver o filme....

domingo, julho 18, 2010

No meu sotaque, Arto Lindsay

Deixo-vos com a minha obsessão do momento....



PS - Ignorem o vídeo, que é apenas uma imagem sem sentido. Curtam só a música!!!

quinta-feira, julho 15, 2010

sábado, julho 10, 2010

Sem comentários...

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade. Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

By Miguel Sousa Tavares

sexta-feira, julho 09, 2010

Aqui e Agora

"É difícil viver no presente. O passado e o futuro continuam a atormentar-nos.
O passado com remorsos, o futuro com preocupações. (...)
Mas piores que as culpas, são as preocupações.
As nossas preocupações enchem-nos a vida de "o que será se": o que será se fico desempregado; o que será se o meu pai morrer; o que será se não tiver dinheiro suficiente; o que será se a economia enfraquece ainda mais; o que será se estala uma guerra?
(...) os verdadeiros inimigos da nossa vida são os "deverias" e os "ses".
São eles que nos puxam para um passado que não se pode modificar e para um futuro imprevisível.
Mas a vida real tem lugar aqui e agora."

"Aqui e Agora" de Henri Nowen (texto retirado de http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/)

quarta-feira, julho 07, 2010

Confissões de uma fala-barato 2

Estou velha. Quem o diz não sou eu, mas sim a minha sobrinha de doze anos que, com a docilidade (?!) típica da adolescência mo informa.
Tudo aconteceu a meio de uma refeição entre família e de tal forma imprevista e abrupta que quase me engasguei com o pedaço de pão que tinha na boca. Foram precisos bastantes copos de água para fazer passar não o pão, mas sim o nó de estupefacção com que fiquei pela goela abaixo.
Vamos por partes. Na sequência de uma cena típica de negociação parental em que o tema é idade suficiente para sair à noite só com as amigas e uma vez que não se chegava a um número consensual, eu, tia preocupada com o bem-estar emocional das pequenas (embora agora um pouco já algo para o crescidas) resolvi intervir e prontificar-me para mediar a integração no meio nocturno, com peso e medida. Basicamente disse:
‘’Se não queres ir com os pais, porque até compreendo que tenhas vergonha e tal, podes ir comigo, hã? Fingimos que somos irmãs, hein? Boa?’’ – propus com a melhor das intenções e com o pretensiosismo desmedido típico da tia ‘’porreiraça’’.
Do outro lado, um redondo ‘’Não quero’’.
‘’Como assim não queres?’’ – questionei, espantada mas ainda descontraída.
‘’Contigo não quero ir! É a mesma coisa que ir com os meus pais, olha!’’ – a diabrete atirou.
Olhando em redor, perante pais, avós, irmã mais nova e bebé incluído, e vendo que escutavam atentamente o diálogo em silêncio e aguardando pela minha resposta, balbuciei:
‘’Por acaso não estás a dizer … ha, hum …. que sou …. velha demais … para ir contigo sair?
Do outro lado, o disparo fatal.
‘’Sim, és’’
Este ‘’Sim, és.’’ foi dito com a despreocupação típica de quem come batatas fritas molhadas em gema de ovo, sem sequer parar para olhar-me nos olhos.
Vinda do meu lado esquerdo, como se não bastasse, ainda recebi uma cotovelada do meu esposo que, em plena violação aos votos matrimoniais e passo a citar ‘’…. na saúde, na doença, na vez em que constatas que estás a envelhecer, etc …’’, me diz:
‘’Pimba, toma! Quiseste armar-te e agora ouviste o que não querias!’’
Fiquei muda. Os olhos fixaram um ponto naquela mesa e nem sequer tive coragem de olhar as pessoas que estavam à mesa que, para disfarçar começaram a fazer barulho com os talheres e a falar coisas sem sentido com a bebé.
Na minha mente, bailavam afirmações cruzadas, vozes de indignação, de interrogação, de espanto:
‘’ Como é que é possível? Eu só vou fazer trinta anos, mas até nem pareço nada! As pessoas nunca me dão a minha idade, dizem sempre que pareço ter muito menos!! Será que estou a ficar com rugas? São as brancas, de certeza, estas malditas brancas que dão ar de velha! Buuuuuáááááááááa´!!!’’
Foi o fim da picada. A partir daí, penalizações nas prendas de Natal, aniversário e Páscoa seriam garantidas. A tia jovem e mãos-largas iria dar lugar à tia cota e forreta.
No calor da emoção, essa foi a sentença imediata para aquele tiro à queima roupa.
Em minha defesa, após ponderação, digo o seguinte:

Posso não estar preparada para mais nada nesta vida mas sei que: para mudar fraldas, aquecer biberões, apaziguar choros ou proferir baboseiras monossilábicas e sem sentido (e em voz alta !!) estou amplamente qualificada. Há doze anos atrás, esta mesma sobrinha que hoje me qualifica como ‘’fora do prazo de validade’’ não se importava nada com a minha idade. Para ela, o importante é que eu lhe garantisse o rabinho enxuto, o biberão na temperatura ideal e a horas condizentes com o seu relógio interno e, de preferência, colinho quentinho na hora de dormir.
Aliás, minto. O colo não era só na hora de dormir. Na fase dos seis meses, iniciou-se uma obsessão doentia de percorrer todos os cantos da casa. Como ainda não caminhava cabia-me a mim a função de garantir o transporte. Pois se existem os sightseeing bus., eu era para ela uma espécie de sightseeing arm. E posso jurar pela minha morte que aquele peso bruto alapado no meu braço esquerdo horas seguidas de indicador em riste a apontar o caminho por onde queria ir, contribuiu decisivamente para a minha desgraça lombar. Pondero, inclusivamente, atribuir aos colos excessivos o desnivelamento dos meus ombros. Ah pois é!
Estas crianças de hoje em dia são umas ingratas, umas egoístas, umas, umas jovens … eu sei lá!
E eu? E eu, hã?
Eu ... derreto-me com o olhar terno delas, com sorriso delas, com o abraço delas, com as ‘’graxas’’ delas para as levar ao cinema e a comer porcarias que os pais proíbem …
Persisto no erro e continuo a amá-las incondicionalmente. Tenha trinta, quarenta, cem anos.
E nada pode reverter essa situação.
Porque as crianças não mentem e ela não mentiu.
Apenas me relembrou que, com a idade dela, também sonhava com o dia em que podia ir à discoteca só com os meus amigos!! E, já na altura – e a memória não me falha – os tios, por mais que os adorasse, não estavam incluídos nessa saída!

Que calor!

Uma espreguiçadeira ou, vá, uma rede dependurada entre duas àrvores frondosas, o mar a meia dúzia de passos e um suquinho de maracujá na mesinha ao lado...

segunda-feira, julho 05, 2010

Dreams do come true!

Contdown para o realizar de um sonho. Depois de NY, só faltava mesmo este!!! :)
Até lá, trabalho, conduzo, cozinho e respiro ao som da minha banda do coração.
A que me faz sentir completamente ALIVE!!!

sexta-feira, julho 02, 2010

Confissões de uma fala-barato

Dizem que a entrada nos trinta assinala o auge feminino. Estou a escassos meses de completar essa idade - que é para mim mais bizarra e estranha do que os costumes dos habitantes da Patagónia - e posso jurar que sinto tudo menos que caminho para o pódio.
Conversando um dia destes com mais duas amigas sobre celulites e coisas afins, cheguei à conclusão de que se me fosse concedido um derradeiro desejo ao génio da lâmpada todo o meu agradecimento recaíria na benção deste me voltar a conceder o meu cabelo de adolescente, com zero brancas pelo meio. Na verdade, de todos os males da idade, as brancas vieram desestabilizar a minha vida de tal maneira que grande parte da minha vida gira em torno de contagens decrescentes até à próxima coloração. Se, por um lado, o ritual do tingimento dos fios capilares é para mim como que uma tortura, por outro lado, o resultado é uma bênção. É como se passasse dos cinquenta novamente para os vinte (vinte e seis, vá).
O pior é que desde os últimos tempos que a coisa se tem vindo a agravar. O milagre das tintas parece estar a desistir de mim, porque ultimamente saio do cabeleireiro já com duas ou três brancas a brilharem no alto da minha cabeça, orgulhosas do facto de terem adquirido uma misteriosa imunidade face ao poderoso químico que parece tingir tudo (orelhas, testa, toalha (!)) menos o que deveria.
Mas isto não é tudo. A agravar a situação, o meu cabelo, outrora farto, ameaça tornar-se numa fina película a cobrir-me a nuca. Cai de tal forma frequente e descontrolada que, por onde passo, pareço deixar um rasto de cabelos atrás de mim. Mais uma vez, recorrendo à ciência capilar, tenho feito uso e abuso de todas as mezinhas que apanho pela frente, desde pozinhos multi-vitamínicos solúveis até às típicas ampolas que me dão cabo da paciência porque demoram demasiado tempo a aplicar e, sobretudo, porque obedecem a rotinas, um sacrifício e convite irresistível à desistência.
Sempre detestei rotinas e desde que casei que tentei impedir que estas se instituíssem nas nossas vidas. Não existe dia fixo para visitar os parentes, para estar com os amigos, ir ao cinema e muito menos (!) para actividades do casal … Como a rotina dos cinco dias úteis de trabalho tem um peso esmagador na minha vida penso que no facto de não existir rotinas na minha vida pessoal encontrei uma bóia de salvação da insanidade total. Pelo menos assim o quero acreditar.
Estava a falar do meu cabelo e comecei a perder o rumo da conversa. Isso em mim é tão habitual que algumas pessoas já me disseram que sou muito faladora ou uma ‘’fala barato’’. Nunca cheguei a perceber as exactas percentagens de crítica e de elogio subjacentes nessa apreciação, mas a verdade é que cada vez mais me estou nas tintas para o que os outros pensam sobre mim.
Até porque, se há uma coisa de útil em envelhecer, é a dita sabedoria. A minha, apesar de embrionária, diz-me que serei mais feliz se deixar de considerar as opiniões sobre minha pessoa que são proferidas por pessoas pelas quais não tenho profunda admiração e que me despertam vontade súbita de tirar a sesta. E a verdade é que até me tenho dado razoavelmente bem seguindo esta teoria.
No fundo, o que de bom têm as nossas crenças é que são como os leggings, um dia estão na moda, no outro estão fora dela. E é por isso que acredito cada vez mais que as pessoas mais felizes tendem a mudar de opinião mais vezes e a ter cada vez menos certezas na vida. Porque ao ritmo de mudança que hoje experienciamos tudo é posto em perspectiva de forma tão veloz que se não somos flexíveis e preferimos ver a coisa apenas ‘’à nossa maneira’’ quando dermos por ela, estamos sozinhos e infelizes.
Nada disto faz sentido se pensado no abstracto. Um exemplo em concreto: a questão da despenalização do aborto. Se há uns anos tinha uma opinião, hoje tenho outra que é o oposto. O que aconteceu dentro de mim? Aprendizagem. Já é positivo, significa que pelo menos o meu sedentarismo crónico ainda não atingiu o meu cérebro.
Ora, voltando ao cabelo parece passar-se o oposto. Parece que quanto mais tempo passo a cuidar dele, menos conhecedora dele me torno, porque por um lado, e apesar de todos os meus esforços e serúns milagrosos, as pontas continuam a espigar e, por outro, quanto mais prancha alisadora lhe ponho em cima, mais o estafermo teima em encaracolar.
Desistir seria admitir um fracasso e penso que ainda sou demasiadamente jovem para assumir tal peso nas costas. Até porque, uma vez que se fala nelas, diga-se que a entrada nos trinta não estão a correr nada bem nesse campo. No espaço de dois anos, um médico comunicou-me que tinha um ombro mais acima do que o outro (o que é aborrecido para usar tops), ameaçou-me com uma hérnia discal que posteriormente foi desconfirmada mas que me obrigou a passar pela experiência claustrofobia e ensurdecedora de uma ressonância magnética e pelo trauma de picadas e choques de agulhas da electromiografia ao braço esquerdo. Como se não bastasse sentir-me como um fruto que apodrece, eis senão quando um personal trainer me encosta literalmente a uma parede, olha para a minha curvatura lombar e prenuncia o meu fim: ‘’Você com essa lordose (i.e. curvatura pronunciada no final das costas, na zona do cóccix) e da maneira como tem essas costas ao terceiro mês de gravidez vai para casa e fica de cama até ao final’’. Não satisfeito ainda adicionou mais pesticida à fruta já de si podre e rematou: ‘’E que dizer dessas clavículas assim sem massa muscular e só osso? Num acidente a 50 à hora, fica paralisada na certa’’.
Há que ser muito resiliente e, como dizem os brasileiros, ouvido duro para ignorar estas sentenças apocalípticas. Mas a verdade é que não só consegui ignorá-las como direccionar toda a minha atenção e preocupação para o meu drama capilar. Afinal de contas, o cabelo embeleza sobremaneira uma mulher.
Bom, ainda acerca de génios da lâmpada e de concessão gratuita de desejos, creio ter desiludido a minha barriga da perna que não se viu contemplada com uma atençãozinha do génio omnipotente.
A verdade é que, se há capítulo virado definitivamente no meu livro de aflições femininas e que não transita para a década dos trinta, é a que contempla a temática pernas e toda uma secção dedicada à barriga da perna, gémeos incluídos. Palavras como: presunto, troncos de árvore e garrotes deixaram de ter duplo significado e de estar associadas à justificação pela qual me recusava a usar qualquer tipo de roupa (vestido, saias, calções) que não cobrisse as minhas pernas. Presunto passou apenas a ser uma iguaria saborosa em combinação com melão e os troncos de árvore passaram a ser única e exclusivamente isso mesmo: troncos de árvore. E, já agora, garrotes são apenas pedaços de madeira que evito pegar para não infligir ainda mais danos nas minhas já de si desidratadas e degeneradas vértebras lombares
A partir do momento em que ultrapassei essa barreira todo um novo mundo se abriu perante mim, ou melhor, perante os meus joelhos que passaram a ver mais vezes a luz do dia.
A parte menos boa da coisa é que me tornei viciada em vestidos. Lisos, floridos, a direito ou plissados, não interessa. Os meus olhos estigmatizados e recentemente míopes brilham com vestidos. E o facto é que tendencialmente os compro não muito justos, com a desculpa de vão ser roupas úteis no período da gravidez.
Sim, gravidez que cada vez mais se antevê como um estado de graça a curto-prazo …
Bem sei que o meu cabelo irá ficar ainda mais fraco e que as unhas e os dentes ficarão fraquinhos. A circulação irá piorar e as pernas se já antes inchavam com o calor e o cansaço, irão nessa altura duplicar de tamanho. Ainda assim, teimo em caminhar nesse sentido.
Mas como antes dos trinta anos tal não irá acontecer, resta-me discorrer sobre temas tão centrais como cabelos, vestidos, drenagem linfática e carreira. Porque graças a Deus, de Amor estou bem servida e porque a felicidade não cabe nas palavras.
E chegada ao fim da página, percebo que a subida ao pódio nos trinta anos não passa por ter uma cabeleira farta, nem tão pouco umas pernas Olívia Palito. O que mói o juizinho, o que aborrece mesmo é entrar nos trinta anos e perceber que tudo permanece aborrecidamente igual aqui neste cubículo estéril de inspiração, entusiasmo e vida em que a motivação é um pequeno punhado de notas que ao final do mês servem, pelo menos, para comprar tinta de cabelo e vestidos.

Carminho gosta disto .... LOL

quinta-feira, julho 01, 2010